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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Vamos falar de pornografia, mas de um jeito socialmente aceito e classificação Livre


Os novos heróis, por André Dahmer

Aquele que nunca teve contato com a pornografia que atire a primeira VHS da Brasileirinhas. Eu tive, você teve. Querendo ou não, se pararmos pra analisar, a pornografia audiovisual, por exemplo, acaba tendo um papel importante na descoberta sexual da maioria dos jovens principalmente do sexo masculino, devido às “necessidades” que surgem pelo corpo. Nas garotas, embora algumas tenham os mesmos objetivos dos rapazes, a pornografia acaba sendo também uma curiosidade.

Há quem tenha uma verdadeira fascínio pelo mundo da pornografia. E esses podem ser divididos em dois grupos: os mais afoitos (vulgarmente chamados de tarados), e aqueles que realmente encaram a produção como uma forma de arte e liberdade de expressão. E eu realmente tenho uma admiração pela pornografia/erotismo a ponto de pertencer ao segundo grupo.

E existem vários tipos de pornografia. A audiovisual é a mais famosa obviamente, ainda mais pela possibilidade mercadológica atual de se ter pornografia 24 horas por dia, 7 dias por semana, de graça, na internet. Já a literária é a mais “sofisticada”, chamada mais comumente de erótica. E existe aquela diferença drástica de que no audiovisual somos passivos e na literatura somos ativos. No vídeo só estamos vendo e “apreciando”, na literatura somos obrigado a fazer parte. Qual meu tipo favorito? Os dois sem predileção. Mas tenho um interesse um tanto quanto mais raro na visão por trás (ui!) do mundo pornográfico, aquilo que existe junto a um mundo que todos tem contato, mas quase ninguém admite.

Me lembro que quando criança mesmo eu assisti o polêmico filme O Povo Contra Larry Flynt (1996). Na excelente cinebiografia ambientada nos anos 70, temos Larry Flynt, dono de uma boate de strip tease que um dia lendo uma Playboy pensou: “As pessoas não compram essa revista para aprender a fazer martines, mas para ver mulheres nuas”.  Então ele criou a revista Hustler que foi um sucesso, onde expunha pornografia explícita. Resultado: Flynt se tornou um dos homens mais bem sucedidos do mercado editorial dos EUA vendendo aquilo que seu povo mais fingia odiar, pornô.

Obviamente, a história de vida de Flynt se torna mais incrível a partir do momento que ele teve que enfrentar a poderosa sociedade conservadora norte americana e mostrar que pornografia não é colocar homens e mulheres simplesmente fazendo sexo, mas é uma forma de liberdade de expressão. Se nos dias atuais a sociedade norte-americana ainda é vista como uma das mais (falsa) puritanas, imaginem só 40 anos atrás.

Mas ok, Flynt foi o cara e se hoje a indústria norte americana de pornografia rende 50 bilhões de dólares por ano (é muita foda, não?). Temos que dar parte do mérito pra ele, mas e os atores e atrizes? Eu sempre me questionei um pouco a vida de ator pornô e encaremos os fatos, a maioria dos homens ocidentais já se imaginou como um, é um fetiche. O filme Boogie Nights (que no Brasil ganhou o estranho título de Prazer Sem Limites) traz isso, a trajetória de um grupo de atores pornôs nos anos 70 e 80.

Mark Wahlberg, em seu primeiro papel de destaque, interpreta Eddie Addams que, devido ao tamanho avantajado de seu pênis, torna-se a estrela maior dos filmes de Jack Horner (Burt Reynolds), especialista nos chamados “filmes para adultos”. Só por aí já dá pra se mensurar o mérito de Anderson. Em momento algum, o filme faz qualquer gracejo ou lança um olhar nítido de censura sobre o mundo que está retratando. É um retrato dividido, que mistura o lado glamour, dinheiro, drogas e diversão com o mundo decadência, crise de identidade e desrespeito.

Boogie Nights é isso, uma forma de mostrar que escolher ser um ator pornô é na verdade uma profissão como qualquer outra, mas com uma verdade, uma cicatriz que será carregada pra vida inteira.

“Ah, mas você ta falando só de pornografia ficcional”, deve estar se questionando o querido leitor. Bem, indo um pouco pro campo da realidade (e melhor ainda, campo da realidade nacional), o minidocumentário Pornô dos Outros é simplesmente sensacional. Ele reúne alguns dos grandes nomes do pornô nacional em um banho de realidade. Dá pra tirar algumas frases sensacionais como: “Tá ali o iluminador com uma luz quente no seu rabo”, “Ai, foi tão bom apanhar, vocês nem imaginam”. Saca só!


Marcia Imperator (diva), Rogê Ferro, Vivi Fernandez, Victor Gaúcho (suspiro), Kim Mello e Pâmela Butt são um grupo a parte. Eles foram eles de verdade naquilo que fizeram. Fizeram porque precisavam, alguns fizeram porque gostaram, mas eles não querer mudar sua trajetória, não se tornaram pessoas piores ou melhores, e hoje, mesmo a maioria “aposentados” (encaremos os fatos, é uma profissão mais curta que jogador de futebol), estão aí seguindo suas vidas normalmente.

Já o mercado editorial pornográfico foi reaquecido recentemente por um best seller. A trilogia dos Cinquenta Tons de Cinza traz uma garota inocente, cheia de moral e ética que do nada vira o objeto de prazer sadomasoquista e bestial de um jovem sedutor bilionário. Embora válido na questão da libertação do pudor pela busca do prazer, 50 Tons é uma obra de baixo valor literário, que não dignifica de verdade o gênero, não a toa chamado de “Crepúsculo para mulheres de meia idade”.

Para os amantes de uma boa literatura que envolve a pornografia, eu recomendaria o clássico Fanny Hill, também conhecido como "Memórias de uma Mulher de Prazer" (gosto mais desse título). Clássico da literatura erótica, Fanny Hill tem amoralidade latente, fino senso de humor e ironia, e é uma divertida experiência literária cuja narrativa parece brincar com a moral e pensamento burguês de 1800, revelando certos aspectos marginais do Iluminismo. Viram como a chamada “putaria” pode se revelar uma forma de crítica social surpreendente? E vocês aí só imaginando sacanagem...

Outra obra que eu recomendo bastante é Os Sete Minutos, de Irving Wallace. Mas Os Sete não é uma obra realmente erótica, e sim uma grande discussão sobre o valor social e moral das obras eróticas. Com um estilo meio suspense/policial, traz a história de Michael Barret, advogado que assume a defesa de um livro considerado “obsceno” e alvo de um processo de censura por contrariar a lei penal da Califórnia. Pra piorar, um jovem chamado Jerry Griffith, cometeu um estupro supostamente influenciado pela leitura. Assim, estabelece-se a batalha na justiça, com Barret, brigando (em desvantagem, evidentemente) pela livre comercialização do livro. Com várias passagens sexuais e o aumento do suspense em sua parte final, Os Sete Minutos virou uma obra clássica.

Eu poderia parar pra recomendar também o livro Os Sonhos Morrem Primeiro, de Harold Robbins, mas encaremos os fatos, mesmo com forte status, esse foi um livro praticamente 50 Tons de Cinza na época. Embora eu considere a jornada do personagem Gareth pelo submundo obscuro dos prazeres proibidos e pela forma de ganhar dinheiro com pornografia infinitamente superior a obra do momento. Cada geração tem a obra erótica que merece pelo visto, mas me alegra que mesmo com a baixa qualidade, o erotismo/pornografia continua aí, firme e forte, porque se tem uma coisa que nunca sairá de moda entre os seres humanos, essa coisa se chama sexo.

Não, Dahmer, não...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Homenagem é na verdade a desculpa que você usa para ganhar algum lucro sobre algo que já esta consagrado

Pra vocês terem uma ideia, o último filme que eu assisti no cinema foi aquele A Filha do Mal. E eu fico muito feliz que minha mãe tenha pago o ingresso e meu sanduiche no Subway pelo simples fato de querer minha companhia. Sim, eu sou desses que se vende, to quase colocando uma placa nesse blog de: “Vendo opiniões. Preço barato!”, mas esse não é o objetivo desse texto. Enfim, fiquei feliz de não ter tido gastos porque eu odeio ter que gastar dinheiro com algo que eu já sei que não vou gostar e eu acertei em cheio. Mais um filme de exorcismo, mas um filme falso documentário, mais um filme ficcional que tenta vender a imagem de que é real. Enfim, ruim de doer.

