sábado, 27 de dezembro de 2008

Nota do Autor - Ato II

Interrompemos a programação normal desse blog e o recesso de final de ano do mesmo pára que o Fala Consciência possa se defender das acusações infundadas, inverossímeis e insustentáveis, que anda recebendo de jornalistas sensacionalistas, que fazem parte da imprensa marrom e não tem compromisso com a ética e a verdade. Tais acusações foram feitas sem litígio (não, eu não sei o que significa essa palavra) em um veículo de comunicação duvidoso sobre seu conteúdo chamado YouTube (sim, agora eu sei o que a Daniela Cicarelli sentiu quando deu pro Homem Berinjela). Um vídeo publicado com o irônico título Jornalismo Verdade, de autoria do quase-jornalista/blogueiro Daniel Castilho, mais conhecido como Bryce, com imagens da quase-jornalista/mulher-do-quase-jornalista Lilia Samara, vem a tona para tentar destruir a credibilidade desse blog.


Chupa que é de uva...

Um Feliz 2009 para todas as pessoas boas do mundo, mas em especial para os leitores desse humilde blog que me aturaram tão bem por mais um ano. Sim, eu desejo um Feliz Ano Novo também pro Bryce e pra Samara, no fim das contas eu sei que eles me amam e eu amo eles também.

O Fala Consciência volta em 2009 com novidades e uma linha editorial reformulada. Aguardem!
ps: gente, é que a minha mãe quando lava o carro escuta essas coisas!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Sabe O Que Fazer Quando Seus Sonhos Vão Por Água Abaixo Literalmente? Dance!

Aí eu soube que o Dangerous Muse se apresentou no clube Glória em São Paulo... só dois dias depois da apresentação. E deu aquela vontade básica de morrer. Ainda mais porque eles deram LP’s de graça pra um monte de gente que não sabe nem dizer “the book is on the table”, se jogaram na pista bêbados depois da apresentação e (reza a lenda urbana pós-show) não fizeram carão nenhum. Gramour total! E eu perdi tudo.
Madonna que se foda, Dangerous Muse no Brasil foi o show do ano. Já nesse final de semana eu me deparo apenas com chuva, tempo nublado, e falta de ingressos individuais para o Baile do Hawai que eu estava jurando que iria desde o ano passado... Sim, esse é um daqueles posts com tom de revoltado.
A propósito, falando em chuvas, eu estou desde maio desse ano planejando minhas férias (que começarão no carnaval do ano que vem), e todos meus planos estavam focados em... Florianópolis!
E quando eu digo que Deus é um cara irônico poucas pessoas acreditam. Tragédias a parte, eu me solidarizo muito com as vítimas, mas tudo ainda parece tão irreal, o Brasil é um país tão grande, gigante, fica difícil entender que aquilo esteja acontecendo com o vizinho de baixo, parece uma coisa tão O Dia Depois de Amanhã.

E engraçado que quando eu falo dos meus fatores que levaram a escolher Floripa como destino do meu carnaval as pessoas acham um pouco estranho. Não foi só praia, ferveção e gente bonita que me fez escolher a cidade como destino, há muitas outras opções assim. No carnaval do ano passado, o clube The Week deixou de ser de verão por lá e abriu suas portas definitivamente, pra abertura eles chamaram o DJ israelense Offer Nissim, um dos maiores nomes da eletro music da atualidade, responsável pelo sucesso mundial daquela musica chata da Maya, Alone, lógico que o resto do trabalho dele é algo muito superior, como Beatiful Eyes e Happy People. Um outro clube contratou David Guetta, outro DJ que eu sou muito fã. Caralho, no carnaval, dominado geralmente por axé, você ver uma capital bastante animada e cada dia mais famosa pelo seu turismo valorizar a musica eletrônica, é de dar vontade de correr pra lá.


Nazarian tava dizendo que ia passar o Reveillon dele em Floripa nem que tivesse que chegar lá a nado, e eu já botei na minha cabeça que vou curtir o carnaval em Florianópolis nem que eu tenha que passar por lama. Falando em Santiago Nazarian (sim, de novo), ele tava falando da primeira seleção do Prêmio Sesc de Literatura. “Devo confessar que foi constrangedor ler TANTA COISA RUIM, mas ao mesmo tempo foi lindo descobrir, no meio do lixo, quatro autores de verdade, ótimos, que merecem os três o primeiro lugar”, palavras dele. Como eu estou participando do prêmio, não sei se deveria me sentir nervoso por fazer parte do TANTA COISA RUIM, ou dos quatro autores ótimos (esperança é a última que morre, não?). Enfim, o resultado do prêmio sai só no começo do ano que vem, antes eu não estava aguardando anciosamente, até esqueci, agora fiquei na expectativa de vez. Quem é amigo torce, ok? Quem não é amigo torce também!

Com o fim de ano eu dei um tempo em tudo com relação a cultura. Eu sei, é quase um suicídio do lóbulo frontal esquerdo do cérebro dizer isso, mas as próprias coisas andam meio paradas. O cinema anda sem graça, a música em 2008 se mostrou decpcionante, o Obama foi eleito, a crise mundial colocou o capitalismo em cheque, quem comprou carro comprou, quem não comprou se fudeu e o Natal ta aí. Época de dar e receber... presentes.

Aliás, se um dia eu for pai (bate na madeira três vezes) meu filho nunca vai sentar no colo de Papai Noel. Pensa comigo gente, um velhinho, que vive isolado, aparece numa época estrondosa e seduz criancinhas oferecendo presentes e doces, em troca coloca-as no seu colo e pergunta se eles foram “bons meninos”. Eu sempre tive certeza que Papai Noel só havia contratado duendes para sua empresa de brinquedos porque a estatura dos duendes o mantém inerte em pensamentos libidinosos o ano inteiro, até o Natal. O pior é que com esse negócio de presentes e bom velhinho as crianças acham que Papai Noel e Deus são tudo a mesma coisa.

Aliás, comprei mega antecipado o presente de todas as mulheres lá de casa e como eu sei que elas não freqüentam esse blog, aí vai a dica pra você presentear uma mulher importante também (importante e moderna claro):

Aproveitei e já me dei de presente os dois livros de Calvin e Haroldo que faltavam a minha coleção. O Natal faz com que eu me sinta uma pessoa melhor. Até trabalhar no hospital ta sendo menos torturante.

Demais, ando escutando Mystery Jets. Uns ingleses com jeito descoladão, as vezes parecem só gays, outras só drogados, mas eu acho que eles são os dois. O som me parece bem oitentista, acho que é por isso que eu gostei, a moda é ser retrô, não?

Mas de fato, isso não faz meu estilo. Se prender ao passado culturalmente. As pessoas dizem que os anos 80 foram os ápices culturais da história, e por diversas vezes eu ouvi pessoas da minha idade querendo ter nascido nos anos 80. Eu não, ser dinâmico e assimilar coisas, amando-as e descartando-as em seguida é meu ponto forte com relação a ícones pops. Assim como a música eletrônica, que você pode cantar e dançar loucamente num dia, para que no seguinte, ela seja simplesmente substituída por outra batida. Acho que essa é a maior vantagem e desvantagem da musica eletrônica, a capacidade de chegar ao topo e descer ladeira abaixo tão rápido quanto uma descida de montanha russa. Mas claro, a descida de montanha russa so é rápida pra quem está olhando e curtindo de fora, nunca pra quem está dentro do carrinho.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Conversas Bizarras (Im)Prováveis - Ato V

Eu: Eu continuo não achando uma boa idéia estar aqui.

Polly: Pára de achar, Samuel. Seja homem.

Eu: Ok, mas com o medo que eu to, avise se eu estiver conseguindo.

Polly: ¬¬

O vidro abaixa, a traveca aparece.

Traveca: Olha benhê, sou ativa, passiva, versátil, faço chuva dourada, lua marrom, gozo nos seus peitos se você quiser...

A traveca me vê no lado do co-piloto.

Traveca: Opa... já vou logo dizenduo que pra casal é o dobro.

Eu: Ei, está havendo um pequeno engano aqui...

Polly: É! Não é nada disso que você esta pensando.

Traveca: Ah, intendí! Ele vai só dá uma zoiadinha, né? Saquei! Essa cousa voieur não minha praia, mas eu aceito, belez?

Polly: Nós não estamos atrás de programa, nós só queremos fazer uma entrevista com você.

Traveca se debruça no vidro, os olhos brilham.

Traveca: Sério, maninha? É pra Prayboy?

Polly: Não!

Traveca: Fantástico? Sempre quis sair naquelas matérias sobre a virda fácil não ser tão fácil assim...

Polly: Hum... não!

Traveca (já desconfiada): Gazeta Alerta?

Polly: Também não?

Traveca: astravecasmaisgostosasedotadas.com.br?

Eu: Oh, meu Deus!

Polly: Beeeeem... nããão.

Traveca: É pra que então, heim filhinha?

Polly: Pra minha monografia!

Momento de silêncio.

Traveca: Que é isso?

Polly: É um negócio da universidade...

Os olhos da traveca brilham de novo.

Traveca: Mininaaaa... cê eu ti contá que eu quase entru na faculdadi...

Eu: Ah é... e porque não entrou?

Traveca: Purque o Tonhão, na época que eu estava fazendo pograma no bar dele, encanou que eu devia estar realizando um curso de massagi invés desse negócio de vestibular. Tonhão chegava logo espancando quando ouvia esses papos. A gente ia estar dando um jeito, mas não rolou, sabe?

Eu: Fazendo... Realizando... Espancando... Dando... Eu acho que ela daria uma ótima atendente de telemarketing.

Polly: Ok, eu desisto. Pega 20 reais que eu to vazando.

Traveca: Gradicida! Boa sorte na manugrafiti.

Esse papo nunca aconteceu de verdade, mas o pior é que poderia ter acontecido sim.
Essa também é uma pequena homenagem a minha amiga Pollyana que pegou o facílimo tema de prostituição pra dissertar na monografia dela.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Qual A Semelhança Entre Zumbis Canibais e Mulheres Muito Feias?

Sim, eu vou falar de zumbis de novo. Sim, zumbis no contexto da cultura pop é um assunto que me excita. Não, parem agora de imaginar merda. Afinal:

“- Qual o privilégio dos mortos?
- Não morrer mais.”
Alphaville – de Godard, para, Otto; or up with dead people – de Bruce laBruce

Aliás, falando em zumbis, vem aí mais um Big Brother. E Deus sabe que o Brasil é um dos poucos países em que essa maravilhosa “novela da vida real” chega a sua nona edição. Ok, eu vou me gongar agora, mas eu acompanhei a primeira edição do começo ao fim, gostei, admito e o primeiro que vier me chamar de alienado por isso vai ter que demonstrar em documentos que nunca acompanhou sequer um episódio de uma novela global, uma mexicana ou pior (Jesus tenha piedade da televisão brasileira), Os Mutantes. Porque é muito fácil você dizer que o Big Brother é uma coisa para pessoas aculturadas, mesmo sendo algo extremamente idiota e você se apoiar nisso para parecer o intelectual.

