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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Quem quer ser o imperador do efêmero?


No filme acelerado da história moderna, dentre todos os roteiros, o da moda é o menos pior
Gilles Lipovetsky

Aí estava eu saindo do trabalho quando não mais que de repente, no cruzamento do sinal, dô de cara com um mulek saindo da escola usando um boné Von Dutch metade tela, virado pra trás. E aí eu penso, “o horror, Deus, o horror”. Saco imediatamente meu iPhone do bolso e twitto na hora: “Péra aí, ainda tem gente que usa boné Vun Dutch? Que sociedade é essa, Jesus?”. Ok, vamos fazer uma pequena referência pra você não se perder já no comecinho, bonés Von Dutch eram uma modinha em 2005/2006 principalmente nas baladas cariocas. A bosta do boné ficou tão famosa que todo mundo queria um e a Revista Época fez uma matéria de 4 páginas sobre as baladas de boné brega que custavam em média R$100.

Imediatamente eu recebi algumas respostas bem irritadas de alguns seguidores, pessoas que tinham o diabo do boné enfiados em algum lugar do armário e se recusavam a aceitar que os Von Ducthcs papagaiados não era mais tolerantes. De fato, comecei a me questionar. Eu havia visto o boné num garoto bem meia boca, sem nenhum sentido do que a palavra estilo poderia significar, mas e se eu tivesse visto ele na cabeça de Prince Pelayo ou do Juan Cocco? Bem, talvez eu até desejasse comprar um. E é sobre isso que eu quero falar com vocês.

De todos os males que a humanidade criou para si mesmo, o conceito de moda na sociedade contemporânea é considerado um dos mais terríveis por muitos. Principalmente os estudantes de Ciências Sociais, História e os ativistas do PETA... Whatever, por que esse ódio todo? Simples, por causa do conceito de ícones.

Eu não vou entrar no conceito de moda, importância, influências e a casa do caralho... vamos pra parte bacana, ícones. O ícone é aquilo que inspira, que te desperta o desejo de ter, e não corresponde exclusivamente a uma pessoa, mas qualquer elemento que inspire um padrão. Alguns são eternos, mas estudá-los sobre a visão de moda é que levanta um certo fascínio por uma única questão, eles estão sempre mudando, eles são completamente mutáveis. E o que está no topo hoje pode não significar mais nada amanhã. E é ai que entra os meus queridinhos Pelayo, Juan Coco, Gala Gonzales e uma surpresinha que eu vou falar só mais pra frente nesse texto.

Para ser um ícone da moda, antes você precisava ser alçado pelo próprio. São as famosas histórias de modelo que dá pro agente, pro estilista, tem que se vender, aparecer, ser visto. Hoje já não é tanto assim, você pode simplesmente se criar, se tornar um conceito. É fácil? Claro que não, vai ter um mundo inteiro tentando te destruir, mas obviamente alguns conseguiram e agora estão no topo. Saíram do nada e se tornaram príncipes, saem em revistas, pagam de modelos, são convidados para a primeira fila de desfiles, ganham um reino de seguidores e principalmente... passam a fazer parte de uma das cortes mais desejadas do mundo, a do Império do Efêmero.

Prince Pelayo, como resolveu se entitular, é um jovem londrino estudante de moda da Central St Martins School. Estilista, o jovem fez um dos figurinos da Rihanna em Hard. Mas grande coisa, pois o que transformou Pelayo num ícone da moda masculina moderna foi seu mundialmente conhecido blog, o Kate Loves Me. Mais do que conhecido, Pelayo saltou para um nível nunca antes imaginado, uma celebridade dentro de um mundo formado quase que exclusivamente por celebridades.


Recentemente, Pelayo conquistou nada mais, nada menos que 8 páginas na revista Elle da Turquia, com Julia Roberts na capa. As marcas o procuram, imploram para que ele use suas roupas. Os convites para desfiles exclusivos pipocam e mais importante que tudo isso, ele criou uma rede de jovens contatos do mundo moda que estão ai, prontos para mudar as regras do jogo (mesmo que por tempo determinado) e tomar as rédeas desse império no futuro, ditando as influências. Se hoje eu tenho como um sonho de consumo camisetas sociais com figuras de Rorschach do Alexander McQueen, é tudo por culpa do Pelayo.