Encaremos os fatos: criatividade é algo que anda em baixa hoje em dia quando o assunto é alguns dos elementos da cultura pop. Eu mesmo quase não vou mais ao cinema. Tem sido difícil acompanhar as superproduções tipo blockbuster porque a grande maioria virou uma sopa de mais do mesmo. De fato, a experimentação anda em baixa e o que faz sucesso ou já é algo pré-consagrado (os filmes mais aguardados de 2012 são Os Vingadores, o novo Batman e O Hobbit) ou algo que pega carona no sucesso, tanto faz se com a desculpa de homenagem, paródia ou plágio descarado (existe a produção de um filme bem idiota chamado Poder Sem Limites sobre adolescentes que ganham super poderes e que vão de heróis a bandidos em pouco tempo. Um beijo pra X-men).

E sabe o que mais surpreende hoje em dia? A audácia esta em um lugar que só vem a crescer depois de uma razoável queda: a TV.

A TV precisou se reinventar tanto, que hoje é a melhor produção de conteúdo audiovisual pop da atualidade. E não, nem a internet tem chegado perto do que a TV tem produzido, apenas pirateia seu conteúdo. Supere isso, o congresso americano superou. Ah, e pelo amor de Deus, se você desconfiou que eu to falando da TV brasileira, toma vergonha na cara. Obviamente eu estou falando das séries das TVs americanas e inglesas. Tem muita coisa boa no ar, novidades, mas hoje eu quero falar apenas especificamente de um ponto, de uma homenagem, a um dos personagens mais incríveis da literatura e que existe há mais de um século: Sherlock Holmes.

O personagem criado pelo médico e escritor Sir Arthur Conan Doyle é famoso mundialmente por ser apenas um grande investigador. Mas é sua personalidade aquilo que sempre mais me atraiu em sua concepção: arrogante, prepotente, frio, insensível e absurdamente genial, o que lhe transforma num alguém fascinante e irritante. E encaremos os fatos, nunca uma obra fora do seu próprio universo literário retratou Sherlock em sua exatidão (ate a famosa frase “Elementar, meu caro Watson”, nunca foi citada em um único livro, ela foi criada no teatro). Porém, um dia, a BBC resolveu produzir uma série para o personagem chamada Sherlock, com um diferencial que era o grande risco de tudo, trazer seus casos para o mundo contemporâneo. E quer saber o mais incrível? Deu certo como ninguém imaginou que iria dar.

A primeira temporada de Sherlock foi exibida pela BBC em julho de 2010, com apenas três episódios de 1h30 cada um. Monstruosamente, a segunda temporada só foi exibida em janeiro de 2012, longos 18 meses de espera. Pessoalmente, foi uma tortura esperar tanto. A superprodução britânica traz Benedict Cumberbatch no papel de um Sherlock tão bem personificado que ficamos entregues a atuação. Mas é a adaptação para os dias contemporâneos das história que mais nos surpreende, principalmente em seus detalhes. Dr. Watson como médico de guerra vindo do Afeganistão: confere. O irmão genial que trabalha para o Ministério da Defesa: confere. A rua, a casa e a locatária: confere. James Moriarty, consultor criminal e terrorista, o primeiro super vilão da literatura ocidental: confere.

Tudo é rondondinho em Sherlock, a trama, as revelações, as ligações, as amarras. Ate as piadas são boas, em particular as que fazem referência a Sherlock e Watson como casal gay. O cinismo do personagem esta sempre claro e chegar a irritar o telespectador. O gimmick envolvendo SMS é bem original, aliás, a paixão pela telefonia móvel é bem nítida pelo personagem. Os momentos forçados, e eles existem aos montes, são compensados pelas maestrias do roteiro e a dinâmica que nos faz precisar usar muita atenção para acompanhar tudo. Nunca considerei nenhuma série perfeita, mas Sherlock beira isso, a melhor já feita para a TV em minha opinião. Vem, deixa sua marca e vai embora, causando uma sede por mais que quase sufoca. A terceira temporada esta confirmada.


Em seus poucos seis episódios, dois são os que mais se destacam: A Scandal in Belgravia e The Reichenbach Fall, que respectivamente falam do caso de Sherlock envolvendo a única mulher que derrotou o detetive, a sensacional Irene Adler, interpretada com louvor por Laura Pulver, e o seguinte sobre o Desafio Final, proposto por Moriarty, que na série foi transformado num antagonista caricato, a versão maligna do próprio Sherlock, tão inteligente quanto doente mental. O final é marcante, pois assim como na literatura, o maior feito de Moriarty não é ser genial, maquiavélico e monstruoso, mas sim usar tudo isso para fazer de Sherlock um patinho e simplesmente superá-lo, a verdadeira queda.

Sherlock nunca foi tão bem homenageado como pela BBC. O mesmo não se pode dizer dos filmes...

O simples fato de Guy Ritchie querer transformar Sherlock Holmes em um super herói de ação que usa pancadaria praticamente o tempo inteiro fez seus dois filmes baseados no personagem darem errado e não foi pouco. O filme é bem mala, feito para divertir, e não usa muito daquilo que é o real potencial do personagem. Aliás, esse Sherlock tenta ser ate cativante e o Watson em questão é menos “passivo” do que o da literatura, já perdeu meu respeito aí. Mero entretenimento para se ganhar dinheiro na bilheteria, não uma homenagem.

Vale lembrar que até o Jô Soares tentou se dar bem com o detetive mais famoso do mundo e escreveu o livro, O Xangô de Baker Street, que é ruim de doer. Seria bom se fosse qualquer outro detetive, mas se apropriar da imagem de Sherlock sem realmente usar essa imagem não deu certo. Completamente surreal essa ideia da vinda de Sherlock e Watson para o Brasil na época do império para resolver um caso e enfrentar grandes inimigos: feijoadas, caipirinhas, vatapás, pais de santo e o poder de sedução das mulatas locais.

Quer um filme maravilhoso de Sherlock Holmes? Assista, O Enigma da Pirâmide que tem todos os ingredientes de uma aventura despretensiosa, divertida e inteligente para o público jovem, diferente das bostas produzidas pra juventudes hoje em dia (e olha que Crepúsculo deixou de ser alvo do meu ódio para mirar em Jogos Vorazes). O filme, uma fantasia que deu certo, mostra como o detetive Sherlock Holmes e o fiel escudeiro Watson teriam se conhecido no colégio interno, quando ambos eram estudantes (coisas que NÃO existe na literatura). Já no primeiro encontro entre eles temos a cena de Holmes dando uma amostra vívida do seu famoso raciocínio lógico, descobrindo não apenas o nome do novo colega de classe, mas também a origem do rapaz, a profissão do pai dele e até os gostos culinários. Uma trama de mistério muito bacana e ambientada belamente na Londres vitoriana com o selo Steven Spielberg de qualidade.


É interessante ver como um personagem de 150 anos ainda mexe tanto com o imaginário popular. Os livros e contos podem parecer um pouco defasados se vistos pela lógica dos dias atuais, mas a capacidade de dedução de Sherlock sempre foi apaixonante e contaminou o mundo, resultando num momento máximo de homenagens, mesmo que algumas sejam simplesmente oportunismo barato... que gera uma boa grana em bilheterias, mas barato do mesmo jeito.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Eu realmente preferia que os heróis dos outros morressem de overdose

Alow Capitão América, me diz quais foram os anabolizantes que tu tomou que eu tomo também

Em 2011, três filmes de super heróis são extremamente aguardados pela minha pessoa: Capitão América, Thor e Lanterna Verde. Por que eu sou fã dos três? Claro que não, acho o trio uma droga. Mas porque desde o início dos anos 2000 que o cinema não se foca mais nos heróis adultos, nos personagens que são machos alfas, homens formados de corpo e de mente. De fato, meu interesse no trio de filmes é: qual será seu impacto na indústria pop?