E foi na terceira edição que eu tive um lapso genial. E se o Jason entrasse no estúdio dos brothers, matasse todos os câmera-men, diretores, apoio (sim, ele seria capaz de fazer isso sozinho e andando a 2,5km/h), depois entrasse na casa, que já estaria abandonada apenas com as câmeras automáticas e matasse um por um os participantes ninfomaníacos/anoréxicas/ siliconadas/sarados, ate que ele morreria nas mãos do último casal vivo e sua máscara de hóquei afundasse nas águas de Crystal Lake, quer dizer, da piscina cheia de cloro da casa? Cara, ia ser demais.

Ninguém pensou nisso junto comigo. Mas vai sair um remake do primeiro Sexta Feira 13 no ano que vem, e eu tremo todinho nas bases quando penso nisso. O trailer parece muito bom, mesmo que as vítimas novas pareçam coelhinhas da Playboy e integrantes do Fall Out Boy. Não que eles não mereçam morrer, mas em filmes de terror fica difícil odiar o assassino quando você torce pela morte de todo mundo. Enfim, não tiveram minha idéia de misturar o Jason com o Big Brother, mas na Inglaterra, alguém foi muito além da minha concepção e ganhou minha gratidão eterna, misturou o Big Brother e uma epidemia de zumbis canibais em um único local. Confinados numa casa, se zumbis sedentos por sangue surgissem, nossos brothers seriam os últimos a saber.

Essa é a premissa de Dead Set. Série em 5 episódios que conta como o isolado estúdio do Big Brother não observa os sinais televisivos de que algo está muito errado em todo o país, e durante a eliminação de uma participante (com todo aquele povo a la Bial) a infestação chega e em cenas memoráveis, mesmo com péssimas atuações, os zumbis aos poucos vão se multiplicando e morre todo mundo. As cenas dos controladores de VT sendo assassinados, alguns até em cima de suas ilhas de edição, com o sangue respingando nas telas, enquanto os brothers dançam Grace Kelly de Mika (sim, Mika tocando durante o melhor momento da carnificina), além da apresentadora tendo o pescoço destroçado, um zumbi atacando um cadeirante de rodas, e as editoras gritando para o chefe filho da puta abrir a porta, ele não abre, e no vidro da porta o canalha observando elas sendo devoradas, são simplesmente incríveis.

Isso tudo apenas no primeiro episódio. No segundo temos participantes de um Big Brother que não sabem de nada do que aconteceu, mesmo que os espelho do lado do estúdio na casa estejam manchados de sangue. Lógico, do lado do estúdio, sobrou uma personagem, a estagiária que serve o café (sempre os estagiários) e ela vai se refugiar no único lugar que parece seguro, a casa. E então, os brothers se tornam realmente os últimos a saber. Ainda não terminei de assistir Dead Set, mas só de lembrar eu me arrepio todinho. Não de medo, mas de excitado.

Aliás, eu ando assistindo menos filmes na minha vida e mais séries. Não que eu tenha deixado minha maior paixão de lado, pelo contrário, o cinema sempre será meu maior amante, mas o momento de séries no mundo anda bastante bom há quase uma década. Meu vício atual é nas hilárias Desperate Housewives e Ugly Betty.

Desperate Housewives talvez seja o Sexy and the City as avesas, mulheres belas, gostosas, inteligentes e poderosas que apenas se dedicam a cuidar do lar, da família e viver uma vida comum. Com essa idéia, Desperate se torna fantástica por abordar que vidas comuns não existem, todos temos segredos, perversões, fantasias, mistérios e, principalmente, passado. A primeira temporada é genial, as outras são muito boas. É leve mesmo quando deveria ser pesada e me faz dar altas gargalhadas com seu humor negro. Talvez seu maior defeito seja a politização, é visível que todos lá são republicanos e votariam no McCain.

E em contrapartida temos Ugly Betty. A versão americana de Betty, a Feia, que venhamos e convenhamos, quando lançada em 2006, ninguém acreditava que daria certo. E deu, até demais. Com essa eu gargalho. Os primeiros episódios tiveram a idéia de copiar descaradamente um clássico do novo cinema pop, O Diabo Veste Prada. Se bem que eu diria parodiar. Betty é doce, companheira e ótima empregada. Mas é mais feia que um zumbi e causa tanto terror quanto um quando passa. Os roteiristas tiveram a brilhante idéia de misturar o glamour americano com a perspectiva dos países latino, que vai desde o bairro de Betty, tipicamente porto riquenho, as novelas que seu sobrinho assiste. E incrivelmente, todos os personagens possuem fortes personalidades e se tornam destaques, coisa rara.

Betty me dá saudade de filmes de zumbi, mas saem poucas coisas por ano. Eu assisti Doomsday, que parecia ser um filme de zumbis, mas que se mostrou ser uma piores coisas que saíram ultimamente. Sua fórmula é: Los Angeles - Cidade Proibida encontra Mad Max que encontra O Senhor dos Anéis. Viajou na maionese legal pra não chegar em canto nenhum.

Minhas esperanças de filme de zumbi estão no comentado anteriormente, Otto; or up with dead people. O problema é que esse é um filme de Bruce laBruce, então é o tipo de filme pra chegar com jeitinho, devagar, sem desejar saber o que você vai ver na tela. Já li críticas dizendo que assim como Todo Mundo em Pânico é uma sátira de filmes de terror, Otto é um tipo de bizarra sátira a filmes experimentais, vanguardistas e cults, por isso a citação de Godard e não alguma de George Romero. Além disso, dizem que é um filme que mistura zumbis, com pornografia, movimento punk e um filme dentro do filme. Dizem as más línguas que é difícil inovar no tema de zumbis, mas eu acho mentira. Eles são um dos maiores ícones da cultura pop de massificação e sempre serão.

Assim, aguardo ansiosamente os episódios finais de Dead Set e o lançamento de Otto, enquanto a minha idéia genial de misturar Jason com o Big Brother não brota na cabeça de um roteirista hollywoodiano.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Jacarés Grandes, Aranhas Grandes, Formigas Grandes... Todo Mundo Megalomaníaco

Lembro que um dia estava tranqüilo deitado no sofá da sala lá de casa quando de repente a minha avó entra elétrica vasculhando toda a estante. Eu e minha mãe ficamos olhando aquela cena e ela desesperada nos diz, “Eu perdi os meus óculos, não encontro eles em lugar nenhum, já revirei na casa inteira”, eu e minha mãe nos entreolhamos rapidamente e eu pergunto, “Por acaso seriam esses que estão nos seus olhos?”. Ela rapidamente leva a mão na cara e quando percebe que os óculos realmente estavam lá fica vermelha e sai da sala com uma raiva de si mesma absurda, praguejando contra a própria memória, em direção a cozinha. Eu e minha mãe tivemos a delicadeza de esperar ela sair da sala para gargalharmos e voltar a assistir TV.

Hoje eu quase não deito no sofá da minha casa, aliás, eu não lembro qual foi a última vez que eu parei pra deitar no sofá e assistir TV. Eu era viciado nisso quando era criança. O meu avô dizia que todo sofá que passava lá por casa ficava com as marcas das minhas costas e da minha bunda depois de alguns meses de uso (sim, eu tenho 1,80m, cerca de 60kg, mas eu tenho bunda, ok?). E se tem uma coisa que eu sempre lembro que era caótica lá em casa era a briga pelo canal de TV, principalmente quando eu e meu irmão estávamos cada um estirado num sofá de casa. Meu irmão era tão bandido que mesmo menor que eu, as vezes ficava no sofá grande só pra não me ver nele e eu ficava no menorzinho com os pés flutuando do lado de fora.

Porém, contudo, todavia, se tinha um canal que todo mundo parava lá em casa na hora do almoço, esse canal era o SBT, na sessão Cinema em Casa. Foi nele que eu aprendi que A Lagoa Azul era um filme que se repetia 1 vez por semana e que o Freddy Krueger era um filme que podia deixar as crianças sem dormir a noite passando ao meio dia. Depois inventaram a tal de portaria com censura de idade e fudeu a alegria de quem foi criança no começo dos anos 90.

Aliás, foi com o Cinema em Casa que eu virei fã/tiete/paga-pau de dois tipos de filmes, os de zumbi (meu Deus, passava A Volta dos Mortos Vivos 2 enquanto eu comia arroz com feijão) e os de monstros gigantes. Alguém aqui se lembra do Alligator? Gente, pára tudo e presta atenção: um jacaré gigante se esconde no esgoto de Chicago, piscinas e caixas d’agua de 10.000litros, vira celebridade nacional, se alimenta de cachorros radioativos, depois de seres humanos, invade a festa do prefeito durante o dia, faz maior barraco, banca a Lady Kate e mostra quem é que assina o cheque, come o prefeito na festa e ainda assim consegue ser um bom (eu diria ótimo) filme? Caralho, só podia ser coisa dos anos 80 mesmo. Não tem como não amar o tosco no cinema.

De certo modo, Alligator não é tão tosco não. As cenas do animal aparecendo e fazendo carnificina são muito boas, mesmo quando você percebe que tem um jacaré de verdade andando num cenário de miniatura. O roteiro é interessante, já que o jacaré só cresce devido a uma rede de intrigas onde se misturam homens gananciosos, políticos corruptos e... cachorros radioativos (ok, cachorros com hormônios de crescimento, mas radioativos soam melhores). Então, o verdadeiro vilão de Alligator não é o jacaré, é o homem. O Alligator só quer viver a vida dele normalmente, comer homens toscos gordos e nadar de boa nos esgotos. Mas ai ele vira celebridade, aparece o senador...

Infelizmente, nem só de bons filmes vivem os monstros gigantes. Você já assistiu uma das mil reprises de O Ataque das Formigas Gigantes? Tem uma cena em especial em mais esse clássico do Cinema em Casa na qual as formigas andam por um cais, invadem um iate (?) e matam todo mundo a bordo. Pergunta que não quer calar: por que as porras das formigas gigantes invadem um iate em alto mar só pra matar gente? Foi muito ácido na cabeça desse roteirista, muito ácido mesmo.

Porém, melhor que o Alligator, mais perigoso que o Tubarão de Steven Spilberg e viciante igual O Monstro do Armário (tosco, tosco e mais tosco), está A Invasão das Aranhas Gigantes. Confesso que fico tão emocionado em falar desse filme que nem consigo falar dele mesmo, então, coloca pra carregar o trailer ai que ele fala por si só (e fala até demais).



