quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Jacarés Grandes, Aranhas Grandes, Formigas Grandes... Todo Mundo Megalomaníaco

Lembro que um dia estava tranqüilo deitado no sofá da sala lá de casa quando de repente a minha avó entra elétrica vasculhando toda a estante. Eu e minha mãe ficamos olhando aquela cena e ela desesperada nos diz, “Eu perdi os meus óculos, não encontro eles em lugar nenhum, já revirei na casa inteira”, eu e minha mãe nos entreolhamos rapidamente e eu pergunto, “Por acaso seriam esses que estão nos seus olhos?”. Ela rapidamente leva a mão na cara e quando percebe que os óculos realmente estavam lá fica vermelha e sai da sala com uma raiva de si mesma absurda, praguejando contra a própria memória, em direção a cozinha. Eu e minha mãe tivemos a delicadeza de esperar ela sair da sala para gargalharmos e voltar a assistir TV.

Hoje eu quase não deito no sofá da minha casa, aliás, eu não lembro qual foi a última vez que eu parei pra deitar no sofá e assistir TV. Eu era viciado nisso quando era criança. O meu avô dizia que todo sofá que passava lá por casa ficava com as marcas das minhas costas e da minha bunda depois de alguns meses de uso (sim, eu tenho 1,80m, cerca de 60kg, mas eu tenho bunda, ok?). E se tem uma coisa que eu sempre lembro que era caótica lá em casa era a briga pelo canal de TV, principalmente quando eu e meu irmão estávamos cada um estirado num sofá de casa. Meu irmão era tão bandido que mesmo menor que eu, as vezes ficava no sofá grande só pra não me ver nele e eu ficava no menorzinho com os pés flutuando do lado de fora.

Porém, contudo, todavia, se tinha um canal que todo mundo parava lá em casa na hora do almoço, esse canal era o SBT, na sessão Cinema em Casa. Foi nele que eu aprendi que A Lagoa Azul era um filme que se repetia 1 vez por semana e que o Freddy Krueger era um filme que podia deixar as crianças sem dormir a noite passando ao meio dia. Depois inventaram a tal de portaria com censura de idade e fudeu a alegria de quem foi criança no começo dos anos 90.

Aliás, foi com o Cinema em Casa que eu virei fã/tiete/paga-pau de dois tipos de filmes, os de zumbi (meu Deus, passava A Volta dos Mortos Vivos 2 enquanto eu comia arroz com feijão) e os de monstros gigantes. Alguém aqui se lembra do Alligator? Gente, pára tudo e presta atenção: um jacaré gigante se esconde no esgoto de Chicago, piscinas e caixas d’agua de 10.000litros, vira celebridade nacional, se alimenta de cachorros radioativos, depois de seres humanos, invade a festa do prefeito durante o dia, faz maior barraco, banca a Lady Kate e mostra quem é que assina o cheque, come o prefeito na festa e ainda assim consegue ser um bom (eu diria ótimo) filme? Caralho, só podia ser coisa dos anos 80 mesmo. Não tem como não amar o tosco no cinema.

De certo modo, Alligator não é tão tosco não. As cenas do animal aparecendo e fazendo carnificina são muito boas, mesmo quando você percebe que tem um jacaré de verdade andando num cenário de miniatura. O roteiro é interessante, já que o jacaré só cresce devido a uma rede de intrigas onde se misturam homens gananciosos, políticos corruptos e... cachorros radioativos (ok, cachorros com hormônios de crescimento, mas radioativos soam melhores). Então, o verdadeiro vilão de Alligator não é o jacaré, é o homem. O Alligator só quer viver a vida dele normalmente, comer homens toscos gordos e nadar de boa nos esgotos. Mas ai ele vira celebridade, aparece o senador...

Infelizmente, nem só de bons filmes vivem os monstros gigantes. Você já assistiu uma das mil reprises de O Ataque das Formigas Gigantes? Tem uma cena em especial em mais esse clássico do Cinema em Casa na qual as formigas andam por um cais, invadem um iate (?) e matam todo mundo a bordo. Pergunta que não quer calar: por que as porras das formigas gigantes invadem um iate em alto mar só pra matar gente? Foi muito ácido na cabeça desse roteirista, muito ácido mesmo.

Porém, melhor que o Alligator, mais perigoso que o Tubarão de Steven Spilberg e viciante igual O Monstro do Armário (tosco, tosco e mais tosco), está A Invasão das Aranhas Gigantes. Confesso que fico tão emocionado em falar desse filme que nem consigo falar dele mesmo, então, coloca pra carregar o trailer ai que ele fala por si só (e fala até demais).



Pra vocês terem uma idéia da bagaceira, a aranha gigante, era um fusca camuflado com pelúcia (sim, era uma aranha gigante de pelúcia), e os faróis do fusca em questão eram os olhos do bicho. Reparem que: AS PATAS DA ARANHA NÃO TOCAM NO CHÃO. Pior que isso só o meteoro que na verdade é um foguete de S.O.S e a tentativa de vender a idéia de que as aranhas eram alienígenas que vieram de um portal aberto pelo meteoro, saindo de ovos que não se abriam nunca, mas que o isopor quebrava fácil quando a maldita aranha (opa, outro filme) resolvia sair. A morte dela é incrível, é uma melequeira nojenta, uma babação completa, tira o total prazer pelo sorvete. E pensar que eu perdia sono por causa desse filme aos 7 anos.

