terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Os 10 melhores filmes de 2011 que você NÃO assistiu

E pelo quarto ano consecutivo, esse que vos escreve encerra mais uma temporada (ultra fraca, to pior que Dexter) desse humilde blog, com a tradicional lista dos 10 melhores filmes de 2011 que você na verdade não assistiu. Embora tenha esse nome, você possivelmente pode ter assistido algum desses filmes, é apenas uma brincadeira para divulgar filmes não comerciais de destaque internacional e obras que merecem ser vistas mas não tiveram lá tanto marketing.

E 2011 foi definitivamente o ano do drama. Não to falando do típico drama que se faz no Twitter e Facebook, mas realmente do gênero cinematográfico que era um dos mais caídos nos últimos anos de tão desgastados. Agora, a lista desse ano encabeça simplesmente oito dramas, sendo que a novidade é de pela primeira vez termos uma comédia em quatro anos.

Foi definitivamente um ano fraco para o cinema experimental, obras que ousassem sair dos padrões contemporâneos. Os diretores simplesmente se acomodaram, resolveram apostar no certo e passar longe do duvidoso. Assim, o cinema se perde um pouco mais, mas ainda se encontra, nesse eterno processo de realizações. Foi uma lista difícil de fazer (esta ficando pior a cada ano), portanto, divirtam-se.

Obs: nem todos os filmes citados foram produzidos e lançados em seus países de origem em 2011, mas a repercussão internacional e principalmente dentro do Brasil, foi esse ano.

10° Lugar: Feliz que minha mãe esta viva (Je suis heureux que ma mère soit vivante – França)
A família é uma estrutura. E como toda estrutura emocional, existem pessoas que não são capazes de suportá-la. Talvez essa seja a premissa de Feliz que minha mãe este viva, filme francês baseado em fatos reais que conta a história de Thomas, jovem abandonado pela mãe, adotado junto com o irmão mais novo por um casal, mas que nunca superou esse trauma. A primeira cena do filme é uma metáfora, temos ali na praia Thomas nadando e o pai adotivo atrás, que não consegue alcança-lo. Será assim a vida inteira. Descontrói-se a história fofinha do amor pelos filhos adotivos, não é bem assim. Thomas é um inconformado e por isso vai atrás de sua mãe verdadeira, ate encontra-la e descobrir que ela é tão inconformada quanto ele, não por ter abandonado os filhos, mas pela vida que sempre teve. É um filme sobre a família, mas é um filme frio. Não porque é ruim, mas a frieza é seu estilo. A única felicidade na vida de Thomas foi descobrir que sua mãe esta viva, mas o que torna o filme inesquecível é justamente o momento em que Thomas percebe que a vida dela é justamente aquilo que prejudica a sua.

9° Lugar: Tarde Demais (Beautiful Boy – Estados Unidos)
Os eventos monstruosos que aconteceram em Columbine, nos Estados Unidos, geraram duas coisas: 1) uma série de novos eventos inspirados no mesmo, e 2) uma série de livros e documentários inspirados no mesmo. No meio da segunda opção encontramos o excelente Tiros em Columbine e o medíocre Elefante. Beatiful Boy segue essa linha de produção, mas de uma ótica diferente. É impossível se manter indiferente nesse filme. Ele escorre tristeza, sem luz no fim do túnel, de seu começo ao fim. A obra pega uma outra linha, como fica a vida do casal Bill e Kate, pais de Sam, garoto que em seu primeiro ano de faculdade entrou no campus, matou 17 pessoas e se matou com um tiro logo depois. O caos passa a reinar na vida do casal, que já se preparava para se separar, e é atingido por um baque sem tamanho. Eles são culpados? Por que o filho fez aquilo? Interessante em Tarde Demais é que essas respostas não são dadas. O filme foca apenas essa desestruturação, essa dor causada. Mais seu ponto alto é justamente mostrar que a tão famosa frase “A vida continua”, que tantos usam para se enganar, nem sempre funciona. Existem eventos que aniquilam qualquer funcionalidade dessa pequena oração, seu filho que você tanto ama matar várias pessoas e se matar logo em seguida é um deles.