Pra vocês terem uma idéia da bagaceira, a aranha gigante, era um fusca camuflado com pelúcia (sim, era uma aranha gigante de pelúcia), e os faróis do fusca em questão eram os olhos do bicho. Reparem que: AS PATAS DA ARANHA NÃO TOCAM NO CHÃO. Pior que isso só o meteoro que na verdade é um foguete de S.O.S e a tentativa de vender a idéia de que as aranhas eram alienígenas que vieram de um portal aberto pelo meteoro, saindo de ovos que não se abriam nunca, mas que o isopor quebrava fácil quando a maldita aranha (opa, outro filme) resolvia sair. A morte dela é incrível, é uma melequeira nojenta, uma babação completa, tira o total prazer pelo sorvete. E pensar que eu perdia sono por causa desse filme aos 7 anos.

Já não se fazem mais filmes de monstros gigantes como antes.
E já repararam que tudo tinha gigante no final? Roteiristas megalomaníacos, não?

Filmes modernos de monstros gigantes não são tão bons. Na verdade, esses filmes da nova safra como Cloverfild e O Hospedeiro apelam para o lado emocional da coisa, as relações dramáticas entre os personagens. Os monstros só fazem figuração. Seguindo essa linha, Cloverfild que poderia ser genial, se torna estúpido na maior parte, porém O Hospedeiro se salva, e se salva bem, tirando a dramatização no final que se torna realmente excessiva.

Bom mesmo é o filme O Nevoeiro. Nesse, tem monstros gigantes pra vários gostos, mas eles realmente estão lá de figuração e o drama é o foco principal. O filme não tente levar a imagem dos monstros pra se manter sólido, e é exatamente por isso que ele funciona. Baseado numa ótima obra de Stephen King, a trama começa após uma tempestade numa cidade pequena do Maine. Um pai e seu filho vão no supermercado comprar materiais para a reconstrução da casa onde um grande numero de pessoas foi lá com o mesmo objetivo. Acontecem umas coisas estranhas e um denso nevoeiro cobre tudo e traz consigo um horror gigantesco, monstros enormes que descobrem na carne humana um sabor delicioso. Trancados no supermercado, o inferno começa. O problema é que o perigo não esta só do lado de fora com os monstros, mas no de dentro também, com os humanos.

Aos poucos, uma fanática religiosa monta uma seita pregando um Deus vingativo que precisa de sangue, e os “lúcidos” não sabem mais o que fazer. Morrer pelas mãos dos fanáticos ou correr o risco no nevoeiro repleto de monstros realmente amedrontadores? O filme tem uma trama complexa como só o King é capaz de fazer, além de atuações brilhantes e um final incrível, diferente de quase tudo produzido em Hollywood. Lógico, ele tem suas falhas, como luz demais para um filme tensão/terror e efeitos especiais que deveriam ter sido menos trabalhados, mais escurecidos.

Ainda assim, prefiro que aranhas flutuantes e jacarés mecânicos fiquem lá nos anos 70 e 80 mesmo, junto com o sofá lá de casa e as marcas da minha bunda nos anos 90.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Móveis Feitos Com Tabaco, Quanto Custa O Seu Desejo E Waldick Soriano Is Rock

A imagem que ilustra a primeira parte desse texto é meramente ilustrativa

Fazer compras sempre me foi uma tarefa fácil e, no geral, sempre é uma tarefa fácil para qualquer pessoa do gênero masculino, independente até de com quem esse gênero prefere fazer sexo. É ter o que quer na cabeça, sair, comprar e voltar. Simples assim. Já mulher, não, pensa, pensa, não decide, sai, volta, sai, volta, decide, volta atrás na decisão, encontra algo que nem queria comprar na verdade, decide-se por esse algo, fica em dúvida se leva o que queria ou o que não queria, decide-se pelo que não queria, pechincha, paga, volta pra casa e, geralmente, se arrepende. E aí mistura eu e minha avó na compra dos novos móveis do meu quarto que, bem, foi uma pequena odisséia.

Eu havia me decidido pelos móveis da loja A, mas aí eu enrolei duas semanas pra comprar, até que no dia resolvo ir com a minha avó, a gente vai na loja A, mas ela me faz ir na loja B, C, D e E. Tudo na C é bonito, mas é caro também. Tudo na E só parece bonito e ainda é caro. A gente roda, roda, e no fim eu resolvo por um móvel da B e um da A, de um total de três eu planejava levar. Simples assim. Mudou tudo. Ate a cor. Em primeira instancia tudo era marfim, logo, virou branco e preto, seguindo tendências modernas (lê-se: um amigo meu em sampa decorou todo o apê dele com móveis brancos e pretos, quis igual).

Os problemas só começaram. Já na entrega o guarda roupa veio com um fungo de uma ponta a outra. "Mas é so uma manchinha", disse o entregador. "Teu cu!", respondi de volta. Como vingança, a loja em questão resolveu atrasar minha vida em uma semana. Como meu quarto estava um pouco mais organizado que uma ruela no Iraque, tive que dormir esse tempo todo com a minha mãe no quarto dela. O problema não era nem o fato de que eu, um garoto de 20 anos e 1,80m, estava dormindo novamente com a mãe, como uma criança que acordou no meio da noite por causa de um pesadelo (Deus, a última vez que eu fiz isso eu tinha 12 anos), o problema era que depois de 4 anos dormindo sozinho numa cama de casal (ok, nem sempre sozinho), você fica um pouco espaçoso.

Tipo, eu acordava no meio da madrugada batendo em alguma coisa com meu joelho, por reflexo, eu batia uma segunda vez, com mais força ainda. Isso em que eu batia era o corpo da minha mãe. Tadinha.

No final das contas, o quarto foi praticamente reformulado e tudo ficou lindo. Quer dizer, ate eu perceber que eu havia perdido metade da entrada do meu banheiro e que meu avô havia lembrado que eu não tenho costume de limpar nada, logo ele da dois meses pra que as partes brancas fiquem marrons. "fica em dúvida se leva o que queria ou o que não queria, decide-se pelo que não queria, pechincha, paga, volta pra casa e, geralmente, se arrepende", lembrei dessa parte e suspirei fundo.

Pior que isso só o diabo do iPhone. Eu passei meses sonhando que o preço dele no Brasil não seria abusivo. Mas aí ele chega, chega com força e chega com umas 1500 pilas só o corpo. Porra de país com telefonia do caralho (momento desabafo mode: off). Não entendo como a Apple aceitou a comercialização de seu produto carro chefe dessa maneira. A empresa de tecnologia mais admirada do mundo por nerds, teens e high society (tudo ao mesmo tempo), pretendia popularizar o aparelho no mundo. No Brasil ele vira acessório de luxo.

Mais revoltante que isso, so a Preta Gil, de penetra na festa de lançamento do celular, usando preto, que ela acha que vai emagrecê-la (mas desculpa te avisar seu canhão, não funciona), que ao indagada sobre que aparelho compraria (8GB ou 16GB) a cantora (heim?) respondeu "Comprar? A gente não é hipócrita, né?", disse, confiante no brinde após a festa. "Eu quero o G3". A vaca queria o aparelho de GRA-ÇA! E eu que se comprar o meu vou ralar um ano só pra pagar. Detalhe, G3 é o tamanho da calcinha dela, o iPhone é 3G.
Você viu Jesus? Não?! De novo então...

Já que não da pra ser o consumista desenfreado, vamos ser o indie. Esse último final de semana aconteceu em Rio Branco o já bastante reconhecido Festival Varadouro. Foi a primeira vez que eu fui em um festival do circuito independente, antes eu só escutava as coisas pelo MySpace, e embora eu tenha ido apenas na segunda noite, e colocado meu nome para cobrir o evento, correndo atrás dos palcos, na frente dos palcos e nas coletivas para tirar fotos, foi tudo muito bom.

Organizado pelo Coletivo Catraia, o Varadouro desse ano trouxe atrações de peso do cenário independente, como Ecos Falsos, Daniel de Moraes e o Sindicato, Hey Hey Hey, o estonteante Cordel do Fogo Encantado e um dos maiores símbolos de toda cultura acreana dessa nova geração, a queridinha Los Porongas (o qual eu não vejo um show desde que eles foram para São Paulo ano passado). Não vou me atentar a criticar o Festival, eu não tenho cacique o suficiente pra isso, além de ter visto apenas metade das apresentações. Mas é fato que eu não posso deixar de falar da banda que mais me chamou a atenção, Diego de Moraes e o Sindicato.

Lembro que depois de eu tirar algumas fotos do Cabocrioulo, andando de volta por trás do palco, vejo de relapso uma coisa correndo por mim, onde só pude identificar os cabelos pretos longos, uma mochila, calças e blusa de botão imediatamente penso, "menino ou menina?". Descubro depois, já na frente do palco, que esse era Diego de Moraes, subindo com sua banda e iniciando sua apresentação com a viciante musica Amigo. O diferencial da banda apresentado no som que eles produzem é hilário, divertido e contagiante. As mudanças de tom que Diego usa em suas musicas são engraçadas ao mesmo tempo que prende a atenção. E que porra de estilo é aquele? Samba, brega, rock, forró, tudo misturado?

Não é uma apresentação metódica, com o objetivo de ser perfeita, de se aclamar como uma banda. São garotos cuja maior paixão é visivelmente fazer musica e que se divertem imensamente com isso. Não é a toa que em dado momento, Diego cai entre duas caixas de som e lá fica, cantando, rindo, gargalhando, até o momento em que tudo perde o nexo, e ele começa a cantar "Sorria meu bem, sorriiiia", vira pro público e em tom de quem está conversando com seu melhor amigo diz, "escutem Waldick Soriano, assistam o documentário Eu Não Sou Cachorro Não". Eu não sei o resto do público, mas eu o aplaudi com louvor.
Diego de Moraes como eu o vi

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Analisando Grandes Clássicos da Literatura

Em mais um momento de devaneio (lê-se: eu to sem nada o que escrever por aqui), o Fala Consciência trás para você querido leitor, um serviço de utilidade pública super útil, um pequeno resumo de livros marcantes para a humanidade (ou não, depende do ponto de vista, opinião é como bunda, cada um tem a sua) e uma análise precisa, meticulosa e científica-acadêmica, indo aos confins de onde poucas análises críticas literárias foram dessas mesmas obras. E ai neguinho se pergunta: "grande coisa, o que eu vou ganhar com isso?", e eu respondo: primeiro que você vai guardar na carteira pelo menos umas 500 pilas (oh! It's amazing), segundo que você vai se poupar de ler umas 5000 páginas sem figuras, (e não pára por aí) terceiro que você vai ter cultura pra colocar nas conversas de botequo quando você estiver enchendo a cara de chopp, ou ate o ponto em que você lembrar que está bebendo.

