sexta-feira, 1 de maio de 2009

A vida como ela é... sim, e daí?


Estruturas. É o que todos nós desejamos, independente desse desejo ser consciente ou não. Todos nós queremos estruturas. Todos nós queremos nosso pilar de sustentação. E de fato, só dão valor a isso as pessoas que não as tem.

Meu novo vício tem sido a série Brothers & Sisters. Uma ótima produção norte americana que hoje está em sua terceira temporada, mas que eu ainda estou finalizando a primeira. E eu já vou logo avisando que se você está esperando eu falar de uma série louca, toda cheia de confusões, vidas perturbadas ou mistérios, lamento, mas só tem uma palavra para eu definir Brothers & Sister: careta! A série não é só careta, ela é caretíssima, ao extremo. Talvez seja por isso que eu posso afirmar que adoro esse programa, porque o caretismo às vezes é o que nos traz mais conforto na vida.

Brothers & Sisters conta a história de uma família rica e cheia de valores próprios que tentam lidar com a perda do patriarca, a quebra financeira da empresa e a descoberta de mentiras do passado que nunca vieram a tona. São cinco irmãos, completamente diferentes um do outro, mas que se amam e tem um elo fortíssimo (cada um a sua maneira) com a mãe, uma mulher forte, porém, meio sequelada (de doida mesmo, não psiquiatricamente). A questão é que todos ali são seres humanos, cada um com suas vidas, com seus problemas pessoais, com suas famílias para criar, com seus corações para lidar, com suas felicidades, vitórias, princípios e medos.

A questão é que não importa o quanto eles tenham tudo isso, pois uma coisa eles sempre terão, a si mesmos. Esse é o grande segredo de Brothers & Sisters, o de sem nenhum artifício pitoresco (muito comum hoje nas séries americanas) mostrar de verdade como funciona o amor familiar.
Não é de hoje, que os valores familiares se tornaram indefiníveis. De fato, uma das grandes questões da nossa humanidade, é que cada geração que vem se distancia mais ainda da anterior. Pegue você mesmo como exemplo. Você vive num mundo que não é nem um pouco mais igual ao da sua mãe. Porém, a sua mãe viveu num mundo onde possivelmente ainda havia muitos dos valores do mundo da mãe dela.

E aí chegamos ao momento em que o prazer das pessoas mais mal amadas é dizer que “a família é uma instituição que está falindo”. O cu deles que está falindo. Lembro que quando eu era do colegial, a notícia do suicídio de um garoto chocou toda a escola. Porém, o relato de um dos meus professores foi o que mais me interessou. “No começo do velório havia muita gente, mas elas foram saindo, saindo, até que antes da meia noite só restava a família”, ele suspirou e voltou a falar, “não importa o que vocês jovens achem, o quanto considerem que seus amigos são os melhores do mundo e seus pais incompreensíveis, no fim, só restará a família”.

Eu conheço um numero infinito de pessoas que se distanciam de suas famílias, cujo diálogo não esta presente, cujos valores morais diferentes nunca entram em acordo. Por quê? Talvez porque hoje em dia, as pessoas tenham deixado de praticar uma coisa que é capaz de mudar vidas, a tolerância. Familiares brigam, se xingam, riem, choram, vivem... mas se não há tolerância, nada disso acontece. A família só é família, quando todos sabem se tolerar. E aí vocês podem dizer: “mas isso não existe na minha família”, ao que eu lhe pergunto: “você já tentou criar?”.

E como dizia Chaplin, numa frase que particularmente me incomoda: “amigos são a família que Deus nos permite escolher”. Me incomoda sim, mas só como uma coceirinha de leve. Talvez porque eu seja o melhor amigo da minha mãe e que por vezes nos esquecemos dos nossos laços sanguíneos, que quando crianças a minha avó e meu avô tenham sidos meus maiores pilares de sustentação e hoje me esforço pra ser um pilar de sustentação pra eles e que quando lembro da tia que me criou e me ensinou o gosto pela leitura, mas hoje mora longe, paro um momento e meus olhos lacrimejam. A família também são os amigos que Deus nos dá.

E é só quando eu acho que somos plenos desse valor que somos capazes de transmitir de verdade o que sentimos para outras pessoas. Para aqueles que também representam nossas estruturas, aqueles que batizamos com a palavra: amigo. A amizade é de longe uma das coisas mais fantásticas, intrigantes e misteriosas do universo. Pois é uma palavra super bobinha que explica como podemos nos relacionar com as pessoas mais fantásticas, intrigantes e misteriosas do universo.

Amigos vêm, amigos vão, existem aqueles que nós queremos que nunca nos deixem, mas nos deixam, existem aqueles que nos deixam, mas voltam, existem aqueles que nós deixamos, aqueles que ficam para sempre, aqueles que nos conhecem melhor que nós mesmos, aqueles que não nos conhecem, mas nós adoramos mesmo assim. Minha avó costumava dizer que existe uma grande diferença entre amigo e colega. Amigo é uma palavra muito forte, e que nós temos que saber exatamente o valor dela, para usá-la somente com as pessoas certas. Por isso eu meio que encho o peito e falo num tom mais grave ou simplesmente diferente quando me refiro a alguém como meu amigo.

Eu não acho que exatamente a gente escolhe nossos amigos. É um tipo de química, algo que liga no seu cérebro e no da outra pessoa e que vai deixar vocês unidos agora e vocês nem perceberão isso. Uma ligação que não se sabe onde está e que pode ser alimentada e destruída por ‘n’ fatores.