Obviamente Prince não é o único, sua melhor amiga, a estonteante Gala Gonzales (na foto acima) só pode ser definida numa frase de um amigo: “Essa mulher é a cara da riqueza”. Gonzales é o equivalente de Pelayo como mulher, ainda mais poderosa sem dúvida, pelo fato da moda ainda valorizar bem mais o feminino do que o masculino. Gala é uma moça bonita, de bom gosto e requinte. Até aí tudo bem, então ela resolveu colocar tudo isso num blog, o Inside Am-Lul's Closet. Ganhou fãs, dinheiro, fama, se tornou ícone fashion e diretora de arte da empresa de seu tio. Ok, empresa do tio. Mas a sorte quem teve foi o tio dela. A mulher percorre o mundo e se tornou aquilo que na moda todos desejam ser, uma referência.

A profissão de blogueiros de moda cresceu tanto que até mesmo quem é parcialmente de fora do ramo tem se arriscado e se dado bem, como o espanhol Juan Cocco, de 20 anos, estudante de economia e direito, que em seu blog divide avaliações de moda e fotos extremamente artísticas e inspiradoras de sua vida pessoal, numa mistura de vanguarda e tendências contemporâneas.

Então, porque os chamados wardrobe remix blogs fazem tanto sucesso na atualidade? Fácil, existe uma aproximação com o público, não existe mais aquela muralha que separava os fãs da moda daquilo que era visto nas passarelas, como se o que estivesse lá devesse ser intocável e não utilizável. Eu vestiria (quase) TODAS as roupas de Pelayo e Juan. E a sutiliza, elegância e delicadeza de Gala Gonzales caem bem em qualquer garota descolada, moderna, sem parecer exagerada. Eles se tornaram mais que ícones, se tornaram referências, e o mercado esta absorvendo isso, porque referências aquilo que movimenta a moda.

A profissão/hobby de blogueiro de moda é uma das que mais vem se destacando no atual momento das redes sociais. Mas não é muito fácil. Você já imaginou uma blogueira de moda do Acre, por exemplo? Mas ela existe sim, e se duvidar possui a página mais visualizada do estado, embora não pelas próprias pessoas de sua cidade. Essa é Clara, dona do Zebra Trash, que segue a mesma linha dos outros wardrobe remix blogs. A garota que se intitula fã de moda, literatura, arquitetura e chocolate tem uma página bastante estilosa e já conquistou espaço em jornais e programas de TV.

Mas minha primeira lembrança com relação a Clara é quando ela foi citada no blog da Revista Capricho, As + Estilosas. Nos mais de 350 comentários Clara sofreu cyberbulling em muitos deles. Por quê? Talvez por ser do Acre, por ter um estilo que tenha que se adaptar a terras muito quentes, não as pradarias européias. As pessoas também gostam de valorizar aquilo que consideram superior a elas, não inferior. Na moda então, esse argumento fica ainda mais forte. Alguém aí ainda se lembra do episódio do Von Dutch? Pois é...

O francês Gilles Lipovetsky escreveu o ótimo livro (científico acadêmico, vale ressaltar), O Império do Efêmero. Nele, ele defende alguns pontos de vista interessantes, como a moda na construção da identidade, e a necessidade de expor e compartilhar essa identidade. E se você é mais um daqueles que odeia a moda por considerá-la ditadora, Lipovetsky defende exatamente o contrário, a moda possuindo um caráter libertário, um anúncio da democracia, mesmo num mar de elementos frívolos e efêmeros.