O Pequeno Príncipe
Vamos nos fixar em apenas uma parte do livro pra vocês entenderem. O capítulo da raposa. A raposa linda, ruiva e esbelta tava tranqüila, CUIDANDO DA SUA VIDA, quando chega o principizinho loirinho, dos olhos azuis, bunitinho mas ordinário. Hellowww, a raposa tava na solidão, lógico que ela vai puxar assunto, mesmo que o príncipe tenha deixado claro que estava ATRÁS DE HOMENS. Mesmo assim, a raposa visivelmente numa fossa mental resolve desenvolver laços afetivos com o príncipe-projeto-de-cafajeste. Aí beleza, viram miguxinhos, se divertam, fazem troca-troca e tals, essas coisas; a pobre da raposa já começa a esperar o cachorro as 4 da tarde, dizendo que fica feliz já as 3, quando de repente... o pilantra diz que vai dar o vaza do nada e ainda alega que "A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...". Aí a raposa se fudeu. E pra cravar o punhal no resto do coração da bixinha, o príncipe calhorda ainda faz inúmeros elogios aquela puta da rosa egoísta dele. A mesma rosa que ficou no mundo que ele fugiu porque já tava enjoado, mas logo começou a morrer de saudades. Sim, a mesma rosa egoísta e cretina pela qual ele morre. E a raposa? Deve ter sido morta na última caça a raposa nas pradarias européias.
contribuição (quase plágio descarado) do Goiano

A Moreninha
Pessoal, eu não sei vocês, mas esse livro é totalmente a favor da PEDOFILIA. Um grupo de estudantes de medicina vai pro aniversário da avó de um deles numa ilha que (pelo menos no livro que eu li) nunca dizem o nome. Eles usam como desculpa o aniversário da velha, mas o que eles querem mesmo é caçar muié. Augusto, que diz que nunca fica mais de 15 dias com a mesma mulher, ao chegar à ilha cai de amores por uma moreninha, tipo bem brasileira, de 15 anos de idade, eu disse 15. Ou seja, é a típica história do playboy gostosão e cheio da grana que come a filha da empregada. O livro tem uns momentos bem deprimentes (de ruins, não de tristes), como a história de que o Augusto deu seu coração pra menina que ele conheceu aos 13 anos e que juntos ajudaram um moribundo (que deixou de se preocupar com a morte que tava do lado e só falava de como aqueles dois deveriam casar e ser felizes, super verossímil), no fim Augusto descobre que a Moreninha é essa mesma garota. Ai eles casam e vivem felizes para sempre. Duvido, tenho certeza que aos 40 anos, o tarado do Augusto trocou a Moreninha de peitos já caídos por uma guria de 14 aninhos.

Branca de Neve e os Sete Anões
Cá entre nós, que príncipe se casaria com uma mulher que dormia numa floresta isolada com 7 homens? Eu disse SETE! Bobinho esse príncipe, não? Bem que o Dunga nunca me enganou com aquelas orelhas e aquele sorriso de tarado.


Romeu e Julieta
Eu tenho certeza que foi Shakespare que criou o princípio emo. Segue o raciocínio. Dois adolescentes pirados na batatinha se apaixonam durante uma festa em que o Romeu na verdade tava afim de dar uns pegas na Rosaline, só que ele deve ter reparado que a Julieta tinha uns peitos maiores, aí caiu por ela, mas entrou em depressão quando descobriu que ela era da família inimiga a dele. Como naquela época, cortar os pulsos com gilete não tava em moda, os dois se afundavam numa depressão cada vez maior junto a um monte de declarações meia boca. Os dois se casam com a ajuda de um Frei, mas pra fuder tudo de uma vez, o Romeu mata o primo da Julieta no dia seguinte. Depressão, mais depressão e rimas, o pior são as rimas. Romeu foge e o Frei caduco tem a genial idéia de fazer a Julieta parecer morta, assim, ela poderia fugir com o Romeu. Só que Romeu não soube disso a tempo e tomou um veneno na hora que a Julieta acordou. Julieta, fudida e mal paga, já que não tinha muita opção, se matou também. Eu acho que se o Frei tivesse feito eles fugirem juntos sem precisar ninguém se matar, eles iam viver de amor, ate que a grana acabasse e eles percebessem que amor não enche o buxo, e Julieta voltaria pra casa dos pais que já teriam ido ao Jornal Nacional em busca da menina. A história com certeza sairia na íntegra no Fantástico com uma entrevista exclusiva onde Julieta diria, "Não sou lésbica", e sua mãe afirmaria que o problema era que ela tinha engravidado muito jovem. E o Romeu? Teria virado caminhoneiro, michê, ou os dois.

O Senhor dos Anéis
Um grupo de homens muito machos saem pra destruir um anel numa montanha de fogo vigiada por um olho. Depois só dois amigos continuam a missão. Vejamos: eles querem queimar o anel? Queimar o anel, sacou, sacou?! É, eu sabia que aquele elfo nunca tinha me enganado.

Dom Casmurro
Eu não sei vocês, mas demorei um mês pra ler esse livro e quando eu o finalmente terminei só um pensamento me passou pela cabeça, o de que Machado de Assis nunca havia imaginado que o teste de DNA fosse inventado. Foram 50 páginas só de delírios do Bentinho querendo saber se Capitu deu ou não deu pro Escobar. Gente, pára e pensa, como seria maravilhoso o espetáculo do Bentinho e da Capitu no programa do Ratinho trocando cada um ofensa de um lado, ate que a Capitu partisse pra enfiar a mão na cara de Bentinho enquanto este gritasse, "Piranha, piranha sim! Tu trepou com meu melhor amigo, sua vaca. Esse filho não é meu!". Pior que isso só aquelas cartas do Bentinho pro Escobar, aí da pra ver que o Bentinho era uma bicha super pintosa. Vide trexo da obra: "Durante cerca de cinco minutos esteve com a minha mão entre as suas, como se não me visse desde longos meses. - Você janta comigo, Escobar? - Vim para isto mesmo." Pra mim é caso encerrado.
contribuição (quase plágio descarado) do Millor

Madame Bovary
Dona de casa transa com padeiro, leiteiro, carteiro... Chifre adoidado na cabeça do marido. Ela se apaixona por um tal de Leon, estudantezinho de direito, transa com ele, se endivida por causa dele até não ter mais um vintém. Sozinha, sem um tostão furado e sofrendo de depressão crônica, a mulher se mata. É o típico caso de Síndrome de Cinderela, uma quarentona, fica louca por um garotão cheio de amor pra dar, o marido médico é um saco, então vai lá e pimba. Sabe como é? Ta pegando alguém mais novo, dá aquela levantada no ego, faz se sentir mais jovem também, vai atrás de uma miguxinha e tals... Só que naquela época não existia a revista Nova, nem a Criativa, muito menos a Marie Claire, então sem um apoio moral de verdade, e pior, sem o “cantinho da leitora”, a tragédia se consolida no final. E pensar que o Gustave Flaubert foi processado pelo governo francês por causa desse romance. Para ler nesse século: O Doce Veneno do Escorpião, de Bruna Surfistinha.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Morcegos Terroristas, Que Primeira Dama Você Quer Para O Seu País E A Busca Pelo Som Perdido

Mesmo trabalhando em dois empregos, a minha situação financeira anda tão preta que eu não estou mais matando cachorro a grito, e sim em linguagem de sinais. Aliás, taí um ponto interessante, eu tenho dois empregos e as pessoas pensam que eu sou rico, é a mesma coisa que colar penas nas costas e disserem que eu sei voar. Com as férias da UFAC chegando eu resolvi que vou voltar a praticar natação depois de quase dois anos parado. Se você pensou, “Menino sem imaginação, só porque acompanhou o Phelps nas olimpíadas agora quer voltar a nadar”, eu repondo, “Lógico!”

Aliás, tava conversando com a Manu sobre as olimpíadas e ela me disse que, “E aí, o que vai acontecer depois que o Phelps tiver quebrado todos os recordes? Ele vai se sentir um frustrado”. Eu não pude deixar de concordar. Claro, é o pensamento mais óbvio que depois de todo o reconhecimento mundial, todos os recordes quebrados, um monte de mulher querendo dá pra ele, mais medalhas de ouro que o Brasil em três olimpíadas e ser considerado sexy simbol mesmo com a cara do Quasímodo, ele se sentiria frustrado. Como mais ele poderia se sentir? Só a Manu mesmo.

Aliás, lembrei que com dois empregos e faculdade manter a natação seria meio difícil. Nem mesmo no meu único horário livre, a madrugada.

Ando tão cansado que ultimamente eu começo a segunda-feira sonhando com a sexta e chegando no emprego A esperando o término do emprego B, pra poder me jogar na cama. Porém, um dia desses, quando eu finalmente entro no meu quarto, jogos os sapatos pro lado e penso em me jogar no colchão, observo um estranho tipo de casulo preto perto da porta do meu banheiro. Intrigado e com meu espírito de “que porra é essa?” aguçado, me aproximei da forma anatômica não definida. E para minha total surpresa, quando eu toquei na coisa... ela se mecheu. Ok, não foi para minha surpresa, eu me desesperei feito uma menininha e sai gritando pela casa na velocidade 5, “TEM UM MORCEGO NO MEU QUARTO, ELE VAI ME MATAR E CHUPAR MEU SANGUE”.

E olha que eu ainda nem assisti o Batman, imagine se tivesse sido uma máscara de palhaço.
“Why so serious?” mode: on

Eu e minha avó montamos planos estratégicos, pensamos na hipótese de um atentado biológico ou forjar um bat-sinal pra enganá-lo e fazê-lo sair do meu quarto, mas sem muito tempo pra isso ficamos com a solução mais simples e funcional, chamar meu avô pra exorcizar o bicho. Meu avô chegou tranquilão e aceitou o caso sem pestanejar. Enquanto ele caminhava na direção do meu quarto eu gritei, “Vô, quer ajuda?”. Ele parou o passo, virou o rosto na minha direção, soltou uma risadinha e disse, “Deixa que eu dou conta”. Naquele momento eu tive a impressão que meu avô era o Chuck Norris.

Depois de estrondos que devem ter superado os tiroteios russos na Geórgia, meu avô saiu vitorioso, e o pobre morcego que entrou no seu caminho, desceu escada abaixo, morto. Pronto para desfrutar meu descanso, finalmente me jogo na cama, ligo a TV e relaxo. Até que o locutor do comercial lança a máxima, “toda a energia da Banda Calypso em uma experiência (heim?) nova... Banda Calypso Acústico. Logo, qualquer possibilidade de eu ter relaxado os músculos e caído em sonolência foram totalmente por água abaixo, eu tive pesadelos a noite toda.



Alguém me diz quem foi o gênio que inventou isso... por favor, me diz!

Nos dias que se seguiram eu não deixei de me perguntar porque diaxos a cena musical brasileira era tão deprimente. E principalmente, por que nenhuma figura musical brasileira era capaz de me fascinar? O que leva a nossa cultura pop a reconhecer ícones tão sem sentido?