8° Lugar: O Barco do Rock (The Boat That Rocked – Inglaterra)
Existe a lenda de que os opostos se atraem, depois aquela de que os dispostos é que se atraem. Balela pros dois. As vezes o que gera amor e liga as pessoas pode ser um único ponto em comum. E no caso de O Barco do Rock, esse ponto é a música. E música muito boa, diga-se de passagem. A história fala-nos das tão famosas rádios piratas da década de 60 na Inglaterra, o melhor do rock britânico, um pouco censuradas pelas rádios da BBC que se limitavam a transmitir duas horas semanais de rock (?). Somos então levados a um barco onde funciona uma destas rádios, com oito DJ’s que se encarregam de espalhar o caos das músicas frenéticas da tão afamada década, e onde um jovem, a ordem da mãe, em consequência de ter sido expulso da escola, se junta a eles e adquire este estilo de vida um pouco libertino, cujo lema era sexo, drogas e rock’n’roll. O sensacional filme junta uma série de situações hilárias e bizarras. É uma comédia, de auto nível. A quantidade de tramas paralelas é de se perder na conta, mas o filme decai ao ser mais longo do que deveria e por seu final um tanto quanto forçado. Mais do que um retrato ficcional de uma época interessantíssima, O Barco do Rock mostra que podemos fazer algo realmente bom e fora dos padrões quando queremos.

7° Lugar: Tomboy (Tomboy – França)
Me surpreendeu que Tomboy tenha sido o filme gay mais aclamado do ano. Não que seja ruim, mas eu particularmente não considero sua temática exatamente gay. É um filme que fala principalmente sobre identidade, e embora a militância LGBT faça questão de usar essa palavra na defesa de seus direitos, a questão da identidade pessoal é algo que atinge a todos, indiferente a opção sexual. Em Tomboy temos Laura, uma menina que surpreende os desavisados do filme por parecer um garoto. Após se mudar com a família, ela resolve fazer novas amizades com as crianças do condomínio, assumindo primeiramente uma nova identidade, surge então Michel. E é isso, Laura é uma menina que quer ser um menino. O filme ao contrário do que sugere, não é ousado, não é pesado. É doce, é divertido, é emotivo. Temos essa obrigação de Laura em ter que amadurecer, mesmo ela sendo apenas uma miudinha. Temos o incrível momento em que sua irmã mais nova descobre, ameaça contar, e tudo parece uma cena de adultos, ate que Laura compra seu silêncio e pensamos: “Porra, são só crianças”, para depois sermos pegos pela linda cena de aceitação da mais nova na mesa de jantar. É um filme sobre crianças sendo crianças, de como elas podem ser maravilhosas e as vezes cruéis, mas acima de tudo, toda criança é sincera.

6° Lugar: O Palhaço (Brasil)
O maior feito de O Palhaço é justamente o de não parecer um filme brasileiro. E não falo pelo status da produção delicada, do roteiro cheio de pequenos detalhes, da direção de arte caprichada, mas pelo simples fato de que é um filme simples, sem a pretensão de mudar o mundo ou ser gigante, megalomaníaco, suprassumo da brasilidade. No filme, o palhaço Benjamin, que comanda o pequeno circo que passa de cidade em cidade, esta em crise de identidade. Enquanto todos ao seu redor estão em harmonia em seus laços - o casal de acrobatas, os irmãos músicos, o ilusionista e sua filha - o palhaço conversa pouco com seu pai, também palhaço e dono do picadeiro. Existe algo incomodando Benjamin em O Palhaço, e não parece ser somente a pressão para comprar um ventilador novo para a namorada do pai, Lola, a estonteante dançarina do circo. É um filme igual vinho, em que cada situação é um gole e todas merecem ser bem degustadas. É um filme que estimula a auto descoberta. Naquela velha piada do palhaço depressivo que vai ao consultório médico e recebe como receita ver a si mesmo, O Palhaço mostra que o ideal as vezes não é estar no palco, mas por um momento simplesmente ser público desse picadeiro que é a vida.