Sim, a moda é um império, que faz parte presencial na vida de todos do mundo ocidental e das sociedades modernas. Vale então a pena se sujeitar aos mandos e desmandos dessa corte por um destaque a mais nesse espaço? Ao que parece, a resposta é: sim!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Como Não Tratar Os Seus Clientes E... Fim Da 1ª Temporada

"Nike o caceta, eu uso é All Star?!" Hellow, a All Star É da Nike

Aí eu que eu tava acompanhando o Frederico no Shoe Shopping dele. Aliás, o Frederico tem uma tara meio que bizarra por All Stars’s, quando ele ta falando de All Stars’s e caçando eles ao mesmo tempo ele meio que me assusta. Tipo, sabe um tarado psicopata sexual? É o Frederico, só que por tênis All Stars’s. Beleza, estávamos nós pelo Centro, lindos, descolados, belos e jovens, quer dizer, o Frederico não é tão jovem assim (vingança com aquela brincadeirinha dos meus raríssimos fios de cabelo branco), quando entramos numa loja (que diga-se de passagem eu fiquei traumatizado com a nháca de gente feia que não toma banho pra fazer compras no Natal), quando o Frederico se encantou por um all star com xadrez por dentro (não faço a mínima de como se usa aquele sapato pra que a parte interna do xadrez apareça), pergunta pro vendedor o valor, o vendedor com uma cara meio de contragosto diz que custa R$87,00, ai o Frederico pergunta se tem outros modelos, e o vendedor com cara de nojinho informa: “Temos sim. Os modelos masculinos estão no final da loja”.

Preciso dizer que eu me acabei de rir? Não, né?! Gente, a ignorância é uma benção. Não dava nem pra culpar o vendedor, o conceito de moda nunca foi o forte do Acre.

Aliás, como o Ricardo me disse uma vez num passeio pela Gameleira, “O acreano tem um jeito muito tradicional, tanto no de se vestir quanto no comportamento e jeito de agir. Dá pra descobrir quem é de fora só olhando”, isso me lembrou automaticamente o Arthur, um garoto que eu conheci na despedida dele numa buaty, conversando ele me disse que não estava nada triste de ir embora depois de três meses no Acre. Mesmo sendo jovem, bacana e bonito, sempre se sentiu vítima de preconceito e fofoca por parte dos outros garotos da cidade. Arthur achava que a juventude acreana era muito atrasada, não aceitava o novo e enquanto lá fora a cabeça das pessoas estava ficando mais aberta pra comportamentos e moda, aqui as pessoas pareciam empacadas. Não tirei muito a razão dele. Ele realmente estava certo em alguns aspectos, em outros nem tanto. Mas esse não é um assunto que eu quero tratar, nem naquele dia eu quis, pois voltamos super dignos pra encher a cara.

Continuando as compras com o Frederico, fomos lá no Formigão – O Barato da Moda e (adivinhem) sai de lá com uma calça jeans liiiinda de R$30,00. Minha mãe ligou pra mim pra perguntar algo e eu aproveitei, “Mãe, a vó tá aí perto?”, ela: “Tá, por quê?”, e eu super animado, “Diz pra ela que eu to aqui no Formigão e comprei uma calça super tudo de 30 pilas. Eu tenho certeza que ela vai ter muito orgulho de mim e finalmente sentir que eu sou um verdadeiro neto dela”. Adoro o Formigão. Lá é muito divertido, tinha uma pilha de algum tipo de roupa e no alto dela uma bandeira vermelha. Por que eu disse “algum tipo de roupa”? Porque era tanta mulher em cima que eu não consegui identificar que tipo de peça elas estavam analisando/batalhando pra comprarem, ja que a bandeira vermelha significa "promoção imperdível". Ah, eu acho que existe algum nome praquelas práticas sexuais bizarras em que alguém enfia o braço todo no orifício de alguém (engraçado, a terminologia de comportamentos sexuais é gigantesca, tem nome pra tudo, acho até que quem tem tara de gozar no bife do dedão do pé esquerdo tem nome), seja qual for o nome da prática, era aquilo que o Frederico tava fazendo na pilha de calças. Eu olhava paralisado enquanto ele enfiava o braço nos jeans, segundo ele, “as melhores calças estão sempre no fundo”. Valeu a dica amigo, vou guardar pra vida inteira e começar aquela prática de enfiar o braço todinho também. Nunca mais compro Calvin Klein Jeans, só underwear e camisetas.

Teve ainda na loja de cosmético um causo bacana. Tava eu e o Frederico quando ele pergunta pra vendedora “Tem redutor de volume?”, e ela “Pra cabelo?”, nós dois assentimos levemente com a cabeça quando na verdade eu quis dizer, “Não. Tem algum redutor de volume pros pêlos do suvaco, do peito e, de quebra, do c*?”. Já ouvi de alguns conhecidos que o Acre tem um dos piores atendimentos de loja do Brasil, mas aquilo que foi ridículo.