Para piorar esses questionamentos, eu finalmente conheci um pouco da fantástica obra musical da badaladérrima primeira dama francesa, Carla Bruni. Ai você depois de se espantar com o adjetivo muito gay pergunta, “Badaladérrima por que afinal de contas?”. Carla Bruni conquistou o coração do presidente Nicolas Sarkozy logo após o rompimento dele com a mulher (alguém sentiu cheiro de chifre? Levanta a mão comigo então!). Por ser modelo internacional, cantora cultuada em toda a França com dois álbuns e linda pra caralho, o romance dos dois foi super comentado no mundo inteiro. O casamento saiu depois de três meses de relação e a lua de mel só pelas fotos parece ter sido ótima. Ou seja, O Diário da Princesa perde.

Mas é a musica o que faz a diferença dessa mulher. O primeiro sucesso mundial de Bruni foi a magnífica canção "Quelqu'un M'A Dit", belíssima e tocante na letra e no som. Seu primeiro álbum foi um estrondo, já o segundo álbum (todos em inglês) não foi tão bem recebido pela crítica, já que era sua tentativa de arrancar sucesso internacional na onda de “Quelqu’um M’A Dit”. O terceiro (lançado somente após o casamento), volta um pouco mais as origens e é um tanto polêmico devido as suas referências as drogas, “Tu es ma Came”, e seus inúmeros (poderosos e ricos) amantes, em “Ta Tienne”.

Na França eles tem Carla Bruni, e no Brasil nós temos a Marisa.

Marisa: usa o cartão corporativo para comprar Contigo! e Quem Acontece

Mas eu não acho que o Lula seja capaz de conquistar alguém que estudou na Sorbonne. Enfim...

Ainda assim, acho que na concepção de artistas com musicas estilizadas e harmonia como arma principal o Brasil não deixa tanto a desejar. Temos Marisa Monte e Adriana Calcanhoto em contrapartida a Carla Bruni. Aliás, eu adorei os últimos álbuns dessas duas. Um tanto frios e melancólicos além da medida certa, mas ainda assim adoráveis. O problema nosso é na cena underground, quase inexistente, quando se fala de musica eletrônica.

Os Estados Unidos não deixam a desejar nesse quesito. Pelo contrário. Eu já havia falado um pouco da cena underground de Nova York na pele do Dangerous Muse, de longe meu duo favorito. Mas o selo californiano Iheartcomix vai muito além disso. As musicas de Acid Girls, The Glamour, Ocelot, dentre outros, são fantásticas, tem o verdadeiro espírito da musica eletrônica, aquela coisa de arrepiar a pele, levar o ritmo da musica as batidas do seu coração e elevar a circulação do seu sangue (sem precisar de drogas). Porém, o verdadeiro destaque do selo vai para as fodásticas Toxic Avenger (com direito a faixa em Need for Speed) e, meu favorito do selo, Hearts Revolution.

Da vontade de ser DJ só por causa deles.

Mas enquanto o cenário musical brasileiro anda a passos de tartaruga das para-olimíadas, o jeito é ir caçando o que o exterior também pode oferecer. Até que outro morcego entre no meu quarto, ou o Ximbinha se empolgue com a guitarra e lance Banda Calypso Heavy Metal.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Conversas Bizarras Entre Sanduíches Gordurosos - Ato IV

Round 1
Samuel mastigando filé com pão e muita maionese: ...

Polly diz: Eu comecei a caminhar hoje à tarde.

Manu diz: Sério? Onde?

Polly diz: Lá no Horto Florestal. É legal, tem gatinhos, o que é um incentivo.

Manu diz: Ah, você deveria caminhar no Parque do Tucumã de manhã cedo.

Polly diz: Ta louca. Pra que? Pra ser estuprada? No Parque to Tucumã só tem tarado.

Manu diz: Pois eu caminhei várias vezes lá e nunca fui estuprada.

Polly diz: Ta mal, heim amiga?

Samuel se engasgando com filé com pão e muita maionese: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Round 2
Samuel tranqüilo engolindo mais pão no filé: ...

Polly diz: Vocês sabem, né? Eu não me misturo com preto, o Samuel é o único preto que faz parte da minha vida.

Victor diz: E o teu irmão?

Polly diz: Não faz parte!

Samuel dessa vez tendo cuidado pra não se engasgar: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Round 3
Manu diz: Polly, se você tem tanto preconceito com preto você deveria me idolatrar, que sou branca, loira, olhos verdes...

Polly diz: Verdade, Manu é branquela mas tem cara de saudável. Não parece aquelas branquelas anêmicas.

Manu diz: Lógico. Sou dourada!

Polly diz: Que nada, dourada sou eu!

Samuel diz: Polly... tu é opaca!

Polly: ¬¬

Manu diz: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

quarta-feira, 23 de julho de 2008

O Assassino Da Esquizofrenia, O Assassino Do Cinema E O Assassino Do Amor

Porque dificilmente você consegue confiar em pessoas felizes.
Não foi uma pergunta, foi uma afirmação.

Quando eu era mais jovem (e aos 20 anos eu to entrando na menopausa?), eu tinha devaneios freqüentes. É um problema sério quando se tem uma imaginação muito fértil. Você pode se perder nos seus devaneios e virar um esquizofrênico. Ou artista. Ou gênio. Ou um daqueles loucos que vão em shows de rock de garagem, usam roupas rasgadas, são considerados mendigos, fedem e viram lendas urbanas, histórias para aterrorizar criancinhas. Enfim, eu mergulhava em meus devaneios e me perdia da realidade. Eu adorava. Acreditar que você não é você é um dos melhores dons que Deus deu ao ser humano.

Um dos meus devaneios favoritos era o de ser cantor de rock. Ou melhor, musica eletrônica. Eu me tornava um tipo de Madonna de calça jeans, mas sendo comparado a ela apenas pelo nível astronômico de sucesso e grana. Seria um difusor da cultura de “não importa o som, o estilo ou a batida, para ser musica, você precisar sentir a necessidade de dançar”. E com CD’s explosivos e polêmicos por serem extremamente pop’s e sem nenhuma fidelidade de estilo, eu contaminaria o mundo com essa idéia.

Aquele que nunca sonhou em ser uma lenda do rock que atire a primeira pedra.

Você inspira esses delírios próprios baseando-se em seus ídolos. Não, eu não gosto de Madonna. Eu tava assistindo I’m Not There (Não Estou Lá no Brasil). E não tem como não se fascinar pelo filme, se envolver, querer fazer parte de um dos seis mundo de Bob Dylan na incrível e viajada visão de Todd Haynes. Não tem como não desejar ser um daqueles seis mundos. Eu particularmente queria ser Jude, o Bob Dylan interpretado magistralmente por Cate Blanchentt. O Bob Dylan com ar sempre chapado, com um mundo levantando seu ego, com liberdade para ser foda, com um Ray Ban Wayfarer (um sonho de consumo)lindo e original sempre na cara. Londres, um carro grande e caro, sucesso mundial, grana e Beatles como seu fã.

Bob Dylan já pode morrer feliz.
Todd Haynes ainda deve produzir mais uns 4 filmes parecidos e melhores pra me satisfazer e depois eu deixar ele morrer.

E a Dercy Golçaves também morreu.

Dercy: o Coringa de saias e sem ser psicótica serial killer

Eu não sei vocês, mas eu já estava habituado a idéia de que ela era imortal. Eu não via ela morrendo.

Eu geralmente odeio cinebiografias, mas aquelas que o Todd Haynes produziu me fazem amar cinema e musica como uma coisa só, como se um não pudesse se desprender do outro. Musica pra mim não é só som, tem que estar veiculada a imagem. Toddy Haynes foi além, com Velvet Goldmine (sua glamurosa e absurdamente fascinante obra sobre uma fase de David Bowie) e I’m Not There ele mais que conquistou um seguidor, ele aumentou meu problemas com delírios.

Diferente de Control (Controle – A História de Ian Curtis no Brasil). Um lixo, um dos filmes mais chatos que eu assisti. Não conheço a história do Joy Division, gosto de uma única musica do New Order, aliás prefiro a regravação de Bizarre Love Triangle na voz do Frente!, e o Ian Curtis então se tivesse vivo e passasse por mim na rua ia se sentir ofendido por não ter o pedido de um autógrafo pelo simples fato de que eu não o conheço. Enfim, se fosse analisar profundamente, Control não passa da história de um cara que queria o sucesso acima de tudo, mais pelo status do que por reconhecimento, doente (tadinho, sofria de epilepsia) e hétero com tendências emo, frouxo, covarde, inseguro e que não sabe tratar dos sentimentos de uma mulher, precisando de duas pra ter um pouco de ego, não dando valor ao caráter famíliar e se matando no fim das contas.

Ok, peguei pesado.

Espero que Joy Division, e principalmente o Ian, não sejam aquilo que fora mostrado na tela. Numa cinebiografia os fãs querem ver retratados os mistérios e lendas de seus ídolos, não o óbvio, o banal, tudo aquilo que você já sabe. É, parece que só o Todd Haynes sabe fazer isso.

E no (único) cinema da minha cidade ta passando o Batman dublado.
Vou alimentar a pirataria e baixar quando tiver versão em Hight Definition.

Larga o cinema e vai ler um livro.

Tava lendo Era Uma Vez o Amor, Mas Tive que Matá-lo, de Efraim Medina. Nunca pensei que ia ler um colombiano na vida. Acho os colombianos parecidos com os bolivianos (sim, eu sou xenofóbico) e lá o pessoal tem violência e seqüestro por causa de cocaína (ok, o Brasil não é diferente). Enfim, o livro é indescritível, mas é viajante, eu me encontrei na maioria das páginas, meus pensamentos, meus momentos. Uma dose de introspectividade surpreendente numa leitura de nível sem quase nenhuma narrativa. Não tem trama específica, fala sobre frustrações dos sonhos. De como a vida pode ser uma merda e você ainda consegue piorar tudo.

Porque às vezes fazemos questão de matar o amor.
Porque geralmente matamos o amor quando ele menos merece ser morto e você se torna um filho da puta a lamentar isso pro resto da sua vida.

Santiago Nazarian ganhou um concorrente na minha vida, Efraim Medina. A diferença é que o Medina não tem blog, Nazarian tem, e eu viajo nele de grátis a cada texto. E eu ainda não li Técnicas de Masturbação Entre Batman e Robin, segundo romance de Medina no Brasil. Melhor que os textos loucamente introspectivos, só esses títulos mesmo.

Queria algo com zumbis. Um filme bom de preferência. Dizem que o Bruce laBruce fez um filme com zumbis que também é existencialista e pornô. To louco pra assistir. Devaneios de zumbis eu não tenho. Só em sonhos. Aliás, houve um tempo em que meus sonhos variavam entre duas coisas, hordas de zumbis canibais e meu trabalho no hospital. Os sonhos em que eu trabalhava no hospital eram os pesadelos. Os zumbis sempre eram divertidos.

