quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Os 10 melhores filmes de 2017 que você NÃO assistiu



E como todo ano que passa deixa sua marca no cinema, 2017 não poderia ser diferente. No geral, foi um bom ano sim para o cinema, mas assisti menos coisas que gostaria e fui menos a fundo do que deveria no cinema independente e indie. 

Ainda assim, nossa tradicional lista dos “10 melhores filmes de 2017 que você não assistiu” não vai deixar de existir. Em termos de países, nenhum é estreante na lista, e alguns aqui são até bem badalados. 

Ah, e vale a pena lembrar que o post não passa de uma brincadeira para trocar experiências sobre filmes fora dos grandes circuitos pelo mundo.
Do mais, espero que curtam!

Obs: nem todos os filmes citados foram produzidos e lançados em seus países de origem em 2017, mas né, eu só assisti agora. 

10º lugar: O Bar (El Bar – Espanha)
Em um bar no centro de Madri, várias pessoas tomam café da manhã tranquilamente, como de costume. Mas, quando um dos clientes leva um tiro na cabeça ao colocar os pés fora do local, o clima de tensão invade todos no ambiente. Ninguém entra, ninguém sai, uma ideia de conspiração e medo gigantesco tomam o local e uma trama surpreendente se revela junto a um grupo de pessoas com personalidades tão distintas, todos realmente longe dos estereótipos que representam. O Bar é um daqueles filmes que nos prendem pela sua capacidade de crescimento. Infelizmente ele não cresce o tanto que parece que vai crescer. É satisfatório sim, mas ficou aquela sensação de que ia ser muito mais. Com mistura de mistério apocalíptico e humor, o filme é realmente uma boa surpresa.

9º lugar: Melanie: A Última Esperança (The girl with all the gifts – Estados Unidos)
O péssimo nome da versão em português não faz jus ao seu original que tem um grande significado após entendermos o filme. Em um futuro próximo, um estranho fungo transforma pessoas em insaciáveis zumbis. Com a sociedade desmoronando, um grupo de cientistas descobre que isolar crianças contaminadas faz com que elas voltem a ter consciência humana, mesmo com a fome de carne, e acreditam que esse é um passo para encontrar a cura. Melanie é uma dessas crianças. Dividindo seu tempo entre estudar e sonhar enquanto espera o momento de ser dissecada para estudo, ela acaba passando de testemunha do fim da humanidade para peça chave em sua transformação. Um filme que saiu bastante da tradicional linha de tramas zumbis e nos apresenta algo reflexivo e assustador não por causa dos canibais, mas pela fragilidade de tudo aquilo que consideramos grandes conquistas do homem. 

8º lugar: The Void (Canadá)
Em meio a uma patrulha de rotina, o policial Daniel Carter encontra em uma estrada isolada um jovem mancando e ensopado de sangue. Ele leva o rapaz para um hospital rural próximo, onde trabalha sua ex-mulher e o imaginável então acontece, quando o resgatado passa a contaminar todo o local com algo que transforma as pessoas em monstros ou lhes coloca em total loucura, além de uma estranha seita que cerca o hospital e não permite ninguém sair. No fim das contas, The Void é uma bela homenagem a filmes de horror gráfico dos anos 70 e 80. Com maquiagem e efeitos práticos, praticamente livres de CGI, somos abduzidos pela ideia. O filme ainda tem um tom de H.P. Lovecraft na medida, mas desaponta um pouco em seus momentos finais. Ainda assim, é uma trama de um pesadelo inimaginável digna de ser lembrada. 


7º lugar: 1922 (Canadá)
Baseado num conto de Stephen King (e 2017 foi o ano dele), o filme da Netflix conta a história de Wilfred James, até então um pacato fazendeiro, que bola um plano macabro para solucionar o seu problema financeiro: ele decide assassinar Arlette, sua mulher. Mas, para conseguir fazer tudo direito, Wilfred precisa convencer seu filho a ajudá-lo. A premissa simples revela uma grande trama. Mesmo com tom de telefilme, 1922 se sobressai bastante ao apresentar grandes interpretações e se revelar um “Crime e Castigo” assombroso. Somos absorvidos pelo caos apresentado em tela e mesmo não sendo a mais complexa e impressionante história de King, a verdade é que 1922 nos envolve bastante até seu derradeiro final.

6º lugar: Um contratempo (Contratiempo – Espanha)
Próximo da fusão de sua empresa, o poderoso e rico Adrian desperta em um hotel e encontra sua amante morta coberta de dinheiro. Ele recorre a melhor advogada de defesa do país para que ele saia dessa, e juntos eles tentam descobrir o que realmente aconteceu na noite anterior. Com ares de romance policial sem nunca ter um policial no meio, Um Contratempo se destaca justamente por seu formato de narração, com várias idas e vindas nas versões apresentadas, reviravoltas e um final simplesmente impressionante. Dos filmes que são simples, mas muito bem feitos e entregam muito além do que parecem ser.