Esse final de semana eu tava aperriadinho pra terminar a primeira temporada de Skins antes de viajar. Não consegui, falta um episódio e o especial de Natal. Aliás, eu to aperriado com muita coisa. Finalizar minhas notas, arrumar minha mala (Deus, eu nem comecei), assistir filmes, organizar musicas no mp3 (o Frederico disse que ia tentar salvar minha alma musical, to esperando) e eu não to pensando quanto tempo eu vou conseguir viver sem internet, mas a verdade é que de internet eu vou tentar distancia.

É bom que eu vou pensando em novidades que eu vou trazer pro blog pra ver se levanto o ibope. Tipo, promoções culturais, layout novo e ensaios nus (não meus), a galera se amarra em putaria.

Ah, queria falar um monte de coisas hoje, mas já escrevi besteira demais, queria fazer a crítica do magnífico filme coreano I’m a cyborg, but that’s ok, que tanto me tocou (sem taradices por favor), mas fica pra segunda temporada. Dêem um jeito de assistir aí quem sabe criticamos juntos.

Demais, vou indo. Mesmo me preparando pra uma cirurgia, eu me sinto saindo de férias, mais do que simples férias, mas férias do Acre. Amo tudo aqui, mas as vezes eu me sinto sufocado, as vezes um sentimento meio Arthur, mas na verdade é uma sensação própria, um sentimento Bryan-ante-inércia, meio ante-raízes-muito-profundas, meio silêncio-pra-alma.

Vou tentar ver o mar, e sorrir como um bobo, olhando a imensidão azul, sempre com a certeza que aquela é uma das obras mais magníficas de Deus. Sinto saudades do mar.

Obrigado a todos. Nos vemos em março, se Deus (e vocês) quiserem.
Aí, terminei meloso demais.
I’m a cyborg, but that’s ok: Será que só os loucos conseguem ser plenos de si mesmos?

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Em Corrimão Nem Todo Mundo Passa A Mão E Falta de Resoluções Para 2008

O fim do ano pra mim geralmente é um momento de contradições, altos e baixos. Eu tava com vontade de escrever esse post no ano passado (faz tempo, né?) mas eu fiquei muito ocupado trabalhando minha felicidade (afinal, tem coisa mais trabalhosa na vida do que se manter feliz?). Então, eu esqueci que internet existe. E o melhor, eu não me senti nem um pouquinho culpado. Mentira, mentira, eu sei, é horrível, eu sou um viciado em internet, eu sei, eu preciso de tratamento. Eu to chegando ao cúmulo de escovar os dentes e ligar o computador ao mesmo tempo (nem tentem imaginar essa cena bizarra). Enfim, o fim do ano, e eu não falo especificamente do reveillon (palavra sem tradução para o português), mas do período de nove dias que o antecedeu, o qual foi mais que bom, foi mágico.

Tá, mas nem tudo são flores na minha vida. Lembrei que meu período pré-fim-do-do-fim-do-ano não foi dos melhores. Eu fui fazer um trabalho de fotografia no centro da cidade com duas amigas, lindo, leve e loiro. Quando você anda no meio da multidão com uma câmera fotográfica profissional pendurada no pescoço, você se sente o próprio Cartier Bresson, dá aquela sensação de fotógrafo profissional que te faz inchar o peito e te dá a idéia de que todo mundo que te olha ta morrendo de inveja de você porque você é O Fotógrafo Profissional (sim, eu me sinto besta fácil). Detalhe, a câmera era da universidade e se eu a quebrasse eu teria que trabalhar dois meses para pagá-la, e sem comer nada, comendo, eu demoraria três.