E pessoas felizes não são confiáveis porque não são introspectivas.
Não foi uma afirmação, é um fato.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Aprenda A Se Tornar Um (Pseudo) Cult

A minha vida de trabalho (escravo), aliada a estudante universitário, dono-de-quarto (sim, eu sou mesquinho) e modelo anoréxico (ok, só anoréxico), está causando uma mudança tão drástica na minha vida que só divergindo sobre o assunto pra vocês entenderem.

A questão é o seguinte. Estava eu indo para meu emprego A, no hospital, num típico dia nublado quando meu avô liga o rádio e como fundo musical toca Calypso. Depois que a música em foco passa de sua primeira repetição de refrão (porque esse tipo de música sempre repete o refrão pelo menos quatro vezes pra criar volume e chegar a 3min30s de duração), eu percebo que existe algo errado, algo que não faz parte do equilíbrio cósmico que mantém o universo funcionando, algo que vai além da compreensão da natureza, que talvez não seja explicada nem pelo divino... Meus lábios estavam se movendo, sorrateiramente um som saia da minha boca. Eu estava cantando junto com a Joelma.

Eu dei um grito. Meu avô quase perdeu o controle do carro. E enquanto eu gritava "Tirem ela de mim. Tirem ela de mim. Xoelma, NÃO!", apertando todos os botões possíveis do rádio para mudar de estação, matá-lo, ou simplesmente desligá-lo, minha mãe desesperadamente gritava no banco de trás, "O que foiiii?". Eu sabia a letra, eu sabia o ritmo, a sincronia, os gemidos que ela dava. Enfim, eu estava possuído.

Foi com esse caso que ao me olhar no espelho eu não vi mais aquele garoto que escutava The Beatles, tinha idolatria por Bob Dylan, era fã incontornável de Mika e Dangerous Muse. Muito menos o garoto que assistiu quase todas as obras de Almodóvar, nunca perdia um Cannes, descobria sozinho no mundo underground todos os mais fascinantes filmes alternativos. E onde estava aquele que entendia de moda, comportamento, tendências editorias, virtuais e jornalísticas? Na frente do espelho eu vi um garoto castigado pelo trabalho árduo, consumista, que escuta apenas a rádio popular, que cantarola Calypso no trabalho A, Victor e Léo no trabalho B (gente, eu to quase aceitando a idéia de ir pro show), que vibrou assistindo O Homem de Ferro no cinema, que está querendo ver o novo Hulk e que anda perdido em tendências e só soube que o São Paulo Fashion Week estava rolando quando ele chegou na metade (via Te Dou Um Dado?).

Se ver no espelho e ter uma crise por se achar um tribufú já não é fácil. Ter uma crise por se ver no espelho e se achar coloquial é pior ainda.

E foi assim que eu descobri que ser uma pessoa ligada a cultura e as tendências do mundo pop e underground (outra palavra que eu adoro usar) não é nada fácil.

Aliás, foi observando uma discussão entre uns grupos culturais aqui da cidade e a minha própria vida (mais pra antes do que pra depois) que eu resolvi presentear os leitores desse blog com o Manual de Como Ser Culto. Com pequenos passos que podem ser seguidos facilmente até pelos amantes da Mulher Melancia, o Fala Consciência vai ensinar para você, leitor esperto, a como carregar o título de cult, alternativo, underground, pitoresco, indie, ou seja, um (pseudo) culto.

Passo 1 – Tenha grana e tempo sobrando
Lógico que você NUNCA vai admitir isso, afinal, você não vai ter a grana na verdade, pois você vai ser sustentado pelos pais ou por aquela vó aposentada pelo TSE que ganha uma nota e só tem o querido netinho pra corujar. Enfim, a grana não é sua, mas você gasta. E gaste bem, com livros, filmes, ingressos para o teatro, bandas de garagem. Carro? So se for usado e surrado. Ou como você vai poder levantar a bandeira do preço alto para os eventos culturais em frente ao teatro municipal se você tem um Corolla esperando na saída? Com a grana, você não precisa se prender a coisas nada culturais como trabalho com carteira assinada, faça no máximo uma faculdade voltada para artes, comunicação ou sociologia (Filosofia, Música, Artes Cênicas, Letras, Jornalismo, Publicidade e Propaganda dão status, mas Ciências Sociais é a top). E com o tempo livre sempre se dedique a programas alternativos, bares undergrounds, cinema de artes, sebos (livraria é coisa de rico) e por aí vai.

Passo 2 – Seja sempre a frente do seu tempo
Arthur Rimbaud é um dos poetas franceses que mais marcaram o mundo (mais pela sua vida gay es-cân-da-lo-sa, do que pelo seu trabalho, enfim...). Sua obra é considerado sempre “a frente do seu tempo” (ou seja, ele morreu pobre pra ser reconhecido depois). Logo, se você deseja ser conhecido como alguém culto, você tem que ser moderninho e transgressor total. Defenda sempre idéias com um fevor absurdo, suba em cima da mesa, tenha o dom da oralidade, saiba chamar a atenção de todos para o seu redor. Torne-se um incompreendido (mas no campo das idéias sociais, não vem com nada emocional não ou tu vai ser considerado emo e não culto).

Passo 3 – Tenha estilo
Você acompanha o Fashion Rio? Então você não é culto. Você acompanha o São Paulo Fashion Week? Então você é culto só se for pra estudar tendências de comportamento e diversidade capitalista . A sua pose tem que ser inabalada. Você não pode ser escandaloso (ou vai ser bixa louca), mas você tem que saber chamar a atenção, principalmente quando você esta explicando porque aquele filme é uma droga e você prefere o livro (que você não leu). Fume muito Marlboro, Golden Gate, Gudang Garam, mas Free, Carlton e Master não pode. Só beba destiladas, Absolut comanda (mas compre-a em grupo, NUNCA só você, é coisa de burguês), vinho também, principalmente em sarais. Tenha sempre aquele ar de esnobe, aquela pose blasé, cuidado com a gesticulação, desmunhecar pode, falar arrastado pode, usar gírias em inglês pode, em português NUNCA. Sempre critique quase tudo, principalmente em espetáculos, mas quando demonstrar que gostou de algo, bata palmas sempre de um jeito que o difira do resto da multidão, quase psicodélico, de preferência com o cigarro na boca, gritinhos e assobios, sempre mantendo a pose de esnobe.

Passo 4 – Saiba vender a sua imagem
Saiu com os amigos para um café sem açúcar? Então ocupe uma cadeira só com sua bolsa de tiracolo (NUNCA use mochila, mochila é coisa de universitário que tem estágio), e sua bolsa tem que ser grande, mas nunca o suficiente para você, e cheia de buttons personalizados. Sempre deixe a sua edição da Bravo!, Caros Amigos e Carta Capital a mostra. NUNCA use roupas de marca. Sempre prefira blusas listradas (preto/vermelho ou preto/branco) jeans surrados ou bermudas, além do óculos de armação grossa preta ou branca e o All Star que pode ser qualquer modelo contanto que seja All Star, pulserinhas artesanais também dão um toque. Cabelo grande bagunçado (tipo Arctic and Monkeys) para meninos e cabelo preto escuro curto ou ondulado (tipo Karine Alexandrino) para meninas. Sempre domine as conversas, principalmente depois de filmes alternativos ou peças patrocinadas pela Lei de Incentivo a Cultura, mostrando seu conhecimento de caso.

Passo 5 – Morte ao POP
Você não assiste rede Globo porque ela “manipula, distorce os fatos, aliena e lança musicas como Créu em nível nacional”. Séries de sucesso como Heroes e 24 Horas devem ser evitadas ao extremo, de Lost você deve gostar apenas da primeira temporada. Você não escuta rádio, só podcast’s especializados. Cinemark NUNCA. Porque só passa blockbusters comerciais Hollywoodianos. Nada de livros do Harry Potter, tire a fantasia da sua vida, exceto O Senhor dos Anéis e a primeira trilogia (feita) de Star Wars, mas nada de fanatismo e cosplays. Sempre tenha jazz no seu MP3, mas ele não pode ser da Apple. E sempre esteja ligado a iniciativa científica (essa bem menos), aos coletivos culturais, selos independentes, cenário underground e o mesmo do gênero. NUNCA concorde com o que todos concordam. Gente culta tem sempre opinião própria (é do contra).

Esse é um Passo a Passo de ficção, mas qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

Quanto ao meu período pouco cultural, eu vou retomar aos poucos minhas atividades, tentar concilia-las, mesmo porque eu to gratificado com os podcast’s do André Fischer (eu achei tudo quando ele falou, “vocês sabem como é difícil ser underground em Los Angeles”, super que eu sei). Tenho que passar longe de coisas como Amigo Fura Olho do Latino e minhas conversas animadas sobre o Palmeiras no corredor da UFAC.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Como Lidar Com Decepções e Frustrações (Na Verdade Eu Não Ensino Isso Não, Mas Lê!)

Aí Samuel não tinha o que fazer da vida e resolveu encarar um segundo emprego. E tipo, eu to trabalhando 10 horas por dia, mais 5 de faculdade, 1 hora pra almoço, outra pra janta... bem, vocês devem imaginar que minha vida pessoal e sexual tá bombando, né?

Quando o fim de semana chega, eu levanto as mãos pro céu e quase choro de emoção. E para aqueles que acham que chocolate é melhor que sexo, estão muito enganados, o sexo é a melhor coisa já inventada, só que em segundo lugar vem o consumismo. Então, depois de muito suor, esforço e gente querendo me agredir a ponto de eu só não apanhar de um paciente no hospital porque o guarda não deixou, eu finalmente comprei meu notebook. Ai Keth que também comprou seu carro novo manda uma mensagem pra mim: “Amor, estamos tão ‘bem nascidos na city’, motorizados, conectados e antenados”, sendo que eu respondo, “E endividados até o pescoço”.

Pra enfiar o pé na lama de vez, eu resolvo que to sem roupas e saio às compras com o Frederico numa angustiante tarde de frio. Fazer compras é sempre uma sensação maravilhosa, da uma revitalização na alma, na cara, você se sente ate mais bonito. E mesmo os pequenos detalhes não incomodam, como quando a companhia que você chamou pras compras te faz o maior climão e com um único movimento rápido e ágil melhor que o do Naruto, derruba metade do andar superior da loja no exato momento em que você decidiu que não quer ficar mais lá. Por um flash de momento eu voltei à realidade. Mas passou rapidinho quando eu entrei na loja seguinte. Sempre passa. Fiz a linha Kátia Cega total.

O maior problema de fazer compras (e é uma coisa meio exclusiva com roupas) é que depois de 24 horas parece que o efeito da morfina passou e você olha pras sacolas ainda não esvaziadas e pensa consigo mesmo “Que porra foi que eu fiz?”. Resultado, do que adianta você ter dois empregos se a sua patroa vira na realidade a empresa do seu cartão de crédito? Vou trabalhar só pra pagar ela. Oh, Discórdia!