Ah, mas tem também Homem Aranha 4 (com o pratagonista mais esquálido e sem graça possível para o recomeço da franquia), o novo Crepúsculo e o último Harry Poter. Resumindo, temos o time dos adultos (Thor, Capitão América e Lanterna Verde), contra o time dos menininhos (Homem Aranha, Harry Potter e Edward/Jacob). A verdade é que em tempos onde a aburrecenscialização (a palavra é minha, mistura de: adolescência com burrice e transformação) da cultura pop esta cada dia mais intensa, essa é uma luta quase injusta para os adultos. De fato, é o pensamento massificado da adolescência que tem batido o martelo do que a cultura pop deve seguir.

Mas eu tenho lá minhas esperanças...

Homem de Ferro foi lançado em 2008 e seu sucesso foi tão grande que definitivamente nem mesmo a Marvel estava esperando tanto. A consequência foi à produção em ritmo acelerado de uma continuação que estreou em 2010. Homem de Ferro se torna então um marco por conseguir voltar o foco das mentes humanas ocidentais para os super heróis adultos, saindo do processo de transformar tudo em versão aburrecente.

Mas nem tudo são flores. Vale lembrar que aproveitando o sucesso do Homem de Ferro, um novo desenho animado da série foi produzido e Tony Stark virou... um garotinho. Aliás, esse desenho é bem ruim, depressivo mesmo, não consegui assistir mais que um episódio, e apenas uma criança retardada realmente se sentiu atraída por aquilo, além de um desrespeito com o próprio renascimento da franquia.

Mas não podemos falar em desrespeito histórico sem falar na maior humilhação da cultura pop até hoje: o sucesso descontrolado da saga Crepúsculo. Filme 1: vampiros vegetarianos vivem numa cidade isolada no cu do mundo, chega uma adolescente irritante e o vampiro hepático se apaixona por ela, e nem beijar na boca do menino ela pode. Pra piorar, surge um grupo de vampiros do mal igual o Black Eyed Peas. Filme 2: o vampiro que não consegue nem beijar na boca porque fica na dúvida “dô ou num dô” faz a loka e corre pras montanhas. Pra consolar o cão da menina fica o lobinho, cara de pedreiro, corpo de ato pornô gay e sem camisa em 9 de cada 10 cenas. A menina corre até o vampiro na Itália e antes de ficarem juntos a gente tem uma puta cena ridícula de cristais Swarovski. Filme 3: a menina vira a puta da história, pronto, cabô.

E ainda vem mais dois por aí, heim... A saga Crepúsculo é tão ruim que nem a paródia Os Vampiros que se Mordam é boa.

Eu defendo que a culpa da cultuada história vampírica ter se tornando isso que se tornou é da Anne Rice. Ela que passou o vampirismo do ocultismo e do demoníaco para o glamuroso, o fascinante. Antes as crianças tinham medo de vampiros, hoje elas querem ser um. E não estou nem falando de Entrevista Com o Vampiro e o (fatídico) A Rainha dos Condenados. Há coisa bem mais punks como O Vampiro Armand que é viadagem demais até pra mim. Após Anne Rice tivemos isso então: um boom da modificação quase que completa da secular lenda vampírica até chegarmos ao ponto que nem o sol os mata (Vampire Diaries também tem isso, além de sempre que o vampiro entra em cena é gasto todo o estoque de gelo seco de Hollywood pra fazer a aparição).

Até o meio dos anos 80 todos os super heróis eram adultos e possuíam forte conceitos de honra e valor. Hoje viraram um bando de adolescentizinhos egoístas que dificilmente passam boas lições para a garotada. Vide Ben 10, mesmo que ele tenha crescido.

Mas nem tudo está perdido. Hilariamente, um dos filmes mais legais que assisti no ano passado foi Daybreakers. Como seria uma sociedade onde todos são vampiros? Inclusive as crianças? Aliás, cena que diz “se você é fã de Crepúsculo, caia fora”, é justamente a que um grupo de crianças vampiros estão reunidas fumando, afinal, fazem mais de 10 anos da epidemia vampírica, são adultos, em corpos de crianças.

Ed Dalton (Ethan Hawke), que trabalha para a corporação agrícola de sangue humano, é responsável pelo desenvolvimento de um novo substituto do sangue, pois o sangue humano neste momento é escasso. Todos trabalham de noite, é claro, os carros são equipados com janelas de bloquear os raios ultravioleta, alarmes indicam nascer do Sol, teor de UVA… e por aí vai, bem criativo… É a partir dai que os escassos (e caçadíssimos) humanos descobrem uma possível cura para o vampirismo. Porém, se a imortalidade é considerada um presente, um milagre, mesmo sem sangue, um vampiro gostaria de ser humano?

Não é perfeito. O ritmo é bem lento, algumas tramas paralelas são chatas. Salvam cenas de ação fantásticas, inclusive a carnificina cíclica de soldados e a atuação sempre ótima de Sam Neill, o grande vilão. Porém, mais do que um bom filme, Daybreakers é uma aula de sociologia. É uma lição, uma moral, gera questionamentos acerca de sociedade, humanidade e (mesmo impossível) imortalidade... coisa que definitivamente um Crepúsculo da vida não levanta, muito menos o Ben 10.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Quem quer ser o imperador do efêmero?


No filme acelerado da história moderna, dentre todos os roteiros, o da moda é o menos pior
Gilles Lipovetsky

Aí estava eu saindo do trabalho quando não mais que de repente, no cruzamento do sinal, dô de cara com um mulek saindo da escola usando um boné Von Dutch metade tela, virado pra trás. E aí eu penso, “o horror, Deus, o horror”. Saco imediatamente meu iPhone do bolso e twitto na hora: “Péra aí, ainda tem gente que usa boné Vun Dutch? Que sociedade é essa, Jesus?”. Ok, vamos fazer uma pequena referência pra você não se perder já no comecinho, bonés Von Dutch eram uma modinha em 2005/2006 principalmente nas baladas cariocas. A bosta do boné ficou tão famosa que todo mundo queria um e a Revista Época fez uma matéria de 4 páginas sobre as baladas de boné brega que custavam em média R$100.

Imediatamente eu recebi algumas respostas bem irritadas de alguns seguidores, pessoas que tinham o diabo do boné enfiados em algum lugar do armário e se recusavam a aceitar que os Von Ducthcs papagaiados não era mais tolerantes. De fato, comecei a me questionar. Eu havia visto o boné num garoto bem meia boca, sem nenhum sentido do que a palavra estilo poderia significar, mas e se eu tivesse visto ele na cabeça de Prince Pelayo ou do Juan Cocco? Bem, talvez eu até desejasse comprar um. E é sobre isso que eu quero falar com vocês.

De todos os males que a humanidade criou para si mesmo, o conceito de moda na sociedade contemporânea é considerado um dos mais terríveis por muitos. Principalmente os estudantes de Ciências Sociais, História e os ativistas do PETA... Whatever, por que esse ódio todo? Simples, por causa do conceito de ícones.

Eu não vou entrar no conceito de moda, importância, influências e a casa do caralho... vamos pra parte bacana, ícones. O ícone é aquilo que inspira, que te desperta o desejo de ter, e não corresponde exclusivamente a uma pessoa, mas qualquer elemento que inspire um padrão. Alguns são eternos, mas estudá-los sobre a visão de moda é que levanta um certo fascínio por uma única questão, eles estão sempre mudando, eles são completamente mutáveis. E o que está no topo hoje pode não significar mais nada amanhã. E é ai que entra os meus queridinhos Pelayo, Juan Coco, Gala Gonzales e uma surpresinha que eu vou falar só mais pra frente nesse texto.

Para ser um ícone da moda, antes você precisava ser alçado pelo próprio. São as famosas histórias de modelo que dá pro agente, pro estilista, tem que se vender, aparecer, ser visto. Hoje já não é tanto assim, você pode simplesmente se criar, se tornar um conceito. É fácil? Claro que não, vai ter um mundo inteiro tentando te destruir, mas obviamente alguns conseguiram e agora estão no topo. Saíram do nada e se tornaram príncipes, saem em revistas, pagam de modelos, são convidados para a primeira fila de desfiles, ganham um reino de seguidores e principalmente... passam a fazer parte de uma das cortes mais desejadas do mundo, a do Império do Efêmero.

