sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Sonhos Sanguinolentos, Filmes Mais Sanguinolentos Ainda E Medo (muito medo) De Sinais

Desde o dia 2 comecei a trabalhar num hospital (e antes que alguém pergunte, eu não sou médico, não sou enfermeiro, não vendo vagas na fila do agendamento e não, muito menos, ganho bem). Eu sou um Técnico em Gestão Pública hospitalar (lê-se: badeko). Realizei um sonho. Mamãe quando me viu nascer disse, “meu filho vai ser o melhor Técnico em Gestão Hospitalar (badeko) do mundo”, e quando ela me viu realizando esse sonho só faltou chorar, me abraçou e soluçando de emoção disse “Estou tãããão orgulhosa de você”. Ok, se você não sentiu a ironia de tudo isso, o que diabos você ta fazendo nesse blog mesmo? Se manda seu sem-senso-crítico.

Essa madrugada eu tive um sonho muito bizarro. Eu tava correndo pelas ruas da Bolívia (de novo? Mas que porra de perseguição é essa que a Bolívia tem comigo?) com algumas pessoas e atrás da gente vinha uma horda de zumbis canibais que corriam mais que o Rubinho com o carro a toda e vinham sedentos de sangue. Capitei vossa mensagem, subconsciente. Eu tava correndo pra salvar minha vida e se eu não botasse sebo nas canelas eu ia ser comido por canibais (não do modo que vocês estão pensando seus doentes) e ia morrer. E não é que depois de correr, pular muros e gritar feito uma menininha fui alcançado, mordido, rasgado... ai, quero nem lembrar (na verdade, eu não lembro muito, sou péssimo com sonhos).

Logo após a primeira morte, o sonho deu um branco e quando a luz diminuiu (efeitos especiais de primeira direto da minha consciência), eu estava no mesmo lugar do começo do sonho, correndo com as mesmas pessoas e (adivinha?!) com os zumbis-atletas-paraolímpicos atrás de mim. Ai eu pensei comigo mesmo, “mas que porra é essa?” Eu tava num vídeo game de survival horror? Quantas vidas eu tenho nesse troço? E o pior é que eu voltei ao começo da fase. Quando os primeiros começaram a morrer foi que eu percebi que era hora de voltar a correr e passar de nível naquele jogo.

Ao mexer no meu bolso, me vi com um 38. Legal. Tirei, apontei e disse “Ei, filho da puta”, o zumbi olhou pra mim e eu atirei na fuça dele. Legaaaaal. Voou sangue e miolos pra todo lado. Só que era uns 100 zumbis e no Resident Evil, a Magnum sempre tem só 6 balas. Fazer o que, vamos correr de novo. Só sei que um homem me salva, me leva pra casa dele (olha lá o que vocês tão pensando hein) e lá também tem os filhos dele. Ai eu pensei, “já vi esse filme, vamos passar um tempo vivendo como família feliz escondidos dos bixos, ai vai rolar alguma situação que o pai vai se sacrificar pelos filhos, o filho vai se jogar pra cima do bixo, o bixo vai comer o filho, vai ter muita bala, muita ação, e no fim, dos 5 iniciais, só sobrevivem uns dois. Putz, espero que eu seja um dos dois.”

Lembrei que eu tenho uma paixão gigantesca pelo tema de zumbis no cinema. Em 2005 assisti os dois filmes que reviveram o gênero mais consagrado do terror para mim, Extermínio e Madrugada dos Mortos. Extermínio é um marco, não refaz o gênero, mas o eleva a algo maior, melhor, complexo e assombroso. Extermínio não é só um filme que fala sobre zumbis assassinos, mas de relações humanas, da sociedade atual como uma doença que degrine e desfaz os instintos da humanidade. Mesmo que num momento os zumbis pareçam deixar de existir, é nele que o personagem principal, Jim (na assombrosa e ótima atuação de Cillian Murphy) mostra que o ser humano ainda tem instintos, que nós somos animais demoníacos quando tomados por situações naturais que nos despertem a isso. Não é só a sociedade que mudou, foi o ser humano também. Extermínio é mais que um marco, é cult. A cena de Jim caminhando por uma Londres deserta é uma das melhores que eu já vi.

Já Madrugada dos Mortos é o bixo. Sangue, violência e morte da forma mais arrepiante e nas situações mais incríveis que você já viu. Esse é um remake da obra do mestre dos zumbis, George Romero, so que é um remake do tipo “vou refazer, mas do jeito que eu queria que esse filme realmente fosse”. E Madrugada dos Mortos se torna um filme de ação, sem muitos sustos, pouco aterrorizante, mas com uma bizarrice e cenas de ação e terror que são do caralho, situações que você nunca deve ter imaginado, mas que deixam o filme previsível. Ainda assim, é bom demais. Ta, eu sou suspeito pra falar, adoro zumbis. Mas Madrugada é bom, com seu começo vibrante, seu meio razoável (que só falha em poucas vezes) e seu finalmente do tipo “Isso vai dar merda, by Capitão Nascimento”.

Os ingleses lançaram também um ótimo filme, no Brasil chamado Todo Mundo Quase Morto, uma crítica a sociedade, ao consumo, a falta de noção das pessoas alienadas e, lógico, aos próprios filmes de terror com zumbis, de um modo que só o refinadíssimo humor inglês é capaz. George Romero lança alguns filmes de zumbis de vez em quando também, mas Terra dos Mortos, por exemplo, mesmo com seu charme a la Romero, não é grande coisa. E o próprio Extermínio 2, mesmo sendo considerado por mim o melhor blockbuster de 2007, não chega ao grande patamar que o primeiro alcançou.

Dizem que os melhores filmes de zumbi estão na época de Romero e dos filmes grindhouse. Assisti então Planeta Terror, do cult (por causa de um só filme que sustenta esse título a ele, mas que já esta definhando) Robert Rodriguez. Um atentado biológico libera um vírus (blá blá blá), uma cidade inteira é contaminada (blá blá blá), temos um mocinho ante herói que resolve salvar o mundo (blá blá blá), a mocinha é uma ex stripper que tem uma perna arrancada e no lugar dela ganha uma metralhadora (opa, agora sim!). Planeta Terror não é muito bom, é diversão garantida, ação, mulheres gostosas e Quentin Tarantino tendo o pênis derretido, mas tudo sem muito aprofundamento. Seria perfeito se fosse uma produção baixa, mas custou uma nota. Acho que eu não peguei o espírito grindhouse, então vou continuar esperando Extermínio 3 ansioso mesmo.

Planeta Terror tem uma coisa interessante. O caos dos zumbis canibais, a morte e a destruição começam no hospital (os médicos tentando resolver os problemas é angustiante e a gente pensa “Já era!”). Em Madrugada dos Mortos também. Aí, eu to ligando meu sonho ao meu local de trabalho. Se acontecer do mundo ser tomado por uma epidemia de zumbis canibais, os hospitais são os primeiros a se fuder. Ei, espera aí, eu trabalho num hospital e tive um sonho em que eu era atacado e perseguido por zumbis. Deus, que isso não seja um sinal.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Em Corrimão Nem Todo Mundo Passa A Mão E Falta de Resoluções Para 2008

O fim do ano pra mim geralmente é um momento de contradições, altos e baixos. Eu tava com vontade de escrever esse post no ano passado (faz tempo, né?) mas eu fiquei muito ocupado trabalhando minha felicidade (afinal, tem coisa mais trabalhosa na vida do que se manter feliz?). Então, eu esqueci que internet existe. E o melhor, eu não me senti nem um pouquinho culpado. Mentira, mentira, eu sei, é horrível, eu sou um viciado em internet, eu sei, eu preciso de tratamento. Eu to chegando ao cúmulo de escovar os dentes e ligar o computador ao mesmo tempo (nem tentem imaginar essa cena bizarra). Enfim, o fim do ano, e eu não falo especificamente do reveillon (palavra sem tradução para o português), mas do período de nove dias que o antecedeu, o qual foi mais que bom, foi mágico.

Tá, mas nem tudo são flores na minha vida. Lembrei que meu período pré-fim-do-do-fim-do-ano não foi dos melhores. Eu fui fazer um trabalho de fotografia no centro da cidade com duas amigas, lindo, leve e loiro. Quando você anda no meio da multidão com uma câmera fotográfica profissional pendurada no pescoço, você se sente o próprio Cartier Bresson, dá aquela sensação de fotógrafo profissional que te faz inchar o peito e te dá a idéia de que todo mundo que te olha ta morrendo de inveja de você porque você é O Fotógrafo Profissional (sim, eu me sinto besta fácil). Detalhe, a câmera era da universidade e se eu a quebrasse eu teria que trabalhar dois meses para pagá-la, e sem comer nada, comendo, eu demoraria três.

Além do mais, o centro estava abarrotado de gente fazendo compras de Natal. Deus, Rio Branco vira a visão do inferno nessa época. Lembrei que sai as compras um dia com o Frederico e numa de nossas viagens, ele me levou numa loja de sapatos que mais parecia um cabaré nordestino. Ao entrar lá, minhas narinas foram tomadas não por um aroma desagradável, mas por nháca pura mesmo. Levei minha mão ao nariz imediatamente, e no meio daquele inferninho do consumismo imperialista globalizado na figura do garoto propaganda máximo da Coca Cola, o Papai Noel, eu tive vontade de gritar praquela multidão se eles não sabiam o que era desodorante, nem que fosse Leite de Rosas. Aliás, falando em consumismo, eu tive certeza absoluta que se o capitalismo fosse um ser humano, o sangue dele seria de Coca Cola, e se ele fizesse regime seria de Coca Cola Zero, o irmão gêmeo gay da Coca Cola.

Bem, o parágrafo anterior foi pra introduzir o caos do local onde eu fui tirar fotos. Voltando a sessão em si (eu escrevi sessão certo? O Word não ta acusando erro não), depois que eu dei a máquina para a Manu, ela tava atrás de tirar uma foto de linhas e resolveu faze-la na grade do Memorial dos Autonomistas. Eu tava acompanhando ela e coloquei meu braço sobre o corrimão. Quando ela terminou (a Manu faz uma foto a cada 10 minutos) e pediu pra irmos, o meu corpo mexeu, mas meu braço não. Olhei com horror e perplexidade para a minha blusa Diesel. Eu estava colado.

Depois de gritar desesperadamente “Mas que porra é essa?”, eu comecei a puxar com mais força meu braço magricela e só ouvi aquele som de coisa colada sendo arrancada à força. Geralmente esse som é muito agradável, principalmente para crianças com espírito de destruição mais aguçado que o normal, mas dessa vez eu sofria mais que um desgraçado, afinal, era a minha blusa Diesel que estava gerando aquele som perturbador (porém prazeroso quando a destruição é alheia). Quando eu me descolei e, chocado, passei os dedos no corrimão pra saber que merda era aquela, eles vieram com manchas marrom. Gritei pra quem quisesse ouvir, “COMO É QUE PASSAM VERNIZ NUM CORRIMÃO E NÃO COLOCAM NO MÍNIMO UMA PLACA DE ‘TINTA FRESCA’? FRESCO É QUEM PINTOU ESSE CARALHO”.

Eu passei o resto da sessão (?) desoladíssimo. Eu havia perdido minha camisa Diesel, e eu ainda to em fase de futilidade de moda, por isso não me critiquem (aliás, eu me dei de Natal uma cueca Calvin Klein linda, afinal, a gente tem que passar o reveillon de roupa nova). Pra piorar, minha professora de Fotografia, a Aleta, pra tentar me consolar disse, “Você pode recortar a camisa e fazer dela uma camiseta”. Soltei um sorriso e comecei a me acostumar com a idéia, ate que ela solta, “Vai ficar parecendo um cafuçu”. Pronto. Lógico, ela não fez com maldade, mas eu fiquei chocado.

Na saída do Mercado Velho, eu pensei e vi que havia um jeito de salvar a camisa. Se um dos meus suvacos estava cheio de linhas de verniz, o jeito era deixar o outro com linhas de verniz também. Voltei com a Manu no Memorial e quando chegamos lá eu disse pra ela, “Você finge que a gente ta cansado que eu vou colocar o braço aqui e esperar um pouquinho ate o verniz manchar o outro suvaco da blusa”. Ao invés de fingir cansaço a Manu desatou a rir. E quando eu coloquei o braço não senti colagem. O verniz secou. Ódio. QUANDO ALGUEM DESTROI O PATRIMÔNIO PÚBLICO TEM QUE PAGAR UMA MULTA, MAS QUANDO O PATRIMÔNIO PÚBLICO DESTROE O PRIVADO O GOVERNADOR DEVIA ME FAZER UM CHEQUE NÃO? Desisti daquela batalha, ela estava perdida.

Eu acho que como a maioria das pessoas eu deveria escrever sobre ou uma retrospectiva de 2007 ou minhas expectativas para 2008 (alguns falam das resoluções também), mas eu tenho 2 problemas. O primeiro é que eu tenho uma péssima memória, eu me lembro das sensações muito fácil, mas pouco dos fatos, na verdade eu até me lembro dos fatos, mas sou extremamente péssimo com cronologias. Por exemplo, eu lembrei que esse eu ano assisti O Libertino, mas pensei que havia assistido há dois anos, e que eu assisti Os Sonhadores (filme favorito) acho que em 2004, mas parece que eu assisti ele esse ano. E o principal, quem diabos cumpre aquilo que promete para o ano novo? Tanto faz se você promete emagrecer (ceia de Natal e Reveillon pódi), se promete arranjar amor novo (sem especificar se é um oficial ou amante), se é acordar e dormir cedo pra aproveitar melhor o dia (sendo que já no dia primeiro acorda depois do meio dia e de ressaca só pra tomar analgésico e dormir de novo) e, principalmente, estudar mais (a pior das mentiras de ano novo, porque é justamente a que menos se cumpre).

Na verdade, talvez eu faça apenas uma retrospectiva cultural do meu ano pra colocar aqui anteriormente a esse texto. 2007 me foi um grande ano com relação a séries de TV, cinema, musica, literatura, artes e viagens (Bolívia não conta). Aliás, foi um grandioso ano na minha vida pessoal também, especial de uma forma que eu não esquecerei. Eu sempre gosto dizer para todo mundo que me pergunta sobre o ano novo que eu só tenho uma expectativa para o ano novo que chega, sempre só uma, mas que eu nunca falo pra ninguém. É meio que um segredo e uma superstição minha (tipo aquela de costurar uma cueca na boca de um sapo pra trazer o amor de volta em três dias, e eu to louco pra fazer esse experimento não pelo efeito da macumba, opa, quis dizer simpatia, mas porque eu queria saber quanto tempo um sapo sobrevive com um cueca costurada na boca).

Enfim, feliz ano novo e, novamente pegando um pé da Coca Cola, good vibes.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Frustrações de Natal e Como Me Tornei Fútil Por Um Momento

Fim do ano. Época de levantar as mãos pro céu, dar graças e agradecer imensamente ao salvador... o décimo terceiro salário. Então, eu tava fazendo cálculos e cálculos sobre o quanto eu receberia de décimo terceiro. E depois de resgatar juros, calcular a CPMF (tomou no cu Lula), alíquotas do banco, taxa do papelzinho do extrato bancário e descontando aqueles vales-troco de papel ridículos de 10 centavos, eu vou ficar com (tã tã tã), 50 reais. To rico.

O Natal é um período que surta com o meu cérebro. Eu viro a pessoa mais consumista do mundo (espírito natalino morreu faz tempo, é época de dar e receber... presentes). Eu quero comprar tanta coisa que até agora não entendo como eu ainda não cai na real e me lembrei que eu não passo de um funcionário público badeko que ganha uma mixaria e que não pode mais pedir dinheiro pra mamãe porque ela acha que agora que eu trabalho eu posso comprar tudo o que eu quero. Eu mal consigo comprar meus passes de ônibus. Família é dose, eles dizem que tão pra tudo que a gente precisar e no fim das contas no primeiro emprego que a gente arranja, eles só não nos chutam pra fora de casa porque ajudamos com as contas (mentira, só pago a internet porque é quase só eu que uso. É, eu gosto de fazer drama).

Enfim, eu já quis de quase de tudo nesse Natal. Comecei com o meu desejo enorme de ter meu notebook fodaço que roda-se Windows Vista e tivesse Wi-fii, pra que em aeroportos internacionais eu me sentisse o cara. Acho tão chic esse povo cool que usa notebook no aeroporto (políticos e homens barrigudos de negócios não contam). Mas, esse é o Desejo-de-Natal-Escorrendo-Pelo-Ralo Nº1. Depois eu quis um Nintendo Wii, pra brincar de Star Wars fingindo que o controle é um sabre de luz e correndo todos os riscos de na empolgação joga-lo na TV e ver a caixinha mágica quebrar e pegar fogo. Mas o bixo acabou no mundo inteiro (é, de primeira eu também não tinha acredito na notícia não). Logo, Desejo-de-Natal-Escorrendo-Pelo-Ralo Nº2. Para ser mais singelo, resolvi pedir um Playstation 2. quando fiz o pedido no café da manhã, sorrindo mais que um retardado, minha avó só pousou a xícara na mesa, me deu um olhar frio e mortal e disse “Um vídeo-game?”, eu suei frio, abaixei a cabeça e fiquei reparando em como o café é amargo. Desejo-de-Natal-Escorrendo-Pelo-Ralo Nº3.

Porém, de todos as pré-frustrações natalinas que ando sofrendo, o Desejo-de-Natal-Escorrendo Pelo-Ralo Nº4 foi a pior de todas. Por vários aspectos, não só porque eu não vou ter o que quero, mas porque por um momento eu me resumi a uma pessoa fútil, mesquinha, estilo Paris Hilton e o pior é que nem me arrependo tanto. Apresento-lhes o Caso do Ligth Blue Boliviano. Eu nunca fui vidrado em perfumes, mas existe um em especial, que além de eu considerar a melhor mistura de essências já feita por um viado, opa, quer dizer, um homem, mexe com meu sistema olfativo e bate no meu cérebro causando um efeito perturbador e bastante “despertante” [ui!].

E Samuelzinho, louco pra ter esse perfume, o que faz? Vai pra outro país. Isso mesmo, fui a Bolívia com a missão de encontrar um Light Blue. Diga-se de passagem, um país que esta quase enfrentando uma guerra civil, onde o povo ta tocando fogo na rua e o presidente ta se coçando pra mandar o exército matar pobre no balde. Depois de duas horas rodando e esperando compras de material eletrônico alheio, eu finalmente pude correr atrás do meu tão sonhado perfume. E qual foi minha grande surpresa quando na primeira loja que entro lá esta ele , lindo, esbelto, preso no vidro e dizendo “Me compre, porque eu te amo”. Me achei tão sortudo. Gritei pelo vendedor, ele apareceu todo com cara de nojo. Perguntei quanto era, ele calculou o preço em dólar e o numero q veio fez meus olhos brilharem, esquecendo a figura depressiva daquele boliviano de chapéu de palha na minha frente. R$115 por um Light Blue de 125ml. No Brasil ele ta R$360 por 100ml.

Sem pensar duas vezes e esquecendo até mesmo de barganhar com o boliviano, saquei a carteira e disse “vou levar”, o boliviano tirou o perfume do vidro e eu disse “cartão internacional em dólar, ok?”. E ele “non”. Eu pasmado disse “como assim patrício?”. Ele com cara de nojinho (embora tenha certeza caro leitor que eu estava com muito mais nojo dele) “Non em dólar, só peso ou real”. Mentalmente eu penso “Tomou no cu, não vou negociar meu cartão numa moeda que eu não sei o valor oficial”. Maliciosamente e querendo vingança eu apontei o Light Blue e em seguida voltei pro vidro “Pode guardar de volta então”. O ódio do olhar dele foi mortal, mas o meu também. Quase dava pra ver os raios se cruzando.Tinha meia hora até todas as lojas da Bolívia fecharem. Mas eu não estava triste, pelo contrário, logo compraria meu Light Blue em outra loja.

Mas não tinha. Em canto nenhum. Em loja nenhuma. Na Bolívia inteira, nada de Light Blue. Eu estava com vontade de gritar, de morrer. Onde estava aquele perfume? Engoli o orgulho e voltei com o rabo entre as pernas para o boliviano maldito. Quando entrei na loja ele me deu um olhar do tipo, “oh não, ele de novo”. Apontei para o Light Blue e disse “Vou levar, cartão, em real”. E ele com um suspiro de entediado “Só em peso”. Eu, voltando ao olhar de ódio, “Real”, e ele com cara de puto, “Peso”. Abri minha carteira. Por um momento achei que uma mosca sairia voando de lá, só havia R$50. Olhei para o boliviano e tive que me segurar para não mandar ele tomar no cu.

Sai em silêncio e deixei o último Light Blue de toda a Bolívia para trás. Se Evo Morales invadisse Cobija com seu exército naquele momento eu apontaria para a loja que estava e dizia “Aqui companheiro, temos um comunista aqui. Mata. Mata esse hijo de una putana”. Porque a história mostra que todo governante ditador mata primeiro os comunistas. Não me levem a mal, mas eu levei horas de carro até outro país, tive que aguentar aquela cidade sem muita higiene, com aquele povo nada bonito (e visivelmente sem muita higiene também), para no fim das contas não levar o que eu queria? O mínimo que eu poderia era desejar ele morto, enterrado e com a loja falindo.

Enfim, meu Natal já começou mal. Já não basta que ele não vai ser grande coisa mesmo. To revoltado. Acho que vou gastar minha fortuna de décimo terceiro em doses de Blue Label. Hum, pensando bem, com 50 pilas, eu posso comprar ¾ de uma dose de Blue Label. Acho que não rola. Vamos beber cerveja, que o efeito é quase o mesmo.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Fusca É Nada, Imagem É Tudo E Até A “Inveja Saudável” É Uma Merda

Hoje aconteceu uma coisa que mexeu com meus sentimentos. Durante todo o evento que teve tal poder, eu me senti excitado, maravilhado, bestificado, fascinado e mais algum “ado” que eu não estou bem lembrado. Que evento foi esse então? Eu andei de Fusca. E não foi um simples Fusca, foi "O Fusca". A pintura original estava mais desgastada e incriquilhada que a pele da Dercy Gonçalvez, a embreagem e o acelerador estavam alinhados por duas linhas de barbante, a porta do carona não abria por fora e tremia mais que uma pessoa gorda quando goza (reza a lenda que gordo não tem orgamos, tem ataque epilético), o estofamento estava sujo de barro, rasgado e, no geral, por dentro ele mais parecia que tinha entrado em chamas ao ter sido um carro um dia. Ou seja, eu amei.

Lembro-me que o primeiro carro aqui de casa, nos tempos das vacas anoréxicas, foi um fusca. Branco e com aquele cheiro que só os fuscas tem. PAUSE: Porque todo fusca tem o mesmo cheiro hein? No começo eu achava que todos eram fedidos, mas depois eu percebi que existe algo como a “maldição do cheiro do fusca”, algo que está na alma do bichinho (ou no suor de quem senta sem camisa e o líquido salgado humano infesta aquele estofamento de 1ª linha). DES-PAUSE: Era uma aventura sair de casa naquela época pelo fato de que no princípio dos anos 90, minha residência era ocupada por [PAUSE: contando nos dedos] 9 pessoas.

E ai você e eu nos perguntamos, cabiam nove pessoas em um fusca? Claro que não. Mas cabiam sete com folga. E antes de eu e meu irmão desembestarmos a crescer descontroladamente, se empurrasse um pouquinho pro lado, caberiam 8. Exato, nós tínhamos mais que um fusca, nós tínhamos um Fusca de Circo. Dirigi ele quando criança e aprendi o pouco de mecânica de carro que sei hoje, ou seja, nada.

Hoje eu senti um prazer infantil ao andar de fusca. As pessoas geralmente tem nojo, mas quando estão num carrão se sentem esnobes e poderosas mesmo que o carro não seja delas. Eu não, quis deixar metade do meu corpo do lado de fora da janela e gritar pra todo mundo na rua “Ei, olha pra mim, eu to andando de fusca, cara. Iraaado”. Lógico, não fiz isso, pois além de gerar uma multa para meu colega, eu acabaria sendo comparado a cena de Priscila - a Rainha do Deserto por todos os idiotas/insensíveis que pensam que imagem é tudo e que para fazer parte do mesmo sistema que destrói suas vidas e as torna infelizes e vazias, são capazes de ostentar até o que não possuem.

Esse negócio de imagem me lembrou que sexta feira entrei na maior crise da minha vida com relação a minha imagem. Nos últimos meses meu espírito consumista e de “pessoa mais influenciável do mundo” aflorou e eu gastei uma bela grana em roupas, produto pra cara e pro cabelo. Pra que? Pra no fim das contas eu ter chegado ao cúmulo de na sexta feira ter me achado o cara mais desagradável do mundo, ter tido vontade de cortar a minha face com uma navalha e me isolar do universo num abrigo nuclear pra que ninguém me visse. Sai de casa a contragosto, mas eu só gastei sua gasolina e nem sai do carro. Se eu pudesse ter usado burca nesse dia eu tinha usado.

Passado o dia negro, eu tenho que admitir que não me curei dessa Crise do Patinho Feio totalmente(é, to com a esperança de virar cisne), mesmo porque, a colega veio me dizer que eu pareço com o Sementinha do Mal, do Tropa de Elite. Ela disse que ele é fofo que nem eu, mas eu me perguntei-me a mim mesmo, “se ele é bandido, marginal favelado e galeroso, cadê exatamente a parte fofa disso?”. Anda não assisti Tropa de Elite, mas depois dessa, nem quero mais.

Para me distrair desse Sofrimento-Anti-Narciso, os livros novos que eu comprei chegaram, um deles é Mastigando Humanos, do Santiago Nazarian. Eu acho que eu o comprei só pra quando terminar de ler dizer que não gostei. Por quê? Acho que eu tenho inveja do autor. Ele tem 30 anos, quatro livros publicados, é tradutor de livros (mew, ele traduziu Maldito Coração), escreve legendas para filmes, conhece uma parte cool e underground do mundo, escreve para a Rolling Stones e... ah, vá pra porra, to fazendo propaganda dele de graça.

Acompanho o blog do Nazarian faz alguns meses. De certo modo, eu sempre almejei de um dia ser algo parecido com o que ele é, talvez porque meu maior sonho seja me tornar um conhecido escritor de contra-cultura. Isso volta a me questionar-me a mim mesmo (gosto de dar ênfase) sobre a imagem que tentamos passar de nós para o mundo. Por mais que algumas pessoas tenham noção de que a imagem é um conceito muito hipócrita na sociedade atual, não dá pra deixar de pensar que até mesmo essas pessoas almejam ser algo um dia, formar uma imagem sua para passar para outros.

Eu posso até querer que um dia eu tenha uma força de imagem parecida com a do Santiago Nazarian, mas eu vou comprar um jipe pra mim, porque eu adoro aquele modelo mais velho, aberto e vermelho. E quando alguém me oferecer uma carona num fusca caindo aos pedaços, pode ter certeza que eu só vou recusar se tiver um bom motivo.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Mortos-Vivos Musicais, Emos Funkeiros e “piri pipiri pipiri piri piriguete”

Eu tenho um passado negro, opa, passado afro-desentende (afinal, ontem foi Dia da Consciência Negra), quando o assunto é o meu gosto musical. Ai meu Deus, lá vou eu me gongar no meu próprio blog de novo. Enfim, quando eu era mais pequetito eu... eu... (porra, é difícil de admitir), mas eu ouvia Britney Spears, N’Sync, Five e (droga, eu to tremendo) Backstreet Boys. Ei, eu era uma criança, não riam de mim. Enfim, boy band’s era comigo mesmo. Porém, eu cresci, virei uma pessoa “culta”, entrosado nos “meios artísticos alternativos”, enterrei esse passado brutal e traumático, e passei a ouvir apenas aquilo que não é ouvido, dando extremo valor a musica francesa da qual eu não entendo bolhufas, mas que é cult, e ficando parado no meio da boate quando o DJ galeroso bota pra tocar a musica tema do Tropa de Elite (ei, eu fiz isso no fim de semana, me senti “o esnobe”).

Enfim, porque essa revelação de segredos bombásticos mesmo? Por causa do Dan. E quem é Dan? Ai, gente ignorante é foda. Alguém aqui se lembra do O-Zone? Não? Não os culpo. Sabe aquele marco na musica popular brasileira que mais parecia uma pérola de Caetano Veloso e Elis Regina intitulado Festa no Apê? A musica, que originou essa obra do Latino de tão bom gosto, se chama Dragostea Din Tei do antigo O-Zone. Mew, eu era fã deles, ouvia todas as musicas que aqueles baitolas faziam e adorava. O problema deles era justamente a viadagem. Quando eu assistia um clipe do O-Zone, eu sentia vergonha por eles, em alguns momentos eu abaixava a cabeça e pensava “eu realmente sou fã disso?”. Enfim, pelo seu ídolo você tem que engolir muitas coisas (to é bem comparado ao povo que adora a Britney “Fat no VMB” Spears).

O O-Zone acabou (e sinceramente, depois do clipe bizarro de Despre Tine eu não fiquei muito triste). Um resultado interessante do fim do O-Zone foi que definitivamente eu matei meu gosto por boy band’s e por musica dance, a mais renegada, popular e esdrúxula dos ramos da musica eletrônica. Porém, pouco tempo atrás, eu me deparei com um single de um ex integrante do O-Zone, o Dan (quase esqueci de voltar a falar dele), chamado Crazy Loop. Foi só ver o clipe e pronto, o mal antes adormecido e amaciado na Caverna do Dragão ressurgiu e tomou conta da minha pessoa igual um pedaço da alma de Voldermot inserida numa Horcruxe (Harry Potter, venha me salvar). O Dan está mais gay do que nunca, ele continua com aquele estilo de sempre, dança que nem um epilético com formiga na cueca, mas porra, Crazy Loop é muito bom. Típica musica dance do leste europeu (que tem seu mundo pop a parte diga-se de passagem).

Com o retorno das forças das trevas do meu gosto musical, eu acabei descobrindo algo pior do que tudo que eu já havia descoberto ate então, o próprio nome por si só já da medo, Bonde das Impostora (sem 's' mesmo). “Olha aqui sua cachorra, eu pulando da bagaça” (no momento escuto Funk da Biscate Caminhão). E o pior de tudo, é que tem gente que diz que isso é cult e ta super na moda. Pior mesmo é a composição do tal bonde (preparem-se), um emo e uma piriguete. Sim caros amigos, o apocalipse está próximo, abriram-se as porteiras do inferno, Nostradamus estava certo, o mundo vai acabar. Emos e piriguetes juntos? Cantando? E depois diziam que a Dercy Gonçalvez é decadente. Pior que isso só o Bonde do Role, que diga-se de passagem, faz mais sucesso lá nas terras européias do que no Brasil, sinceramente, que fiquem por lá.