5° Lugar: Submarine (Submarine – Inglaterra)
É meio triste ver Submarine passando como comédia indie por todos os festivais que vai. Não é só isso. Aliás, Submarine tem a capacidade de nos fazer rir várias vezes, mas todos esses sorrisos vem acompanhado de um travamento, um misto de vergonha alheia. Submarine conta a história de Oliver Tate, um garoto de quinze anos que passa por um momento conturbado ao se apaixonar pela primeira vez, enquanto paralelamente vive uma situação complicada em sua casa, com o relacionamento abalado dos seus pais. É de longe um dos filmes mais bizarros que assisti pelo fato de TODOS os seus personagens serem/terem comportamentos bizarros. O próprio Oliver acha que o mundo gira ao seu redor sendo que na verdade ele é um grande looser. Sua namorada, Jordana, é durona e completamente sem preceitos de moralidade. Seus pais são simplesmente medonhos, eu não sei como ele mora com eles. Coloque situações cada vez mais surreais na história e temos uma tragicomédia bem esquisita aqui. A verdade é que todos ali são um submarino, sem vontade nenhuma de emergir das águas e revelar suas verdadeiras faces, assim como todos nós nos comportamos alguma vez na vida, principalmente quando temos 15 anos.

4° Lugar: Toast (Toast – Inglaterra)
Um garoto de nove anos começa a desenvolver uma paixão pela culinária como nunca se viu. O que soa absurdamente estranho porque sua mãe é uma péssima cozinheira e só come enlatados e torradas, já seu pai é a grosseria em pessoa. E é focando esse amor entre pessoas e comidas que a história se desenrola. O sonho de Nigel é aprender a cozinhar, mas a morte prematura de sua mãe deixa um vazio gigante em seu coração. Após o luto, seu pai casa-se novamente com uma excelente cozinheira. É quando começa então uma batalha na cozinha. Nigel (já adolescente) tenta conquistar o amor de seu pai assim como a madastra fez, pelo estômago. É uma história de amor simples, mas que funciona tão docemente quanto um merengue de limão bem feito, o amor de um filho por seu pai e o amor de um jovem rapaz pela arte de cozinhar. É sensível por mostrar rupturas e um ritual de passagem importante, justamente aqueles que poucos fazem, o de virar as costas para tudo e seguir em frente justamente para preservar seus sonhos.

3° Lugar: Amores Imaginários (Les Amours Imaginaires – Canadá)
Xavier Dolan escreveu, dirigiu e atuou nesse filme... aos 20 anos. Pra piorar, o ótimo Eu Matei Minha Mãe, seu primeiro filme e grande sucesso, foi produzido por ele aos 17 anos. É revoltante tanto talento! Amores Imaginários, seu segundo filme, beira a perfeição em alguns pontos, entre eles o de fotografia, produção, cenografia, trilha sonora e figurino (eu quero uma certa camisa cor tangerina desde que assisti). As atuações são ótimas, mas é justamente o seu enredo que cria uma relação de amor e ódio ao mesmo tempo com a película. Xavier Dolan explora o emocional com tanta delicadeza que torna a identificação um diferencial para a experiência cinematográfica. Na história, temos a paixão platônica de Marie e de seu melhor amigo gay, Francis, pela mesma pessoa, o belo Nicolas. Começa então uma amizade com os dois e, no decorrer das semanas, Nicolas mostra-se tão enigmático quanto no primeiro dia, sem demonstrar qualquer pista de sua orientação sexual, ora flertando com a garota, ora com o garoto. A partir daí, nasce uma rivalidade que coloca em jogo a amizade entre os três. Paralelo, temos vídeos confessionais de pessoas que já fizeram loucuras por amor, assim como qualquer um de nós um dia já fez alguma.

2° Lugar: Confessions (Kokuhaku – Japão)
Com tantas reviravoltas num estilo que só o cinema japonês é capaz de criar, Confessions esta mais para um quebra-cabeça do que um drama. As mudanças de foco e a eterna dúvida de quem afinal é o protagonista dessa obra fazem desse filme uma obra prima oriental. A complexa trama nos engana em sua maior parte, apenas seu final arrasador é capaz de explicar tudo. Nela, temos uma professora que em seu último dia de aula, conta para sua incontrolável turma de alunos, como sua amada filha foi morta por dois alunos daquela mesma sala. Como vingança, ela resolveu colocar sangue contaminado com Aids no leite desses dois. Ela então revela o nome dos dois alunos e o caos começa. Isso tudo nos primeiros 20 minutos de filme. O desenrolar dos fatos nos leva a conhecer as duas perturbadas mentes doentias dos assassinos e que o plano de vingança da jovem professora vai muito além do ato de contaminar seus alunos. O melhor filme de vingança que assisti desde Kill Bill. Um suspense transcendente e com um final pertubador.