Prince Pelayo, como resolveu se entitular, é um jovem londrino estudante de moda da Central St Martins School. Estilista, o jovem fez um dos figurinos da Rihanna em Hard. Mas grande coisa, pois o que transformou Pelayo num ícone da moda masculina moderna foi seu mundialmente conhecido blog, o Kate Loves Me. Mais do que conhecido, Pelayo saltou para um nível nunca antes imaginado, uma celebridade dentro de um mundo formado quase que exclusivamente por celebridades.


Recentemente, Pelayo conquistou nada mais, nada menos que 8 páginas na revista Elle da Turquia, com Julia Roberts na capa. As marcas o procuram, imploram para que ele use suas roupas. Os convites para desfiles exclusivos pipocam e mais importante que tudo isso, ele criou uma rede de jovens contatos do mundo moda que estão ai, prontos para mudar as regras do jogo (mesmo que por tempo determinado) e tomar as rédeas desse império no futuro, ditando as influências. Se hoje eu tenho como um sonho de consumo camisetas sociais com figuras de Rorschach do Alexander McQueen, é tudo por culpa do Pelayo.

Obviamente Prince não é o único, sua melhor amiga, a estonteante Gala Gonzales (na foto acima) só pode ser definida numa frase de um amigo: “Essa mulher é a cara da riqueza”. Gonzales é o equivalente de Pelayo como mulher, ainda mais poderosa sem dúvida, pelo fato da moda ainda valorizar bem mais o feminino do que o masculino. Gala é uma moça bonita, de bom gosto e requinte. Até aí tudo bem, então ela resolveu colocar tudo isso num blog, o Inside Am-Lul's Closet. Ganhou fãs, dinheiro, fama, se tornou ícone fashion e diretora de arte da empresa de seu tio. Ok, empresa do tio. Mas a sorte quem teve foi o tio dela. A mulher percorre o mundo e se tornou aquilo que na moda todos desejam ser, uma referência.

A profissão de blogueiros de moda cresceu tanto que até mesmo quem é parcialmente de fora do ramo tem se arriscado e se dado bem, como o espanhol Juan Cocco, de 20 anos, estudante de economia e direito, que em seu blog divide avaliações de moda e fotos extremamente artísticas e inspiradoras de sua vida pessoal, numa mistura de vanguarda e tendências contemporâneas.

Então, porque os chamados wardrobe remix blogs fazem tanto sucesso na atualidade? Fácil, existe uma aproximação com o público, não existe mais aquela muralha que separava os fãs da moda daquilo que era visto nas passarelas, como se o que estivesse lá devesse ser intocável e não utilizável. Eu vestiria (quase) TODAS as roupas de Pelayo e Juan. E a sutiliza, elegância e delicadeza de Gala Gonzales caem bem em qualquer garota descolada, moderna, sem parecer exagerada. Eles se tornaram mais que ícones, se tornaram referências, e o mercado esta absorvendo isso, porque referências aquilo que movimenta a moda.

A profissão/hobby de blogueiro de moda é uma das que mais vem se destacando no atual momento das redes sociais. Mas não é muito fácil. Você já imaginou uma blogueira de moda do Acre, por exemplo? Mas ela existe sim, e se duvidar possui a página mais visualizada do estado, embora não pelas próprias pessoas de sua cidade. Essa é Clara, dona do Zebra Trash, que segue a mesma linha dos outros wardrobe remix blogs. A garota que se intitula fã de moda, literatura, arquitetura e chocolate tem uma página bastante estilosa e já conquistou espaço em jornais e programas de TV.

Mas minha primeira lembrança com relação a Clara é quando ela foi citada no blog da Revista Capricho, As + Estilosas. Nos mais de 350 comentários Clara sofreu cyberbulling em muitos deles. Por quê? Talvez por ser do Acre, por ter um estilo que tenha que se adaptar a terras muito quentes, não as pradarias européias. As pessoas também gostam de valorizar aquilo que consideram superior a elas, não inferior. Na moda então, esse argumento fica ainda mais forte. Alguém aí ainda se lembra do episódio do Von Dutch? Pois é...

O francês Gilles Lipovetsky escreveu o ótimo livro (científico acadêmico, vale ressaltar), O Império do Efêmero. Nele, ele defende alguns pontos de vista interessantes, como a moda na construção da identidade, e a necessidade de expor e compartilhar essa identidade. E se você é mais um daqueles que odeia a moda por considerá-la ditadora, Lipovetsky defende exatamente o contrário, a moda possuindo um caráter libertário, um anúncio da democracia, mesmo num mar de elementos frívolos e efêmeros.

Sim, a moda é um império, que faz parte presencial na vida de todos do mundo ocidental e das sociedades modernas. Vale então a pena se sujeitar aos mandos e desmandos dessa corte por um destaque a mais nesse espaço? Ao que parece, a resposta é: sim!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A beleza do sangue e a poesia da violência


“Quando a sorte sorri para algo tão fugaz como a vingança, não só é uma prova ímpar de que Deus existe, mas de que cumprimos os seus desígnios”

Existe um momento em Kill Bill – Parte 2, que um dos atores que interpreta “uma figura paterna de Bill” descreve a reação do jovem assassino profissional em sua primeira vez no cinema vendo uma loira estonteante na tela: “Ele chupava o dedão compusivelmente enquanto apertava a aba da própria calça”. Poucas vezes na história do cinema, um momento descreveu tão bem como a sétima arte é capaz de influenciar a vida de uma pessoa. E esse momento estava nesse simples diálogo, nessa simples cena. E de longe, Kill Bill foi um dos filmes que mais marcou essa minha trajetória de paixão com o cinema.

Kill Bill é um marco. Porque pega a violência mais brutal e transforma em poesia. Para alguns, é uma das piores e mais pops obras de Quentin Tarantino, para mim é uma homenagem ao cinema grindhouse sem igual, que não existe nem em sua real tentativa de homenagem em Death Proof. Nunca o espirro de sangue foi tão belo e um desejo frenético por mais toma conta de quem assiste. No fim, a jornada do grupo de extermínio As Víboras Mortais pega um apanhado de elementos ocidentais para traduzir nossa real paixão pelos elementos orientais (o que para alguns soa como uma baita calúnia de seus conceitos reais de filosofia, mas fodam-se, é o que o povão quer), soando tão forte, que eleva Kill Bill a cinema e vira um clássico. E só o cinema tem esse poder, o de transformar a violência em beleza, espetáculo e admiração.

Um filme que tenta chegar perto disso e estreia em breve nos cinemas nacionais é Kick Ass, adaptação dos quadrinhos de Mark Millar e John Romita Jr. O filme já chega com um elemento incomparável: é melhor que seus quadrinhos. Sim, isso é verdade, eu li! Kick Ass traz a historia de um jovem bobão que após ler muitos comic books decide ser um super herói e so leva ferro. Mas, ele fica famoso pelo mesmo motivo que qualquer idiota fica famoso hoje em dia, pelas redes sociais (calma twitteiros, nesse caso é o Youtube e o, que Deus o tenha, MySpace). Porém, o que começa meio idiota, passa para uma trama de violência estética tão grande, que ganha todo o meu respeito.

O buraco é mais embaixo. Em seu caminho na tentativa de ser um herói, sem na verdade realizar grandes feitos, o jovem Kick Ass se torna inimigo de um poderoso mafioso e cruza seu caminho com a dupla Big Daddy e Hit Girl. E aí que a história começa a ficar boa. Nem mesmo Nicolas Cage conseguiu tirar a grandiosidade do personagem Big Daddy, um homem pertubado que transforma a própria filha de 13 anos em uma assassina extremamente poderosa e imabatível. E é com essa dupla que temos as melhores cenas de ação do ano. Sim, se você acha que Homem de Ferro 2 é a melhor adaptação de quadrinhos de 2010, saia fora, o premio vai para Kick Ass.

Mas e onde entra sangue e violência nessa historia mesmo? Ah sim, Kick Ass é censura RED, só maiores de 18 anos podem assistir. Sobram referências pop pra todos os lados, corpos explodem a todo instante e jorram palavrões e músicas empolgantes a todo momento. Todas as batalhas com Hit Girl são de uma empolgação medonha, mas é sua apresentação o que mais supreende, quando ela sozinha mutila e mata sem piedade uma gangue inteira. A banalização da violência chega então ao limite, onde, num filme para maiores de idade, temos três personagens menores de idade envolvidos em sangue, carnificina e morte em close. O que é Kick Ass então? Praticamente um Watchmen com crianças.