Eu to com duas dessa... uma em cada pé!

Sentimentos de felicidade e plenitude seguidos de tristeza e depressão alternando muito rapidamente (o que pode ser caracterizado facilmente como decepção e frustração) não é uma coisa exclusiva de fazer compras. Lembro que quando chegou aos meus ouvidos a notícia de que Speed Racer viraria um Live Action pelas mãos dos mesmos diretores de Matrix, eu fui no céu e voltei. Depois de Matrix e a magnífica produção de V de Vingança, acreditei que aquele que é um dos maiores clássicos da animação mundial ganharia uma repaginada tão marcante que se tornaria o maior blockbuster do ano. Esperei por cinco meses, contei as horas na semana final, faltei aula na UFAC pra assistir a estréia na data mundial, sentei na cadeira com o coração na mão, quando as luzes se apagaram eu apertei com força o braço da poltrona e... cinco minutos de película depois eu já estou no chão chorando, gritando por dentro “Esse filme tem que melhorar, tem que melhorar, uma hora ou outra, tem que melhorar”.

Saí tão decepcionado da estréia de Speed Racer, mas tão decepcionado, que se alguém tivesse me visto na hora que eu saí do cinema alguém teria me perguntando, “Samuel, você acabou algum namoro?”. Speed Racer é infantil, subestima a inteligência do espectador, é cheio de clichês, a construção dos personagens não convence, a direção de arte não deveria ter forçado tanto e a construção e desenvolvimento do roteiro é de uma superficialidade boba, que não desafia, que não cria um carisma real por aquilo que se vê. Quase igual ao... próprio desenho!

A cena inicial é de uma grande corrida de Speed entrecruzada com flashbacks relacionados ao seu irmão, Rex, com uma sobreposição da corrida feita pelo irmão junto a do próprio Speed. Um saco! Existe apenas uma ótima compensação às cenas desnecessárias de Gorducho, o fraco relacionamento de Speed e sua namorada, os nada tensos momentos familiares, as bobas cenas de ação, e a destruição do incrível personagem do Corredor X (alguém pode me explicar o que diabos é aquele momento do encontro dele com Speed na pista vazia?), e essa compensação é a velocidade. As corridas de Speed Racer são apenas, em duas palavras, do caralho. Um show de cores e efeitos especiais que deslumbra os olhos de qualquer amante da computação gráfica aliada ao cinema. Mas afinal, Speed Racer não é isso? Velocidade e cores? Então ele ate cumpre bem seu papel. É decepcionante. Mas é mágico.

"Speed Racer, Speed Racer, Speed Racer Goooo..." Go bueiro abaixo

Ah, já que eu comecei a falar de blockbusters (a única coisa que eu ando assistindo e que me ajuda a não criar “crise cinéfila por Cannes”), vale ressaltar que O Homem de Ferro superou as expectativas de qualquer um, e mesmo não sendo um filme histórico, é divertidíssimo, cumpre seu papel de entretenimento (de fazer dinheiro) e te faz sair do cinema se imaginando naquela armadura vermelha cintilante e com um cinturão de utilidades mil vezes melhor que o do Batman. Aliás, sou só eu ou vocês também tão empolgadíssimos em ver o Coringa (que Deus o tenha) e o Duas Caras em O Cavaleiro das Trevas? Sim, eu gosto de vilões, porque vilão é personagem de personalidade.

Indiana Jones E O Reino da Caveira de Cristal é outro que fechou super bem a primeira leva de blockbuster’s do ano. O começo é empolgante, vibrante e principalmente, foda, como todo bom Indiana deve ser. Mesmo com um Harrison Ford ofegante, vale lembrar que ele com 65 anos é capaz de fazer mil vezes mais coisas que eu com 20 (dizem que pilates ajuda, você consegue colocar a ponta do pé na cabeça facinho, na hora do sexo deve ser uma loucura). Tá certo que depois o filme perde um pouco de fôlego, e a entrada do viadinho de Transformers (ah, eu não vou com a cara dele e pronto, agora eu faço bico) só piora a situação. Ainda assim, temos Cate Blanchet que sozinha é capaz de levar metade do filme, foda como só ela é capaz, e o deslumbramento de pequenos detalhes, como a Arca tão desejada no primeiro filme e que se tornou nada mais que apenas um segredo no magnífico, sombrio e abandonado Galpão dos Segredos. Assim como o próprio Indi, com seus inúmeros e fantásticos feitos, passará um dia a ser apenas uma lembrança, num lugar cheio delas.

Piores que decepções e frustrações com o cinema, só as decepções e frustrações com o próprio ser humano. Esse é que nem um Windows Vista, te leva do riso aos prontos em questão de segundos, a diferença é que quando um ser vivo da merda, você não pode enviar uma mensagem de volta pra Microsoft dizendo que a bagaceira não ta rodando bem.

PS: como vocês devem ter percebido, o Fala Consciência! ganhou uma aparência nova, designer arrojado (adoro usar essa expressão, tem poucas oportunidades pra encaixá-la), tudinho presente de aniversário do Frederico (não, não perguntem como foi meu aniversário). Muito obrigado Frederico. Mas e ai, o que acharam? Fofo, lindo, bacana, legal, gay demais? Fique na linha, a sua opinião é muito importante para nós.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Convesas Bizarras no Hospital - Ato III

Ela: Eu queria ser médico.
Eu: É, eu também!
Ela: Só pra ganhar dinheiro que nem eles.
Eu: É, eu também!
Ela: Mas deixa queto, dinheiro não é tudo.
Eu: É, eu... ham?
Ela: Afinal, o dinheiro vai, mas a palavra de Deus fica!
Eu: ...
Ela: E daí né? Afinal, quando eu morrer, vou ter uma mansão de ouro no paraíso.

(Silêncio por alguns segundos!)

Eu: Ah... eu acho que me contento com uma nuvem 10m por 10m e cuecas limpas.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

T.O.P.A. ou não T.O.P.A. Que A Humanidade Não Deu Certo?

Samuel Bryan durante a T.O.P.A., só que sem gostar de criancinhas

Faltam menos de duas semanas para o meu aniversário. Pessoas próximas a minha pessoa sabem que o breve período (breve pros outros, porque pra mim...) que precede essa data de magnífica relevância para a raça humana é marcado por uma instabilidade emocional da minha parte que geralmente atinge o contingente de pessoas ao meu redor de forma subliminarmente negativista, resultando também em reações fisiológicas adversas e mal estar narcisístico em proporções catastróficas. Traduzindo: eu fico puto, de mal humor, querendo que todo mundo se exploda, querendo que eu me exploda, com transtornos psicóticos assassinos freqüentes, que também refletem na minha aparência, me deixando cheio de espinhas e com uma repulsa tão grande ao espelho que toda vez que eu passo na frente de um, a vontade é de quebrá-lo, pegar um caco bem grande e mutilar minha face. Pronto, desabafei!

A esse momento único antecedente a cada primavera eu dei um nome científico bastante presença, T.O.P.A., Transtorno Obsessivo Pré Aniversário. Ai geral que lê esse blog vai pensar, “Mas isso não se chama inferno astral?” e eu respondo que nem respondi pro Cristiano, “É porque assim funciona como uma explicação psicológica boa para pessoas que como eu não acreditam em astrologia” e ele solta a máxima, “pra mim parece outra coisa, V.E.P.A., Viadagem Extrema Pré Aniversário”. Preciso nem dizer nesse estado o que eu respondi pra ele, né?

Como resultado da T.O.P.A., a melhor coisa que eu posso fazer pelo meu bem e o bem alheio, é me isolar do resto do mundo ate que como um furação, tudo passe naturalmente e eu só levante a cabeça pra ver a bagaceira que ficou. E pra esse último feriado eu tava com um plano perfeito, comprar um aparelho de DVD novo, me trancar no meu quarto-fortaleza e assistir pencas de filmes. Botei meu pé na rua com medo do que poderia acontecer, mas fui atrás de alguma loja pra comprar o DVD. Quem disse que eu encontrei alguma aberta? Eu andei, surtei, gritei, até xinguei o sol. NÃO TINHA UMA PORRA DE LOJA DE ELETRÔNICOS ABERTA. Minha avó tentava me consolar/abrir-os-olhos dizendo que era feriado e aí eu resolvi descontar minha raiva em Rio Branco, “Então eu quero que abra logo uma Casas Bahia aqui nessa cidade pra falir de vez com todo essa droga de comércio provinciano”.

Frustrado e sem DVD, fui numa farmácia comprar mais um xarope com gosto de óleo de peixe (ah, esqueci de dizer, ainda estou morrendo). Antes de pagar, vejo uma mesinha com um monte do mesmo livro e uma plaquinha feita no Word escrita: “Vamos ler?”. Primeiro pensamento que me vem à cabeça é que aquele livro é do dono da farmácia, ele ta realizando o maior sonho da sua vida tendo o livro editado com o próprio dinheiro e colocou ele lá pra ver se vende alguma coisa. Achando que não tinha nada a perder, paro, pego e leio o resumo do best seller do nosso farmacêutico. Nem lembro o título, mas o livro falava de 6 cientistas que viviam debaixo da terra e a humanidade era dizimada por uma chuva de meteoros (que original não? Super verossímil) e estes 6 homens eram incubados de recriar um mundo com justiça e Deus no coração (sim, era uma estória apocalíptica evangélica).

Pensei comigo mesmo que aquele livro era um delírio gay (6 homens debaixo da terra tendo que sozinhos reconstruir o mundo após todo a sua destruição, sei nãããão...) e não uma Regenesis (lembreeeeei o nome do livro, tinha alguma coisa de Regenesis), mas fiquei na minha ate que o vendedor da farmácia repara que eu estou com o livro na mão, abre um sorriso enorme e com uma voz de quem se aproxima de um bebe de 1 ano diz, “gosta de ler jovem?”, e eu tomado por T.O.P.A. respondo no mesmo tom de Narcisa Tamborindeguy, “gosto, mas não esse livro”. Pago meu xarope e vou embora.

Ainda devo frisar que Rio Branco além de não ter Casas Bahia tem avenidas muito bem construídas com calçadas que em alguns pontos chegam a 30cm. Nesse exato ponto, tive a felicidade de uma senhora de aparentemente 110kg simplesmente parar com a cumadi para fofocar na hora que eu tava passando. O resultado desse episódio que encerrou meu feriado na rua fica a parte pra não chocar leitores mais conservadores.

É triste, mas como dizia Rob Gordon, “a humanidade não deu certo”.