Além do mais, o centro estava abarrotado de gente fazendo compras de Natal. Deus, Rio Branco vira a visão do inferno nessa época. Lembrei que sai as compras um dia com o Frederico e numa de nossas viagens, ele me levou numa loja de sapatos que mais parecia um cabaré nordestino. Ao entrar lá, minhas narinas foram tomadas não por um aroma desagradável, mas por nháca pura mesmo. Levei minha mão ao nariz imediatamente, e no meio daquele inferninho do consumismo imperialista globalizado na figura do garoto propaganda máximo da Coca Cola, o Papai Noel, eu tive vontade de gritar praquela multidão se eles não sabiam o que era desodorante, nem que fosse Leite de Rosas. Aliás, falando em consumismo, eu tive certeza absoluta que se o capitalismo fosse um ser humano, o sangue dele seria de Coca Cola, e se ele fizesse regime seria de Coca Cola Zero, o irmão gêmeo gay da Coca Cola.

Bem, o parágrafo anterior foi pra introduzir o caos do local onde eu fui tirar fotos. Voltando a sessão em si (eu escrevi sessão certo? O Word não ta acusando erro não), depois que eu dei a máquina para a Manu, ela tava atrás de tirar uma foto de linhas e resolveu faze-la na grade do Memorial dos Autonomistas. Eu tava acompanhando ela e coloquei meu braço sobre o corrimão. Quando ela terminou (a Manu faz uma foto a cada 10 minutos) e pediu pra irmos, o meu corpo mexeu, mas meu braço não. Olhei com horror e perplexidade para a minha blusa Diesel. Eu estava colado.

Depois de gritar desesperadamente “Mas que porra é essa?”, eu comecei a puxar com mais força meu braço magricela e só ouvi aquele som de coisa colada sendo arrancada à força. Geralmente esse som é muito agradável, principalmente para crianças com espírito de destruição mais aguçado que o normal, mas dessa vez eu sofria mais que um desgraçado, afinal, era a minha blusa Diesel que estava gerando aquele som perturbador (porém prazeroso quando a destruição é alheia). Quando eu me descolei e, chocado, passei os dedos no corrimão pra saber que merda era aquela, eles vieram com manchas marrom. Gritei pra quem quisesse ouvir, “COMO É QUE PASSAM VERNIZ NUM CORRIMÃO E NÃO COLOCAM NO MÍNIMO UMA PLACA DE ‘TINTA FRESCA’? FRESCO É QUEM PINTOU ESSE CARALHO”.

Eu passei o resto da sessão (?) desoladíssimo. Eu havia perdido minha camisa Diesel, e eu ainda to em fase de futilidade de moda, por isso não me critiquem (aliás, eu me dei de Natal uma cueca Calvin Klein linda, afinal, a gente tem que passar o reveillon de roupa nova). Pra piorar, minha professora de Fotografia, a Aleta, pra tentar me consolar disse, “Você pode recortar a camisa e fazer dela uma camiseta”. Soltei um sorriso e comecei a me acostumar com a idéia, ate que ela solta, “Vai ficar parecendo um cafuçu”. Pronto. Lógico, ela não fez com maldade, mas eu fiquei chocado.

Na saída do Mercado Velho, eu pensei e vi que havia um jeito de salvar a camisa. Se um dos meus suvacos estava cheio de linhas de verniz, o jeito era deixar o outro com linhas de verniz também. Voltei com a Manu no Memorial e quando chegamos lá eu disse pra ela, “Você finge que a gente ta cansado que eu vou colocar o braço aqui e esperar um pouquinho ate o verniz manchar o outro suvaco da blusa”. Ao invés de fingir cansaço a Manu desatou a rir. E quando eu coloquei o braço não senti colagem. O verniz secou. Ódio. QUANDO ALGUEM DESTROI O PATRIMÔNIO PÚBLICO TEM QUE PAGAR UMA MULTA, MAS QUANDO O PATRIMÔNIO PÚBLICO DESTROE O PRIVADO O GOVERNADOR DEVIA ME FAZER UM CHEQUE NÃO? Desisti daquela batalha, ela estava perdida.