Sim, pois se Kick Ass também é mais uma afirmação de que hoje em dia, pra fazer sucesso com os adolescentes, tudo, até a violência, tem que ser com adolescentes protagonistas (Deus, Percey Jackson e Crepúsculo são os desastres de uma geração), Watchmen existe para mandar tudo isso tomar no cu e dizer: “Eu sou foda e vocês são lixo”. Esqueça o viadinho do Batman, o pamonha do Superman e o emo do Homem-Aranha. Watchmen não é um filme sobre super heróis fantásticos lutando contra vilões complexos. Watchmen te faz questionar o heroísmo. Afinal, é aceitável que um homem saia encapuzado pelas ruas da cidade, cheio de apetrechos esquisitos, espancando pessoas e fazendo justiça com as próprias mãos?

Considero Wachmen o melhor filme de ação de 2009. Tanto em sua HQ quanto em seu filme, temos uma tradução de como a sociedade assimilou a violência para si em sua cultura pop. A invasão da penitenciaria é o exemplo perfeito disso. Nossos olhos estão acostumados com a violência projetada, mais do que isso, estamos fascinados por elas em suas batalhas, sanguinolência, o despertar do nosso desejo de vingança e inconscientemente pedimos mais. E se você me contestar, mas gostar de algum filme do Quentin Tarantino, qualquer um, seus argumentos já são bem tolos, ou você não curtiu a cena final de Bastardos Inglórios, quando Aldo marca a suástica na testa do coronel nazista Hans Landa?

O cinema não só foi capaz de banalizar a violência, nos tornou admiradores dela.

E existe um filme em especial que representa isso da forma mais assustadora possível e ainda pode ser encontrado em duas versões. Seu nome? Deliciosamente sugestivo: Violência Gratuita.

Michael Haneke, diretor desse filme, é frequentemente chamado de gênio por alguns e completamente imbecil por uma grande maioria, por ter feito um dos filmes mais sádicos e malignos de todos os tempos. Sem brincadeira, Violência Gratuita, consegue ser o que muitos filmes tentam e não conseguem, repugnante, desconcertante, chocante e, principalmente, revoltante. Ele exige um preparo de você para acompanhá-lo, se não tiver, você vai se perder no caminho.

A trama é razoavelmente simples e a produção levemente estilosa, um tom clássico e bom gosto minimalista. Família feliz vai pra casa de campo, dois belos e educados jovens pedem ovos, os jovens quebram a perna do pai, seqüestra a família dentro da própria casa e começa uma tortura física e psicológica angustiante e tenebrosa. O filme é um exercício de cinema. E uma interessante discussão do papel e dos limites da ficção, da cumplicidade do espectador. Inclusive, no final do filme, os personagens discutem textualmente sobre a ficção como um correspondente do real. That’s the point!

O tenebroso e violento (droga, redundância) Violência Gratuita realiza uma discussão com os seus espectadores (sem precisar discutir na verdade, só usa suas cenas pra isso) sobre limites e que a arte pode colocar dentro da sua vida o mal como algo simples, cotidiano, corriqueiro e admirável. Sim, pois quando a família sequestrada pergunta: “Por que vocês estão fazendo isso?”, um dos jovens, com um olhar cínico, e representando naquele momento toda a derrota do bom senso da sociedade pelos meios de entretenimento, resultando na banalização da violência responde: “Não há motivo”.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Da infância para a juventude, da juventude para a vida adulta, da vida adulta para um punhado de pó...

"Torna-te quem tu és, então deixas de ser..."

Eu tenho um relacionamento particularmente estranho com livros sobre rituais de passagem emocionais e físicos. E quando eu digo estranho, é como se nós nos encontrássemos em um beco escuro de madrugada, para fumar crack. Então daí você tira o nível da coisa. Talvez pelo fato, principalmente, de que esse tipo de literatura é bem raro de encontrar no Brasil, e o máximo que você encontra em destaque sejam os livretos da série Gossip Girl ao lado do Diário de Um Banana, o que também demonstra a visível falta de non sense dos editores brasileiros.

Aliás, o problema está principalmente nos escritores brasileiros. Quantos vocês conhecem que se dedicam a falar de rituais de passagem? Poucos. E rituais de passagem na juventude? Quase zero. E quando isso raramente acontece, somos presenteados com grandes porcarias que viram marco de uma geração, como o desprezível O Terceiro Travesseiro (que deve virar filme em breve). Eu já estava quase desistindo da literatura nacional nesse quesito, quando encontrei um ser que me fez repensar na esperança desse tipo de trabalho: Santiago Nazarian, e um livro particularmente em especial, O Prédio, o Tédio, e o Menino Cego.

7 garotos vivem num prédio inclinado. 7 meninos, completamente diferentes um do outro e amigos. Temos o Andrógino, o Gordo, o Negro, o Junkie, o Atleta, o Mestiço e o Narciso Vesgo. E numa trama metafórica e onde os detalhes são que fazem desse livro um grande livro, somos apresentados a uma visão única e fascinante da passagem da infância para a adolescência. Onde a representação desse momento se dá, na verdade, durante o assassinato de cada um desses garotos por uma professora serial killer.

Afinal, é nos nossos rituais de passagem que mais nos sentimos incompreendidos, deslocados, sem um lugar que nos acolha. Nos sentimos revoltados, idiotas, únicos, iguais. É de um momento de transição de uma fase da vida para outra que surgem medos, incertezas, e seu futuro se baseia fortemente no resultado final de tudo isso. É como se fosse um vestibular, se você faz as escolhas certas, segue bem, se faz as escolhas erradas, se dá muito mal. E o mais interessante de tudo, nós sempre entendemos só o NOSSO momento de transição, dificilmente os dos OUTROS. Olhar de fora uma fase de transição é menosprezá-la, como um pai ausente que não suporta ver o filho chegar à complicada fase da adolescência.

O livro tem umas particularidades interessantes, principalmente se você já conhece o autor e leu outros livros dele como A Morte Sem Nome ou Mastigando Humanos (esse último também muito bom). Nazarian faz duras críticas ao sistema de ensino e ao modo como a literatura é tratada no Brasil. Tudo isso com uma pitada de ironia e acidez um tanto exagerada para os padrões conhecidos. Mas é no desenvolvimento de seus personagens, perante uma cidade imaginária onde alguns bairros são tomados por zumbis e o mar congela e recua, que mais fascina. Porque por um momento, todos fomos crianças, e é no retrato de seus personagens que lembramos desse momento em que deixamos, principalmente, de ser uma.

Ok, o livro não é perfeito. Se alonga um tanto sobre o fascínio do próprio autor sobre a assassina/professora Regina e tem seus últimos parágrafos iguais aos outros livros dele, broxante após um ápice extraordinário seguido da inesquecível frase: “Como é difícil matar com estilo”. Mas vale muito a pena, além de nos levantar um questionamento: “É possível entender a juventude, sem ser jovem?”. Essa é uma questão que nem mesmo Santiago Nazarian pode responder, então vamos procurar um pouco lá fora.

Aos 16 anos eu me encantei pela crítica de um livro (negativa, diga-se de passagem) publicada na Revista Época. Pela imensa dificuldade de achar os livros que eu sempre me interesso aqui pelo estado eu só consegui comprá-lo aos 17, pela internet. E após lê-lo DUAS vezes, ele se tornou o meu livro favorito, Hell Paris – 75016, de Lolita Pille. Muito criticado e de pouco reconhecimento literário, trata de um tema que eu sempre achei pouco abordado em palavras, o vazio existencial da juventude moderna.

Hell causou uma mudança muito brusca no meu gosto literário. Eu passei a ter um fascínio pela literatura de vazio existencial, de decadência humana, de uma apresentação fria e crua das realidades do mundo e não de uma apresentação poética e superficial de situações que muitos de nós vivemos e não sabemos observar como realmente são. Pois ali há medos, de perdas, de incompreenções, da morte... sim, porque todos temos medo da morte, principalmente em nossos momentos de transição. Ninguém está preparado pra morte. E como disse Lolita, “se os ricos não são felizes, então a felicidade não existe”. E morrer sem ser feliz? Que medo, não?