O livro da Regenesis me fez lembrar que um dos temas da cultura pop que mais me fascina é a extinção humana em sua forma mais apocalíptica (não, eu não estou repensando que aquele livro seja bom). Estou lendo atualmente A Dança da Morte, considerado por muitos críticos, a melhor obra de Stephen King (embora eu prefira A Torre Negra). O livro de 1000 páginas conta a estória de um vírus da gripe mortal que é capaz de exterminar mais de 70% da população mundial. Mais que o fascínio da destruição e do recomeço da humanidade representado pela forma brilhante que só o King é capaz, o livro nos faz refletir sobre como nossos valores e conceitos de sociedade são baixos, ínfimos, ridículos e insignificantes quando comparados ao desconhecido. Afinal, do que adianta você tentar levantar sua carreira, economizar pra comprar o carro do ano, as roupas da moda, sair para lugares chics e impressionar os outros se, do nada, com uma única catástrofe que pode levar segundos, tudo isso não fizer mais sentido nenhum? O que te sobraria? Só “medo de um punhado de pó e um monte de imagens quebradas”, como diria o próprio King.

José Saramago escreveu o livro Ensaio Sobre a Cegueira, romance aclamado no mundo inteiro e que trás uma responsabilidade gigantesca a Fernando Meirelles que esta filmando a obra (Blindness). Na trama, um vírus deixa populações inteiras cegas, sem chances de cura. A civilização como a conhecemos decai totalmente pois, cegas, as pessoas só podem lutar por seus instintos. O livro vai além do de King por mostrar muito bem como o ser humano se coloca contra o ser humano. Pois além da destruição da humanidade (que acaba ocorrendo mais por ela mesma do que pelo vírus da cegueira), mostra o nosso lado mais desumano quando os infectados são colocados em quarentena em situações monstruosas. Porém, Saramago mostra justamente o caminho dos homens para se tornarem humanos em todo esse processo de destruição própria, pois mais do que olhar, o que importa é reparar no outro.

Também temos o fim da humanidade de forma apocalítica pela natureza. O Dia Depois de Amanhã é ate legalzinho, mas meio forçado, porém, o novo filme de Shyamalan , Fim dos Tempos parece ter tudo para ser grandioso, mostrando todo o mundo sucumbindo perante a fúria da natureza. Mais ao contrário de O Dia, Fim dos Tempos, como todo bom filme de Shyamalan, tem sua ameaça de forma invisível, tensa e perturbadora. Ainda há a aguardada volta de George Romero com aquele que parece ser um ótimo filme de zumbis misturado com A Bruxa de Blair, Diário dos Mortos.

Ah, só pra constar, Eu Sou a Lenda é uma grande merda. É um filme de catástrofe de 150 milhões de dólares que dá pra comparar com a trama dos 6 homens de Regenesis.

Bem, a humanidade pode ate não ter dado certo realmente, mas que realizou obras fantásticas, algumas que de tão ruins soam ate boas, ah se realizou.

sábado, 5 de abril de 2008

Se A Vida Fosse Um Musical Você Estaria Com Os Pés Sangrando Ou Com A Garganta Inflamada?

Aí eu tava sem nada pra fazer e, entre passar o fim de semana no Rio de Janeiro e contrair uma pneumonia, eu resolvi contrair uma pneumonia. Afinal, por que diaxos eu iria passar um final de semana em Copacabana, curtindo um pouco a praia, dando um pulinho na LeBoy, tomando água de coco e vendo gente bonita, se no fim das contas eu poderia contrair dengue, sendo que de quebra eu voltaria pro Acre e não teria que me medicar naquelas tendas super fashion do exército e sim num posto de saúde, quando eu posso pegar uma bela pneumonia no próprio leito do meu lar?

Aliás, depois de bancar tanto o menino teimoso, reconsiderei e finalmente resolvi me cuidar bem ate finalmente estar pleno em saúde. Logo, preso em casa mais uma vez por motivo expectorante, voltei a opção de assistir muitos filmes. Então eu resolvo sair um pouco da rotina e vou na locadora ver se tem algo que presta por lá ao invés de ficar baixando filmes alternativos pela internet (sim, eu sei, é feio, mas releva, eu to no Acre, aqui só tem duas salas de cinema comerciais e eu não baixo filmes que eu possa encontrar em DVD, tento ser politicamente correto). Já dentro da locadora eu me pergunto por que foi mesmo que eu entrei lá. Não fazia sentido. Só tinha um monte de filme ruim a disposição, que custavam 6 pilas a diária, geralmente muito bem arranhados, sendo que na calçada em frente ao Banco do Brasil bem pertinho dali, tem um cara que vende a 5 reais o filme, 4 reais sem a capinha. Além do ótimo atendimento que só uma locadora comercial é capaz de dar, se eu perguntar “Moça, tem algum filme do Wolfgang Becker?”, o máximo que ela vai me responder vai ser “Saúde!”. As locadoras de filmes são algo que definitivamente não fazem mais sentido.

Ainda assim saio com um filme de lá nas mãos, o musical Hairspray. Pára, volta a fita e presta atenção na afirmação: Eu aluguei um musical. Eu, que acho musicais a pior perda de tempo do cinema, paguei 6 reais por um. Deus, só pode ter sido a febre, o vírus da pneumonia, esse desgraçado que além de tomar conta do meu pulmão, cai na minha corrente sanguínea e afeta meu cérebro. Só pode! Tanto que eu esqueci de assistir o filme. Só lembrei no fim da tarde do dia seguinte, quando eu correndo liguei o DVD e sentei pra assistir porque afinal de contas 6 reais são 6 reais e eu não ia dar o gostinho de ver aquela locadora sugando meu dinheiro sem eu nem mesmo assistir o filme.

Hairspray começa com a gordíssima (porém, fofa) Tracy Turnblad declarando seu amor por Baltimore (nos anos 60), numa musica em que ela esbanja alegria e sorrisos enquanto acorda, vai para a escola e volta as pressas para casa a tempo de assistir seu programa de TV favorito. Pensa comigo: qual é o filme americano em que uma adolescente gorda já começa a história muito feliz? Nenhum! Hairspray não é só um musical, é uma paródia de musicais e os estúpidos teenmovies do tipo American Pie. Mais que isso, Hairspray tem um começo delicioso, contagiante e incrivelmente divertido. Eu estava adorando, até que das trevas surgiu ele, (eu mal consigo escrever o nome dele nesse blog, os dedos tremem) Zach Efron. Surtei! “OH MEU DEUS, EU TO GOSTANDO DE UM FILME PROTAGONIZADO PELO VIADINHO DE HIGH SCHOOL MUSICAL?”

É, foi um momento duro que eu tive que reformular meus conceitos de cinema de entretenimento. No fim das contas Hairspray é realmente divertido e funciona muito bem como paródia e crítica, mas não consegue se sustentar. O começo é muito bom, mas logo começa a cansar (salvando pelos momentos em que Jhon Travolta aparece como a mãe obesa de Tracy), o ritmo se perde (irônico pra um musical, não?) e só consegue refazer aquele impacto do começo nos momentos finais, mesmo apresentando uma série de clichês cinematográficos, a coitadinha que vence, a gostosona que se da mal, a mocinha fica com o mocinho, um amor inter-racial pego emprestado de Duas Caras, essas coisas. O destaque vai para atuações impecáveis e altamente inusitadas de John Travolta (impagável), Christopher Walken, Michelle Pfeiffer e Queen Latifah.

Além disso, há pouco tempo, assisti um “verdadeiro” musical, o muito comentado em festivais de cinema alternativo, Across the Universe. O filme de Julie Taymor parte da premissa de contar duas histórias que se entrelaçam, uma de amor (bocejo) e a outra da louca geração jovem dos anos 60 (de novo) que gritava nas ruas de Washington por paz e amor e “não a Guerra do Vietnã”. O romance gira em torno de Jude, um rapaz que sai de Liverpol para ir para os EUA, que se apaixona por Lucy, uma jovem revolucionária, cujo irmão vai para guerra contra a própria vontade. Em meio a isso, temos os negros colocando fogo nas ruas de Nova York, o movimento gay começando a sair do armário, além de sexo, drogas (a maconha mais parece LSD, gerando efeitos alucinógenos) e The Beatles. Pois todo o musical de Across the Universe é feito de 33 regravações dos Beatles. Perfeito, não? Errado! Com tudo isso, Across the Universe consegue ser uma grande merda.
Across the Universe: o baseado com certeza tava estragado

As letras dos Beatles não fazem sentido no filme. A cultura de massa considera os Beatles tudo, menos revolução, hoje em dia pode-se escutar I Want You bocejando. Não existe mais revolução, muito menos rebeldes com causa. Junte tudo isso a um roteiro muito furado, uma edição ridícula, a pretensão da diretora e Across the Universe afunda de vez. Porém, vale uma ressalva, as regravações das musicas dos Beatles pelos atores ficaram maravilhosas, com imenso destaque para I Want to Hold Your Hand, Strawberry Fields Forever, All You Need is Love e a própria Across the Universe.

Assim, eu sinceramente havia perdido as esperanças com musicais. Ate ter assistido Les Chansons d’Amour. E bem, depois de cinco minutos após o término do filme, chego a conclusão de que Cristophe Honoré é um filho da puta, só que no bom sentido. Eu já havia assistido Dans Paris (não musical) e não me sinto mal em admitir que este filme me fez descer lágrimas pesadíssimas pelo rosto. Nessas duas obras dele(que eu me recuso a chamar de geniais porque ainda nao assisti Ma Mère), Honoré enfatiza de uma forma que choca por ser tão introspectiva e ao mesmo tempo real, a dor e o recomeço. Mais precisamente em Dans Paris temos de uma forma excepcional todas as sensações do começo e do fim do amor, enquanto em Les Chansons d’Amour temos a complexidade do sentimento e a forma de se lidar com a dor.

Não gostaria de falar da trama de Les Chansons d’Amour, pois não importa o quanto eu a exalte, vai lhe parecer simples. Temos um triângulo amoroso de jovens (Ismael, Julie e Alice), que se desfaz com a morte de Julie, o verdadeiro amor de Ismael. Logo, o filme passa a tratar da perda amorosa. Ismael vagueia sozinho em sua dor e em sua forma própria de lidar com ela, e acredite quando eu digo, é quase impossível não mergulhar junto com Ismael (o muito talentoso Louis Garrel) em seu sofrimento, exatamente por retratar tão bem como nos sentimos a perda de um amor. Ate que o sofrimento romântico de Ismael vai de encontro a um novo personagem, que lhe mostrará um recomeço e um outro caminho, sem precisar se desprender daquilo que ele já sentiu e viveu.
Les Chansons d'Amour: qual a sua maneira de lidar com a dor e o amor?

O musical remete a um material musical pré-existente: as canções escritas por Alex Beaupain. Mas diferente de quase todos os musicais da história, Les Chansons d’Amour não possue dança ou coreografias. As interpretações musicais são sentidas ao mais pequeno diálogo. Assim, talvez ao ponto de nem mesmo poder ser chamado de um musical, Les Chansons d’Amour consegue ser único.

PS.: Um agradecimento muito especial ao Frederico Blahnik por mais um selo que fica ali ao lado e que eu repasso para o Thiago da Hora