5º lugar: The Belko Experiment (Estados Unidos)
E se de repente o seu trabalho exigisse que você matasse o seu colega caso isso fosse necessário para a sua sobrevivência? A proposta de The Belko Experiment de misturar a metáfora da servidão voluntária num Jogos Vorazes de adultos é simplesmente surpreendente. No filme, os empregados da empresa Belko têm sua rotina interrompida quando o prédio é isolado, uma ameaça é feita e eles devem seguir as ordens sádicas de uma misteriosa voz para que matem uns aos outros se quiserem sobreviver. Com o tempo e o cronômetro correndo, o verdadeiro caos se instala. Muito bem dirigido e orquestrado, Belko é um daqueles filmes capazes de apresentar subtramas tão interessantes quanto sua trama principal. Macabro e beirando o gore, há momentos e situações marcantes, com um crescimento constante que infelizmente não é tão bem acompanhado pelo seu final.

4º lugar: Ao Cair da Noite (It comes at night – Estados Unidos)
Depois que um apocalipse misterioso deixa o mundo com poucos sobreviventes, no meio de uma floresta, duas famílias são forçadas a compartilhar uma casa e fazer uma incômoda aliança quando todos desconfiam até de suas próprias sombras. Intrigante como poucos e sem nos dar respostas completas em quase nada, este filme é acima de tudo sensorial. A construção do clima de crescente tensão e suspense faz com que muita gente não goste do filme por achar que ele vai de nada a lugar nenhum, mas a verdade é que Ao Cair da Noite não apresenta importância em nos revelar um destino, o que importa é o caminho dos personagens, e isso chega a ser quase perturbador.

3º lugar: Antipornô (Antiporno – Japão)
Do consagrado diretor Sian Sono, Antipornô é de longe sua obra mais controversa e, ao mesmo tempo, bela. O filme é uma refilmagem do gênero “roman porn”, popular no cinema japonês entre os anos 70 e 80. Mas diferente da pornochanchada brasileira, esse estilo tinha até mesmo uma forte aceitação da crítica, já que seus diretores tinham liberdade criativa, desde que cumprissem as cotas de nudez e sexo do estúdio. Assim, Sono se utiliza desses elementos justamente para criticar o machismo institucional no Japão, mesmo com a ironia de um filme que tantas vezes soa machista. A obra é uma pancada do minuto que inicia ao que termina, com um visual deslumbrante, mas uma narrativa difícil, incomoda, que usa a metalinguagem como ferramenta de um jogo de espelhos. Na trama, um estúdio japonês refilma um de seus maiores sucessos: uma série de soft-porn com flertes de cinema-cabeça. Contudo, as tensões nos bastidores crescem devido a um atrito entre a experiente atriz coadjuvante e a protagonista, uma jovem virgem que é novata no cinema .

2º lugar: O Monstro no Armário (Closet monster – Canadá)
Oscar é um adolescente emocionalmente instável e traumatizado pela separação nada sutil dos pais e por presenciar um crime de ódio ainda na infância. Os dois eventos e a superproteção e instabilidade do pai fizeram com que Oscar guardasse dentro de si uma dor e sofrimento enorme, libertadas quando ele começa a entrar em confronto com sua própria identidade. Embora Closet Monster retrate acima de tudo a busca por um envolvimento afetivo saudável por Oscar ao conhecer o novo e atraente colega de trabalho, a verdade é que este é um filme sobre depressão, sobre abusos familiares e sobre a falta de responsabilidade emocional para com os outros. Tocante e sensível, o filme é um retrato de que às vezes precisamos tirar monstros do armário para conseguir conviver com eles.

1º lugar: A Ghost Story (Estados Unidos)
Fazendo parte da ideia do pós-horror, temos aqui uma trama que se utiliza de elementos sobrenaturais para dar um tom mais profundo dos sentimentos humanos numa perspectiva que ultrapassa o carnal. No filme, um casal vê sua estabilidade ruir quando o marido morre em um acidente de carro. Sem conseguir se desprender do plano terreno e o amor por sua mulher, ele não consegue passar para o outro mundo, se tornando um fantasma, com a interessante característica de usar um lençol branco, a tradicional representação para crianças. Com a perspectiva terrena da mulher e a perspectiva espiritual do homem, A Ghost Story não é um drama sobre relações, é sobre o tempo. Tudo neste filme gira em torno do tempo e do espaço. E de como nos comportamos neste meio, sem importar a forma como estamos existindo. Belo como poucos e triste na mesma medida, A Ghost Story é sobre o tudo e o nada ao mesmo tempo, mas acima de tudo da tentativa de estarmos conectados aquilo que nos dá sentido em existir. 

Um comentário:

Eleonora Gonçalves disse...

Me parece muito interessante os filmes por que são muito interessantes, podemos encontrar de diferentes gêneros. De forma interessante, o criador optou por inserir uma cena de abertura com personagens novos, o que acaba sendo um choque para o espectador, que esperava reencontrar de cara as queridas crianças. Pode ver os Filmes de Suspense são uma ótima opção para ver, além disso, acho que ele é muito bonito e de bom estilo.