Tenho uma paixão por livros que representam um retrato da juventude de seu tempo. Obviamente, esse tipo de literatura ficou bem marcante e ganhou um chute inicial com o clássico O Apanhador no Campo de Centeio, mas os melhores estão dos anos 80 pra cá. Bret Easton Ellis escreveu Abaixo de Zero, e que marcou sua carreira, tendo moldes parecido com o livro de Salingir. Aliás, Bret escreveu As Regras da Atração que como filme ganhou espaço na minha lista de favoritos, com uma interessante trama de decadentes jovens americanos universitários, sem caminhos para seguir e se entregando a futuros incertos e amedrontadores a um passo da “vida adulta”.

Pra não ficar só no campo da literatura quando o assunto é retratar a juventude, vamos agora pra Inglaterra, focar numa das melhores séries produzidas por lá sobre a juventude, Skins. A série já tem 4 temporadas fechadas e futuro relativamente incerto depois de um final razoavelmente ruim. Mas eu nem focarei a 3ª e 4ª temporada (boas, mas fracas) e sim a 1ª e 2ª, que realmente valem a pena.

Em resumo, Skins tem, no geral, uma curta temporada de no máximo 12 episódios. E nos primeiros 6 episódios, há sempre uma regra: chocar! É sempre assim em todas as temporadas,você leva uma porrada de jovens ingleses se afogando em drogas, bebida, festas e muita, muita droga e sexo. Parece fútil, mas (numa regra não oficial) a partir do 7º episódio, Skins mostra realmente à que veio, mostrar de forma “semi-metafórica”, que todo adolescente é um coração tentando se encontrar. E é numa trama extremamente rica, que se você é jovem, se identifica, se não é mais, se lembra. E o grande feito de Skins é esse, nos lembrar que estamos eternamente procurando um objetivo perante a sociedade: nos encaixar!
A juventude como ela é, como foi, como será...

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Em que momento a humanidade desligou a sua fé?

E o Rio de Janeiro foi escolhido como sede das Olimpíadas de 2016. Grande coisa...
Copa 2014, Rio 2016... só esqueceram que o fim do mundo é em 2012

Recentemente terminei de ler um dos livros que mais mexeram meu modo de ver a vida, o universo e tudo mais, O Mundo Sem Nós, de Alan Weisman. É difícil falar de O Mundo Sem Nós, mas sem dúvida a sombra dessa obra irá me assombrar pelo resto da minha vida. O motivo é simples: você já parou para pensar sobre o mundo sem nós? Dificilmente. Mas Alan pensou e o resultado, bem... o resultado é que o ser humano é a pior coisa que surgiu na história desse pequeno planeta azul nos confins do universo.

Em 150 anos fomos capazes de realizar estragos tão grandes no nosso planeta que de alguns eles não será capaz de se recuperar nunca. Existe em Houston, debaixo de uma montanha, um depósito de materiais radioativos extremamente perigoso. Tão perigoso, que definitivamente ele ainda estará lá intacto depois que o último humano se for, por causa disso, doutores em semiótica foram convocados pelo governo dos EUA para criar mensagens que seriam gravadas a ponto de que não importa o período, pelos próximos 10 milhões de anos ao menos, quem se aproximar daquele local vai saber instintivamente que ali não deve ficar.

A humanidade não deu certo e não tente me convencer do contrário. Exterminamos todas os grandes mamíferos da América, acabamos com os recifes de corais, destruímos a camada de ozônio, enriquecemos o solo com chumbo, fizemos testes atômicos com urânio, e esquecemos o quanto somos frágeis. Esquecemos que sem a Terra não podemos sobreviver, mas que sem os seres humanos, a Terra ficaria bem melhor. Num mundo sem humanos, assim, do nada, os metros de Nova York inundariam completamente em dois dias, as usinas nucleares explodiriam em 7 (comprometendo todas as outras formas de vida), o teto da sua casa sumiria em menos de 10 anos, 1 bilhão de pássaros deixariam de morrer por ano por causa de nossas torres de energia elétrica, e em cerca de 40 anos, qualquer prédio com mais de 40 andares já vai ter tombado.

Ainda assim, o gás carbônico demorará 100 mil anos pra voltar a níveis pré-humanos, o cadmium demorará 75 mil anos para sumir, o plástico (nossa mais imortal invenção) existirá pelos próximos 100 milhões de anos, e cada bomba de plutônio não explodida, demorará 250 mil anos para perder seu poder radioativo, lembremos então que existem cerca de 30 mil ogivas nucleares intactas no mundo e sinta o poder da nossa criação.

Minha avó tá lendo um daqueles livros evangélicos caducos que diz que o mal venceu o bem com fome, guerra, Mac Donalds delivery, essas coisas. E se o nosso prazo estiver realmente na reta final? 2012 tá ai pra mostrar isso. Os maias tentaram nos alertar, será que eles estão certos? Os pólos vão se inverter e “Deus proteja a América”? E se Deus não existir? Bem, depois de O Mundo Sem Nós, o novo livro na minha lista é Deus, um Delírio. Cara, eu mesmo estou fudendo com a minha mente, depois desses livros eu não vou poder nem colocar a culpa em ninguém.
Ele está no meio de nós?

Meu professor de antropologia na 8ª série disse: “Se Deus fez vários planetas igual a Terra espalhados pelo universo, ele é um gênio, mas se ele fez só a Terra, ele é um gênio maior ainda”. Meu sonho é entender o que ele quis dizer com isso. Um dia, se nos reencontrarmos, vou perguntar. Mas ai também vem Calvin e diz que: “A maior prova de haver vida inteligente lá fora é de que eles não entram em contato conosco”. Qual Calvin? Calvin e Haroldo, claro! O eterno garoto propaganda desse blog.

O último livro da coleção de Calvin e Haroldo foi lançado no Brasil recentemente e eu não perdi tempo e comprei quase na estréia aproveitando minha última viagem pra Curitiba. A Hora da Vingança é de longe a melhor coletânea da série, conseguindo derrubar até mesmo O Mundo é Mágico. Taí, o mundo pode ter virado essa droga que transformamos, mas existem algumas coisas tão especificamente belas e poéticas que nos dão um pouco de fé e esperança. Ler as tirinhas desse muleque hiperativo e seu tigre de estimação são um exemplo, pelo menos pra mim.

Vocês podem tentar argumentar comigo de que o mundo esta evoluindo e blá blá blá, que países como a Dinamarca, um dos mais avançados do mundo, abolem aos poucos o carro e usam a bicicleta. Dinamarca? Ah, a mesma Dinamarca onde nas ilhas Faroe jovens, para provar que são homens, matam golfinhos num ritual de passagem? Sim, golfinhos, uma raça inteligente que só se aproxima dos homens para brincar ou proteger os filhotes.
Macho que é macho mata golfinho com requintes de crueldade. Chupa essa, PETA!

Se a fé move montanhas, onde ela está dentro dos seres humanos? Onde está a sua fé? A fé para mim é um sentimento independente de religião, a fé compõe o caráter e a nobreza de cada um, ela não é um telefone, MSN ou Skype pra você se conectar com Jesus, Alá ou Buda, ele é um sentimento que faz você se conectar com o mundo, então, quando a humanidade perdeu o poder de se comunicar com seu lar?

Bem, independente disso, O Mundo Sem Nós está me estimulando a tomar uma importante decisão, a de participar do VHEMT (Movimento Voluntário para a Extinção da Humanidade). O VHEMT defende que devemos viver nossas vidas plenos, felizes, consumindo, gastando, se divertindo e fazendo o máximo possível para sermos felizes, só devemos parar de nos reproduzir. Parece lógico! Veja por esse lado, se todos aderissem, em 21 anos, a criminalidade juvenil seria um problema erradicado do mundo e a adoção cresceria absurdamente. Não vou terminar com: “venha para essa você também”, afinal, o “cresceis e multiplicai-vos” ainda é seguido a risca por uma galera.