Já não se fazem mais filmes de monstros gigantes como antes.
E já repararam que tudo tinha gigante no final? Roteiristas megalomaníacos, não?

Filmes modernos de monstros gigantes não são tão bons. Na verdade, esses filmes da nova safra como Cloverfild e O Hospedeiro apelam para o lado emocional da coisa, as relações dramáticas entre os personagens. Os monstros só fazem figuração. Seguindo essa linha, Cloverfild que poderia ser genial, se torna estúpido na maior parte, porém O Hospedeiro se salva, e se salva bem, tirando a dramatização no final que se torna realmente excessiva.

Bom mesmo é o filme O Nevoeiro. Nesse, tem monstros gigantes pra vários gostos, mas eles realmente estão lá de figuração e o drama é o foco principal. O filme não tente levar a imagem dos monstros pra se manter sólido, e é exatamente por isso que ele funciona. Baseado numa ótima obra de Stephen King, a trama começa após uma tempestade numa cidade pequena do Maine. Um pai e seu filho vão no supermercado comprar materiais para a reconstrução da casa onde um grande numero de pessoas foi lá com o mesmo objetivo. Acontecem umas coisas estranhas e um denso nevoeiro cobre tudo e traz consigo um horror gigantesco, monstros enormes que descobrem na carne humana um sabor delicioso. Trancados no supermercado, o inferno começa. O problema é que o perigo não esta só do lado de fora com os monstros, mas no de dentro também, com os humanos.

Aos poucos, uma fanática religiosa monta uma seita pregando um Deus vingativo que precisa de sangue, e os “lúcidos” não sabem mais o que fazer. Morrer pelas mãos dos fanáticos ou correr o risco no nevoeiro repleto de monstros realmente amedrontadores? O filme tem uma trama complexa como só o King é capaz de fazer, além de atuações brilhantes e um final incrível, diferente de quase tudo produzido em Hollywood. Lógico, ele tem suas falhas, como luz demais para um filme tensão/terror e efeitos especiais que deveriam ter sido menos trabalhados, mais escurecidos.

Ainda assim, prefiro que aranhas flutuantes e jacarés mecânicos fiquem lá nos anos 70 e 80 mesmo, junto com o sofá lá de casa e as marcas da minha bunda nos anos 90.

18 comentários:

Thiago da Hora Souza disse...

O bom de ver filmes de terror antigos é que dá para perceber muito como o conceito de "medo" mudou nos últimos anos. Hoje o terror gira em torno do deconhecido, da incapacidade humana para resorver certas coisas. "Cloverfield", que é sim um ótimo filme, é o melhor exemplo dessa nova fase do cinema de terror.

Agora, que trailer mais ridículo é aquele das aranhas??? Nossa, deu para ver o quanto o cinema era primitivo naquela época. O trailer saiu pior que o filme.

O seringueiro Voador disse...

Considerando que o diretor desse filme foi o mesmo que dirigiu Um sonho de liberdade e A Espera de um milagre, não é de admirar que tenha saído uma boa adapatação da história de stephen king.
Não vi o filme, mas li o conto (na verdade um verdadeiro mini-livro de grande), O Nevoeiro é uma obra realmente interessante e original também, mas o que eu gosto mesmo é da insistencia do King em não explicar as coisas tin-tin por tin-tin.

Manu Falqueto disse...

Meu Deus, fiquei seriamente preocupada... Um dia vc me disse que antes de entrar na faculdade era mais magro-como se fosse possive-, agora vc esta numa boa forma . Mu, não adianta sonhar q teve uma bunda...Vc é inteligente, charmoso, consegue deixar varias mulheres loucas por vc...inclusive a Polly. Vc escreveu esse texto q me fez dar muitas risadas, e querer voltar a assistir filmes do gênero de novo. Mas assim não use toxicos...Não se iluda que um dia teve uma bunda ai não...Nem para os padrões desbundados...
hehhehehehehehhehehehehehe...

bjim
te adoro viu!!!

Ana Helena disse...

só uma coisa: eu AMO Stephen King!!
mesmo com toda a tosquisse ele é o melhor ever!!

Fred Viana disse...

Como sempre, não dei nada pelo seu texto no inícil mas ele foi ficando bacana e quando chegou na parte dos filmes da sessão da tarde assistidos esparramado no sofá me deu um sentimento nóstálgico que quase me fez chorar do tipo "eu quero voltar pra essa época, não quero ter que crescer e trabalhar!!!!!!!"rsrsrs
Vamos ver O Nevoeiro no cinema?! To tão carente caraaaa!!!!!HAUHAUHAUHAU

Bjus nessa bunda seca!

Victor Manfredine disse...

muito bom!
é só lembrar de
red rose.. =]

Bryce disse...

Acho que vc era muito jovem pra saber diferenciar uma bunda, coisa que nem todo mundo tem; dos ossos da bacia.