Eu acho que como a maioria das pessoas eu deveria escrever sobre ou uma retrospectiva de 2007 ou minhas expectativas para 2008 (alguns falam das resoluções também), mas eu tenho 2 problemas. O primeiro é que eu tenho uma péssima memória, eu me lembro das sensações muito fácil, mas pouco dos fatos, na verdade eu até me lembro dos fatos, mas sou extremamente péssimo com cronologias. Por exemplo, eu lembrei que esse eu ano assisti O Libertino, mas pensei que havia assistido há dois anos, e que eu assisti Os Sonhadores (filme favorito) acho que em 2004, mas parece que eu assisti ele esse ano. E o principal, quem diabos cumpre aquilo que promete para o ano novo? Tanto faz se você promete emagrecer (ceia de Natal e Reveillon pódi), se promete arranjar amor novo (sem especificar se é um oficial ou amante), se é acordar e dormir cedo pra aproveitar melhor o dia (sendo que já no dia primeiro acorda depois do meio dia e de ressaca só pra tomar analgésico e dormir de novo) e, principalmente, estudar mais (a pior das mentiras de ano novo, porque é justamente a que menos se cumpre).

Na verdade, talvez eu faça apenas uma retrospectiva cultural do meu ano pra colocar aqui anteriormente a esse texto. 2007 me foi um grande ano com relação a séries de TV, cinema, musica, literatura, artes e viagens (Bolívia não conta). Aliás, foi um grandioso ano na minha vida pessoal também, especial de uma forma que eu não esquecerei. Eu sempre gosto dizer para todo mundo que me pergunta sobre o ano novo que eu só tenho uma expectativa para o ano novo que chega, sempre só uma, mas que eu nunca falo pra ninguém. É meio que um segredo e uma superstição minha (tipo aquela de costurar uma cueca na boca de um sapo pra trazer o amor de volta em três dias, e eu to louco pra fazer esse experimento não pelo efeito da macumba, opa, quis dizer simpatia, mas porque eu queria saber quanto tempo um sapo sobrevive com um cueca costurada na boca).

Enfim, feliz ano novo e, novamente pegando um pé da Coca Cola, good vibes.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Fusca É Nada, Imagem É Tudo E Até A “Inveja Saudável” É Uma Merda

Hoje aconteceu uma coisa que mexeu com meus sentimentos. Durante todo o evento que teve tal poder, eu me senti excitado, maravilhado, bestificado, fascinado e mais algum “ado” que eu não estou bem lembrado. Que evento foi esse então? Eu andei de Fusca. E não foi um simples Fusca, foi "O Fusca". A pintura original estava mais desgastada e incriquilhada que a pele da Dercy Gonçalvez, a embreagem e o acelerador estavam alinhados por duas linhas de barbante, a porta do carona não abria por fora e tremia mais que uma pessoa gorda quando goza (reza a lenda que gordo não tem orgamos, tem ataque epilético), o estofamento estava sujo de barro, rasgado e, no geral, por dentro ele mais parecia que tinha entrado em chamas ao ter sido um carro um dia. Ou seja, eu amei.

Lembro-me que o primeiro carro aqui de casa, nos tempos das vacas anoréxicas, foi um fusca. Branco e com aquele cheiro que só os fuscas tem. PAUSE: Porque todo fusca tem o mesmo cheiro hein? No começo eu achava que todos eram fedidos, mas depois eu percebi que existe algo como a “maldição do cheiro do fusca”, algo que está na alma do bichinho (ou no suor de quem senta sem camisa e o líquido salgado humano infesta aquele estofamento de 1ª linha). DES-PAUSE: Era uma aventura sair de casa naquela época pelo fato de que no princípio dos anos 90, minha residência era ocupada por [PAUSE: contando nos dedos] 9 pessoas.

E ai você e eu nos perguntamos, cabiam nove pessoas em um fusca? Claro que não. Mas cabiam sete com folga. E antes de eu e meu irmão desembestarmos a crescer descontroladamente, se empurrasse um pouquinho pro lado, caberiam 8. Exato, nós tínhamos mais que um fusca, nós tínhamos um Fusca de Circo. Dirigi ele quando criança e aprendi o pouco de mecânica de carro que sei hoje, ou seja, nada.

Hoje eu senti um prazer infantil ao andar de fusca. As pessoas geralmente tem nojo, mas quando estão num carrão se sentem esnobes e poderosas mesmo que o carro não seja delas. Eu não, quis deixar metade do meu corpo do lado de fora da janela e gritar pra todo mundo na rua “Ei, olha pra mim, eu to andando de fusca, cara. Iraaado”. Lógico, não fiz isso, pois além de gerar uma multa para meu colega, eu acabaria sendo comparado a cena de Priscila - a Rainha do Deserto por todos os idiotas/insensíveis que pensam que imagem é tudo e que para fazer parte do mesmo sistema que destrói suas vidas e as torna infelizes e vazias, são capazes de ostentar até o que não possuem.