Meu pedido é simples: você poderia ligar sua fé para se comunicar com o mundo de novo? Pois como disse Pietro Aretino, "Amemo-nos sem termo nem medida, pois que só para o amor temos nascido".

terça-feira, 9 de junho de 2009

Se você acha que a Terra é um planeta sem esperança, nem queira conhecer o resto da galáxia então...

“Existe uma teoria que diz que, se um dia alguém descobrir exatamente para que serve o Universo e por que ele está aqui, ele desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo ainda mais estranho e inexplicável...”

“...Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu.”


Entre parar pra pensar no sentido da vida, do universo e tudo mais, ou viver feliz, eu escolhi viver feliz. E quando eu penso que essa escolha pode ter sido a errada, é só eu parar um segundo pra pensar no sentido da vida, o universo e tudo mais pra perceber claramente que eu fiz a melhor escolha possível.

Atualmente eu estou lendo a trilogia de 4 livros de Douglas Adams. E esqueçam Star Wars, pois O Guia do Mochileiro das Galáxias é a melhor obra de ficção científica desse planeta. E também a mais nonsense/bizarra/porra-louca/que-diabo-é-isso? da história. No primeiro capítulo do primeiro volume temos a destruição total da Terra. Por quê? Simples, nosso planeta é um pequeno obstáculo na construção de uma estrada espacial. Tivemos 50 anos pra fazer reclamações no escritório público mais próximo, que fica em Alfa de Centauro, o problema é que não vamos lá com muita frequência. Sendo assim, após trinta segundos de pânico, a frota dos alienígenas Vogons (a raça mais terrível do universo não por serem perigosos, mas burocráticos demais) destrói o planeta. Simples assim!

Arthur Dent é o único que escapa com vida, pois seu amigo alienígena (que ele não sabia ser alienígena até 12 minutos antes da demolição) o tira do planeta. E após uma improbabilidade bizarra que pode ser explicada cientificamente através do Gerador de Improbabilidade da nave Coração de Ouro, passam a viver algumas aventuras juntos com Zaphod, Trilian e o robô maníaco-depressivo-suicida Marvin.
"Vida?! Não fale comigo sobre a vida"

Porém, o livro tem uma tirada bastante interessante. A resposta da questão fundamental da vida, o universo e tudo mais. Um computador mega fodástico (e arrogante pra caralho) após alguns milhões de anos de calculo, disse que a resposta a essa questão é... 42. Sim, os criadores do computador ficaram tão putos com essa resposta quanto você leitor. O computador informou que o problema não era a resposta, mas a pergunta, que eles não sabiam, e que não era possível de se descobrir pelo computador, então a busca da questão fundamental da vida, o universo e tudo mais se torna o foco, porque a resposta nós já temos.

O primeiro volume da série é de longe um dos livros mais incríveis que eu já li, uma crítica forte a nossa sociedade e ao nosso planeta com suas guerras sem sentindo, seus preconceitos e estupidez. Nem o livro de Piadas do Costinha me fez chorar de rir, mas o do Douglas Adams sim. Porém, após uma alta expectativa depois de ler O Guia, o segundo volume, O Restaurante no Fim do Universo, me soou deveras decepcionante. Chorei de rir? Chorei! É bom? E ái daquele que falar algo contra! Mas pareceu sem o ritmo bizarro inflamado pelo primeiro. Sem falar numa questão que me encheu o saco em particular: a banalização da viagem no tempo.

Gente, como é que o James Cameron consegue dormir a noite? Se todo mundo no nosso planeta acha que viajar no tempo resolve todos os problemas da nossa vida (e da Skynet também, a maquina de inteligência artificial mais burra do mundo), a culpa é do James Cameron. O Exterminador do Futuro é a série de ficção científica mais sem sentido da história. Terminator 1 e 2 são tão bons, mais tão bons, que a gente nem consegue questionar os defeitos mega-hiper-powers dos roteiros, mas o 3 e 4 são tão bomba, junto com aquela série bizarra da Sarah Connor que aí a gente percebe como tudo é uma viagem em LSD sem volta.

Exterminador 1: O Kyle Reese veio do futuro pra salvar a Sarah Connor porque ela vai ser a mãe do John Connor, o todo fuderoso da resistência, só que aí, o Kyle pega a Sarah e quem nasce dessa pegada com força? Jhon Connor. Heim? Como assim, Bial? O pai do Jhon Connor é mais novo que ele minha gente e nasceu depois dele. Stephen Hawkey, explica o que isso significa:

"Vocês tiraram toda essa bizarrice histórica de onde? Do vácuo? De um buraco negro?"

Exterminador 2: O pau no cu do Kyle disse que a resistência estava vencendo a guerra, então porque mandaram mais dois Exterminadores mesmo? Ah, eu não consigo falar mal desse filme mesmo querendo. Tem algumas das melhores cenas de ação ever e a personagem feminina mais incrível do cinema, a Sarah Connor sarada, louca e gostosa me deu mais pesadelos que o T1000.

Exterminador 3: James Cameron deve ter dito, “Galera, eu não sei mais o que fazer com esse filme, não dá, não tem roteiro”, mas eles fizeram. Os produtores pensaram: “Vamos colocar uma loira gostosa com cara de suíça e vai dar certo do mesmo jeito”. O John Connor é um viadinho chatinho e não aquele adolescente doidaço envolvido com drogas e venda ilegal de armas que ele deveria ser. O filme só serviu pra ensinar de uma vez que o passado não pode ser mudado pra mudar o futuro. O problema é a que a burra da Skynet ainda não percebeu isso depois de 3 filmes e uma leva de Exterminadores top de linha esbagaçados.

Exterminador 4: É tão ruim que eu tenho que ir por tópicos. A) Por que as máquinas aprisionam humanos? Sadismo? Fetiche sexual? Cadê o conceito de auto-suficiência, minha gente? B) Por que tudo na filial do Norte da Skynet (sim, porque ela se mostrou uma multinacional na verdade, com várias sedes) parece ter sido construído pra seres humanos manusearem facilmente? C) A gente não sente nem cheiro de viagem no tempo o filme inteiro. Mas o Kyle maldito (perceba meu ódio perante esse personagem) ta lá, adolescente e mais novo que o próprio filho. E por último D) O Arnold Schwarzenegger foi feito do mesmo material que o Huck do primeiro filme.
"Pede pra sair, pede pra sair... Tu não é caveira!"

A série O Exterminador do Futuro já tá tão sem noção, que perdeu a graça. Sem falar que uma das poucas lógicas dela é: se tivessem matado o John Connor no primeiro filme, a humanidade estaria salva.

Viajar no tempo é a solução dos seus problemas. A banalização da viagem no tempo também passou para o novo filme da série Jornada nas Estrelas, de novo com esse papo de salvar alguém que está sendo ameaçado. Me admira que o George Lucas não tenha usado essa idéia ainda, porque o cara que produz barulho no vácuo deveria ter usado viagem no tempo até pra cortar as unhas dos seus personagens. Graças a Deus, tirando a ideia de fazer Episódio I, II e III, ele não pensou nisso também.

A melhor proposta na cultura pop a falar de viagens no tempo é a quinta temporada de Lost. Quem acompanha a série e já terminou a última temporada deve ter pensando como eu: “Agora fudeu de vez!”. Mais louca, insana e bizarra que todas as outras temporadas juntas, os perdidos de Lost viajaram no tempo e passaram uns dias brincando de casinha com a Iniciativa Dharma. Para a nossa sorte, existe um físico no grupinho, e ele diz que: não é possível mudar o futuro alterando o passado. Para provar mais ainda essa teoria, o próprio físico começa a achar o contrário, tenta mudar o futuro e péi, morre, sendo que sua morte já era sabida pelo pessoal que está no futuro. Ou seja, o passado é inalterável. Segue uma lógica simples: se você viaja no passado pra matar o seu avô, por consequência você não nasce, e se você não nasce você não pode viajar no tempo pra matar o seu avô. Sacou ou pede ajuda pro Stephen Hawking?