Se existe a série Brothers & Sisters, eu acho que uma melhor ainda seria Family & Friends. Porque de certo modo, por todos, nós compartilhamos um sentimento especial. Todos nós amamos e desejamos o melhor sempre que possível, pois essa é na verdade a grande coincidência entre amigos e familiares, o bem que nós desejamos um aos outros. Se você não compartilha disso, possivelmente é porque não tem fé, não só na família ou nos amigos, mas principalmente em si mesmo.

Se você conseguiu chegar até o fim desse texto já deve ter percebido que ele é totalmente diferente dos outros que eu escrevi, mas se eu o desapontei não vou me desculpar por isso. Essa na verdade é uma carta de amor que eu escrevo aos meus amigos e a minha família, aqueles que ajudam eu a ser quem eu sou, e que eu me esforço todos os dias para ajudá-los a continuar sendo aqueles que eu amo.

11 comentários:

Victor Manfredine disse...

Samuel, discordo de você
quando diz: "não importao quanto considerem que seus amigos são os melhores do mundo[...], no fim, só restará a família".
não não.
os verdadeiros ficam. ficam sim.
podem até estar em extinção.
e é difícil realmente conseguir um nos dias de hoje.
mas existem sim viu?
não vire um cético que só acredita em Deus e em ninguém mais.
o mundo nos surpreende.
então pq não surpreender o mundo?

Frederico Blahnik disse...

Eu tentei ler realmente. Daí vc descobriu toda a verdade no último parágrafo. Nem a Sally Field é capaz de me fazer assistir um seriado que fala de relacionamento familiar pq nesse campo minado já basta a vida real... o resto é pure boredom...
Enfim, obrigado por me amar.

Bjs...

;-)

Samuel Bryan disse...

victor, eu nao disse que concordo, foi uma frase do meu professor que ficou na minha memória ate hoje. eu não estou afirmando, eu estou criando uma discussão sobre o assunto. é so uma questão de leitura, afinal é uma carta de amor a minha familía e amigos.

Handreh disse...

Por acaso esse jovem que se suicidou é aquele jovem? Aquele, sabe?
o/

Keth disse...

Lágrimas nos olhos!

Este post parece as conversas do nosso grupo de amigos ou mesmo os momentos em que parecemos fazer parte das família uns dos outros...

Careta também caracteriza nosso grupo, nossa idéia de relações e, por quê não dizer, nossos preconceitos.

A família não é e nunca vai ser uma instituição falida, pelo contrário, é uma parte que vai sempre intervir em todas as outras, se não funcionar bem, fica sempre faltando algum pedaço mesmo!

Concordo plenamente que precisamos tolerar, e tb acredito que precisamos aprender a perdoar os outros com a mesma velocidade que perdoamos a nós mesmos, que precisamos amar com a mesma intensidade que queremos ser amados.

Qdo vc comenta sobre o suicidio de um garoto no colegial, me remeto imediatamente sobre pessoas que vemos e que sentem "seu mundo cair por coisas tão pequenas", justamente por nunca terem que lidar com problemas reais, sérios, dramáticos, como alguns que (infelizmente) já tivemos que compartilhar em nosso ciclo...

Quem não tem conta pra pagar, não tem a vida pra ganhar, tem tempo pra se afundar em coisas pequenas, porque a vida real é mais emergente e não nos delega tempo para coisas tão menores.

A sociedade está ficando é órfã de valores! E seu texto vai no cerne da questão, porque "cutuca" aquela ferida aberta, que nunca sara, mas que precisa ser reconstituída de forma emergencial.

Vc me surpreendeu ainda mais e isto só me faz agradecer a Deus por ter vc na minha vida e por termos a chance de compartilhar nossos valores, de nos ajudar a amadurecer, a nos apoiar.

Como a pessoa mais "idosa" =) de um grupo, me felicita ver que eu estava errada, não é a idade que fundamenta uma pessoa, mas seus valores, sua criação, sua essência.

Parabéns!!!! Mesmoooo!!!!

Keth disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Keth disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
FOXX disse...

mas tb precisamos notar q nem sempre a familia é tão presente né, brian?

Jannice Dantas disse...

Samuel, assistir essa série tbm virou b um dos meus vícios, mas discordo de vc quando diz que ela é careta. Ela mostra o amor incondicional da família, as dificuldades que todos nós temos em nossa própria família tais como divórcio, filhos fora do casamento e a homossexualidade. Em um dos episódios mais recentes e um dos mais lindos e comoventes, um dos filhos resolve oficializar sua relacão com outro homem e a mãe organizou uma linda festa para os dois, foi simplesmente TUDOOOOO!!

Ei mocinho, mesmo atrasada, desejo felicidades mil p vc!

Bj

Anônimo disse...

gostei da parte que fala de tolerância, analisando o pouco que já vi da vida percebi que realmente só a família pode ser totalmente tolerante, não importa os nossos defeitos, os nossos erros, os nossos costumes, o amor famíliar é capaz de superar tudo isso. você pode fazer coisas que ferem os costuemes e idéais de seus pais, você pode fazer coisas desprezíveis, a família pode não apoiar o que você faz... mas ela continua te amando e sempre do teu lado... Tolerância... essa é a maior prova de amor de uma verdadeira família.

adorei Mu... bjus

Daigleíne Cavalcante

Thiago da Hora Souza disse...

Comecei a assistir a primeira temporada e já estou apaixonado. É uma série forte, real, engraçada e bonita. Sem sombra de dúvidas uma das melhores já produzidas.