quarta-feira, 25 de junho de 2008

Aprenda A Se Tornar Um (Pseudo) Cult

A minha vida de trabalho (escravo), aliada a estudante universitário, dono-de-quarto (sim, eu sou mesquinho) e modelo anoréxico (ok, só anoréxico), está causando uma mudança tão drástica na minha vida que só divergindo sobre o assunto pra vocês entenderem.

A questão é o seguinte. Estava eu indo para meu emprego A, no hospital, num típico dia nublado quando meu avô liga o rádio e como fundo musical toca Calypso. Depois que a música em foco passa de sua primeira repetição de refrão (porque esse tipo de música sempre repete o refrão pelo menos quatro vezes pra criar volume e chegar a 3min30s de duração), eu percebo que existe algo errado, algo que não faz parte do equilíbrio cósmico que mantém o universo funcionando, algo que vai além da compreensão da natureza, que talvez não seja explicada nem pelo divino... Meus lábios estavam se movendo, sorrateiramente um som saia da minha boca. Eu estava cantando junto com a Joelma.

Eu dei um grito. Meu avô quase perdeu o controle do carro. E enquanto eu gritava "Tirem ela de mim. Tirem ela de mim. Xoelma, NÃO!", apertando todos os botões possíveis do rádio para mudar de estação, matá-lo, ou simplesmente desligá-lo, minha mãe desesperadamente gritava no banco de trás, "O que foiiii?". Eu sabia a letra, eu sabia o ritmo, a sincronia, os gemidos que ela dava. Enfim, eu estava possuído.

Foi com esse caso que ao me olhar no espelho eu não vi mais aquele garoto que escutava The Beatles, tinha idolatria por Bob Dylan, era fã incontornável de Mika e Dangerous Muse. Muito menos o garoto que assistiu quase todas as obras de Almodóvar, nunca perdia um Cannes, descobria sozinho no mundo underground todos os mais fascinantes filmes alternativos. E onde estava aquele que entendia de moda, comportamento, tendências editorias, virtuais e jornalísticas? Na frente do espelho eu vi um garoto castigado pelo trabalho árduo, consumista, que escuta apenas a rádio popular, que cantarola Calypso no trabalho A, Victor e Léo no trabalho B (gente, eu to quase aceitando a idéia de ir pro show), que vibrou assistindo O Homem de Ferro no cinema, que está querendo ver o novo Hulk e que anda perdido em tendências e só soube que o São Paulo Fashion Week estava rolando quando ele chegou na metade (via Te Dou Um Dado?).

Se ver no espelho e ter uma crise por se achar um tribufú já não é fácil. Ter uma crise por se ver no espelho e se achar coloquial é pior ainda.

E foi assim que eu descobri que ser uma pessoa ligada a cultura e as tendências do mundo pop e underground (outra palavra que eu adoro usar) não é nada fácil.

Aliás, foi observando uma discussão entre uns grupos culturais aqui da cidade e a minha própria vida (mais pra antes do que pra depois) que eu resolvi presentear os leitores desse blog com o Manual de Como Ser Culto. Com pequenos passos que podem ser seguidos facilmente até pelos amantes da Mulher Melancia, o Fala Consciência vai ensinar para você, leitor esperto, a como carregar o título de cult, alternativo, underground, pitoresco, indie, ou seja, um (pseudo) culto.

Passo 1 – Tenha grana e tempo sobrando
Lógico que você NUNCA vai admitir isso, afinal, você não vai ter a grana na verdade, pois você vai ser sustentado pelos pais ou por aquela vó aposentada pelo TSE que ganha uma nota e só tem o querido netinho pra corujar. Enfim, a grana não é sua, mas você gasta. E gaste bem, com livros, filmes, ingressos para o teatro, bandas de garagem. Carro? So se for usado e surrado. Ou como você vai poder levantar a bandeira do preço alto para os eventos culturais em frente ao teatro municipal se você tem um Corolla esperando na saída? Com a grana, você não precisa se prender a coisas nada culturais como trabalho com carteira assinada, faça no máximo uma faculdade voltada para artes, comunicação ou sociologia (Filosofia, Música, Artes Cênicas, Letras, Jornalismo, Publicidade e Propaganda dão status, mas Ciências Sociais é a top). E com o tempo livre sempre se dedique a programas alternativos, bares undergrounds, cinema de artes, sebos (livraria é coisa de rico) e por aí vai.

Passo 2 – Seja sempre a frente do seu tempo
Arthur Rimbaud é um dos poetas franceses que mais marcaram o mundo (mais pela sua vida gay es-cân-da-lo-sa, do que pelo seu trabalho, enfim...). Sua obra é considerado sempre “a frente do seu tempo” (ou seja, ele morreu pobre pra ser reconhecido depois). Logo, se você deseja ser conhecido como alguém culto, você tem que ser moderninho e transgressor total. Defenda sempre idéias com um fevor absurdo, suba em cima da mesa, tenha o dom da oralidade, saiba chamar a atenção de todos para o seu redor. Torne-se um incompreendido (mas no campo das idéias sociais, não vem com nada emocional não ou tu vai ser considerado emo e não culto).

Passo 3 – Tenha estilo
Você acompanha o Fashion Rio? Então você não é culto. Você acompanha o São Paulo Fashion Week? Então você é culto só se for pra estudar tendências de comportamento e diversidade capitalista . A sua pose tem que ser inabalada. Você não pode ser escandaloso (ou vai ser bixa louca), mas você tem que saber chamar a atenção, principalmente quando você esta explicando porque aquele filme é uma droga e você prefere o livro (que você não leu). Fume muito Marlboro, Golden Gate, Gudang Garam, mas Free, Carlton e Master não pode. Só beba destiladas, Absolut comanda (mas compre-a em grupo, NUNCA só você, é coisa de burguês), vinho também, principalmente em sarais. Tenha sempre aquele ar de esnobe, aquela pose blasé, cuidado com a gesticulação, desmunhecar pode, falar arrastado pode, usar gírias em inglês pode, em português NUNCA. Sempre critique quase tudo, principalmente em espetáculos, mas quando demonstrar que gostou de algo, bata palmas sempre de um jeito que o difira do resto da multidão, quase psicodélico, de preferência com o cigarro na boca, gritinhos e assobios, sempre mantendo a pose de esnobe.

Passo 4 – Saiba vender a sua imagem
Saiu com os amigos para um café sem açúcar? Então ocupe uma cadeira só com sua bolsa de tiracolo (NUNCA use mochila, mochila é coisa de universitário que tem estágio), e sua bolsa tem que ser grande, mas nunca o suficiente para você, e cheia de buttons personalizados. Sempre deixe a sua edição da Bravo!, Caros Amigos e Carta Capital a mostra. NUNCA use roupas de marca. Sempre prefira blusas listradas (preto/vermelho ou preto/branco) jeans surrados ou bermudas, além do óculos de armação grossa preta ou branca e o All Star que pode ser qualquer modelo contanto que seja All Star, pulserinhas artesanais também dão um toque. Cabelo grande bagunçado (tipo Arctic and Monkeys) para meninos e cabelo preto escuro curto ou ondulado (tipo Karine Alexandrino) para meninas. Sempre domine as conversas, principalmente depois de filmes alternativos ou peças patrocinadas pela Lei de Incentivo a Cultura, mostrando seu conhecimento de caso.

Passo 5 – Morte ao POP
Você não assiste rede Globo porque ela “manipula, distorce os fatos, aliena e lança musicas como Créu em nível nacional”. Séries de sucesso como Heroes e 24 Horas devem ser evitadas ao extremo, de Lost você deve gostar apenas da primeira temporada. Você não escuta rádio, só podcast’s especializados. Cinemark NUNCA. Porque só passa blockbusters comerciais Hollywoodianos. Nada de livros do Harry Potter, tire a fantasia da sua vida, exceto O Senhor dos Anéis e a primeira trilogia (feita) de Star Wars, mas nada de fanatismo e cosplays. Sempre tenha jazz no seu MP3, mas ele não pode ser da Apple. E sempre esteja ligado a iniciativa científica (essa bem menos), aos coletivos culturais, selos independentes, cenário underground e o mesmo do gênero. NUNCA concorde com o que todos concordam. Gente culta tem sempre opinião própria (é do contra).

Esse é um Passo a Passo de ficção, mas qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

Quanto ao meu período pouco cultural, eu vou retomar aos poucos minhas atividades, tentar concilia-las, mesmo porque eu to gratificado com os podcast’s do André Fischer (eu achei tudo quando ele falou, “vocês sabem como é difícil ser underground em Los Angeles”, super que eu sei). Tenho que passar longe de coisas como Amigo Fura Olho do Latino e minhas conversas animadas sobre o Palmeiras no corredor da UFAC.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Como Lidar Com Decepções e Frustrações (Na Verdade Eu Não Ensino Isso Não, Mas Lê!)

Aí Samuel não tinha o que fazer da vida e resolveu encarar um segundo emprego. E tipo, eu to trabalhando 10 horas por dia, mais 5 de faculdade, 1 hora pra almoço, outra pra janta... bem, vocês devem imaginar que minha vida pessoal e sexual tá bombando, né?

Quando o fim de semana chega, eu levanto as mãos pro céu e quase choro de emoção. E para aqueles que acham que chocolate é melhor que sexo, estão muito enganados, o sexo é a melhor coisa já inventada, só que em segundo lugar vem o consumismo. Então, depois de muito suor, esforço e gente querendo me agredir a ponto de eu só não apanhar de um paciente no hospital porque o guarda não deixou, eu finalmente comprei meu notebook. Ai Keth que também comprou seu carro novo manda uma mensagem pra mim: “Amor, estamos tão ‘bem nascidos na city’, motorizados, conectados e antenados”, sendo que eu respondo, “E endividados até o pescoço”.

Pra enfiar o pé na lama de vez, eu resolvo que to sem roupas e saio às compras com o Frederico numa angustiante tarde de frio. Fazer compras é sempre uma sensação maravilhosa, da uma revitalização na alma, na cara, você se sente ate mais bonito. E mesmo os pequenos detalhes não incomodam, como quando a companhia que você chamou pras compras te faz o maior climão e com um único movimento rápido e ágil melhor que o do Naruto, derruba metade do andar superior da loja no exato momento em que você decidiu que não quer ficar mais lá. Por um flash de momento eu voltei à realidade. Mas passou rapidinho quando eu entrei na loja seguinte. Sempre passa. Fiz a linha Kátia Cega total.

O maior problema de fazer compras (e é uma coisa meio exclusiva com roupas) é que depois de 24 horas parece que o efeito da morfina passou e você olha pras sacolas ainda não esvaziadas e pensa consigo mesmo “Que porra foi que eu fiz?”. Resultado, do que adianta você ter dois empregos se a sua patroa vira na realidade a empresa do seu cartão de crédito? Vou trabalhar só pra pagar ela. Oh, Discórdia!

Eu to com duas dessa... uma em cada pé!

Sentimentos de felicidade e plenitude seguidos de tristeza e depressão alternando muito rapidamente (o que pode ser caracterizado facilmente como decepção e frustração) não é uma coisa exclusiva de fazer compras. Lembro que quando chegou aos meus ouvidos a notícia de que Speed Racer viraria um Live Action pelas mãos dos mesmos diretores de Matrix, eu fui no céu e voltei. Depois de Matrix e a magnífica produção de V de Vingança, acreditei que aquele que é um dos maiores clássicos da animação mundial ganharia uma repaginada tão marcante que se tornaria o maior blockbuster do ano. Esperei por cinco meses, contei as horas na semana final, faltei aula na UFAC pra assistir a estréia na data mundial, sentei na cadeira com o coração na mão, quando as luzes se apagaram eu apertei com força o braço da poltrona e... cinco minutos de película depois eu já estou no chão chorando, gritando por dentro “Esse filme tem que melhorar, tem que melhorar, uma hora ou outra, tem que melhorar”.

Saí tão decepcionado da estréia de Speed Racer, mas tão decepcionado, que se alguém tivesse me visto na hora que eu saí do cinema alguém teria me perguntando, “Samuel, você acabou algum namoro?”. Speed Racer é infantil, subestima a inteligência do espectador, é cheio de clichês, a construção dos personagens não convence, a direção de arte não deveria ter forçado tanto e a construção e desenvolvimento do roteiro é de uma superficialidade boba, que não desafia, que não cria um carisma real por aquilo que se vê. Quase igual ao... próprio desenho!

A cena inicial é de uma grande corrida de Speed entrecruzada com flashbacks relacionados ao seu irmão, Rex, com uma sobreposição da corrida feita pelo irmão junto a do próprio Speed. Um saco! Existe apenas uma ótima compensação às cenas desnecessárias de Gorducho, o fraco relacionamento de Speed e sua namorada, os nada tensos momentos familiares, as bobas cenas de ação, e a destruição do incrível personagem do Corredor X (alguém pode me explicar o que diabos é aquele momento do encontro dele com Speed na pista vazia?), e essa compensação é a velocidade. As corridas de Speed Racer são apenas, em duas palavras, do caralho. Um show de cores e efeitos especiais que deslumbra os olhos de qualquer amante da computação gráfica aliada ao cinema. Mas afinal, Speed Racer não é isso? Velocidade e cores? Então ele ate cumpre bem seu papel. É decepcionante. Mas é mágico.

"Speed Racer, Speed Racer, Speed Racer Goooo..." Go bueiro abaixo

Ah, já que eu comecei a falar de blockbusters (a única coisa que eu ando assistindo e que me ajuda a não criar “crise cinéfila por Cannes”), vale ressaltar que O Homem de Ferro superou as expectativas de qualquer um, e mesmo não sendo um filme histórico, é divertidíssimo, cumpre seu papel de entretenimento (de fazer dinheiro) e te faz sair do cinema se imaginando naquela armadura vermelha cintilante e com um cinturão de utilidades mil vezes melhor que o do Batman. Aliás, sou só eu ou vocês também tão empolgadíssimos em ver o Coringa (que Deus o tenha) e o Duas Caras em O Cavaleiro das Trevas? Sim, eu gosto de vilões, porque vilão é personagem de personalidade.

Indiana Jones E O Reino da Caveira de Cristal é outro que fechou super bem a primeira leva de blockbuster’s do ano. O começo é empolgante, vibrante e principalmente, foda, como todo bom Indiana deve ser. Mesmo com um Harrison Ford ofegante, vale lembrar que ele com 65 anos é capaz de fazer mil vezes mais coisas que eu com 20 (dizem que pilates ajuda, você consegue colocar a ponta do pé na cabeça facinho, na hora do sexo deve ser uma loucura). Tá certo que depois o filme perde um pouco de fôlego, e a entrada do viadinho de Transformers (ah, eu não vou com a cara dele e pronto, agora eu faço bico) só piora a situação. Ainda assim, temos Cate Blanchet que sozinha é capaz de levar metade do filme, foda como só ela é capaz, e o deslumbramento de pequenos detalhes, como a Arca tão desejada no primeiro filme e que se tornou nada mais que apenas um segredo no magnífico, sombrio e abandonado Galpão dos Segredos. Assim como o próprio Indi, com seus inúmeros e fantásticos feitos, passará um dia a ser apenas uma lembrança, num lugar cheio delas.

Piores que decepções e frustrações com o cinema, só as decepções e frustrações com o próprio ser humano. Esse é que nem um Windows Vista, te leva do riso aos prontos em questão de segundos, a diferença é que quando um ser vivo da merda, você não pode enviar uma mensagem de volta pra Microsoft dizendo que a bagaceira não ta rodando bem.

PS: como vocês devem ter percebido, o Fala Consciência! ganhou uma aparência nova, designer arrojado (adoro usar essa expressão, tem poucas oportunidades pra encaixá-la), tudinho presente de aniversário do Frederico (não, não perguntem como foi meu aniversário). Muito obrigado Frederico. Mas e ai, o que acharam? Fofo, lindo, bacana, legal, gay demais? Fique na linha, a sua opinião é muito importante para nós.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Convesas Bizarras no Hospital - Ato III

Ela: Eu queria ser médico.
Eu: É, eu também!
Ela: Só pra ganhar dinheiro que nem eles.
Eu: É, eu também!
Ela: Mas deixa queto, dinheiro não é tudo.
Eu: É, eu... ham?
Ela: Afinal, o dinheiro vai, mas a palavra de Deus fica!
Eu: ...
Ela: E daí né? Afinal, quando eu morrer, vou ter uma mansão de ouro no paraíso.

(Silêncio por alguns segundos!)

Eu: Ah... eu acho que me contento com uma nuvem 10m por 10m e cuecas limpas.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

T.O.P.A. ou não T.O.P.A. Que A Humanidade Não Deu Certo?

Samuel Bryan durante a T.O.P.A., só que sem gostar de criancinhas

Faltam menos de duas semanas para o meu aniversário. Pessoas próximas a minha pessoa sabem que o breve período (breve pros outros, porque pra mim...) que precede essa data de magnífica relevância para a raça humana é marcado por uma instabilidade emocional da minha parte que geralmente atinge o contingente de pessoas ao meu redor de forma subliminarmente negativista, resultando também em reações fisiológicas adversas e mal estar narcisístico em proporções catastróficas. Traduzindo: eu fico puto, de mal humor, querendo que todo mundo se exploda, querendo que eu me exploda, com transtornos psicóticos assassinos freqüentes, que também refletem na minha aparência, me deixando cheio de espinhas e com uma repulsa tão grande ao espelho que toda vez que eu passo na frente de um, a vontade é de quebrá-lo, pegar um caco bem grande e mutilar minha face. Pronto, desabafei!

A esse momento único antecedente a cada primavera eu dei um nome científico bastante presença, T.O.P.A., Transtorno Obsessivo Pré Aniversário. Ai geral que lê esse blog vai pensar, “Mas isso não se chama inferno astral?” e eu respondo que nem respondi pro Cristiano, “É porque assim funciona como uma explicação psicológica boa para pessoas que como eu não acreditam em astrologia” e ele solta a máxima, “pra mim parece outra coisa, V.E.P.A., Viadagem Extrema Pré Aniversário”. Preciso nem dizer nesse estado o que eu respondi pra ele, né?

Como resultado da T.O.P.A., a melhor coisa que eu posso fazer pelo meu bem e o bem alheio, é me isolar do resto do mundo ate que como um furação, tudo passe naturalmente e eu só levante a cabeça pra ver a bagaceira que ficou. E pra esse último feriado eu tava com um plano perfeito, comprar um aparelho de DVD novo, me trancar no meu quarto-fortaleza e assistir pencas de filmes. Botei meu pé na rua com medo do que poderia acontecer, mas fui atrás de alguma loja pra comprar o DVD. Quem disse que eu encontrei alguma aberta? Eu andei, surtei, gritei, até xinguei o sol. NÃO TINHA UMA PORRA DE LOJA DE ELETRÔNICOS ABERTA. Minha avó tentava me consolar/abrir-os-olhos dizendo que era feriado e aí eu resolvi descontar minha raiva em Rio Branco, “Então eu quero que abra logo uma Casas Bahia aqui nessa cidade pra falir de vez com todo essa droga de comércio provinciano”.

Frustrado e sem DVD, fui numa farmácia comprar mais um xarope com gosto de óleo de peixe (ah, esqueci de dizer, ainda estou morrendo). Antes de pagar, vejo uma mesinha com um monte do mesmo livro e uma plaquinha feita no Word escrita: “Vamos ler?”. Primeiro pensamento que me vem à cabeça é que aquele livro é do dono da farmácia, ele ta realizando o maior sonho da sua vida tendo o livro editado com o próprio dinheiro e colocou ele lá pra ver se vende alguma coisa. Achando que não tinha nada a perder, paro, pego e leio o resumo do best seller do nosso farmacêutico. Nem lembro o título, mas o livro falava de 6 cientistas que viviam debaixo da terra e a humanidade era dizimada por uma chuva de meteoros (que original não? Super verossímil) e estes 6 homens eram incubados de recriar um mundo com justiça e Deus no coração (sim, era uma estória apocalíptica evangélica).

Pensei comigo mesmo que aquele livro era um delírio gay (6 homens debaixo da terra tendo que sozinhos reconstruir o mundo após todo a sua destruição, sei nãããão...) e não uma Regenesis (lembreeeeei o nome do livro, tinha alguma coisa de Regenesis), mas fiquei na minha ate que o vendedor da farmácia repara que eu estou com o livro na mão, abre um sorriso enorme e com uma voz de quem se aproxima de um bebe de 1 ano diz, “gosta de ler jovem?”, e eu tomado por T.O.P.A. respondo no mesmo tom de Narcisa Tamborindeguy, “gosto, mas não esse livro”. Pago meu xarope e vou embora.

Ainda devo frisar que Rio Branco além de não ter Casas Bahia tem avenidas muito bem construídas com calçadas que em alguns pontos chegam a 30cm. Nesse exato ponto, tive a felicidade de uma senhora de aparentemente 110kg simplesmente parar com a cumadi para fofocar na hora que eu tava passando. O resultado desse episódio que encerrou meu feriado na rua fica a parte pra não chocar leitores mais conservadores.

É triste, mas como dizia Rob Gordon, “a humanidade não deu certo”.

O livro da Regenesis me fez lembrar que um dos temas da cultura pop que mais me fascina é a extinção humana em sua forma mais apocalíptica (não, eu não estou repensando que aquele livro seja bom). Estou lendo atualmente A Dança da Morte, considerado por muitos críticos, a melhor obra de Stephen King (embora eu prefira A Torre Negra). O livro de 1000 páginas conta a estória de um vírus da gripe mortal que é capaz de exterminar mais de 70% da população mundial. Mais que o fascínio da destruição e do recomeço da humanidade representado pela forma brilhante que só o King é capaz, o livro nos faz refletir sobre como nossos valores e conceitos de sociedade são baixos, ínfimos, ridículos e insignificantes quando comparados ao desconhecido. Afinal, do que adianta você tentar levantar sua carreira, economizar pra comprar o carro do ano, as roupas da moda, sair para lugares chics e impressionar os outros se, do nada, com uma única catástrofe que pode levar segundos, tudo isso não fizer mais sentido nenhum? O que te sobraria? Só “medo de um punhado de pó e um monte de imagens quebradas”, como diria o próprio King.

José Saramago escreveu o livro Ensaio Sobre a Cegueira, romance aclamado no mundo inteiro e que trás uma responsabilidade gigantesca a Fernando Meirelles que esta filmando a obra (Blindness). Na trama, um vírus deixa populações inteiras cegas, sem chances de cura. A civilização como a conhecemos decai totalmente pois, cegas, as pessoas só podem lutar por seus instintos. O livro vai além do de King por mostrar muito bem como o ser humano se coloca contra o ser humano. Pois além da destruição da humanidade (que acaba ocorrendo mais por ela mesma do que pelo vírus da cegueira), mostra o nosso lado mais desumano quando os infectados são colocados em quarentena em situações monstruosas. Porém, Saramago mostra justamente o caminho dos homens para se tornarem humanos em todo esse processo de destruição própria, pois mais do que olhar, o que importa é reparar no outro.

Também temos o fim da humanidade de forma apocalítica pela natureza. O Dia Depois de Amanhã é ate legalzinho, mas meio forçado, porém, o novo filme de Shyamalan , Fim dos Tempos parece ter tudo para ser grandioso, mostrando todo o mundo sucumbindo perante a fúria da natureza. Mais ao contrário de O Dia, Fim dos Tempos, como todo bom filme de Shyamalan, tem sua ameaça de forma invisível, tensa e perturbadora. Ainda há a aguardada volta de George Romero com aquele que parece ser um ótimo filme de zumbis misturado com A Bruxa de Blair, Diário dos Mortos.

Ah, só pra constar, Eu Sou a Lenda é uma grande merda. É um filme de catástrofe de 150 milhões de dólares que dá pra comparar com a trama dos 6 homens de Regenesis.

Bem, a humanidade pode ate não ter dado certo realmente, mas que realizou obras fantásticas, algumas que de tão ruins soam ate boas, ah se realizou.

sábado, 5 de abril de 2008

Se A Vida Fosse Um Musical Você Estaria Com Os Pés Sangrando Ou Com A Garganta Inflamada?

Aí eu tava sem nada pra fazer e, entre passar o fim de semana no Rio de Janeiro e contrair uma pneumonia, eu resolvi contrair uma pneumonia. Afinal, por que diaxos eu iria passar um final de semana em Copacabana, curtindo um pouco a praia, dando um pulinho na LeBoy, tomando água de coco e vendo gente bonita, se no fim das contas eu poderia contrair dengue, sendo que de quebra eu voltaria pro Acre e não teria que me medicar naquelas tendas super fashion do exército e sim num posto de saúde, quando eu posso pegar uma bela pneumonia no próprio leito do meu lar?

Aliás, depois de bancar tanto o menino teimoso, reconsiderei e finalmente resolvi me cuidar bem ate finalmente estar pleno em saúde. Logo, preso em casa mais uma vez por motivo expectorante, voltei a opção de assistir muitos filmes. Então eu resolvo sair um pouco da rotina e vou na locadora ver se tem algo que presta por lá ao invés de ficar baixando filmes alternativos pela internet (sim, eu sei, é feio, mas releva, eu to no Acre, aqui só tem duas salas de cinema comerciais e eu não baixo filmes que eu possa encontrar em DVD, tento ser politicamente correto). Já dentro da locadora eu me pergunto por que foi mesmo que eu entrei lá. Não fazia sentido. Só tinha um monte de filme ruim a disposição, que custavam 6 pilas a diária, geralmente muito bem arranhados, sendo que na calçada em frente ao Banco do Brasil bem pertinho dali, tem um cara que vende a 5 reais o filme, 4 reais sem a capinha. Além do ótimo atendimento que só uma locadora comercial é capaz de dar, se eu perguntar “Moça, tem algum filme do Wolfgang Becker?”, o máximo que ela vai me responder vai ser “Saúde!”. As locadoras de filmes são algo que definitivamente não fazem mais sentido.

Ainda assim saio com um filme de lá nas mãos, o musical Hairspray. Pára, volta a fita e presta atenção na afirmação: Eu aluguei um musical. Eu, que acho musicais a pior perda de tempo do cinema, paguei 6 reais por um. Deus, só pode ter sido a febre, o vírus da pneumonia, esse desgraçado que além de tomar conta do meu pulmão, cai na minha corrente sanguínea e afeta meu cérebro. Só pode! Tanto que eu esqueci de assistir o filme. Só lembrei no fim da tarde do dia seguinte, quando eu correndo liguei o DVD e sentei pra assistir porque afinal de contas 6 reais são 6 reais e eu não ia dar o gostinho de ver aquela locadora sugando meu dinheiro sem eu nem mesmo assistir o filme.

Hairspray começa com a gordíssima (porém, fofa) Tracy Turnblad declarando seu amor por Baltimore (nos anos 60), numa musica em que ela esbanja alegria e sorrisos enquanto acorda, vai para a escola e volta as pressas para casa a tempo de assistir seu programa de TV favorito. Pensa comigo: qual é o filme americano em que uma adolescente gorda já começa a história muito feliz? Nenhum! Hairspray não é só um musical, é uma paródia de musicais e os estúpidos teenmovies do tipo American Pie. Mais que isso, Hairspray tem um começo delicioso, contagiante e incrivelmente divertido. Eu estava adorando, até que das trevas surgiu ele, (eu mal consigo escrever o nome dele nesse blog, os dedos tremem) Zach Efron. Surtei! “OH MEU DEUS, EU TO GOSTANDO DE UM FILME PROTAGONIZADO PELO VIADINHO DE HIGH SCHOOL MUSICAL?”

É, foi um momento duro que eu tive que reformular meus conceitos de cinema de entretenimento. No fim das contas Hairspray é realmente divertido e funciona muito bem como paródia e crítica, mas não consegue se sustentar. O começo é muito bom, mas logo começa a cansar (salvando pelos momentos em que Jhon Travolta aparece como a mãe obesa de Tracy), o ritmo se perde (irônico pra um musical, não?) e só consegue refazer aquele impacto do começo nos momentos finais, mesmo apresentando uma série de clichês cinematográficos, a coitadinha que vence, a gostosona que se da mal, a mocinha fica com o mocinho, um amor inter-racial pego emprestado de Duas Caras, essas coisas. O destaque vai para atuações impecáveis e altamente inusitadas de John Travolta (impagável), Christopher Walken, Michelle Pfeiffer e Queen Latifah.

Além disso, há pouco tempo, assisti um “verdadeiro” musical, o muito comentado em festivais de cinema alternativo, Across the Universe. O filme de Julie Taymor parte da premissa de contar duas histórias que se entrelaçam, uma de amor (bocejo) e a outra da louca geração jovem dos anos 60 (de novo) que gritava nas ruas de Washington por paz e amor e “não a Guerra do Vietnã”. O romance gira em torno de Jude, um rapaz que sai de Liverpol para ir para os EUA, que se apaixona por Lucy, uma jovem revolucionária, cujo irmão vai para guerra contra a própria vontade. Em meio a isso, temos os negros colocando fogo nas ruas de Nova York, o movimento gay começando a sair do armário, além de sexo, drogas (a maconha mais parece LSD, gerando efeitos alucinógenos) e The Beatles. Pois todo o musical de Across the Universe é feito de 33 regravações dos Beatles. Perfeito, não? Errado! Com tudo isso, Across the Universe consegue ser uma grande merda.
Across the Universe: o baseado com certeza tava estragado

As letras dos Beatles não fazem sentido no filme. A cultura de massa considera os Beatles tudo, menos revolução, hoje em dia pode-se escutar I Want You bocejando. Não existe mais revolução, muito menos rebeldes com causa. Junte tudo isso a um roteiro muito furado, uma edição ridícula, a pretensão da diretora e Across the Universe afunda de vez. Porém, vale uma ressalva, as regravações das musicas dos Beatles pelos atores ficaram maravilhosas, com imenso destaque para I Want to Hold Your Hand, Strawberry Fields Forever, All You Need is Love e a própria Across the Universe.

Assim, eu sinceramente havia perdido as esperanças com musicais. Ate ter assistido Les Chansons d’Amour. E bem, depois de cinco minutos após o término do filme, chego a conclusão de que Cristophe Honoré é um filho da puta, só que no bom sentido. Eu já havia assistido Dans Paris (não musical) e não me sinto mal em admitir que este filme me fez descer lágrimas pesadíssimas pelo rosto. Nessas duas obras dele(que eu me recuso a chamar de geniais porque ainda nao assisti Ma Mère), Honoré enfatiza de uma forma que choca por ser tão introspectiva e ao mesmo tempo real, a dor e o recomeço. Mais precisamente em Dans Paris temos de uma forma excepcional todas as sensações do começo e do fim do amor, enquanto em Les Chansons d’Amour temos a complexidade do sentimento e a forma de se lidar com a dor.

Não gostaria de falar da trama de Les Chansons d’Amour, pois não importa o quanto eu a exalte, vai lhe parecer simples. Temos um triângulo amoroso de jovens (Ismael, Julie e Alice), que se desfaz com a morte de Julie, o verdadeiro amor de Ismael. Logo, o filme passa a tratar da perda amorosa. Ismael vagueia sozinho em sua dor e em sua forma própria de lidar com ela, e acredite quando eu digo, é quase impossível não mergulhar junto com Ismael (o muito talentoso Louis Garrel) em seu sofrimento, exatamente por retratar tão bem como nos sentimos a perda de um amor. Ate que o sofrimento romântico de Ismael vai de encontro a um novo personagem, que lhe mostrará um recomeço e um outro caminho, sem precisar se desprender daquilo que ele já sentiu e viveu.
Les Chansons d'Amour: qual a sua maneira de lidar com a dor e o amor?

O musical remete a um material musical pré-existente: as canções escritas por Alex Beaupain. Mas diferente de quase todos os musicais da história, Les Chansons d’Amour não possue dança ou coreografias. As interpretações musicais são sentidas ao mais pequeno diálogo. Assim, talvez ao ponto de nem mesmo poder ser chamado de um musical, Les Chansons d’Amour consegue ser único.

PS.: Um agradecimento muito especial ao Frederico Blahnik por mais um selo que fica ali ao lado e que eu repasso para o Thiago da Hora

domingo, 16 de março de 2008

Ociosidade Como Solução, Musica Que Embala E Tudo Aquilo Que Você (não) Pode Tirar da TV

Pessoas mais próximas a minha pessoa sabem que eu sofro de uma “hiperatividade-do-contra”, ou seja, eu só me torno hiperativo de verdade quando eu sou obrigado a ficar na ociosidade. É o que aconteceu nessas duas semanas de descanso por causa da cirurgia. Tipo, eu não agüentava mais ficar em casa. Eu nunca li tanto, assisti uma porrada de filmes, baixei ilegalmente dezenas de musicas e conversei horrores pelo MSN como nessas últimas duas semanas. Num ataque de não ter nada-mais-de-novo-pra-fazer (porque cultura cansa), eu resolvo partir pro trabalho braçal e num ataque de mania-de-limpeza lavo todo o banheiro do meu quarto. Mas você acha que eu me restringi somente ao chão e ao vaso? Hã-hã! Eu lavei parede, teto, espelho e o tubinho de plástico onde você pendura o papel higiênico. Aí, mães de família que lêem esse blog devem ta pensando, “Que lindo! A mãe dele deve ter ficado super orgulhosa”. Porra nenhuma! Ela lembrou primeiro que todo mundo que eu havia feito uma cirurgia nos ossos do tórax e eu... bem, eu havia me esquecido.

Então, depois de dois dias e meio em que o lado direito da minha lombar pareceu esquecer que a dor que ela produzia não faria eu me arrepender de ter lavado o banheiro (que tinha ficado um brilho pelo menos), eu resolvo (por conta própria, mais uma vez) que já poderia sair de casa. Aí resolvo ir num show de bandas aqui do Acre em homenagem ao Dia da Mulher. Foi bacana, tirando o fato que eu tava de camisa rosa bebê num universo de vestimentas afro-descentes. Tirei um momento também pra analisar as letras das bandas que se apresentaram (pelo menos as que eu peguei). É fato que nos últimos tempos tenho me entregado definitivamente a um momento musical que eu nunca me imaginara, minha playlist não para de tocar Bob Dylan e The Beatles, ficando praticamente resumida a eles (bem, para meu deleite geral, meu irmão descobriu a existência de Gimmi More agora, e eu não agüento mais escutar uma musica que começa com “It’s Britney, bitch!”). Fica difícil então fazer uma análise do que eu escutei no festival, do momento da musica acreana em questão, ou simplesmente, do que eu achei.

Talvez haja uma tendência geral no rock (e não me resumo mais ao acreano) de se fazer musica com letras voltadas para o individualismo psico-social. Traduzindo: sabe aquela porrada de pensamentos sem/com nexo que todo mundo tem, de questionamentos próprios, de o que significa a vida pessoal, da importância de relacionamentos externos formando o próprio caráter? É isso que eu vejo enfocado nas musicas. E admito, isso não me agrada, não importa a melodia em si. E ai talvez esteja a desvantagem de se gostar tanto de Dylan, Beatles e lembrar a todo momento de Legião Urbana e Raul Seixas, pois suas letras pertencem a um coletivo, mais que isso, um pequeno coletivo, que em seu movimento de coletividade, começando sempre por uma minoria, aclamou revolução se espalhando pela maioria e criando um burbúrio gigantesco que não foi pelo sucesso de suas musicas, seus shows e a fortuna que ganharam, mas sim pela idologia e pela chama interna que eram capazes de gerar. Talvez eu goste mesmo de musica que incendeia a alma. E o rock atual no geral, mesmo com melodias que estejam se tornando fantásticas (e nesse ponto dou um mérito as bandas acreanas Blush Azul e, principalmente, a Filomedusa), esta repleto de letras de existencialismo individual, o que pode ser resumido no ideal de: o meu “eu”, que é incompreensível ao “eu” dos outros.

Nada de CD novo com single da Madonna e do Justin Timberlake: manda uma fita cassete metade Dylan, metade Beatles


Ah, devo lembrar que no final do show, a dor do lado direito da minha lombar tinha sumido. Sim! Agora a dor dominava a lombar inteira. Na volta pra casa, (de ônibus, uma glória para dor crônicas na lombar), encontrei uma amiga que ficou super-cara-que-vovó-faz-pra-mim-quando-eu-faço-coisa-errada por me ver fora de casa em pouco mais de duas semanas cirurgiado, “Você ta louco, Samuel?”, e eu quase pedindo pro velho de 80 anos do meu lado deixar seu banco pra que eu sentasse porque eu tava quase um deficiente físico, “Que nada maninha, to de boa, a única coisa que eu não posso fazer é dançar a marcha 4 e 5 do Créu, o resto da valendo”.

Falando em musica, lembrei que se tem uma coisa que a gente faz muito quando ta em casa sem fazer nada, é assistir o horário nobre da Globo. Lá vou eu me gongar de novo, mas eu virei fã de Duas Caras. Gente, essa novela é tudo, primeiro, temos Juvenal Antena, o pai que todo garoto suburbano quer ter, aí vem a Susana Vieira achando que é Madonna com aquele cabelo, gritando “pistoleira siiiim” pra Renata Sorrah e a Alinne Moraes dando um mega show de interpretação mesmo usando botox/enchimento no lábio (sai Nazaré e sua escada de Senhora do Destino, entra Sílvia com vasos para quebrar sempre a disposição). Lógico, tem aquelas pessoas que eu queria pegar pelo pescoço e enfiar a cara na piscina ate ver as bolhinhas pararem de subir como a Maria a Louca e o filho “mamãe-mamãe-mamãe, me dá um Poney?” dela, o Caco Ciocler, naquele papel que se ele parasse de atuar ninguém ia sentir a diferença, e ela, a mulher que mesmo na merda, mesmo com um marido filho da puta em casa, mesmo com dois filhos chatos pra caralho e mesmo infeliz pacas, nunca pára de descer pelo pau, Alzira.


Alzira: "A melhor terapia para a depressão feminia é descer pelo pau. Levanta a auto estima!"

Duas Caras atingiu seu auge com dois momentos. Primeiro, quando a Bárbara (se minha mãe faria, Beth Faria?) pegou a Sílvia de jeito numa chave de braço. Pra vocês terem uma idéia de como essa cena foi impactante, tava toda a minha família no churrasco, quando todos viram a cena houveram gritos de “Eiiiita porra” e “Peeega filha da puta” pra todo lado. E só deu Samuel gritando “calem a boca que eu quero ouvir o que ela vai falar enquanto tiver com a outra presa pelo gogó”. Sentiu o impacto? Não? Corre pra Globo.com então. Segunda cena: todo mundo sabe que hoje não te mais novela das 8 sem gay como personagem, desde viado enrustinho, ate casal que parecia hétero e só vendia beleza, agora os gays da Globo são tão diversificados, mais tão diversificados, que gostam ate de mulher. Logo, a cena em que a turma dos crentes-cavaleiros-do-apocalipse liderados pela evangélica-que-deve-ser-parente-do-Coringa pegaram o viadinho, a vadia e o preibói de jeito, entrou pros anais da história da teledramaturgia brasileira. Finalizando com o Contra-Ataque-dos-Crentes-Bonzinhos e um nascimento a lá Virgem Maria dando a luz a Jesus. Palmas!



Pergunta: por que falar de musica me lembrou Duas Caras mesmo? Resposta: alguém já parou pra ver a playlist internacional daquela novela? Pai amado, “segura Berenice, nós vamos bater”, começamos com Gimme More, da Britney (virou perseguição), 2 Hearts da Kylie Minogue (não, ela não morreu) e Same Mistake do James Blunt (não lembra? Aquele que gritava You’re Beautiful). Dou um toque pros três: a decadência sempre começa assim, na novela das 8, ok? Hurgh! Se pensa que acabou? Então vem a Pergunta-2: o que diaxos a Diana Krall ta fazendo naquele CD mesmo? E pra completar, aquela cara de bunda da Marina Elali cantando o Xote das Meninas (isso mesmo que você leu) em inglês (isso mesmo que você leu²).


Continuando com o horário nobre (imagine se nós tivéssemos um “horário esgoto”) tem o Big Brother Brasil. Marcelo saiu (blá blá blá), a Globo só quer fuder a Thaty colocando uma musica da Cássia Eller e Ana Carolina em seguida e fazendo um mini-clipe dela cantando/gritando sozinha, toda loucaça, numa total imagem de “Eu sou lésbica, siiiim” e o Marcão sem poder falar nada mas com um olhar de “Deus, ela ta se queimando sozinha” (blá blá blá), lá dentro agora só tem idiota (sim, o Rafinha também conta), depois de um mês que o programa acabar, a Natalia pousar nua na Playboy e o Nelson Rubens não tiver mais de onde espremer merda pra colocar no TV Fama
sobre eles, eu vou esquecer tudinho (bla blá blá) e pra completar, Débora Secco vai passar um dia inteiro com os brothers (momento Bial) da casa mais badalada do país (péra aí, volta a fita).

BBB8: Quem são vocês mesmo?


Que porra foi essa? Débora Secco no BBB? E eles ainda pagaram praquilo! Quem é Débora Secco na noite? Ah gente, forçaram! Muito! O máximo que a Secco fez foi a pior interpretação numa novela das 8 (soy loco por ti, América), dar pro Falcão, e atualmente pro Roger (foi a Galisteu que largou ele, ou o contrário?). Aí, ela acorda e ao mesmo tempo se maqueia, nem mesmo escova os dentes antes. Como dizia mamãe, “Ela não tem vergonha de mostrar o rab* na Playboy, mas não tem coragem de mostrar o rosto sem pó.

Para aqueles que acham que o nível desse blog caiu total hoje, boas notícias: a partir dessa segunda feira minha licença médica expira e eu volto a trabalhar lá no hospital (bota 9 horas do meu dia ai), e logo em abril, minha faculdade também recomeça (bota mais 4). Logo, não vou ter mais o mínimo tempo para o horário nobre global... e muito menos vou lavar o banheiro de novo!

Nota do Autor - Ato I

Quero agradecer imensamente pelo selo de “Esse blog vicia” que o Marcelo do ótimo Bomba MH me deu. Obrigado mesmo, é meu primeiro selo. Repasso ele para a minha amada amiga Keth, do Inifinito Particular que eu gosto tanto. Também lembro que nunca agradeci por aqui a força que o Altino me deu, falando do meu blog no dele, obrigado.

Assim como eu agradeço a todos que tem paciência para ler meus textos e comentar. Sei que eles são grandes (ok, enormes), mas eu ainda não reformulei o blog como eu imaginava que já teria feito, então, mudanças só no futuro próximo (ou longo).

segunda-feira, 3 de março de 2008

Para Jovens, Velhos, Jovens Que Pensam Como Velhos, Velhos Que Pensam Como Jovens...

Volta das “Férias”: endividado até o pescoço

E lá estava eu no aeroporto de Curitiba ultrapassando a máquina de Raio-X e esperando que as minhas sacolas da Calvin Klein e da Loja Vírus passassem pela máquina, quando alguma coisa apita e a mulher manda eu parar. Sinceramente, o negão do lado parecia que tinha colocado a mão no bolso, desconfiei que fosse uma arma, mas logo vi que ele estava coçando alguma coisa (?). Pensei que eles não levariam a sério uma sacola com o nome Vírus (única loja do Brasil a vender só All Star’s), mas o problema era justamente com a sacola da CK. A mulher do lado monitor, com um ar de Super Nanny “versão-mais-séria 2.0”, olha pra mim e afirma categoricamente, “Tem um abridor de latas na sua sacola”. E eu mais categoricamente ainda “Não!”. Ela sem mudar a expressão, “Tem sim”, e eu, “Não, não tem, eu não botei nenhum abridor de latas aí não”.

Depois do 11 de setembro, andar com qualquer coisa q tenha ponta, inclusive agulha de tricô, é um perigo a segurança nacional, imagina um abridor de latas então, seria a mesma coisa que um atentado com Antrax. Então aquilo vira um embate, Samuel Bryan versus a Maligna Megera da Visão Raio-X. Ela então, com um olhar de “ah, é mesmo?” diz, “Dê a volta aqui por favor". Eu piso firmemente no chão e ao ficar do lado dela observo minha sacola com todo o conteúdo em amarelo, porém, no fundo, em um lindo contraste de azul escuro, brilhava a forma anatômica de um... abridor de latas. Enquanto a minha reação natural foi a de ficar sem reação, eu imaginei que na cabeça dela, a mulher devia estar gritando “Peeeega, filho da puta”. Ai eu escuto a voz da minha avó (que pareceu pousar no aeroporto apenas naquele momento), “Aaaah, fui eu que coloquei esse abridor aí”. Tive vontade de gritar! O negão sorriu pra mim, “Pode pegar sua sacola, ta liberado”. E em silêncio sai sem nenhuma dignidade, imaginando que o Negão e a Vaca do Raio-X ririam horrores de toda essa situação no Happy Hour.

Na conexão em Brasília, decido duas coisas: 1º- Nunca mais viajar de avião sem livros, vídeo games ou mp3, 2º- Já que eu deixei tudo isso na mala, iria comprar uma revista. Como na livraria não tinha Men’s Vogue, eu depois de muito analisar, resolvo comprar pela primeira vez, uma Rolling Stone. A curiosidade da matéria de capa foi o que mais me impulsionou a compra. No avião, eu leio a entrevista com Johnny Depp e tipo, acho que foi o pior entrevistador que eu vi em anos. Simplesmente pela leitura dava pra se perceber que a condução da entrevista não era das melhores, não era bem trabalhada. O que salvava é que o Depp é foda, então não importava se o entrevistador não sabia muito o que tava fazendo, Depp foi capaz de transmitir tudo o que era necessário ainda assim, mesmo que em alguns momentos me parecera mais uma entrevista de respostas mecânicas, dessas que os artistas dão em 9 de cada 10 entrevistas. Tipo, já não havia gostado da Rolling Stone. Mas não acabou por ai.

Rolling Stone: onde numa mesma edição você encontra Radiohead, Bob Dylan, NXZero, Sandy e Junior, Johnny Depp e Mônica Mattos (a rainha do pornô brasileiro)

A matéria de capa (que tanto me interessou) anunciava, “O Futuro da Música Pertence a Thom Yorke e ao Radiohead”. Eu não vou entrar em momento nenhum no mérito da música do Radiohead, que diga-se de passagem, eu não gosto. Ouvi algumas musicas deles em 2005, a melodia não agradava meus ouvidos e as letras me remetiam a uma banda de disco de estréia, e não de um grupo indie tão cultado. O problema era realmente a entrevista. O filme Quase Famosos retrata bem o que eu vou dizer agora. Ele conta a história de um garoto meio nerd que embarca na turnê de sua banda favorita para escrever uma grande matéria para a Rolling Stone, num quase road movie, cheio de acontecimentos fortes na vida do garoto que “nunca imaginara aquilo para a sua existencia”. Típico! Ao que parece, a relação dos entrevistadores da atual Rolling Stone com os músicos da atualidade, se tornou algo tão fragilizado e superficial como o próprio cenário do mercado fonográfico (que o último álbum do Radiohead balançou mais do que o cenário musical em si). A condução da reportagem em momento nenhum parece demonstrar explanação sobre o argumento da capa. Por que o futuro da musica esta nas mãos do Radiohead mesmo? A resposta você não vai encontrar claramente na Rolling Stone, no máximo, apenas uma afirmação de “Banda de rock mais importante do mundo”. Não há clareza. E mesmo o mundo da musica sendo repleto da falta de clareza, numa matéria jornalística que afirma algo claro, você tem que saber explanar. Parece que James Dimmock mais preferia se tornar um amigo da banda que em conversas de pubs caros em Lodres faria questão de ser conhecido como o “grande James, amigo de musicos de calibre, como Thom Yorke”, do que um jornalista interessado em escrever uma matéria que realmente demonstre o porque de afirmações tão fortes como estas, igual ao personagem de Quase Famosos.

A minha decepção com a Rolling Stone foi gigantesca. Porém, algumas páginas depois me deparo com uma entrevista de 1969 com Bob Dylan. Ah, eu me deleitei. Jann Wenner não só conduziu extraordinariamente a entrevista com um dos maiores ídolos da história musical, como ele foi capaz de fazer com que nas respostas a suas perguntas, Bob Dylan transparecesse a sua alma. Ele era foda. Dylan tinha noção de que sua musica mexia com o mundo, mexia com os jovens, era o símbolo da contracultura de sua geração e que só não gritava mais que o trabalho dos Beatles. E ele tinha noção da pressão enorme que isso fazia a ele, pressão que o próprio Wenner deixava claro em suas perguntas e afirmações. Mas Bob Dylan se mostrava receoso a tudo isso, ao mesmo tempo em que parecia se controlar para não se mostrar assustado diante de todo esse fardo. Ele só queria cantar, ele só queria mostrar ao mundo a sua obra e sentir que ela tocava a todos. Como ele mesmo disse, por causa de tudo isso, ele se vê como tudo também, “como homem casado, poeta, cantor, compositor, guardião, porteiro... Tudo isso. Serei todos.”

A Rolling Stone atual pode não ser das melhores, mas vendo aquela matéria de 1969, pode-se botar fé de mudanças igual Bob Dylan colocava fé de mudanças no mundo de sua época, mesmo que elas não tenham acontecido.

A minha lista de decepções de começo de ano (porque no Brasil o ano só começa mesmo depois do carnaval) se estendeu pelo cinema também. Em São Paulo fui assistir o tão cultado, Juno. O filme conta a história de Juno, jovem fora dos padrões de garotas americanas de 16 anos, que engravida de um “levemente retardado mental que eu esqueci o nome”, ela não quer o filho, mas desiste do aborto e encontra um casal para adotar a sua criança. O filme é bom, tem diálogos maravilhosos e muito bem trabalhados, e diferente da maioria dos filmes atuais de Hollywood, tem coração, um coração tocante até, o momento em que o “quase retardado” se encontra com Juno no hospital após o parto, mesmo sendo uma cena sem diálogo, é capaz de emocionar qualquer um. O que não me saiu da cabeça foi, “por que esse filme ta concorrendo ao Oscar de melhor filme mesmo?”.

Em 2004 assisti o pouco comentado Galera do Mal, e para mim, sua comparação a Juno é mais do que inevitável. O fato é que Juno se torna uma obra muito mais aprimorada que Galera do Mal (onde uma adolescente que estuda numa escola cristã, ao descobrir que seu namorado é gay, tenta “salva-lo” e acaba engravidando. Detalhe: o melhor amigo dela é o Macaulay Culkin interpretando um garoto cheio de humor negro numa cadeira de rodas). O problema de Galera do Mal são os diálogos e as interpretações, no qual Juno vence de longe. Ainda assim, Galera do Mal tem um carisma maior por sua ideologia e críticas, disfarçadas numa história que parece boba, mas que definitivamente não é. Mas decepção mesmo eu tive com Eu Sou a Lenda, achei tão ruim que nem consigo falar desse filme.

Galera do Mal: “Juno no Oscar!? Cadê meus créditos?”

Já que eu falei do Oscar, lembrei que assisti Onde os Fracos Não Têm Vez no Cinemark de Curitiba. É muito comum eu esquecer que tenho 19 anos, comum mesmo, mas Onde os Fracos Não Tem Vez me lembrou a todo momento qual é a minha idade. Motivo? É difícil de explicar, mas não importa o quanto você seja um jovem com uma cabeça madura, se achando um velho de 80 anos mentalmente, Onde os Fracos Não Têm Vez não é um filme feito pra jovens, e vou além, de certo modo, ele parece desprezar a juventude. É um filme para pessoas com a real experiência de vida, com a marca dos anos no couro, para pessoas que saibam o que a vida adulta (e suas frustrações, decepções, falta de fé e compaixão) são capazes de fazer a mente. A “obra prima” dos irmãos Coen não me soou como obra prima, porque ela mostrou “meu lugar” e me desprezou, mas acho que daqui a vinte anos, quando eu assistir esse filme de novo numa seção “o melhor dos anos 00 (que não teve tão melhores assim)” eu vou achar Onde os Fracos Não Têm Vez foda pra caralho.

Nem só de decepções o começo do meu ano se alimentou é claro, na minha cirurgia tudo ocorreu bem (to todo inchado, dolorido, inflamado, sem poder fazer movimentos bruscos por uns 15 dias, mas ta tuuudo bem). E ainda teve São Paulo, com seus pequenos momentos de delícia pura, como a sessão de DVD’s da Fnac, o chocolate quente e amigos no Fran’s Café, uma companhia doce até nas discussões em pleno metrô, e lógico, a Bubu Lounge, que mais que uma buaty, é um templo de som, onde por pelo menos cinco horas, eu esqueço totalmente de todo o mundo fora de suas paredes.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Como Não Tratar Os Seus Clientes E... Fim Da 1ª Temporada

"Nike o caceta, eu uso é All Star?!" Hellow, a All Star É da Nike

Aí eu que eu tava acompanhando o Frederico no Shoe Shopping dele. Aliás, o Frederico tem uma tara meio que bizarra por All Stars’s, quando ele ta falando de All Stars’s e caçando eles ao mesmo tempo ele meio que me assusta. Tipo, sabe um tarado psicopata sexual? É o Frederico, só que por tênis All Stars’s. Beleza, estávamos nós pelo Centro, lindos, descolados, belos e jovens, quer dizer, o Frederico não é tão jovem assim (vingança com aquela brincadeirinha dos meus raríssimos fios de cabelo branco), quando entramos numa loja (que diga-se de passagem eu fiquei traumatizado com a nháca de gente feia que não toma banho pra fazer compras no Natal), quando o Frederico se encantou por um all star com xadrez por dentro (não faço a mínima de como se usa aquele sapato pra que a parte interna do xadrez apareça), pergunta pro vendedor o valor, o vendedor com uma cara meio de contragosto diz que custa R$87,00, ai o Frederico pergunta se tem outros modelos, e o vendedor com cara de nojinho informa: “Temos sim. Os modelos masculinos estão no final da loja”.

Preciso dizer que eu me acabei de rir? Não, né?! Gente, a ignorância é uma benção. Não dava nem pra culpar o vendedor, o conceito de moda nunca foi o forte do Acre.

Aliás, como o Ricardo me disse uma vez num passeio pela Gameleira, “O acreano tem um jeito muito tradicional, tanto no de se vestir quanto no comportamento e jeito de agir. Dá pra descobrir quem é de fora só olhando”, isso me lembrou automaticamente o Arthur, um garoto que eu conheci na despedida dele numa buaty, conversando ele me disse que não estava nada triste de ir embora depois de três meses no Acre. Mesmo sendo jovem, bacana e bonito, sempre se sentiu vítima de preconceito e fofoca por parte dos outros garotos da cidade. Arthur achava que a juventude acreana era muito atrasada, não aceitava o novo e enquanto lá fora a cabeça das pessoas estava ficando mais aberta pra comportamentos e moda, aqui as pessoas pareciam empacadas. Não tirei muito a razão dele. Ele realmente estava certo em alguns aspectos, em outros nem tanto. Mas esse não é um assunto que eu quero tratar, nem naquele dia eu quis, pois voltamos super dignos pra encher a cara.

Continuando as compras com o Frederico, fomos lá no Formigão – O Barato da Moda e (adivinhem) sai de lá com uma calça jeans liiiinda de R$30,00. Minha mãe ligou pra mim pra perguntar algo e eu aproveitei, “Mãe, a vó tá aí perto?”, ela: “Tá, por quê?”, e eu super animado, “Diz pra ela que eu to aqui no Formigão e comprei uma calça super tudo de 30 pilas. Eu tenho certeza que ela vai ter muito orgulho de mim e finalmente sentir que eu sou um verdadeiro neto dela”. Adoro o Formigão. Lá é muito divertido, tinha uma pilha de algum tipo de roupa e no alto dela uma bandeira vermelha. Por que eu disse “algum tipo de roupa”? Porque era tanta mulher em cima que eu não consegui identificar que tipo de peça elas estavam analisando/batalhando pra comprarem, ja que a bandeira vermelha significa "promoção imperdível". Ah, eu acho que existe algum nome praquelas práticas sexuais bizarras em que alguém enfia o braço todo no orifício de alguém (engraçado, a terminologia de comportamentos sexuais é gigantesca, tem nome pra tudo, acho até que quem tem tara de gozar no bife do dedão do pé esquerdo tem nome), seja qual for o nome da prática, era aquilo que o Frederico tava fazendo na pilha de calças. Eu olhava paralisado enquanto ele enfiava o braço nos jeans, segundo ele, “as melhores calças estão sempre no fundo”. Valeu a dica amigo, vou guardar pra vida inteira e começar aquela prática de enfiar o braço todinho também. Nunca mais compro Calvin Klein Jeans, só underwear e camisetas.

Teve ainda na loja de cosmético um causo bacana. Tava eu e o Frederico quando ele pergunta pra vendedora “Tem redutor de volume?”, e ela “Pra cabelo?”, nós dois assentimos levemente com a cabeça quando na verdade eu quis dizer, “Não. Tem algum redutor de volume pros pêlos do suvaco, do peito e, de quebra, do c*?”. Já ouvi de alguns conhecidos que o Acre tem um dos piores atendimentos de loja do Brasil, mas aquilo que foi ridículo.

Esse final de semana eu tava aperriadinho pra terminar a primeira temporada de Skins antes de viajar. Não consegui, falta um episódio e o especial de Natal. Aliás, eu to aperriado com muita coisa. Finalizar minhas notas, arrumar minha mala (Deus, eu nem comecei), assistir filmes, organizar musicas no mp3 (o Frederico disse que ia tentar salvar minha alma musical, to esperando) e eu não to pensando quanto tempo eu vou conseguir viver sem internet, mas a verdade é que de internet eu vou tentar distancia.

É bom que eu vou pensando em novidades que eu vou trazer pro blog pra ver se levanto o ibope. Tipo, promoções culturais, layout novo e ensaios nus (não meus), a galera se amarra em putaria.

Ah, queria falar um monte de coisas hoje, mas já escrevi besteira demais, queria fazer a crítica do magnífico filme coreano I’m a cyborg, but that’s ok, que tanto me tocou (sem taradices por favor), mas fica pra segunda temporada. Dêem um jeito de assistir aí quem sabe criticamos juntos.

Demais, vou indo. Mesmo me preparando pra uma cirurgia, eu me sinto saindo de férias, mais do que simples férias, mas férias do Acre. Amo tudo aqui, mas as vezes eu me sinto sufocado, as vezes um sentimento meio Arthur, mas na verdade é uma sensação própria, um sentimento Bryan-ante-inércia, meio ante-raízes-muito-profundas, meio silêncio-pra-alma.

Vou tentar ver o mar, e sorrir como um bobo, olhando a imensidão azul, sempre com a certeza que aquela é uma das obras mais magníficas de Deus. Sinto saudades do mar.

Obrigado a todos. Nos vemos em março, se Deus (e vocês) quiserem.
Aí, terminei meloso demais.
I’m a cyborg, but that’s ok: Será que só os loucos conseguem ser plenos de si mesmos?

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Previsões de Carnaval, Ícones Cult do Terror e Porque Usar a UFAC Num Filme de Horror

Gameleira: "Carnaval da Gameleira morreu. Pegou gripe. Morreu."
Acho que esse vai ser o penúltimo post antes de eu sair de férias. Aí, pessoa que lê o blog deve tá dizendo, “Beleza, tu vai sair de férias, e o Kiko?”. Povo sem coração. Mas eu informo do mesmo jeito. Na metade de fevereiro to me mandando pro Sul do país, vou fazer uma cirurgia e curtir um friozinho a la “não tenho dinheiro pra ir pra Europa, então vou pro sul do país e finjo que é a mesma coisa”. Ai dá Ctrl+c no pensamento de um amigo meu, “Grande porra, tu vai pro sul fazer uma cirurgia. Tu vai curtir alguma coisa por acaso?”. E lógico, eu tenho a resposta na ponta da língua, “Eu vou estar sofrendo, tomando morfina, remédios pra dormir, com os ossos do tórax sendo contorcidos, mas a diferença é que eu vou sentir tudo isso de frente pro mar, ok? E tu vai morrer de calor no Acre”. Morra de inveja. Ah, só um lembrete, o primeiro que vier com a piadinha de “Vai fazer cirurgia do que? Mudança de sexo?”, vai levar uma saraivada virtual. O assunto é sério e eu quero meu nome no caderninho de orações de todo mundo.