Cinema em casa, um dos maiores sucessos de todos os tempos para crianças criadas pela televisão. Nunca fui muito fã de filmes de monstros gigantes, mas os filmes de terror dos anos 80 e 90, ah, esses eu nunca vou esquecer. Especialmente aquele em que o protagonista é algo parecido com um milk-shake de chiclete. Levanta a mão quem nunca assistiu "A Coisa". Muito bom.
Isso sem falar nos Loucademias de polícia, gremilins e caravana da coragem. E tantos outros filmes, que quando começaram a ser exibidos nas outras emissoras, o cinema em casa já tinha reprisado umas 54820 vezes. Bons tempos aqueles. x)

Daniela Andrade disse...

Ah, bem melhor que aqueles cachorros que jogam basquete da Sessão da Tarde.

E tenho a ligeira impressão que todos esses filmes se inspiraram nos Pássaros de Hitchcock, mas com baixo orçamento e baixa criatividade cinematográfica (ou excesso de LSD, se preferir). Aliás, creio que o excesso de LSD deu as enormes proporções para todos os monstros que já desfilaram no Cinema em Casa.

E viva o SBT, baixa qualidade na sua TV.

Luiz Korsakoff disse...

Esses filmes marcaram minha vida, quase perdi trabalho hoje pra assistir Mudança de hábito (amo as freiras cantando "I will follow him", acho super digno)
Apesar de "A coisa" e "A mosca" não terem entrado na tua lista, adorei o post, nostálgico.

Viva os trashs televisivos que fazem falta!

O seringueiro Voador disse...

pow cara a mosca não é trash não

se não me engano ganhou o Oscar de efeitos especiais

Se ganhou Oscar, não é trash.

Suellen Verçosa disse...

Samuel...te convidei no meu blog pro meme...espero que aceite.

Parabéns pelo blog sempre tão cheio de coisas interessantes!!!

=*

Kethleen disse...

Cara eu li e adorei.. pra variar... mas, so pq vc fica me sacaneando, resolvi fazer o mesmo e te convidei pra um Meme... kkkkkkkkkkkkk

Bjao

Frederico Blahnik disse...

Eu tava rindo da sua avó até que no segundo parágrafo vc disse: "sim, eu tenho 1,80m, cerca de 60kg, mas eu tenho bunda, ok?" Porque seria a mesma coisa eu dizer pras outras pessoas assim: "ah, eu tenho 1,74m e um pênis de 25cm, ok?" Not real...
Daí que vc perdeu o melhor do trash que o SBT poderia ter te oferecido pq vc era muito novinho quando o SBT transmitiu "V - A Batalha Final" em 1988, com o ridículo título "Os Extraterrestres no Planeta Terra". Aquilo sim era trash de categoria com aqueles lagartos comendo ratos com bocas gigantes e efeitos especiais de youtube.
Daí que o único filme que eu gostava mesmo desses q vc falou sempre foi e sempre será "O Ataque das Formigas Gigantes" com a magnífica Joan Collins. No seriado "Dinastia" tbm dos anos 80 ela era ultra poderosa e nunca morria, diva, diva, diva... era difícil pra mim ver a JOAN COLLINS ser morta por uma formiga mutante dos caralhos... mas enfim, passou, e hoje em dia a Joan Collins já deve estar ompletamente liquefeita de tanta cirurgia plástica...
Vou pular os outros filme q de tão B eu não quero falar e vamos passar parte legal pq o final do meu dia hoje foi péssimo, ok?
Cloverfild, ok. O Hospedeiro, ok. Cinta-caralha, ok... oops...
O Nevoeiro é tipo, o filme de terror do ano pra mim, mas me choca saber que um filme q eu tenho em DVD desde março ainda está passando no cinema aqui, em Rio Branco, no Acre...
Adoro quando vc faz comentário assim de revista SET: "Lógico, ele tem suas falhas, como luz demais para um filme tensão/terror e efeitos especiais que deveriam ter sido menos trabalhados, mais escurecidos."
Tipo, eu nunca teria pensado nisso. Porque se o filme fosse ainda mais escuro acho que teria q ser chamado de "Ensaio sobre a cegueira", né?

Bjs, te adoro.

Da Silva disse...

Se o assunto é bagaceira cinematográfica anos 80, vc tinha q lembrar era da Sessão das 10, logo depois do show dw calouros. O filme passava às 10 horas e depois repetia de novo(o filme começa quando vc chega em casa!).

revezavam-se "Alligator", "ataque das cobras" e "A gangue dos dobermans". Te lembradisso, parceiro?

Kamilla disse...

Eu nunca fui fã de filmes de terror e de SBT!

Jéssinha disse...

Tu esqueceu de falar do clássico dos clássico: O Ataque dos Vermes Malditos!! oO

=P

Jéssinha disse...

Tu esqueceu de falar do clássico dos clássico: O Ataque dos Vermes Malditos!! oO

=P

Menina de óculos disse...

Samuel,

Eu já te disse que tu é lindo, charmoso, sensual e que mais ninguém fica tão bem de CK como vc??????

Pronto.

Beijosemesegue

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk