segunda-feira, 21 de abril de 2008

T.O.P.A. ou não T.O.P.A. Que A Humanidade Não Deu Certo?

Samuel Bryan durante a T.O.P.A., só que sem gostar de criancinhas

Faltam menos de duas semanas para o meu aniversário. Pessoas próximas a minha pessoa sabem que o breve período (breve pros outros, porque pra mim...) que precede essa data de magnífica relevância para a raça humana é marcado por uma instabilidade emocional da minha parte que geralmente atinge o contingente de pessoas ao meu redor de forma subliminarmente negativista, resultando também em reações fisiológicas adversas e mal estar narcisístico em proporções catastróficas. Traduzindo: eu fico puto, de mal humor, querendo que todo mundo se exploda, querendo que eu me exploda, com transtornos psicóticos assassinos freqüentes, que também refletem na minha aparência, me deixando cheio de espinhas e com uma repulsa tão grande ao espelho que toda vez que eu passo na frente de um, a vontade é de quebrá-lo, pegar um caco bem grande e mutilar minha face. Pronto, desabafei!

A esse momento único antecedente a cada primavera eu dei um nome científico bastante presença, T.O.P.A., Transtorno Obsessivo Pré Aniversário. Ai geral que lê esse blog vai pensar, “Mas isso não se chama inferno astral?” e eu respondo que nem respondi pro Cristiano, “É porque assim funciona como uma explicação psicológica boa para pessoas que como eu não acreditam em astrologia” e ele solta a máxima, “pra mim parece outra coisa, V.E.P.A., Viadagem Extrema Pré Aniversário”. Preciso nem dizer nesse estado o que eu respondi pra ele, né?

Como resultado da T.O.P.A., a melhor coisa que eu posso fazer pelo meu bem e o bem alheio, é me isolar do resto do mundo ate que como um furação, tudo passe naturalmente e eu só levante a cabeça pra ver a bagaceira que ficou. E pra esse último feriado eu tava com um plano perfeito, comprar um aparelho de DVD novo, me trancar no meu quarto-fortaleza e assistir pencas de filmes. Botei meu pé na rua com medo do que poderia acontecer, mas fui atrás de alguma loja pra comprar o DVD. Quem disse que eu encontrei alguma aberta? Eu andei, surtei, gritei, até xinguei o sol. NÃO TINHA UMA PORRA DE LOJA DE ELETRÔNICOS ABERTA. Minha avó tentava me consolar/abrir-os-olhos dizendo que era feriado e aí eu resolvi descontar minha raiva em Rio Branco, “Então eu quero que abra logo uma Casas Bahia aqui nessa cidade pra falir de vez com todo essa droga de comércio provinciano”.

Frustrado e sem DVD, fui numa farmácia comprar mais um xarope com gosto de óleo de peixe (ah, esqueci de dizer, ainda estou morrendo). Antes de pagar, vejo uma mesinha com um monte do mesmo livro e uma plaquinha feita no Word escrita: “Vamos ler?”. Primeiro pensamento que me vem à cabeça é que aquele livro é do dono da farmácia, ele ta realizando o maior sonho da sua vida tendo o livro editado com o próprio dinheiro e colocou ele lá pra ver se vende alguma coisa. Achando que não tinha nada a perder, paro, pego e leio o resumo do best seller do nosso farmacêutico. Nem lembro o título, mas o livro falava de 6 cientistas que viviam debaixo da terra e a humanidade era dizimada por uma chuva de meteoros (que original não? Super verossímil) e estes 6 homens eram incubados de recriar um mundo com justiça e Deus no coração (sim, era uma estória apocalíptica evangélica).

Pensei comigo mesmo que aquele livro era um delírio gay (6 homens debaixo da terra tendo que sozinhos reconstruir o mundo após todo a sua destruição, sei nãããão...) e não uma Regenesis (lembreeeeei o nome do livro, tinha alguma coisa de Regenesis), mas fiquei na minha ate que o vendedor da farmácia repara que eu estou com o livro na mão, abre um sorriso enorme e com uma voz de quem se aproxima de um bebe de 1 ano diz, “gosta de ler jovem?”, e eu tomado por T.O.P.A. respondo no mesmo tom de Narcisa Tamborindeguy, “gosto, mas não esse livro”. Pago meu xarope e vou embora.

Ainda devo frisar que Rio Branco além de não ter Casas Bahia tem avenidas muito bem construídas com calçadas que em alguns pontos chegam a 30cm. Nesse exato ponto, tive a felicidade de uma senhora de aparentemente 110kg simplesmente parar com a cumadi para fofocar na hora que eu tava passando. O resultado desse episódio que encerrou meu feriado na rua fica a parte pra não chocar leitores mais conservadores.

É triste, mas como dizia Rob Gordon, “a humanidade não deu certo”.

O livro da Regenesis me fez lembrar que um dos temas da cultura pop que mais me fascina é a extinção humana em sua forma mais apocalíptica (não, eu não estou repensando que aquele livro seja bom). Estou lendo atualmente A Dança da Morte, considerado por muitos críticos, a melhor obra de Stephen King (embora eu prefira A Torre Negra). O livro de 1000 páginas conta a estória de um vírus da gripe mortal que é capaz de exterminar mais de 70% da população mundial. Mais que o fascínio da destruição e do recomeço da humanidade representado pela forma brilhante que só o King é capaz, o livro nos faz refletir sobre como nossos valores e conceitos de sociedade são baixos, ínfimos, ridículos e insignificantes quando comparados ao desconhecido. Afinal, do que adianta você tentar levantar sua carreira, economizar pra comprar o carro do ano, as roupas da moda, sair para lugares chics e impressionar os outros se, do nada, com uma única catástrofe que pode levar segundos, tudo isso não fizer mais sentido nenhum? O que te sobraria? Só “medo de um punhado de pó e um monte de imagens quebradas”, como diria o próprio King.

José Saramago escreveu o livro Ensaio Sobre a Cegueira, romance aclamado no mundo inteiro e que trás uma responsabilidade gigantesca a Fernando Meirelles que esta filmando a obra (Blindness). Na trama, um vírus deixa populações inteiras cegas, sem chances de cura. A civilização como a conhecemos decai totalmente pois, cegas, as pessoas só podem lutar por seus instintos. O livro vai além do de King por mostrar muito bem como o ser humano se coloca contra o ser humano. Pois além da destruição da humanidade (que acaba ocorrendo mais por ela mesma do que pelo vírus da cegueira), mostra o nosso lado mais desumano quando os infectados são colocados em quarentena em situações monstruosas. Porém, Saramago mostra justamente o caminho dos homens para se tornarem humanos em todo esse processo de destruição própria, pois mais do que olhar, o que importa é reparar no outro.

Também temos o fim da humanidade de forma apocalítica pela natureza. O Dia Depois de Amanhã é ate legalzinho, mas meio forçado, porém, o novo filme de Shyamalan , Fim dos Tempos parece ter tudo para ser grandioso, mostrando todo o mundo sucumbindo perante a fúria da natureza. Mais ao contrário de O Dia, Fim dos Tempos, como todo bom filme de Shyamalan, tem sua ameaça de forma invisível, tensa e perturbadora. Ainda há a aguardada volta de George Romero com aquele que parece ser um ótimo filme de zumbis misturado com A Bruxa de Blair, Diário dos Mortos.

Ah, só pra constar, Eu Sou a Lenda é uma grande merda. É um filme de catástrofe de 150 milhões de dólares que dá pra comparar com a trama dos 6 homens de Regenesis.

Bem, a humanidade pode ate não ter dado certo realmente, mas que realizou obras fantásticas, algumas que de tão ruins soam ate boas, ah se realizou.

sábado, 5 de abril de 2008

Se A Vida Fosse Um Musical Você Estaria Com Os Pés Sangrando Ou Com A Garganta Inflamada?

Aí eu tava sem nada pra fazer e, entre passar o fim de semana no Rio de Janeiro e contrair uma pneumonia, eu resolvi contrair uma pneumonia. Afinal, por que diaxos eu iria passar um final de semana em Copacabana, curtindo um pouco a praia, dando um pulinho na LeBoy, tomando água de coco e vendo gente bonita, se no fim das contas eu poderia contrair dengue, sendo que de quebra eu voltaria pro Acre e não teria que me medicar naquelas tendas super fashion do exército e sim num posto de saúde, quando eu posso pegar uma bela pneumonia no próprio leito do meu lar?

Aliás, depois de bancar tanto o menino teimoso, reconsiderei e finalmente resolvi me cuidar bem ate finalmente estar pleno em saúde. Logo, preso em casa mais uma vez por motivo expectorante, voltei a opção de assistir muitos filmes. Então eu resolvo sair um pouco da rotina e vou na locadora ver se tem algo que presta por lá ao invés de ficar baixando filmes alternativos pela internet (sim, eu sei, é feio, mas releva, eu to no Acre, aqui só tem duas salas de cinema comerciais e eu não baixo filmes que eu possa encontrar em DVD, tento ser politicamente correto). Já dentro da locadora eu me pergunto por que foi mesmo que eu entrei lá. Não fazia sentido. Só tinha um monte de filme ruim a disposição, que custavam 6 pilas a diária, geralmente muito bem arranhados, sendo que na calçada em frente ao Banco do Brasil bem pertinho dali, tem um cara que vende a 5 reais o filme, 4 reais sem a capinha. Além do ótimo atendimento que só uma locadora comercial é capaz de dar, se eu perguntar “Moça, tem algum filme do Wolfgang Becker?”, o máximo que ela vai me responder vai ser “Saúde!”. As locadoras de filmes são algo que definitivamente não fazem mais sentido.

Ainda assim saio com um filme de lá nas mãos, o musical Hairspray. Pára, volta a fita e presta atenção na afirmação: Eu aluguei um musical. Eu, que acho musicais a pior perda de tempo do cinema, paguei 6 reais por um. Deus, só pode ter sido a febre, o vírus da pneumonia, esse desgraçado que além de tomar conta do meu pulmão, cai na minha corrente sanguínea e afeta meu cérebro. Só pode! Tanto que eu esqueci de assistir o filme. Só lembrei no fim da tarde do dia seguinte, quando eu correndo liguei o DVD e sentei pra assistir porque afinal de contas 6 reais são 6 reais e eu não ia dar o gostinho de ver aquela locadora sugando meu dinheiro sem eu nem mesmo assistir o filme.

Hairspray começa com a gordíssima (porém, fofa) Tracy Turnblad declarando seu amor por Baltimore (nos anos 60), numa musica em que ela esbanja alegria e sorrisos enquanto acorda, vai para a escola e volta as pressas para casa a tempo de assistir seu programa de TV favorito. Pensa comigo: qual é o filme americano em que uma adolescente gorda já começa a história muito feliz? Nenhum! Hairspray não é só um musical, é uma paródia de musicais e os estúpidos teenmovies do tipo American Pie. Mais que isso, Hairspray tem um começo delicioso, contagiante e incrivelmente divertido. Eu estava adorando, até que das trevas surgiu ele, (eu mal consigo escrever o nome dele nesse blog, os dedos tremem) Zach Efron. Surtei! “OH MEU DEUS, EU TO GOSTANDO DE UM FILME PROTAGONIZADO PELO VIADINHO DE HIGH SCHOOL MUSICAL?”

É, foi um momento duro que eu tive que reformular meus conceitos de cinema de entretenimento. No fim das contas Hairspray é realmente divertido e funciona muito bem como paródia e crítica, mas não consegue se sustentar. O começo é muito bom, mas logo começa a cansar (salvando pelos momentos em que Jhon Travolta aparece como a mãe obesa de Tracy), o ritmo se perde (irônico pra um musical, não?) e só consegue refazer aquele impacto do começo nos momentos finais, mesmo apresentando uma série de clichês cinematográficos, a coitadinha que vence, a gostosona que se da mal, a mocinha fica com o mocinho, um amor inter-racial pego emprestado de Duas Caras, essas coisas. O destaque vai para atuações impecáveis e altamente inusitadas de John Travolta (impagável), Christopher Walken, Michelle Pfeiffer e Queen Latifah.

Além disso, há pouco tempo, assisti um “verdadeiro” musical, o muito comentado em festivais de cinema alternativo, Across the Universe. O filme de Julie Taymor parte da premissa de contar duas histórias que se entrelaçam, uma de amor (bocejo) e a outra da louca geração jovem dos anos 60 (de novo) que gritava nas ruas de Washington por paz e amor e “não a Guerra do Vietnã”. O romance gira em torno de Jude, um rapaz que sai de Liverpol para ir para os EUA, que se apaixona por Lucy, uma jovem revolucionária, cujo irmão vai para guerra contra a própria vontade. Em meio a isso, temos os negros colocando fogo nas ruas de Nova York, o movimento gay começando a sair do armário, além de sexo, drogas (a maconha mais parece LSD, gerando efeitos alucinógenos) e The Beatles. Pois todo o musical de Across the Universe é feito de 33 regravações dos Beatles. Perfeito, não? Errado! Com tudo isso, Across the Universe consegue ser uma grande merda.
Across the Universe: o baseado com certeza tava estragado

As letras dos Beatles não fazem sentido no filme. A cultura de massa considera os Beatles tudo, menos revolução, hoje em dia pode-se escutar I Want You bocejando. Não existe mais revolução, muito menos rebeldes com causa. Junte tudo isso a um roteiro muito furado, uma edição ridícula, a pretensão da diretora e Across the Universe afunda de vez. Porém, vale uma ressalva, as regravações das musicas dos Beatles pelos atores ficaram maravilhosas, com imenso destaque para I Want to Hold Your Hand, Strawberry Fields Forever, All You Need is Love e a própria Across the Universe.

Assim, eu sinceramente havia perdido as esperanças com musicais. Ate ter assistido Les Chansons d’Amour. E bem, depois de cinco minutos após o término do filme, chego a conclusão de que Cristophe Honoré é um filho da puta, só que no bom sentido. Eu já havia assistido Dans Paris (não musical) e não me sinto mal em admitir que este filme me fez descer lágrimas pesadíssimas pelo rosto. Nessas duas obras dele(que eu me recuso a chamar de geniais porque ainda nao assisti Ma Mère), Honoré enfatiza de uma forma que choca por ser tão introspectiva e ao mesmo tempo real, a dor e o recomeço. Mais precisamente em Dans Paris temos de uma forma excepcional todas as sensações do começo e do fim do amor, enquanto em Les Chansons d’Amour temos a complexidade do sentimento e a forma de se lidar com a dor.

Não gostaria de falar da trama de Les Chansons d’Amour, pois não importa o quanto eu a exalte, vai lhe parecer simples. Temos um triângulo amoroso de jovens (Ismael, Julie e Alice), que se desfaz com a morte de Julie, o verdadeiro amor de Ismael. Logo, o filme passa a tratar da perda amorosa. Ismael vagueia sozinho em sua dor e em sua forma própria de lidar com ela, e acredite quando eu digo, é quase impossível não mergulhar junto com Ismael (o muito talentoso Louis Garrel) em seu sofrimento, exatamente por retratar tão bem como nos sentimos a perda de um amor. Ate que o sofrimento romântico de Ismael vai de encontro a um novo personagem, que lhe mostrará um recomeço e um outro caminho, sem precisar se desprender daquilo que ele já sentiu e viveu.
Les Chansons d'Amour: qual a sua maneira de lidar com a dor e o amor?

O musical remete a um material musical pré-existente: as canções escritas por Alex Beaupain. Mas diferente de quase todos os musicais da história, Les Chansons d’Amour não possue dança ou coreografias. As interpretações musicais são sentidas ao mais pequeno diálogo. Assim, talvez ao ponto de nem mesmo poder ser chamado de um musical, Les Chansons d’Amour consegue ser único.

PS.: Um agradecimento muito especial ao Frederico Blahnik por mais um selo que fica ali ao lado e que eu repasso para o Thiago da Hora

domingo, 16 de março de 2008

Ociosidade Como Solução, Musica Que Embala E Tudo Aquilo Que Você (não) Pode Tirar da TV

Pessoas mais próximas a minha pessoa sabem que eu sofro de uma “hiperatividade-do-contra”, ou seja, eu só me torno hiperativo de verdade quando eu sou obrigado a ficar na ociosidade. É o que aconteceu nessas duas semanas de descanso por causa da cirurgia. Tipo, eu não agüentava mais ficar em casa. Eu nunca li tanto, assisti uma porrada de filmes, baixei ilegalmente dezenas de musicas e conversei horrores pelo MSN como nessas últimas duas semanas. Num ataque de não ter nada-mais-de-novo-pra-fazer (porque cultura cansa), eu resolvo partir pro trabalho braçal e num ataque de mania-de-limpeza lavo todo o banheiro do meu quarto. Mas você acha que eu me restringi somente ao chão e ao vaso? Hã-hã! Eu lavei parede, teto, espelho e o tubinho de plástico onde você pendura o papel higiênico. Aí, mães de família que lêem esse blog devem ta pensando, “Que lindo! A mãe dele deve ter ficado super orgulhosa”. Porra nenhuma! Ela lembrou primeiro que todo mundo que eu havia feito uma cirurgia nos ossos do tórax e eu... bem, eu havia me esquecido.

Então, depois de dois dias e meio em que o lado direito da minha lombar pareceu esquecer que a dor que ela produzia não faria eu me arrepender de ter lavado o banheiro (que tinha ficado um brilho pelo menos), eu resolvo (por conta própria, mais uma vez) que já poderia sair de casa. Aí resolvo ir num show de bandas aqui do Acre em homenagem ao Dia da Mulher. Foi bacana, tirando o fato que eu tava de camisa rosa bebê num universo de vestimentas afro-descentes. Tirei um momento também pra analisar as letras das bandas que se apresentaram (pelo menos as que eu peguei). É fato que nos últimos tempos tenho me entregado definitivamente a um momento musical que eu nunca me imaginara, minha playlist não para de tocar Bob Dylan e The Beatles, ficando praticamente resumida a eles (bem, para meu deleite geral, meu irmão descobriu a existência de Gimmi More agora, e eu não agüento mais escutar uma musica que começa com “It’s Britney, bitch!”). Fica difícil então fazer uma análise do que eu escutei no festival, do momento da musica acreana em questão, ou simplesmente, do que eu achei.

Talvez haja uma tendência geral no rock (e não me resumo mais ao acreano) de se fazer musica com letras voltadas para o individualismo psico-social. Traduzindo: sabe aquela porrada de pensamentos sem/com nexo que todo mundo tem, de questionamentos próprios, de o que significa a vida pessoal, da importância de relacionamentos externos formando o próprio caráter? É isso que eu vejo enfocado nas musicas. E admito, isso não me agrada, não importa a melodia em si. E ai talvez esteja a desvantagem de se gostar tanto de Dylan, Beatles e lembrar a todo momento de Legião Urbana e Raul Seixas, pois suas letras pertencem a um coletivo, mais que isso, um pequeno coletivo, que em seu movimento de coletividade, começando sempre por uma minoria, aclamou revolução se espalhando pela maioria e criando um burbúrio gigantesco que não foi pelo sucesso de suas musicas, seus shows e a fortuna que ganharam, mas sim pela idologia e pela chama interna que eram capazes de gerar. Talvez eu goste mesmo de musica que incendeia a alma. E o rock atual no geral, mesmo com melodias que estejam se tornando fantásticas (e nesse ponto dou um mérito as bandas acreanas Blush Azul e, principalmente, a Filomedusa), esta repleto de letras de existencialismo individual, o que pode ser resumido no ideal de: o meu “eu”, que é incompreensível ao “eu” dos outros.

Nada de CD novo com single da Madonna e do Justin Timberlake: manda uma fita cassete metade Dylan, metade Beatles


Ah, devo lembrar que no final do show, a dor do lado direito da minha lombar tinha sumido. Sim! Agora a dor dominava a lombar inteira. Na volta pra casa, (de ônibus, uma glória para dor crônicas na lombar), encontrei uma amiga que ficou super-cara-que-vovó-faz-pra-mim-quando-eu-faço-coisa-errada por me ver fora de casa em pouco mais de duas semanas cirurgiado, “Você ta louco, Samuel?”, e eu quase pedindo pro velho de 80 anos do meu lado deixar seu banco pra que eu sentasse porque eu tava quase um deficiente físico, “Que nada maninha, to de boa, a única coisa que eu não posso fazer é dançar a marcha 4 e 5 do Créu, o resto da valendo”.

Falando em musica, lembrei que se tem uma coisa que a gente faz muito quando ta em casa sem fazer nada, é assistir o horário nobre da Globo. Lá vou eu me gongar de novo, mas eu virei fã de Duas Caras. Gente, essa novela é tudo, primeiro, temos Juvenal Antena, o pai que todo garoto suburbano quer ter, aí vem a Susana Vieira achando que é Madonna com aquele cabelo, gritando “pistoleira siiiim” pra Renata Sorrah e a Alinne Moraes dando um mega show de interpretação mesmo usando botox/enchimento no lábio (sai Nazaré e sua escada de Senhora do Destino, entra Sílvia com vasos para quebrar sempre a disposição). Lógico, tem aquelas pessoas que eu queria pegar pelo pescoço e enfiar a cara na piscina ate ver as bolhinhas pararem de subir como a Maria a Louca e o filho “mamãe-mamãe-mamãe, me dá um Poney?” dela, o Caco Ciocler, naquele papel que se ele parasse de atuar ninguém ia sentir a diferença, e ela, a mulher que mesmo na merda, mesmo com um marido filho da puta em casa, mesmo com dois filhos chatos pra caralho e mesmo infeliz pacas, nunca pára de descer pelo pau, Alzira.


Alzira: "A melhor terapia para a depressão feminia é descer pelo pau. Levanta a auto estima!"

Duas Caras atingiu seu auge com dois momentos. Primeiro, quando a Bárbara (se minha mãe faria, Beth Faria?) pegou a Sílvia de jeito numa chave de braço. Pra vocês terem uma idéia de como essa cena foi impactante, tava toda a minha família no churrasco, quando todos viram a cena houveram gritos de “Eiiiita porra” e “Peeega filha da puta” pra todo lado. E só deu Samuel gritando “calem a boca que eu quero ouvir o que ela vai falar enquanto tiver com a outra presa pelo gogó”. Sentiu o impacto? Não? Corre pra Globo.com então. Segunda cena: todo mundo sabe que hoje não te mais novela das 8 sem gay como personagem, desde viado enrustinho, ate casal que parecia hétero e só vendia beleza, agora os gays da Globo são tão diversificados, mais tão diversificados, que gostam ate de mulher. Logo, a cena em que a turma dos crentes-cavaleiros-do-apocalipse liderados pela evangélica-que-deve-ser-parente-do-Coringa pegaram o viadinho, a vadia e o preibói de jeito, entrou pros anais da história da teledramaturgia brasileira. Finalizando com o Contra-Ataque-dos-Crentes-Bonzinhos e um nascimento a lá Virgem Maria dando a luz a Jesus. Palmas!



Pergunta: por que falar de musica me lembrou Duas Caras mesmo? Resposta: alguém já parou pra ver a playlist internacional daquela novela? Pai amado, “segura Berenice, nós vamos bater”, começamos com Gimme More, da Britney (virou perseguição), 2 Hearts da Kylie Minogue (não, ela não morreu) e Same Mistake do James Blunt (não lembra? Aquele que gritava You’re Beautiful). Dou um toque pros três: a decadência sempre começa assim, na novela das 8, ok? Hurgh! Se pensa que acabou? Então vem a Pergunta-2: o que diaxos a Diana Krall ta fazendo naquele CD mesmo? E pra completar, aquela cara de bunda da Marina Elali cantando o Xote das Meninas (isso mesmo que você leu) em inglês (isso mesmo que você leu²).


Continuando com o horário nobre (imagine se nós tivéssemos um “horário esgoto”) tem o Big Brother Brasil. Marcelo saiu (blá blá blá), a Globo só quer fuder a Thaty colocando uma musica da Cássia Eller e Ana Carolina em seguida e fazendo um mini-clipe dela cantando/gritando sozinha, toda loucaça, numa total imagem de “Eu sou lésbica, siiiim” e o Marcão sem poder falar nada mas com um olhar de “Deus, ela ta se queimando sozinha” (blá blá blá), lá dentro agora só tem idiota (sim, o Rafinha também conta), depois de um mês que o programa acabar, a Natalia pousar nua na Playboy e o Nelson Rubens não tiver mais de onde espremer merda pra colocar no TV Fama
sobre eles, eu vou esquecer tudinho (bla blá blá) e pra completar, Débora Secco vai passar um dia inteiro com os brothers (momento Bial) da casa mais badalada do país (péra aí, volta a fita).

BBB8: Quem são vocês mesmo?


Que porra foi essa? Débora Secco no BBB? E eles ainda pagaram praquilo! Quem é Débora Secco na noite? Ah gente, forçaram! Muito! O máximo que a Secco fez foi a pior interpretação numa novela das 8 (soy loco por ti, América), dar pro Falcão, e atualmente pro Roger (foi a Galisteu que largou ele, ou o contrário?). Aí, ela acorda e ao mesmo tempo se maqueia, nem mesmo escova os dentes antes. Como dizia mamãe, “Ela não tem vergonha de mostrar o rab* na Playboy, mas não tem coragem de mostrar o rosto sem pó.

Para aqueles que acham que o nível desse blog caiu total hoje, boas notícias: a partir dessa segunda feira minha licença médica expira e eu volto a trabalhar lá no hospital (bota 9 horas do meu dia ai), e logo em abril, minha faculdade também recomeça (bota mais 4). Logo, não vou ter mais o mínimo tempo para o horário nobre global... e muito menos vou lavar o banheiro de novo!

Nota do Autor - Ato I

Quero agradecer imensamente pelo selo de “Esse blog vicia” que o Marcelo do ótimo Bomba MH me deu. Obrigado mesmo, é meu primeiro selo. Repasso ele para a minha amada amiga Keth, do Inifinito Particular que eu gosto tanto. Também lembro que nunca agradeci por aqui a força que o Altino me deu, falando do meu blog no dele, obrigado.

Assim como eu agradeço a todos que tem paciência para ler meus textos e comentar. Sei que eles são grandes (ok, enormes), mas eu ainda não reformulei o blog como eu imaginava que já teria feito, então, mudanças só no futuro próximo (ou longo).

segunda-feira, 3 de março de 2008

Para Jovens, Velhos, Jovens Que Pensam Como Velhos, Velhos Que Pensam Como Jovens...

Volta das “Férias”: endividado até o pescoço

E lá estava eu no aeroporto de Curitiba ultrapassando a máquina de Raio-X e esperando que as minhas sacolas da Calvin Klein e da Loja Vírus passassem pela máquina, quando alguma coisa apita e a mulher manda eu parar. Sinceramente, o negão do lado parecia que tinha colocado a mão no bolso, desconfiei que fosse uma arma, mas logo vi que ele estava coçando alguma coisa (?). Pensei que eles não levariam a sério uma sacola com o nome Vírus (única loja do Brasil a vender só All Star’s), mas o problema era justamente com a sacola da CK. A mulher do lado monitor, com um ar de Super Nanny “versão-mais-séria 2.0”, olha pra mim e afirma categoricamente, “Tem um abridor de latas na sua sacola”. E eu mais categoricamente ainda “Não!”. Ela sem mudar a expressão, “Tem sim”, e eu, “Não, não tem, eu não botei nenhum abridor de latas aí não”.

Depois do 11 de setembro, andar com qualquer coisa q tenha ponta, inclusive agulha de tricô, é um perigo a segurança nacional, imagina um abridor de latas então, seria a mesma coisa que um atentado com Antrax. Então aquilo vira um embate, Samuel Bryan versus a Maligna Megera da Visão Raio-X. Ela então, com um olhar de “ah, é mesmo?” diz, “Dê a volta aqui por favor". Eu piso firmemente no chão e ao ficar do lado dela observo minha sacola com todo o conteúdo em amarelo, porém, no fundo, em um lindo contraste de azul escuro, brilhava a forma anatômica de um... abridor de latas. Enquanto a minha reação natural foi a de ficar sem reação, eu imaginei que na cabeça dela, a mulher devia estar gritando “Peeeega, filho da puta”. Ai eu escuto a voz da minha avó (que pareceu pousar no aeroporto apenas naquele momento), “Aaaah, fui eu que coloquei esse abridor aí”. Tive vontade de gritar! O negão sorriu pra mim, “Pode pegar sua sacola, ta liberado”. E em silêncio sai sem nenhuma dignidade, imaginando que o Negão e a Vaca do Raio-X ririam horrores de toda essa situação no Happy Hour.

Na conexão em Brasília, decido duas coisas: 1º- Nunca mais viajar de avião sem livros, vídeo games ou mp3, 2º- Já que eu deixei tudo isso na mala, iria comprar uma revista. Como na livraria não tinha Men’s Vogue, eu depois de muito analisar, resolvo comprar pela primeira vez, uma Rolling Stone. A curiosidade da matéria de capa foi o que mais me impulsionou a compra. No avião, eu leio a entrevista com Johnny Depp e tipo, acho que foi o pior entrevistador que eu vi em anos. Simplesmente pela leitura dava pra se perceber que a condução da entrevista não era das melhores, não era bem trabalhada. O que salvava é que o Depp é foda, então não importava se o entrevistador não sabia muito o que tava fazendo, Depp foi capaz de transmitir tudo o que era necessário ainda assim, mesmo que em alguns momentos me parecera mais uma entrevista de respostas mecânicas, dessas que os artistas dão em 9 de cada 10 entrevistas. Tipo, já não havia gostado da Rolling Stone. Mas não acabou por ai.

Rolling Stone: onde numa mesma edição você encontra Radiohead, Bob Dylan, NXZero, Sandy e Junior, Johnny Depp e Mônica Mattos (a rainha do pornô brasileiro)

A matéria de capa (que tanto me interessou) anunciava, “O Futuro da Música Pertence a Thom Yorke e ao Radiohead”. Eu não vou entrar em momento nenhum no mérito da música do Radiohead, que diga-se de passagem, eu não gosto. Ouvi algumas musicas deles em 2005, a melodia não agradava meus ouvidos e as letras me remetiam a uma banda de disco de estréia, e não de um grupo indie tão cultado. O problema era realmente a entrevista. O filme Quase Famosos retrata bem o que eu vou dizer agora. Ele conta a história de um garoto meio nerd que embarca na turnê de sua banda favorita para escrever uma grande matéria para a Rolling Stone, num quase road movie, cheio de acontecimentos fortes na vida do garoto que “nunca imaginara aquilo para a sua existencia”. Típico! Ao que parece, a relação dos entrevistadores da atual Rolling Stone com os músicos da atualidade, se tornou algo tão fragilizado e superficial como o próprio cenário do mercado fonográfico (que o último álbum do Radiohead balançou mais do que o cenário musical em si). A condução da reportagem em momento nenhum parece demonstrar explanação sobre o argumento da capa. Por que o futuro da musica esta nas mãos do Radiohead mesmo? A resposta você não vai encontrar claramente na Rolling Stone, no máximo, apenas uma afirmação de “Banda de rock mais importante do mundo”. Não há clareza. E mesmo o mundo da musica sendo repleto da falta de clareza, numa matéria jornalística que afirma algo claro, você tem que saber explanar. Parece que James Dimmock mais preferia se tornar um amigo da banda que em conversas de pubs caros em Lodres faria questão de ser conhecido como o “grande James, amigo de musicos de calibre, como Thom Yorke”, do que um jornalista interessado em escrever uma matéria que realmente demonstre o porque de afirmações tão fortes como estas, igual ao personagem de Quase Famosos.

A minha decepção com a Rolling Stone foi gigantesca. Porém, algumas páginas depois me deparo com uma entrevista de 1969 com Bob Dylan. Ah, eu me deleitei. Jann Wenner não só conduziu extraordinariamente a entrevista com um dos maiores ídolos da história musical, como ele foi capaz de fazer com que nas respostas a suas perguntas, Bob Dylan transparecesse a sua alma. Ele era foda. Dylan tinha noção de que sua musica mexia com o mundo, mexia com os jovens, era o símbolo da contracultura de sua geração e que só não gritava mais que o trabalho dos Beatles. E ele tinha noção da pressão enorme que isso fazia a ele, pressão que o próprio Wenner deixava claro em suas perguntas e afirmações. Mas Bob Dylan se mostrava receoso a tudo isso, ao mesmo tempo em que parecia se controlar para não se mostrar assustado diante de todo esse fardo. Ele só queria cantar, ele só queria mostrar ao mundo a sua obra e sentir que ela tocava a todos. Como ele mesmo disse, por causa de tudo isso, ele se vê como tudo também, “como homem casado, poeta, cantor, compositor, guardião, porteiro... Tudo isso. Serei todos.”

A Rolling Stone atual pode não ser das melhores, mas vendo aquela matéria de 1969, pode-se botar fé de mudanças igual Bob Dylan colocava fé de mudanças no mundo de sua época, mesmo que elas não tenham acontecido.

A minha lista de decepções de começo de ano (porque no Brasil o ano só começa mesmo depois do carnaval) se estendeu pelo cinema também. Em São Paulo fui assistir o tão cultado, Juno. O filme conta a história de Juno, jovem fora dos padrões de garotas americanas de 16 anos, que engravida de um “levemente retardado mental que eu esqueci o nome”, ela não quer o filho, mas desiste do aborto e encontra um casal para adotar a sua criança. O filme é bom, tem diálogos maravilhosos e muito bem trabalhados, e diferente da maioria dos filmes atuais de Hollywood, tem coração, um coração tocante até, o momento em que o “quase retardado” se encontra com Juno no hospital após o parto, mesmo sendo uma cena sem diálogo, é capaz de emocionar qualquer um. O que não me saiu da cabeça foi, “por que esse filme ta concorrendo ao Oscar de melhor filme mesmo?”.

Em 2004 assisti o pouco comentado Galera do Mal, e para mim, sua comparação a Juno é mais do que inevitável. O fato é que Juno se torna uma obra muito mais aprimorada que Galera do Mal (onde uma adolescente que estuda numa escola cristã, ao descobrir que seu namorado é gay, tenta “salva-lo” e acaba engravidando. Detalhe: o melhor amigo dela é o Macaulay Culkin interpretando um garoto cheio de humor negro numa cadeira de rodas). O problema de Galera do Mal são os diálogos e as interpretações, no qual Juno vence de longe. Ainda assim, Galera do Mal tem um carisma maior por sua ideologia e críticas, disfarçadas numa história que parece boba, mas que definitivamente não é. Mas decepção mesmo eu tive com Eu Sou a Lenda, achei tão ruim que nem consigo falar desse filme.

Galera do Mal: “Juno no Oscar!? Cadê meus créditos?”

Já que eu falei do Oscar, lembrei que assisti Onde os Fracos Não Têm Vez no Cinemark de Curitiba. É muito comum eu esquecer que tenho 19 anos, comum mesmo, mas Onde os Fracos Não Tem Vez me lembrou a todo momento qual é a minha idade. Motivo? É difícil de explicar, mas não importa o quanto você seja um jovem com uma cabeça madura, se achando um velho de 80 anos mentalmente, Onde os Fracos Não Têm Vez não é um filme feito pra jovens, e vou além, de certo modo, ele parece desprezar a juventude. É um filme para pessoas com a real experiência de vida, com a marca dos anos no couro, para pessoas que saibam o que a vida adulta (e suas frustrações, decepções, falta de fé e compaixão) são capazes de fazer a mente. A “obra prima” dos irmãos Coen não me soou como obra prima, porque ela mostrou “meu lugar” e me desprezou, mas acho que daqui a vinte anos, quando eu assistir esse filme de novo numa seção “o melhor dos anos 00 (que não teve tão melhores assim)” eu vou achar Onde os Fracos Não Têm Vez foda pra caralho.

Nem só de decepções o começo do meu ano se alimentou é claro, na minha cirurgia tudo ocorreu bem (to todo inchado, dolorido, inflamado, sem poder fazer movimentos bruscos por uns 15 dias, mas ta tuuudo bem). E ainda teve São Paulo, com seus pequenos momentos de delícia pura, como a sessão de DVD’s da Fnac, o chocolate quente e amigos no Fran’s Café, uma companhia doce até nas discussões em pleno metrô, e lógico, a Bubu Lounge, que mais que uma buaty, é um templo de som, onde por pelo menos cinco horas, eu esqueço totalmente de todo o mundo fora de suas paredes.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Como Não Tratar Os Seus Clientes E... Fim Da 1ª Temporada

"Nike o caceta, eu uso é All Star?!" Hellow, a All Star É da Nike

Aí eu que eu tava acompanhando o Frederico no Shoe Shopping dele. Aliás, o Frederico tem uma tara meio que bizarra por All Stars’s, quando ele ta falando de All Stars’s e caçando eles ao mesmo tempo ele meio que me assusta. Tipo, sabe um tarado psicopata sexual? É o Frederico, só que por tênis All Stars’s. Beleza, estávamos nós pelo Centro, lindos, descolados, belos e jovens, quer dizer, o Frederico não é tão jovem assim (vingança com aquela brincadeirinha dos meus raríssimos fios de cabelo branco), quando entramos numa loja (que diga-se de passagem eu fiquei traumatizado com a nháca de gente feia que não toma banho pra fazer compras no Natal), quando o Frederico se encantou por um all star com xadrez por dentro (não faço a mínima de como se usa aquele sapato pra que a parte interna do xadrez apareça), pergunta pro vendedor o valor, o vendedor com uma cara meio de contragosto diz que custa R$87,00, ai o Frederico pergunta se tem outros modelos, e o vendedor com cara de nojinho informa: “Temos sim. Os modelos masculinos estão no final da loja”.