Falando em piriguetes, lembrei de uma coisa, e não, não foi a musica do momento com o refrão super difícil de decorar em que se canta por vinte minutos sem parar para respirar “piri pipiri pipiri piri piriguete”. Eu tenho imã pra piriguete (lá vou eu me gongar de novo). Estou eu passando pela rua a noite voltando da faculdade, a piriguete para no meio da calçada, me olha de ponta a cabeça e solta um “Boa Noite gatinho” (mamãe me ensinou a ser educado, eu dei boa noite, mas apressei o passo). Quando isso aconteceu pela segunda vez eu percebi que o melhor é você ignorar e ir pro outro lado da rua. Enquanto isso vou quietinho tentando virar monge budista e me livrar dos pensamentos mundanos da carne.

Voltando ao meu terrível problema com as portas do inferno musical que se abriram para a minha vida, eu decidi que vou continuar curtindo o Dan, uma hora, naturalmente, essa onda retrô de O-Zone vai passar. Quanto aos bonde’s, espero que saiam dos trilho, batam num muro e morram (não eu não sou tão mal assim, percam as vozes e já ta de bom tamanho). Já as piriguetes... é, vou continuar atravessando a rua toda vez que encontrar uma dessas vindo na minha direção.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Conversas Bizarras na Universidade – Ato II

Pollyana Morena Veneno diz:
Manu, Samuel, vocês tão ficando doidos. Doidinhos aqui na UFAC.

Bryan diz:
Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Manu diz:
Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk Por que, Polly? Kkkkkkkkkkk

Pollyana Morena Veneno (com cara de séria) diz:
Porque vocês tão. E tu Manu, é a mais doida, e ta arrastando o Samuel contigo.

Bryan diz:
Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.
Vovó sempre disse que eu sou uma pessoa muito influenciavel.

Pollyana Morena Veneno diz:
Vocês só comprovam uma tese minha. Se você murar a UFAC, ela vira um manicômio, se jogar uma lona, vira um circo.

Bryan e Manu dizem:
Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Simona Animal (fingindo que é uma pessoa séria, mas cuspindo saliva de tanto rir por dentro) diz:
Bixo, eu me preocupo com o mundo, é triste, o mundo é cercado por pessoas com a profundidade de um pires

Bryan (com a barriga doendo) diz:
Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Manu diz:
Repete pelo amor de Deus que eu vou colocar essa frase no meu Orkut.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Eu não estou lá escutando canções de amor...


O cinema é a única arte que me faz entrar em desespero constante. Aliás, cinema já foi motivo de ciúmes em algum namoro que não lembro bem o qual (se for o atual é melhor não lembrar mesmo!), pelo motivo de numa crítica a algum filme ter escrito que “Eu só assisto filmes sozinho, nada de companhias, só se for obrigatório. É o filme e eu. Só nós dois. É uma relação de prosa e poesia, ou um rompimento sem volta com cada película. O cinema é meu maior amante.” (meloso, não?)

Enfim, por que foi que eu comecei a falar disso? Lembrei. Porque “eu não estou lá escutando canções de amor” (mais melosidade, calma que isso tem um sentido, eu juro). Existem dois gêneros cinematográficos que Bryanzinho aqui tem nojo desde que se entende por gente e assistiu (e se emocionou) pela primeira vez o Rei Leão no chão do Cine João Paulo (porque o burro aqui na época era um cavalheiro e deu a cadeira em que estava para a prima no cinema lotado), o musical e o biográfico.

Eu moro no Acre. E isso por si só já faz com que uma pessoa que se dedique a cinema tenha vontade de ter alguns enfartes de vez em quando. Meu período anual de crise-suicida-cinéfila acontece a partir do Festival de Cannes. Entre os títulos que quase me fizeram ter orgasmos múltiplos estava o novo filme do Ang Lee e o A Prova de Morte, do Tarantino (sangue, sangue e agora eu dou aquela risada de bruxa maligna), mas Les Chansons d'amour, um filme que é tudo o que eu sempre desprezei, musical, romance e gente muito bonita parecendo sensível, teve uma atenção minha muito especial. Então por que diabos eu gostei desse filme viadinho? Sei lá! Talvez porque seja do Christophe Honoré, diretor do fabuloso Dan Paris, talvez porque tenha um dos meus atores favoritos no meio, o Louis Garrel e talvez porque seja um filme francês (essa paixão exarcebada por cultura francesa ainda vai me lascar legal algum dia).

Mas o que mais me encantou, muito além de todos os outros lançados esse ano, foi I’m Not There, do pouco conhecido Todd Haynes, que é um filme biográfico, sobre ninguém mais, ninguém menos (se você tiver adivinhado de quem pelo título do filme, você ganha um doce), Bob Dylan. Eu nunca escutei uma musica do Bob Dylan, mas a trajetória dele me fascina. Eu nunca assisti um filme do Todd Haynes, mas Velvet Goldmine é um filme que eu espero para assistir há pelo menos 1 ano. Além disso, num filme que mistura histórias verdadeiras e histórias falsas, e tem 6 atores que encarnam um mesmo personagem durante sua trajetória, não ter meu interesse é motivo de que alguma coisa está errada.

Eu sei que minha argumentação sobre o motivo de eu estar tão ansioso (lê-se: desesperado) para assistir I’m Not There e Les Chansons d'amour não está boa. Mas o meu objetivo aqui não é convencer você a assistir esses filmes e sim demonstrar o quanto eu sou apaixonado por cinema. Esse não é um daqueles meus textos loucos sobre muita coisa, é uma carta de amor sobre aquilo que mais me fascina, é sobre o poder de atração que o cinema tem sobre a minha pessoa. E sim, eu devo estar doente, se tiver um psicólogo ai na platéia, eu preciso de ajuda.