1° Lugar: Contracorrente (Contracorriente – Peru)
O cinema peruano nunca teve um grande destaque internacional. Contracorrente precisou de muita disposição para chegar aonde chegou. Para seu pior ou melhor, é um filme que não retrata realmente em quase nada a vida exclusiva do povo peruano, suas particularidades. De fato, poderia ter sido filmado em qualquer lugar da América Latina ou Central. Então qual seu maior mérito? É ser absurdamente tocante. Misturando elementos de Brockeback Mountain, Ghost e até do brasileiro Dona Flor e Seus Dois Maridos, o filme traz a história de Miguel, um pescador respeitado na vila onde mora e trabalha. Casado com Mariela, os dois estão prestes a ganhar o primeiro filho, mas ele vive um romance escondido com Santiago, artista chamado pelos moradores de Príncipe Encantado. A vida dupla de Miguel logo leva um baque com a morte de Santiago e o que parecia encerrar esse ciclo na verdade se aprofunda quando a alma de Santiago não se torna capaz de deixar a terra. Cheio de momentos preciosos, Contracorrente traz a tona vários questionamentos. Justamente aquele que enfoca a sexualidade de Miguel um é o menor deles. Valores como a família, ser você mesmo e enfrentar o retrógado são mais importantes. É um filme belo. Os mais sensíveis já começam a mergulhar em lágrimas lá por sua metade. Odiamos e amamos Miguel, o achamos um covarde, ao mesmo tempo que temos ali alguém que sofre tanto por ter perdido aquele que mais amou. Sofremos junto com Santiago que leva seus sentimentos no pós morte. Entendemos o lado de Mariela, a dor de se sentir traída, usada, enganada por aquele que ama. Não é perfeito, alguns atores do filme são fraquíssimos, não conseguem passar toda a carga dramática, mas o trio principal funciona bem. A fotografia é outra arte, tem horas que parecemos contemplar um quadro, não um filme. No fim fica o efeito imediato. Contracorrente é um filme sobre emoções, sobre o amor, aquilo de bom que ele mais é capaz de fazer conosco, mas também aquilo que ele consegue nos machucar. Pois o amor infelizmente não é pra sempre, nem que ele só acabe após a morte.

7 comentários:

FOXX disse...

eu assisti três da sua lista, rá. Toast, Amores Imaginários e Contracorriente, e espero que a numeração não seja uma classificação pq se Contracorriente foi o melhor na sua opinião, seu gosto por filmes tá decaindo...

Max Reinert disse...

... alguns já vi, outros ouvi falar.... parecem ser todos interessantes... lá vou eu catar esse japonês por aí!!!

MatheusS disse...

Que pódio LINDO!

Amores Imaginários (Xavier, if you read this one day, hold me and say that you love me) e Confessions (educação é tudo, precisamos de professores assim no Brasil!), estão no topo da minha preferência!

Contracorriente é fantástico, mas acho que essa medalha de ouro é puro hype em cima do Cristian Mercado kkkkkkkk (NÃO TIRO TUA RAZÃO!!!!)

Vou alfinetar Toast, achei sem graça!

Tomboy é fofíssimo, e já te contrariando um pouco, eu acho esse filme super gay! A Laura sabe bem o que quer, essa gaiatinha kkkkkkkk

Os outros eu não vi =/

João disse...

Preciso assistir 'O Palhaço'. Amores Imaginários eu tenho aqui e ainda não assisti, acho que agora eu com certeza vou dar uma conferida. Submarine é um dos meus preferidos da lista. O resto não vi, mas vou baixar um por um. Depois volto e comento algo mais elaborado, já que em 2011 eu acabei ficando focado apenas em seriados e deixei os longas um pouco de lado. ;x

Maze Oliver disse...

Destes, já assisti O Palhaço e gostei muito! Os outros vou correr atrás. Feliz Ano Novo para vc!

Maze Oliver disse...

Assisti, O Palhaço. Excelente filme!Um grande abraço!

Anônimo disse...

amores imaginarios achei um completo lixo '-' nem se compara com Eu matei a minha mae