Preciso dizer que eu me acabei de rir? Não, né?! Gente, a ignorância é uma benção. Não dava nem pra culpar o vendedor, o conceito de moda nunca foi o forte do Acre.

Aliás, como o Ricardo me disse uma vez num passeio pela Gameleira, “O acreano tem um jeito muito tradicional, tanto no de se vestir quanto no comportamento e jeito de agir. Dá pra descobrir quem é de fora só olhando”, isso me lembrou automaticamente o Arthur, um garoto que eu conheci na despedida dele numa buaty, conversando ele me disse que não estava nada triste de ir embora depois de três meses no Acre. Mesmo sendo jovem, bacana e bonito, sempre se sentiu vítima de preconceito e fofoca por parte dos outros garotos da cidade. Arthur achava que a juventude acreana era muito atrasada, não aceitava o novo e enquanto lá fora a cabeça das pessoas estava ficando mais aberta pra comportamentos e moda, aqui as pessoas pareciam empacadas. Não tirei muito a razão dele. Ele realmente estava certo em alguns aspectos, em outros nem tanto. Mas esse não é um assunto que eu quero tratar, nem naquele dia eu quis, pois voltamos super dignos pra encher a cara.

Continuando as compras com o Frederico, fomos lá no Formigão – O Barato da Moda e (adivinhem) sai de lá com uma calça jeans liiiinda de R$30,00. Minha mãe ligou pra mim pra perguntar algo e eu aproveitei, “Mãe, a vó tá aí perto?”, ela: “Tá, por quê?”, e eu super animado, “Diz pra ela que eu to aqui no Formigão e comprei uma calça super tudo de 30 pilas. Eu tenho certeza que ela vai ter muito orgulho de mim e finalmente sentir que eu sou um verdadeiro neto dela”. Adoro o Formigão. Lá é muito divertido, tinha uma pilha de algum tipo de roupa e no alto dela uma bandeira vermelha. Por que eu disse “algum tipo de roupa”? Porque era tanta mulher em cima que eu não consegui identificar que tipo de peça elas estavam analisando/batalhando pra comprarem, ja que a bandeira vermelha significa "promoção imperdível". Ah, eu acho que existe algum nome praquelas práticas sexuais bizarras em que alguém enfia o braço todo no orifício de alguém (engraçado, a terminologia de comportamentos sexuais é gigantesca, tem nome pra tudo, acho até que quem tem tara de gozar no bife do dedão do pé esquerdo tem nome), seja qual for o nome da prática, era aquilo que o Frederico tava fazendo na pilha de calças. Eu olhava paralisado enquanto ele enfiava o braço nos jeans, segundo ele, “as melhores calças estão sempre no fundo”. Valeu a dica amigo, vou guardar pra vida inteira e começar aquela prática de enfiar o braço todinho também. Nunca mais compro Calvin Klein Jeans, só underwear e camisetas.

Teve ainda na loja de cosmético um causo bacana. Tava eu e o Frederico quando ele pergunta pra vendedora “Tem redutor de volume?”, e ela “Pra cabelo?”, nós dois assentimos levemente com a cabeça quando na verdade eu quis dizer, “Não. Tem algum redutor de volume pros pêlos do suvaco, do peito e, de quebra, do c*?”. Já ouvi de alguns conhecidos que o Acre tem um dos piores atendimentos de loja do Brasil, mas aquilo que foi ridículo.

Esse final de semana eu tava aperriadinho pra terminar a primeira temporada de Skins antes de viajar. Não consegui, falta um episódio e o especial de Natal. Aliás, eu to aperriado com muita coisa. Finalizar minhas notas, arrumar minha mala (Deus, eu nem comecei), assistir filmes, organizar musicas no mp3 (o Frederico disse que ia tentar salvar minha alma musical, to esperando) e eu não to pensando quanto tempo eu vou conseguir viver sem internet, mas a verdade é que de internet eu vou tentar distancia.

É bom que eu vou pensando em novidades que eu vou trazer pro blog pra ver se levanto o ibope. Tipo, promoções culturais, layout novo e ensaios nus (não meus), a galera se amarra em putaria.

Ah, queria falar um monte de coisas hoje, mas já escrevi besteira demais, queria fazer a crítica do magnífico filme coreano I’m a cyborg, but that’s ok, que tanto me tocou (sem taradices por favor), mas fica pra segunda temporada. Dêem um jeito de assistir aí quem sabe criticamos juntos.

Demais, vou indo. Mesmo me preparando pra uma cirurgia, eu me sinto saindo de férias, mais do que simples férias, mas férias do Acre. Amo tudo aqui, mas as vezes eu me sinto sufocado, as vezes um sentimento meio Arthur, mas na verdade é uma sensação própria, um sentimento Bryan-ante-inércia, meio ante-raízes-muito-profundas, meio silêncio-pra-alma.

Vou tentar ver o mar, e sorrir como um bobo, olhando a imensidão azul, sempre com a certeza que aquela é uma das obras mais magníficas de Deus. Sinto saudades do mar.

Obrigado a todos. Nos vemos em março, se Deus (e vocês) quiserem.
Aí, terminei meloso demais.
I’m a cyborg, but that’s ok: Será que só os loucos conseguem ser plenos de si mesmos?

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Previsões de Carnaval, Ícones Cult do Terror e Porque Usar a UFAC Num Filme de Horror

Gameleira: "Carnaval da Gameleira morreu. Pegou gripe. Morreu."
Acho que esse vai ser o penúltimo post antes de eu sair de férias. Aí, pessoa que lê o blog deve tá dizendo, “Beleza, tu vai sair de férias, e o Kiko?”. Povo sem coração. Mas eu informo do mesmo jeito. Na metade de fevereiro to me mandando pro Sul do país, vou fazer uma cirurgia e curtir um friozinho a la “não tenho dinheiro pra ir pra Europa, então vou pro sul do país e finjo que é a mesma coisa”. Ai dá Ctrl+c no pensamento de um amigo meu, “Grande porra, tu vai pro sul fazer uma cirurgia. Tu vai curtir alguma coisa por acaso?”. E lógico, eu tenho a resposta na ponta da língua, “Eu vou estar sofrendo, tomando morfina, remédios pra dormir, com os ossos do tórax sendo contorcidos, mas a diferença é que eu vou sentir tudo isso de frente pro mar, ok? E tu vai morrer de calor no Acre”. Morra de inveja. Ah, só um lembrete, o primeiro que vier com a piadinha de “Vai fazer cirurgia do que? Mudança de sexo?”, vai levar uma saraivada virtual. O assunto é sério e eu quero meu nome no caderninho de orações de todo mundo.

Antes disso temos carnaval. E quais são minhas expectativas? Muito sexo, beijo na boca, rodinha ao redor das minas, bater Kenner, bebida, gandaia, vexame e ressaca? Quem dera! Essa é uma das desvantagens de ter amigos “politicamente corretos”, a maioria ta namorando, estudando cumpulsivelmente pra concursos e vestibulares, ou são um bando de sem graças incorporando a moda "indie-cult-geração emo" de “não gosto de carnaval, é uma coisa muito brasileira pra mim”, quando na verdade eles devem ter algum trauma no estilo “se c* de bêbado não tem dono, no carnaval, se você não tomar cuidado, as proporções disso podem ser bem maiores”. Mágoa de caboclo.

Além disso, o carnaval desse ano aqui em Rio Branco não promete ser dos melhores com mudanças drásticas naquilo que a cidade melhor tinha de oferecer. Antes eu achava que o carnaval era uma festa boa ate no conceito de que havia uma generalização nas classes e comportamentos sociais, pois a estrutura que tinha aqui sempre foi homogênea, agora tanto o carnaval da Arena, quanto o do Juventos parece que irão gerar fases heterogêneas entre os foliões (papo químico mode: off). Espero que eu esteja enganado. Ainda assim, a probabilidade de que eu durma e guarde dinheiro pra gastar nos pub’s e mundo de livrarias da XV de Novembro, em Curitiba, ao invés de comprar uma mesa no Vermelho e Preto e encher a cara com Red Label falsificado, (mesmo que os melhores amigos do homem sejam o Johnny e o Walker) é bem grande.

Aliás, talvez eu aproveite esse feriado pra saciar o meu interesse mais que repentino sobre alguns ícones cults do cinema de terror que marcaram a minha infância e tem minha admiração até hoje, Jason Voohees, Freddy Kruger, Leatherface e por último (e realmente menos importante) Michael Myers. Ok, de todos os meus comportamentos bizarros, ser fã desse time aí de cima deve ser um dos piores. Mas cara, eles marcaram o cinema do horror, marcaram e marcam gerações, e (acima de tudo) geram dinheiro pra suas produtoras até hoje que insistem em afundar na lama a pouca “reputação boa” que eles ainda tem.

Tipo, como não se admira o Jason, se Sexta Feira 13 é o pai de todos os clichês de filmes de terror teen? Tá, eu dei um motivo mais pra vocês odiarem ele por ser pai de todo esse lixo cinematográfico que nós temos (que atingiu seu ápice com aquela obra prima com a Paris Hilton, A Casa de Cera). Mas o que seria de nossas vidas sem esse tipo de cinema que aliena as pessoas e gera milhões as produtoras que produzem mais e mais dessa merda? (hum... não respondam). Sexta Feira 13 é um filme que ganhou 10 partes. Em TODAS, o grupo de futuros jovens mortos é SEMPRE igual, vamos por tópicos:

1-Os personagens são aquele primor de estereótipo: há a mocinha bobinha que quer dormir com um rapaz bonitão, há o casalzinho que só pensa em transar, uma gostosona, um rapaz que não tira o olho da gostosona e apronta para vê-la pelada, e por aí vai.
2-TODOS os figurantes precisam morrer, sendo que a Parte 9 é a mais exagerada de todas, onde todo mundo que atravessa o caminho do Jason é morto sem motivo.
3-Tem o gordo feio no estilo "ninguém me ama, ninguém me quer", que só faz brincadeiras bobas e, quando a coisa pega de verdade, ninguém acredita nele. É deste gordo que Jason rouba a máscara de hóckey que passa a usar (Parte 3). Tem um casal de maconheiros que entra no filme mudo e sai calado, só fumam maconha, morrem, e nada mais (grande participação). E claaaro, não podemos esquecer o casal tarado que só pensa (e faz) sexo. O melhor, na Parte 2, um casal é transpassado por uma lança enquanto transa.
4-A mocinha sempre é virgem, ou seja, é a catisdade que salva. O namorado dela geralmente é o gostosão do grupo, que geralmente também morre de forma grotesca (tem uma cena beeem legal na Parte 1 da mocinha encontrando o namorado pregado do outro lado da porta por uma seta na garganta).
5-Sustos de gato são praxe para depois do suspiro de aliviados Jason vir e PÉI, matou. E quando tudo parece mais perdido do que nunca, tem sempre um idiota que grita “Vamos nos separar”, sendo que na verdade Jason é o mestre do teletransporte e não importa o quanto você corra, ele sempre vai estar na sua frente, mesmo a passo de tartaruga.
6-Tomam banho de rio pelados; vão nadar de madrugada, sozinhos; vão a lugares desertos e escuros sozinhos, sem acender nenhuma luz; e NUNCA percebem como de uma hora para a outra todo mundo sumiu, e assim por diante.

Jason no começo era um serial killer louco, depois ele assumiu status de ser místico imortal. Levou mais de 100 tiros, foi esfaqueado 26 vezes, levou 5 machadadas, foi atropelado por um trator e um carro, soterrado por um telhado, foi atingido por vasos, um sofá, alguns pedaços de madeira, duas cadeiras, livros, uma estante, uma televisão, foram fincados ao longo do seu corpo 15 barras de ferro, foi afogado em lixo tóxico, foi explodido... e sobreviveu. Porém, outro ótimo assassino místico é o Freddy Kruger, porra, desse sim eu me mijava todinho quando moleque. O primeiro A Hora do Pesadelo era de tremer, magnífica obra do Wes Craven, apenas o final era meio tosco. Só que a partir do segundo, Fred virou um vilão que matava com efeitos especiais (e não com aquelas garras que são a maior invenção de morte do cinema) e sempre soltava piadinhas antes de fatiar. So voltou a ser gente na Parte 7, novamente dirigido por Wes Craven. Fred é uma das idéias do terror mais geniais que foram desperdiçadas nos próprios filmes produzidos, um assassino que mata pelo sonho. Fantástico.

Freddy: Torce pro Vasco, mas é obrigado a trabalhar com a blusa do Flamengo
Está confirmado um remake de A Hora do Pesadelo, tão só esperando o fim da greve dos roteiristas (que eu apoio). Eu gostaria muito que valorizassem a história de Freddy como um humano frio, assassino de crianças que foi linchado pelos moradores da rua Elm. A introdução de FreddyXJason é ótima por mostrar justamente parte disso. Aliás, antes que perguntem, eu adorei esse filme; é uma merda, mas é legal, e faz olhinhos de fãs como eu brilhar em alguns momentos.

Dizem que o melhor prólogo das grandes séries de terror que nasceram nos anos 70 e 80 é Halloween, que eu não assisti e que nunca me interessou tanto, porém, a saga do maníaco-psicopata-doente-desde pixocotinho Michael Myers é extremamente elogiada. Aliás, Robie Zombie fez um remake dele que a crítica ate gostou. Porém, pra mim, a melhor história de assassino doentio que existe, é dele, O Senhor da Motosserra, Leatherface, do melhor-filme-prólogo-de-terror-do-passado e melhor-remake-de-terror-da-história, O Massacre da Serra Elétrica.

Fui assistir o remake de 2005(4 ou3?) no cinema. Ótimo. Eu fiquei pregado na cadeira, vibrando, a adrenalina a mil. Boas atuações, uma boa humanização dos personagens e um desfecho do caralho. A produção estava impecável. E além de todo o terror de um filme já aterrorizante por si só, temos o inabalável fato de que tudo aquilo é baseado em fatos reais. O maior terror de O Massacre é psicológico. Desse eu sou fã fã fã. Mesmo que também tenha sido degradado em continuações miseráveis e ridículas (embora O Início seja também muito bom).

Eu sonho em fazer um filme de terror que beira o trash e ao mesmo tempo pareça uma coisa boa. Não sei que assassino eu vou usar, quais clichês, que tipo de execução no roteiro ou como será a humanização dos personagens. Só sei que eu quero fazer. E sei também a ambientação, a UFAC. Me desculpa quem não conhece, mas a minha Universidade a noite é um terror puro. C-l-i-m-ã-o é o que não vai faltar no meu filme. E só pra quebrar as regras, eu acho que a mocinha (ou inho, vai saber) não vai ser virgem, pelo contrário, vai ter um passado bem depravado, de preferência de promiscuidade no antigo Carnaval da Gameleira.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Todo Gosto Musical Duvidoso É Alimentado Por Cantores Duvidosos

De todos os desentendimentos que eu tenho com o meu irmão (e Deus sabe que não são poucos), os musicais são os piores. Se um escuta as musicas do outro, é um sinal completo de que um esta assimilando parte do gosto cultural do outro. E acredite, quando dois irmãos se desprezam, o pior modo de levantar uma bandeira de derrota na eterna “batalha do mesmo sangue” é justamente ouvindo as mesmas musicas. Pra vocês terem uma idéia, meu irmão é metido a DJ de baile funk (MC Créu é o básico), dance para galerosos, axé (daquele tipo que você nunca sabe distinguir se uma batucada é do Timbalada ou do Araketu porque você não vê a mínima diferença nos dois) e, Deus tenha piedade da alma dele, sertanejo no balde (sabe aquela musica do “Perdi um grande amor, não sei o que fazer, amigo locutor liguei pra te dizer”? tá bombando lá em casa. Ele não ta ouvindo nem mais o Leilão, e sim a música pós-leilão, “eu vou doar o meu coração, porque no leilão não consegui nenhum lance”). Já o meu gosto musical “duvidoso” já foi bem discutido aqui.

Então eu chego em casa ontem, quase desabando depois de um adorável e calmo dia de trabalho no hospital, e do meu quarto rola o som do Jay Vaquer. Chego lá e meu irmão ta ouvindo todas as musicas que eu baixei dele. Eu olho pra ele, pra playlist e dou um sorriso de vitória. Mais uma vez meu gosto musical impera. Porém, após três minutos, eu percebo que o clima Jay Vaquer não era dos melhores. E então eu percebi que tava ficando enojado. Tal do Amor, Pêndulo e a faixa de algum dos mil anos de Malhação, Um Beijo Seu. Meu irmão tava ouvindo só o que o Jay Vaquer tem de pior. É, aquela não foi uma vitória. E logo ele voltou a escutar um daqueles hip hop's cujos clipes os negões exibem casas que nunca poderão comprar, jóias que nunca terão, roupas de marca que eles compram em brechós, grana que sempre fica com as produtoras e gostosas que eles dificilmente comerão. Começo a achar que todo cantor de hip hop sofre da necessidade de esbanjar nos seus clipes tudo o que não tem, e em proporções gigantescas. Deve ser pinto pequeno.

Voltando ao Jay Vaquer. Ele foi uma das minhas melhores descobertas em 2007. Além de um tipo de pop que quase não existe no Brasil, sua musicalidade original é muito bem combinada com letras que trabalham de uma maneira cult críticas sobre a sociedade em geral. Exato, Jay Vaquer pode ate ser pop, mas ele é cult. Suas músicas, Pode Agradecer, A Falta que a Falta Faz, Longe Daqui e, principalmente, Cotidiano de Um Casal Feliz são as melhores musicas em português que eu ouvi em anos. O problema está justamente em musicas como as que meu irmão gostou. Vaquer ainda não decidiu se tentará ser um artista cultuado nos meios alternativos ou se corre para o abraço do mercado capitalista musical (na figura da MTV e do Faustão).

Jay Vaquer: "Meu sonho é fazer um duo com a Pitty no Domingão e ouvir o Fausto falar, 'oh louco mew, quem sabe faz ao vivo'"


O motivo de eu admirar ainda mais o Vaquer é justamente por ele demonstrar que essa duvida é explicita. Diferente das bandinhas que se dizem alternativas, contra o sistema, mas que darão entrevistas chorosas pro Fausto Silva quando tocarem pela primeira vez no Domingão do Faustão e o(a) vocalista disser “sempre foi o maior sonho da nossa banda estar aqui no seu programa”. Pra depois esquecerem as origens, saírem na Capricho, Toda Teen e futuramente se apresentarem no VMB ao lado do NxZero. Será esse um dos motivos de eu não gostar muito da “musica alternativa acreana”?

OK, eu vou me condenar agora com os pseudo cults, mas é do pop que eu gosto. Antes eu sentia vergonha, mas agora eu estufo o peito pra dizer isso. E que venha a saraivada de tiros do pelotão de fuzilamento. Pra vocês terem uma idéia da coisa, fazem uns 6 meses que eu acordo pelo som do mesmo homem (calma, seu bando de depravados), o DJ francês David Guetta domina as paradas do meu despertador. A musica dele, suas batidas, o trabalho que ele realiza sobre musicas renegadas no passado e transforma em sucessos no presente são simplesmente brilhantes. The World is Mine é quase psicodélica, Money é gritante, Stay é pra pedir biss, Love is Gone é absurdamente contagiante, mas sua preciosidade, sua melhor musica na minha modesta opinião, é Love Don’t Let me Go, que pega emprestada a batida de Walking Way. O clipe de Love Don’t Let me Go, além de mostrar o le parkour de uma forma apaixonante e vibrante (tendência usar le parkour pra remakes musicais, Madonna fez a mesma coisa com Abba) é um dos melhores que eu já vi.

David Guetta está vindo tocar em Florianópolis, no carnaval. Nem preciso dizer que estou me remoendo por não poder ir.

Outra surpresa interessante no ano passado foi o Mika. Ele me causa sensações contraditórias. Eu adorei musicas como Relax, Take it Easy, Grace Kelly, a bizarra Love Today e até a viadíssima Lollipop. Porém, o resto de seu CD é um porre, mas hoje em dia qual é o cantor que consegue emplacar 4 sucessos mundiais num só CD? Mika tem seus méritos. Porém, com relação ao Mika, a mídia passou da música para a sua vida pessoal num estalar de dedo. A discussão “será que ele é?” dominou geral, foi motivo dele se tornar capa da revista Out justamente com essa discussão. E quando ele mudou o visual, puta merda, que bosta foi aquela que ele fez no cabelo? Ate eu queria os cacinhos dele, até ele vir com a chapinha (medo).

Mika: hum... tipo... você ainda tem alguma dúvida de que ele seja?


Se você chegou ate aqui nesse post (segundo o Google Analytics o ibope do meu blog ta despencando mais que o do Conexão Xuxa, que custava 2 milhões por programa e perdia na manhã de domingo, pasmem, para o Pica Pau na Record), deve ta se perguntando, “Samuel resolveu falar só de cantorzinho pop com tendências homossexuais nesse post?”. Claro que não. Eu guardei o melhor pro final.

Mesmo sendo um fã assumido do pop, a melhor descoberta musical de 2007, foi o grupo Babyshambles. Foi imediato, eu virei fã de Pete Doherty (ex-The Libertines) e seu novo grupo instantaneamente. Passei direto dos escândalos dele com a Kate Moss, a cocaína e aquela aparência de “musico drogado nada charmoso e super decadente, totalmente diferente do que a gente vê nos filmes de bandas de rock” e fui direto pra musica. Delivery foi umas das maiores surpresas do ano passado, musica muito gostosa, letra forte, gostei particularmente da guitarra (ate parece que eu entendo, nem Guitar Hero eu jogo). Fuck Forever, French Dog Blues, Killamangiro, enfim o primeiro álbum todo é muito bom. Doherty foi comparado a Lord Byron por seu trabalho, a poesia byroniana encontrada em suas letras. Outros dizem que ele vai ter um fim parecido ao do Curt Cobain. Lance pelo menos mais uns 2 albuns pra se tornar imortal antes de enfiar uma bala na cabeça, ok Doherty?

Pete Doherty depois de um julgamento: "Agora todo mundo dançando o chá-chá-chá"

Eu também poderia ficar aqui falando de Benjamin Biolay (francês, phyno e não é fruta), Offer Nissim (ídolo de 9 entre 10 baladeiros, embora eu esteja entre os 1), Rufus Wainwright, Radiohead (so pra bancar o cult, não gosto deles) mas chega, né? Vou terminar este post voltando a gongar de mim mesmo e do meu irmão. A gente pode até não se entender nesse gosto musical, mas estamos marcando de ir juntinhos assistir o show do My Chemical Romance se estivermos em Curitiba na época. Sou fã? Não. Mas é bom assistir um show que pode ser chamado de show de vez em quando. E admito, até que eu gostei do segundo álbum.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Sonhos Sanguinolentos, Filmes Mais Sanguinolentos Ainda E Medo (muito medo) De Sinais

Desde o dia 2 comecei a trabalhar num hospital (e antes que alguém pergunte, eu não sou médico, não sou enfermeiro, não vendo vagas na fila do agendamento e não, muito menos, ganho bem). Eu sou um Técnico em Gestão Pública hospitalar (lê-se: badeko). Realizei um sonho. Mamãe quando me viu nascer disse, “meu filho vai ser o melhor Técnico em Gestão Hospitalar (badeko) do mundo”, e quando ela me viu realizando esse sonho só faltou chorar, me abraçou e soluçando de emoção disse “Estou tãããão orgulhosa de você”. Ok, se você não sentiu a ironia de tudo isso, o que diabos você ta fazendo nesse blog mesmo? Se manda seu sem-senso-crítico.

Essa madrugada eu tive um sonho muito bizarro. Eu tava correndo pelas ruas da Bolívia (de novo? Mas que porra de perseguição é essa que a Bolívia tem comigo?) com algumas pessoas e atrás da gente vinha uma horda de zumbis canibais que corriam mais que o Rubinho com o carro a toda e vinham sedentos de sangue. Capitei vossa mensagem, subconsciente. Eu tava correndo pra salvar minha vida e se eu não botasse sebo nas canelas eu ia ser comido por canibais (não do modo que vocês estão pensando seus doentes) e ia morrer. E não é que depois de correr, pular muros e gritar feito uma menininha fui alcançado, mordido, rasgado... ai, quero nem lembrar (na verdade, eu não lembro muito, sou péssimo com sonhos).

Logo após a primeira morte, o sonho deu um branco e quando a luz diminuiu (efeitos especiais de primeira direto da minha consciência), eu estava no mesmo lugar do começo do sonho, correndo com as mesmas pessoas e (adivinha?!) com os zumbis-atletas-paraolímpicos atrás de mim. Ai eu pensei comigo mesmo, “mas que porra é essa?” Eu tava num vídeo game de survival horror? Quantas vidas eu tenho nesse troço? E o pior é que eu voltei ao começo da fase. Quando os primeiros começaram a morrer foi que eu percebi que era hora de voltar a correr e passar de nível naquele jogo.

Ao mexer no meu bolso, me vi com um 38. Legal. Tirei, apontei e disse “Ei, filho da puta”, o zumbi olhou pra mim e eu atirei na fuça dele. Legaaaaal. Voou sangue e miolos pra todo lado. Só que era uns 100 zumbis e no Resident Evil, a Magnum sempre tem só 6 balas. Fazer o que, vamos correr de novo. Só sei que um homem me salva, me leva pra casa dele (olha lá o que vocês tão pensando hein) e lá também tem os filhos dele. Ai eu pensei, “já vi esse filme, vamos passar um tempo vivendo como família feliz escondidos dos bixos, ai vai rolar alguma situação que o pai vai se sacrificar pelos filhos, o filho vai se jogar pra cima do bixo, o bixo vai comer o filho, vai ter muita bala, muita ação, e no fim, dos 5 iniciais, só sobrevivem uns dois. Putz, espero que eu seja um dos dois.”

Lembrei que eu tenho uma paixão gigantesca pelo tema de zumbis no cinema. Em 2005 assisti os dois filmes que reviveram o gênero mais consagrado do terror para mim, Extermínio e Madrugada dos Mortos. Extermínio é um marco, não refaz o gênero, mas o eleva a algo maior, melhor, complexo e assombroso. Extermínio não é só um filme que fala sobre zumbis assassinos, mas de relações humanas, da sociedade atual como uma doença que degrine e desfaz os instintos da humanidade. Mesmo que num momento os zumbis pareçam deixar de existir, é nele que o personagem principal, Jim (na assombrosa e ótima atuação de Cillian Murphy) mostra que o ser humano ainda tem instintos, que nós somos animais demoníacos quando tomados por situações naturais que nos despertem a isso. Não é só a sociedade que mudou, foi o ser humano também. Extermínio é mais que um marco, é cult. A cena de Jim caminhando por uma Londres deserta é uma das melhores que eu já vi.

Madrugada dos Mortos é o bixo. Sangue, violência e morte da forma mais arrepiante e nas situações mais incríveis que você já viu. Esse é um remake da obra do mestre dos zumbis, George Romero, so que é um remake do tipo “vou refazer, mas do jeito que eu queria que esse filme realmente fosse”. E Madrugada dos Mortos se torna um filme de ação, sem muitos sustos, pouco aterrorizante, mas com uma bizarrice e cenas de ação e terror que são do caralho, situações que você nunca deve ter imaginado, mas que deixam o filme previsível. Ainda assim, é bom demais. Ta, eu sou suspeito pra falar, adoro zumbis. Mas Madrugada é bom, com seu começo vibrante, seu meio razoável (que só falha em poucas vezes) e seu finalmente do tipo “Isso vai dar merda, by Capitão Nascimento”.

Os ingleses lançaram também um ótimo filme, no Brasil chamado Todo Mundo Quase Morto, uma crítica a sociedade, ao consumo, a falta de noção das pessoas alienadas e, lógico, aos próprios filmes de terror com zumbis, de um modo que só o refinadíssimo humor inglês é capaz. George Romero lança alguns filmes de zumbis de vez em quando também, mas Terra dos Mortos, por exemplo, mesmo com seu charme a la Romero, não é grande coisa. E o próprio Extermínio 2, mesmo sendo considerado por mim o melhor blockbuster de 2007, não chega ao grande patamar que o primeiro alcançou.

Dizem que os melhores filmes de zumbi estão na época de Romero e dos filmes grindhouse. Assisti então Planeta Terror, do cult (por causa de um só filme que sustenta esse título a ele, mas que já esta definhando) Robert Rodriguez. Um atentado biológico libera um vírus (blá blá blá), uma cidade inteira é contaminada (blá blá blá), temos um mocinho ante herói que resolve salvar o mundo (blá blá blá), a mocinha é uma ex stripper que tem uma perna arrancada e no lugar dela ganha uma metralhadora (opa, agora sim!). Planeta Terror não é muito bom, é diversão garantida, ação, mulheres gostosas e Quentin Tarantino tendo o pênis derretido, mas tudo sem muito aprofundamento. Seria perfeito se fosse uma produção baixa, mas custou uma nota. Acho que eu não peguei o espírito grindhouse, então vou continuar esperando Extermínio 3 ansioso mesmo.

Planeta Terror tem uma coisa interessante. O caos dos zumbis canibais, a morte e a destruição começam no hospital (os médicos tentando resolver os problemas é angustiante e a gente pensa “Já era!”). Em Madrugada dos Mortos também. Aí, eu to ligando meu sonho ao meu local de trabalho. Se acontecer do mundo ser tomado por uma epidemia de zumbis canibais, os hospitais são os primeiros a se fuder. Ei, espera aí, eu trabalho num hospital e tive um sonho em que eu era atacado e perseguido por zumbis. Deus, que isso não seja um sinal.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Em Corrimão Nem Todo Mundo Passa A Mão E Falta de Resoluções Para 2008

O fim do ano pra mim geralmente é um momento de contradições, altos e baixos. Eu tava com vontade de escrever esse post no ano passado (faz tempo, né?) mas eu fiquei muito ocupado trabalhando minha felicidade (afinal, tem coisa mais trabalhosa na vida do que se manter feliz?). Então, eu esqueci que internet existe. E o melhor, eu não me senti nem um pouquinho culpado. Mentira, mentira, eu sei, é horrível, eu sou um viciado em internet, eu sei, eu preciso de tratamento. Eu to chegando ao cúmulo de escovar os dentes e ligar o computador ao mesmo tempo (nem tentem imaginar essa cena bizarra). Enfim, o fim do ano, e eu não falo especificamente do reveillon (palavra sem tradução para o português), mas do período de nove dias que o antecedeu, o qual foi mais que bom, foi mágico.

Tá, mas nem tudo são flores na minha vida. Lembrei que meu período pré-fim-do-do-fim-do-ano não foi dos melhores. Eu fui fazer um trabalho de fotografia no centro da cidade com duas amigas, lindo, leve e loiro. Quando você anda no meio da multidão com uma câmera fotográfica profissional pendurada no pescoço, você se sente o próprio Cartier Bresson, dá aquela sensação de fotógrafo profissional que te faz inchar o peito e te dá a idéia de que todo mundo que te olha ta morrendo de inveja de você porque você é O Fotógrafo Profissional (sim, eu me sinto besta fácil). Detalhe, a câmera era da universidade e se eu a quebrasse eu teria que trabalhar dois meses para pagá-la, e sem comer nada, comendo, eu demoraria três.

Além do mais, o centro estava abarrotado de gente fazendo compras de Natal. Deus, Rio Branco vira a visão do inferno nessa época. Lembrei que sai as compras um dia com o Frederico e numa de nossas viagens, ele me levou numa loja de sapatos que mais parecia um cabaré nordestino. Ao entrar lá, minhas narinas foram tomadas não por um aroma desagradável, mas por nháca pura mesmo. Levei minha mão ao nariz imediatamente, e no meio daquele inferninho do consumismo imperialista globalizado na figura do garoto propaganda máximo da Coca Cola, o Papai Noel, eu tive vontade de gritar praquela multidão se eles não sabiam o que era desodorante, nem que fosse Leite de Rosas. Aliás, falando em consumismo, eu tive certeza absoluta que se o capitalismo fosse um ser humano, o sangue dele seria de Coca Cola, e se ele fizesse regime seria de Coca Cola Zero, o irmão gêmeo gay da Coca Cola.

Bem, o parágrafo anterior foi pra introduzir o caos do local onde eu fui tirar fotos. Voltando a sessão em si (eu escrevi sessão certo? O Word não ta acusando erro não), depois que eu dei a máquina para a Manu, ela tava atrás de tirar uma foto de linhas e resolveu faze-la na grade do Memorial dos Autonomistas. Eu tava acompanhando ela e coloquei meu braço sobre o corrimão. Quando ela terminou (a Manu faz uma foto a cada 10 minutos) e pediu pra irmos, o meu corpo mexeu, mas meu braço não. Olhei com horror e perplexidade para a minha blusa Diesel. Eu estava colado.

Depois de gritar desesperadamente “Mas que porra é essa?”, eu comecei a puxar com mais força meu braço magricela e só ouvi aquele som de coisa colada sendo arrancada à força. Geralmente esse som é muito agradável, principalmente para crianças com espírito de destruição mais aguçado que o normal, mas dessa vez eu sofria mais que um desgraçado, afinal, era a minha blusa Diesel que estava gerando aquele som perturbador (porém prazeroso quando a destruição é alheia). Quando eu me descolei e, chocado, passei os dedos no corrimão pra saber que merda era aquela, eles vieram com manchas marrom. Gritei pra quem quisesse ouvir, “COMO É QUE PASSAM VERNIZ NUM CORRIMÃO E NÃO COLOCAM NO MÍNIMO UMA PLACA DE ‘TINTA FRESCA’? FRESCO É QUEM PINTOU ESSE CARALHO”.

Eu passei o resto da sessão (?) desoladíssimo. Eu havia perdido minha camisa Diesel, e eu ainda to em fase de futilidade de moda, por isso não me critiquem (aliás, eu me dei de Natal uma cueca Calvin Klein linda, afinal, a gente tem que passar o reveillon de roupa nova). Pra piorar, minha professora de Fotografia, a Aleta, pra tentar me consolar disse, “Você pode recortar a camisa e fazer dela uma camiseta”. Soltei um sorriso e comecei a me acostumar com a idéia, ate que ela solta, “Vai ficar parecendo um cafuçu”. Pronto. Lógico, ela não fez com maldade, mas eu fiquei chocado.

Na saída do Mercado Velho, eu pensei e vi que havia um jeito de salvar a camisa. Se um dos meus suvacos estava cheio de linhas de verniz, o jeito era deixar o outro com linhas de verniz também. Voltei com a Manu no Memorial e quando chegamos lá eu disse pra ela, “Você finge que a gente ta cansado que eu vou colocar o braço aqui e esperar um pouquinho ate o verniz manchar o outro suvaco da blusa”. Ao invés de fingir cansaço a Manu desatou a rir. E quando eu coloquei o braço não senti colagem. O verniz secou. Ódio. QUANDO ALGUEM DESTROI O PATRIMÔNIO PÚBLICO TEM QUE PAGAR UMA MULTA, MAS QUANDO O PATRIMÔNIO PÚBLICO DESTROE O PRIVADO O GOVERNADOR DEVIA ME FAZER UM CHEQUE NÃO? Desisti daquela batalha, ela estava perdida.

Eu acho que como a maioria das pessoas eu deveria escrever sobre ou uma retrospectiva de 2007 ou minhas expectativas para 2008 (alguns falam das resoluções também), mas eu tenho 2 problemas. O primeiro é que eu tenho uma péssima memória, eu me lembro das sensações muito fácil, mas pouco dos fatos, na verdade eu até me lembro dos fatos, mas sou extremamente péssimo com cronologias. Por exemplo, eu lembrei que esse eu ano assisti O Libertino, mas pensei que havia assistido há dois anos, e que eu assisti Os Sonhadores (filme favorito) acho que em 2004, mas parece que eu assisti ele esse ano. E o principal, quem diabos cumpre aquilo que promete para o ano novo? Tanto faz se você promete emagrecer (ceia de Natal e Reveillon pódi), se promete arranjar amor novo (sem especificar se é um oficial ou amante), se é acordar e dormir cedo pra aproveitar melhor o dia (sendo que já no dia primeiro acorda depois do meio dia e de ressaca só pra tomar analgésico e dormir de novo) e, principalmente, estudar mais (a pior das mentiras de ano novo, porque é justamente a que menos se cumpre).

Na verdade, talvez eu faça apenas uma retrospectiva cultural do meu ano pra colocar aqui anteriormente a esse texto. 2007 me foi um grande ano com relação a séries de TV, cinema, musica, literatura, artes e viagens (Bolívia não conta). Aliás, foi um grandioso ano na minha vida pessoal também, especial de uma forma que eu não esquecerei. Eu sempre gosto dizer para todo mundo que me pergunta sobre o ano novo que eu só tenho uma expectativa para o ano novo que chega, sempre só uma, mas que eu nunca falo pra ninguém. É meio que um segredo e uma superstição minha (tipo aquela de costurar uma cueca na boca de um sapo pra trazer o amor de volta em três dias, e eu to louco pra fazer esse experimento não pelo efeito da macumba, opa, quis dizer simpatia, mas porque eu queria saber quanto tempo um sapo sobrevive com um cueca costurada na boca).

Enfim, feliz ano novo e, novamente pegando um pé da Coca Cola, good vibes.