Bem, a 6ª e última temporada de Lost vem aí para o delírio dos fãs, e mais dois Exterminadores do Futuro estão em produção, para o desespero dos fãs. Podemos esperar mais banalização da viagem no tempo, até um dia chegarmos ao ponto de Douglas Adams em sua trilogia de 4 livros: “O maior problema da viagem no tempo não é o perigo de você se tornar o seu próprio pai, famílias modernas podem lidar facilmente com isso, mas a conjugação verbal, porque você descobre que o Pretérito Perfeito não é tão perfeito assim”.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Analisando Grandes Clássicos da Literatura

Em mais um momento de devaneio (lê-se: eu to sem nada o que escrever por aqui), o Fala Consciência trás para você querido leitor, um serviço de utilidade pública super útil, um pequeno resumo de livros marcantes para a humanidade (ou não, depende do ponto de vista, opinião é como bunda, cada um tem a sua) e uma análise precisa, meticulosa e científica-acadêmica, indo aos confins de onde poucas análises críticas literárias foram dessas mesmas obras. E ai neguinho se pergunta: "grande coisa, o que eu vou ganhar com isso?", e eu respondo: primeiro que você vai guardar na carteira pelo menos umas 500 pilas (oh! It's amazing), segundo que você vai se poupar de ler umas 5000 páginas sem figuras, (e não pára por aí) terceiro que você vai ter cultura pra colocar nas conversas de botequo quando você estiver enchendo a cara de chopp, ou ate o ponto em que você lembrar que está bebendo.

O Pequeno Príncipe
Vamos nos fixar em apenas uma parte do livro pra vocês entenderem. O capítulo da raposa. A raposa linda, ruiva e esbelta tava tranqüila, CUIDANDO DA SUA VIDA, quando chega o principizinho loirinho, dos olhos azuis, bunitinho mas ordinário. Hellowww, a raposa tava na solidão, lógico que ela vai puxar assunto, mesmo que o príncipe tenha deixado claro que estava ATRÁS DE HOMENS. Mesmo assim, a raposa visivelmente numa fossa mental resolve desenvolver laços afetivos com o príncipe-projeto-de-cafajeste. Aí beleza, viram miguxinhos, se divertam, fazem troca-troca e tals, essas coisas; a pobre da raposa já começa a esperar o cachorro as 4 da tarde, dizendo que fica feliz já as 3, quando de repente... o pilantra diz que vai dar o vaza do nada e ainda alega que "A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...". Aí a raposa se fudeu. E pra cravar o punhal no resto do coração da bixinha, o príncipe calhorda ainda faz inúmeros elogios aquela puta da rosa egoísta dele. A mesma rosa que ficou no mundo que ele fugiu porque já tava enjoado, mas logo começou a morrer de saudades. Sim, a mesma rosa egoísta e cretina pela qual ele morre. E a raposa? Deve ter sido morta na última caça a raposa nas pradarias européias.
contribuição (quase plágio descarado) do Goiano

A Moreninha
Pessoal, eu não sei vocês, mas esse livro é totalmente a favor da PEDOFILIA. Um grupo de estudantes de medicina vai pro aniversário da avó de um deles numa ilha que (pelo menos no livro que eu li) nunca dizem o nome. Eles usam como desculpa o aniversário da velha, mas o que eles querem mesmo é caçar muié. Augusto, que diz que nunca fica mais de 15 dias com a mesma mulher, ao chegar à ilha cai de amores por uma moreninha, tipo bem brasileira, de 15 anos de idade, eu disse 15. Ou seja, é a típica história do playboy gostosão e cheio da grana que come a filha da empregada. O livro tem uns momentos bem deprimentes (de ruins, não de tristes), como a história de que o Augusto deu seu coração pra menina que ele conheceu aos 13 anos e que juntos ajudaram um moribundo (que deixou de se preocupar com a morte que tava do lado e só falava de como aqueles dois deveriam casar e ser felizes, super verossímil), no fim Augusto descobre que a Moreninha é essa mesma garota. Ai eles casam e vivem felizes para sempre. Duvido, tenho certeza que aos 40 anos, o tarado do Augusto trocou a Moreninha de peitos já caídos por uma guria de 14 aninhos.

Branca de Neve e os Sete Anões
Cá entre nós, que príncipe se casaria com uma mulher que dormia numa floresta isolada com 7 homens? Eu disse SETE! Bobinho esse príncipe, não? Bem que o Dunga nunca me enganou com aquelas orelhas e aquele sorriso de tarado.


Romeu e Julieta
Eu tenho certeza que foi Shakespare que criou o princípio emo. Segue o raciocínio. Dois adolescentes pirados na batatinha se apaixonam durante uma festa em que o Romeu na verdade tava afim de dar uns pegas na Rosaline, só que ele deve ter reparado que a Julieta tinha uns peitos maiores, aí caiu por ela, mas entrou em depressão quando descobriu que ela era da família inimiga a dele. Como naquela época, cortar os pulsos com gilete não tava em moda, os dois se afundavam numa depressão cada vez maior junto a um monte de declarações meia boca. Os dois se casam com a ajuda de um Frei, mas pra fuder tudo de uma vez, o Romeu mata o primo da Julieta no dia seguinte. Depressão, mais depressão e rimas, o pior são as rimas. Romeu foge e o Frei caduco tem a genial idéia de fazer a Julieta parecer morta, assim, ela poderia fugir com o Romeu. Só que Romeu não soube disso a tempo e tomou um veneno na hora que a Julieta acordou. Julieta, fudida e mal paga, já que não tinha muita opção, se matou também. Eu acho que se o Frei tivesse feito eles fugirem juntos sem precisar ninguém se matar, eles iam viver de amor, ate que a grana acabasse e eles percebessem que amor não enche o buxo, e Julieta voltaria pra casa dos pais que já teriam ido ao Jornal Nacional em busca da menina. A história com certeza sairia na íntegra no Fantástico com uma entrevista exclusiva onde Julieta diria, "Não sou lésbica", e sua mãe afirmaria que o problema era que ela tinha engravidado muito jovem. E o Romeu? Teria virado caminhoneiro, michê, ou os dois.

O Senhor dos Anéis
Um grupo de homens muito machos saem pra destruir um anel numa montanha de fogo vigiada por um olho. Depois só dois amigos continuam a missão. Vejamos: eles querem queimar o anel? Queimar o anel, sacou, sacou?! É, eu sabia que aquele elfo nunca tinha me enganado.

Dom Casmurro
Eu não sei vocês, mas demorei um mês pra ler esse livro e quando eu o finalmente terminei só um pensamento me passou pela cabeça, o de que Machado de Assis nunca havia imaginado que o teste de DNA fosse inventado. Foram 50 páginas só de delírios do Bentinho querendo saber se Capitu deu ou não deu pro Escobar. Gente, pára e pensa, como seria maravilhoso o espetáculo do Bentinho e da Capitu no programa do Ratinho trocando cada um ofensa de um lado, ate que a Capitu partisse pra enfiar a mão na cara de Bentinho enquanto este gritasse, "Piranha, piranha sim! Tu trepou com meu melhor amigo, sua vaca. Esse filho não é meu!". Pior que isso só aquelas cartas do Bentinho pro Escobar, aí da pra ver que o Bentinho era uma bicha super pintosa. Vide trexo da obra: "Durante cerca de cinco minutos esteve com a minha mão entre as suas, como se não me visse desde longos meses. - Você janta comigo, Escobar? - Vim para isto mesmo." Pra mim é caso encerrado.
contribuição (quase plágio descarado) do Millor

Madame Bovary
Dona de casa transa com padeiro, leiteiro, carteiro... Chifre adoidado na cabeça do marido. Ela se apaixona por um tal de Leon, estudantezinho de direito, transa com ele, se endivida por causa dele até não ter mais um vintém. Sozinha, sem um tostão furado e sofrendo de depressão crônica, a mulher se mata. É o típico caso de Síndrome de Cinderela, uma quarentona, fica louca por um garotão cheio de amor pra dar, o marido médico é um saco, então vai lá e pimba. Sabe como é? Ta pegando alguém mais novo, dá aquela levantada no ego, faz se sentir mais jovem também, vai atrás de uma miguxinha e tals... Só que naquela época não existia a revista Nova, nem a Criativa, muito menos a Marie Claire, então sem um apoio moral de verdade, e pior, sem o “cantinho da leitora”, a tragédia se consolida no final. E pensar que o Gustave Flaubert foi processado pelo governo francês por causa desse romance. Para ler nesse século: O Doce Veneno do Escorpião, de Bruna Surfistinha.