Esse negócio de imagem me lembrou que sexta feira entrei na maior crise da minha vida com relação a minha imagem. Nos últimos meses meu espírito consumista e de “pessoa mais influenciável do mundo” aflorou e eu gastei uma bela grana em roupas, produto pra cara e pro cabelo. Pra que? Pra no fim das contas eu ter chegado ao cúmulo de na sexta feira ter me achado o cara mais desagradável do mundo, ter tido vontade de cortar a minha face com uma navalha e me isolar do universo num abrigo nuclear pra que ninguém me visse. Sai de casa a contragosto, mas eu só gastei sua gasolina e nem sai do carro. Se eu pudesse ter usado burca nesse dia eu tinha usado.

Passado o dia negro, eu tenho que admitir que não me curei dessa Crise do Patinho Feio totalmente(é, to com a esperança de virar cisne), mesmo porque, a colega veio me dizer que eu pareço com o Sementinha do Mal, do Tropa de Elite. Ela disse que ele é fofo que nem eu, mas eu me perguntei-me a mim mesmo, “se ele é bandido, marginal favelado e galeroso, cadê exatamente a parte fofa disso?”. Anda não assisti Tropa de Elite, mas depois dessa, nem quero mais.

Para me distrair desse Sofrimento-Anti-Narciso, os livros novos que eu comprei chegaram, um deles é Mastigando Humanos, do Santiago Nazarian. Eu acho que eu o comprei só pra quando terminar de ler dizer que não gostei. Por quê? Acho que eu tenho inveja do autor. Ele tem 30 anos, quatro livros publicados, é tradutor de livros (mew, ele traduziu Maldito Coração), escreve legendas para filmes, conhece uma parte cool e underground do mundo, escreve para a Rolling Stones e... ah, vá pra porra, to fazendo propaganda dele de graça.

Acompanho o blog do Nazarian faz alguns meses. De certo modo, eu sempre almejei de um dia ser algo parecido com o que ele é, talvez porque meu maior sonho seja me tornar um conhecido escritor de contra-cultura. Isso volta a me questionar-me a mim mesmo (gosto de dar ênfase) sobre a imagem que tentamos passar de nós para o mundo. Por mais que algumas pessoas tenham noção de que a imagem é um conceito muito hipócrita na sociedade atual, não dá pra deixar de pensar que até mesmo essas pessoas almejam ser algo um dia, formar uma imagem sua para passar para outros.

Eu posso até querer que um dia eu tenha uma força de imagem parecida com a do Santiago Nazarian, mas eu vou comprar um jipe pra mim, porque eu adoro aquele modelo mais velho, aberto e vermelho. E quando alguém me oferecer uma carona num fusca caindo aos pedaços, pode ter certeza que eu só vou recusar se tiver um bom motivo.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Música Alternativa, Moda Nada Alternativa e Tudo Aquilo que Você Nunca Admite

Eu passei mais um final de semana em casa. Mas diferente dos últimos finais de semana que eu passei entortando minha coluna na frente do computador, dessa vez eu fiz qualquer outra coisa, porque eu enjoei de Internet. Ei, espera ai, "enjoei de internet", eu disse isso? Alguém vem aqui e me dê um tiro. Eu quero ser jornalista, escritor, cineasta, músico alternativo (hum... pensando bem, essa eu pulo), crítico chato de tudo que aparece de novo, então, ei!, eu não posso enjoar de internet. É mais que uma diversão, no meu caso, é necessidade.

O pouco tempo que eu passei na internet nesse fim de semana, foi conversando besteira com o povo online e procurando música alternativa. Falar de música alternativa é interessante. Por exemplo, se eu falar que passei esse fim de semana só escutando Dangerous Muse, Sergey Lazarev, Patrick Nuo e Rogue Wave, você, caro leitor, que com quase minha certeza absoluta não conhece mais do que um dos citados, vai dizer: "Pow, nunca ouvi falar desse povo, devem ser músicos alternativos bacanas". Bobinhos!