Antes disso temos carnaval. E quais são minhas expectativas? Muito sexo, beijo na boca, rodinha ao redor das minas, bater Kenner, bebida, gandaia, vexame e ressaca? Quem dera! Essa é uma das desvantagens de ter amigos “politicamente corretos”, a maioria ta namorando, estudando cumpulsivelmente pra concursos e vestibulares, ou são um bando de sem graças incorporando a moda "indie-cult-geração emo" de “não gosto de carnaval, é uma coisa muito brasileira pra mim”, quando na verdade eles devem ter algum trauma no estilo “se c* de bêbado não tem dono, no carnaval, se você não tomar cuidado, as proporções disso podem ser bem maiores”. Mágoa de caboclo.

Além disso, o carnaval desse ano aqui em Rio Branco não promete ser dos melhores com mudanças drásticas naquilo que a cidade melhor tinha de oferecer. Antes eu achava que o carnaval era uma festa boa ate no conceito de que havia uma generalização nas classes e comportamentos sociais, pois a estrutura que tinha aqui sempre foi homogênea, agora tanto o carnaval da Arena, quanto o do Juventos parece que irão gerar fases heterogêneas entre os foliões (papo químico mode: off). Espero que eu esteja enganado. Ainda assim, a probabilidade de que eu durma e guarde dinheiro pra gastar nos pub’s e mundo de livrarias da XV de Novembro, em Curitiba, ao invés de comprar uma mesa no Vermelho e Preto e encher a cara com Red Label falsificado, (mesmo que os melhores amigos do homem sejam o Johnny e o Walker) é bem grande.

Aliás, talvez eu aproveite esse feriado pra saciar o meu interesse mais que repentino sobre alguns ícones cults do cinema de terror que marcaram a minha infância e tem minha admiração até hoje, Jason Voohees, Freddy Kruger, Leatherface e por último (e realmente menos importante) Michael Myers. Ok, de todos os meus comportamentos bizarros, ser fã desse time aí de cima deve ser um dos piores. Mas cara, eles marcaram o cinema do horror, marcaram e marcam gerações, e (acima de tudo) geram dinheiro pra suas produtoras até hoje que insistem em afundar na lama a pouca “reputação boa” que eles ainda tem.

Tipo, como não se admira o Jason, se Sexta Feira 13 é o pai de todos os clichês de filmes de terror teen? Tá, eu dei um motivo mais pra vocês odiarem ele por ser pai de todo esse lixo cinematográfico que nós temos (que atingiu seu ápice com aquela obra prima com a Paris Hilton, A Casa de Cera). Mas o que seria de nossas vidas sem esse tipo de cinema que aliena as pessoas e gera milhões as produtoras que produzem mais e mais dessa merda? (hum... não respondam). Sexta Feira 13 é um filme que ganhou 10 partes. Em TODAS, o grupo de futuros jovens mortos é SEMPRE igual, vamos por tópicos:

1-Os personagens são aquele primor de estereótipo: há a mocinha bobinha que quer dormir com um rapaz bonitão, há o casalzinho que só pensa em transar, uma gostosona, um rapaz que não tira o olho da gostosona e apronta para vê-la pelada, e por aí vai.
2-TODOS os figurantes precisam morrer, sendo que a Parte 9 é a mais exagerada de todas, onde todo mundo que atravessa o caminho do Jason é morto sem motivo.
3-Tem o gordo feio no estilo "ninguém me ama, ninguém me quer", que só faz brincadeiras bobas e, quando a coisa pega de verdade, ninguém acredita nele. É deste gordo que Jason rouba a máscara de hóckey que passa a usar (Parte 3). Tem um casal de maconheiros que entra no filme mudo e sai calado, só fumam maconha, morrem, e nada mais (grande participação). E claaaro, não podemos esquecer o casal tarado que só pensa (e faz) sexo. O melhor, na Parte 2, um casal é transpassado por uma lança enquanto transa.
4-A mocinha sempre é virgem, ou seja, é a catisdade que salva. O namorado dela geralmente é o gostosão do grupo, que geralmente também morre de forma grotesca (tem uma cena beeem legal na Parte 1 da mocinha encontrando o namorado pregado do outro lado da porta por uma seta na garganta).
5-Sustos de gato são praxe para depois do suspiro de aliviados Jason vir e PÉI, matou. E quando tudo parece mais perdido do que nunca, tem sempre um idiota que grita “Vamos nos separar”, sendo que na verdade Jason é o mestre do teletransporte e não importa o quanto você corra, ele sempre vai estar na sua frente, mesmo a passo de tartaruga.
6-Tomam banho de rio pelados; vão nadar de madrugada, sozinhos; vão a lugares desertos e escuros sozinhos, sem acender nenhuma luz; e NUNCA percebem como de uma hora para a outra todo mundo sumiu, e assim por diante.

Jason no começo era um serial killer louco, depois ele assumiu status de ser místico imortal. Levou mais de 100 tiros, foi esfaqueado 26 vezes, levou 5 machadadas, foi atropelado por um trator e um carro, soterrado por um telhado, foi atingido por vasos, um sofá, alguns pedaços de madeira, duas cadeiras, livros, uma estante, uma televisão, foram fincados ao longo do seu corpo 15 barras de ferro, foi afogado em lixo tóxico, foi explodido... e sobreviveu. Porém, outro ótimo assassino místico é o Freddy Kruger, porra, desse sim eu me mijava todinho quando moleque. O primeiro A Hora do Pesadelo era de tremer, magnífica obra do Wes Craven, apenas o final era meio tosco. Só que a partir do segundo, Fred virou um vilão que matava com efeitos especiais (e não com aquelas garras que são a maior invenção de morte do cinema) e sempre soltava piadinhas antes de fatiar. So voltou a ser gente na Parte 7, novamente dirigido por Wes Craven. Fred é uma das idéias do terror mais geniais que foram desperdiçadas nos próprios filmes produzidos, um assassino que mata pelo sonho. Fantástico.

Freddy: Torce pro Vasco, mas é obrigado a trabalhar com a blusa do Flamengo
Está confirmado um remake de A Hora do Pesadelo, tão só esperando o fim da greve dos roteiristas (que eu apoio). Eu gostaria muito que valorizassem a história de Freddy como um humano frio, assassino de crianças que foi linchado pelos moradores da rua Elm. A introdução de FreddyXJason é ótima por mostrar justamente parte disso. Aliás, antes que perguntem, eu adorei esse filme; é uma merda, mas é legal, e faz olhinhos de fãs como eu brilhar em alguns momentos.

Dizem que o melhor prólogo das grandes séries de terror que nasceram nos anos 70 e 80 é Halloween, que eu não assisti e que nunca me interessou tanto, porém, a saga do maníaco-psicopata-doente-desde pixocotinho Michael Myers é extremamente elogiada. Aliás, Robie Zombie fez um remake dele que a crítica ate gostou. Porém, pra mim, a melhor história de assassino doentio que existe, é dele, O Senhor da Motosserra, Leatherface, do melhor-filme-prólogo-de-terror-do-passado e melhor-remake-de-terror-da-história, O Massacre da Serra Elétrica.

Fui assistir o remake de 2005(4 ou3?) no cinema. Ótimo. Eu fiquei pregado na cadeira, vibrando, a adrenalina a mil. Boas atuações, uma boa humanização dos personagens e um desfecho do caralho. A produção estava impecável. E além de todo o terror de um filme já aterrorizante por si só, temos o inabalável fato de que tudo aquilo é baseado em fatos reais. O maior terror de O Massacre é psicológico. Desse eu sou fã fã fã. Mesmo que também tenha sido degradado em continuações miseráveis e ridículas (embora O Início seja também muito bom).

Eu sonho em fazer um filme de terror que beira o trash e ao mesmo tempo pareça uma coisa boa. Não sei que assassino eu vou usar, quais clichês, que tipo de execução no roteiro ou como será a humanização dos personagens. Só sei que eu quero fazer. E sei também a ambientação, a UFAC. Me desculpa quem não conhece, mas a minha Universidade a noite é um terror puro. C-l-i-m-ã-o é o que não vai faltar no meu filme. E só pra quebrar as regras, eu acho que a mocinha (ou inho, vai saber) não vai ser virgem, pelo contrário, vai ter um passado bem depravado, de preferência de promiscuidade no antigo Carnaval da Gameleira.