Sergey e Patrick não passam de músicos de pop/romântico-barato, Rogue Wave me lembra country americano, mas parece country/pop/semi-barato/ que-tem-faixa-em-Heroes. A única coisa que pode ser chamado de alternativo realmente é o Dangerous Muse. Mas o DM toca eletro-music. E musica eletrônica pode ser alternativa? No meu conceito, claro! Eu adoro quando uma pessoa diz “Eu só gosto de música alternativa”, geralmente é um motivo para eu olhar, sorrir e pensar “Otário(a)!”. As pessoas tem o costume de achar que musica alternativa é toda musica feita por cantor ou banda que possui todo aquele caráter regionalista, revoltante, semi-socialista-comunista, apreciado por poucos e idolatrado em rodinhas de discussão de pessoas que se acham elite cultural sentados numa mesa de bar alternativo tomando vinho.

Acabamos sendo condicionados a pensar isso. Porque as outras pessoas pensam e dizem isso. E porque no fundo queremos ser esse tipo de pessoa (e vocês vão negar até a morte, eu sei). Bem, mas voltando rápido a musica alternativa e Dangerous Muse, eles são alternativos sim. A particularidade deles, o som “oitentista”, as letras, enfim, não existe algo parecido, e não existindo algo parecido, nem que eles tocassem brega, eles seriam alternativo. Aliás, a minha relação pessoal com as músicas do DM são quase eróticas (abafa, mas aquelas letras e aquela melodia...). Pra mim, isso é ser alternativo, ter algo que é só seu e que não está na linha de grandes reconhecimentos da mídia (não queria usar essa palavra), mas ainda assim, possui o seu reconhecimento, e mesmo que mínimo, isso basta.

Uma frase que sempre ouvi muito das pessoas que me cercam durante toda a minha vida foi, “Ninguém me influencia, eu tomo as minhas próprias decisões”. Aos poucos a gente descobre que isso é mentira. Todo mundo é influenciável, mas não falo de modo direto e sim de um modo inconsciente. Rodas de amigos, família, trabalho, colegas de estudos, mídia, internet, tudo isso e mais te influencia, nos seus gostos, nas suas vontades e nos seus atos. E mesmo assim as pessoas ainda gostam de dizer que são únicas (eu sei, a verdade dói, mas respire e relaxe, não é só você).

Um exemplo bobo pra isso que vem de mim mesmo aconteceu nesse sábado. Eu nunca liguei para marcas, mas ao longo do tempo, me aproximando de moda, eu fiquei louco por ter algo da Calvin Klein. Esse desejo nasceu naturalmente? Claro que não! Eu fui totalmente influenciando pelo mundo. E eu to me culpando por isso? Nem um pouco! Então eu comprei uma camiseta CK. Nem chorei com o preço. Sai sorridente e tudo (diga-se de passagem, houve uma cena interessante na loja, mas, abafa²). Comprei uma camiseta da CK cujo valor eu podia ter utilizado pra comprar cinco no Formigão - O Barato da Moda.

Nunca conheci ninguém que batesse no peito pra dizer que comprava roupa no Formigão. Minha avó e minha tia um dia foram filmadas lá e saíram num comercial onde umas 20 mulheres disputavam uma pilha de calças jeans de R$30. Foi o fim, minha tia (chiquérrima), quase chorou (se tivesse sido na Daslu, teria sido muito diferente). Eu não parei de zua-las. Enfim, só porque somos todos condicionados a termos atos por influencias dos outros (e isso é fato, não adianta nem ficar falando “mas, mas...”), não significa que não temos nosso jeito próprio, nossas particularidades. O que não podemos é sermos hipócritas a ponto de dizer que somos ininfluenciáveis (palavra bonita não?).

No fim, eu tenho que voltar a ser viciado em internet. Quando eu tiver esses atos loucos de achar que to enjoando, vou pra frente do espelho, me dar dois tapas e dizer “Se oriente, garoto!”. Meu professor de Administração pelo SIGO disse que quem vive sem internet e celular é mais feliz. Pode até ser. Mas eu ainda prefiro isso tudo, a sinais de fumaça e isolamento numa selva peruana.