O Festival do Rio e a Mostra de São Paulo esse ano me foram convidativas ao limite. A lista de filmes me era quase dolorosa. Saber que alguns desses filmes eu só assistirei daqui a um período de no mínimo 6 meses é angustiante.

Lógico que eu também não poderia deixar de falar da moda de gostar de cinema alternativo. Hoje em dia você deve andar com a revista da Caros Amigos no braço, camiseta do Che Guevara (aquele assassino sanguinário que eu virei fã só depois que descobri que ele é um assassino sanguinário) e quando o assunto é cinema você tem que, obrigatoriamente, falar muito mal do cinema americano, evitar todos os filmes de língua inglesa em qualquer festival e aclamar aquele filme que se passa no Cu-Do-Quistão (tudo que é audio-visual do oriente médio é extremamente cult na moda do momento) falando hergebaico, com legenda em mandarinaico que ninguém viu, quem viu não entendeu, e quem entendeu foi só o diretor e a mãe dele (talvez nem a pobre senhora). Sendo que na verdade você ta louco pra saber o que aconteceu em Lost (falando nisso, puta que pariu, o final da terceira temporada foi bom pra caralho).

Cinema é uma arte muito relativa em gostos. O mundo cinematográfico parece, em muitos momentos, ser aparte do real. Não importa o quanto ele demonstre a realidade, aquela é a realidade do filme mostrada para o mundo, mas nem sempre aquela é a realidade do mundo mostrada pelo filme. Cinema não tem moda, tem um amontoado de idéias, um amontoado de realizações e um amontoado de resultados, diferentes, únicos, iguais, eficientes e inúteis. E claro, o poder de desesperar um ser humano como eu a esperar muito tempo para assistir aquele filme que me encantou sem nem saber o que encontrarei pela frente.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Conversas Bizarras Pelo MSN - Ato I

S. Bryan diz:
o meu vício em Heroes ta chegando no limite

---- fora do ar ---- diz:
o que aconteceu? tentou voar???

S. Bryan diz:
claro que não!

---- fora do ar ---- diz:
ainda bem!

S. Bryan diz:
eu estou tentando ler a mente das pessoas e mover objetos telepaticamente. mas eu acho que queria controlar o contínuo tempo e espaço. É mais legal.

---- fora do ar ---- diz:
ô meu deuso... tá grave...

S. Bryan diz:
e quando o Sylar vier arranca meu cerebro eu paro o tempo, me teleporto e vou pra outro canto. Depois vou gritar “I DIIIIIIIID” e ficar com o braços pra cima assim óh \o/

---- fora do ar ---- diz:
hahahahaahahahaahahahahahahahaahahah

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Música Alternativa, Moda Nada Alternativa e Tudo Aquilo que Você Nunca Admite

Eu passei mais um final de semana em casa. Mas diferente dos últimos finais de semana que eu passei entortando minha coluna na frente do computador, dessa vez eu fiz qualquer outra coisa, porque eu enjoei de Internet. Ei, espera ai, "enjoei de internet", eu disse isso? Alguém vem aqui e me dê um tiro. Eu quero ser jornalista, escritor, cineasta, músico alternativo (hum... pensando bem, essa eu pulo), crítico chato de tudo que aparece de novo, então, ei!, eu não posso enjoar de internet. É mais que uma diversão, no meu caso, é necessidade.

O pouco tempo que eu passei na internet nesse fim de semana, foi conversando besteira com o povo online e procurando música alternativa. Falar de música alternativa é interessante. Por exemplo, se eu falar que passei esse fim de semana só escutando Dangerous Muse, Sergey Lazarev, Patrick Nuo e Rogue Wave, você, caro leitor, que com quase minha certeza absoluta não conhece mais do que um dos citados, vai dizer: "Pow, nunca ouvi falar desse povo, devem ser músicos alternativos bacanas". Bobinhos!


Sergey e Patrick não passam de músicos de pop/romântico-barato, Rogue Wave me lembra country americano, mas parece country/pop/semi-barato/ que-tem-faixa-em-Heroes. A única coisa que pode ser chamado de alternativo realmente é o Dangerous Muse. Mas o DM toca eletro-music. E musica eletrônica pode ser alternativa? No meu conceito, claro! Eu adoro quando uma pessoa diz “Eu só gosto de música alternativa”, geralmente é um motivo para eu olhar, sorrir e pensar “Otário(a)!”. As pessoas tem o costume de achar que musica alternativa é toda musica feita por cantor ou banda que possui todo aquele caráter regionalista, revoltante, semi-socialista-comunista, apreciado por poucos e idolatrado em rodinhas de discussão de pessoas que se acham elite cultural sentados numa mesa de bar alternativo tomando vinho.

Acabamos sendo condicionados a pensar isso. Porque as outras pessoas pensam e dizem isso. E porque no fundo queremos ser esse tipo de pessoa (e vocês vão negar até a morte, eu sei). Bem, mas voltando rápido a musica alternativa e Dangerous Muse, eles são alternativos sim. A particularidade deles, o som “oitentista”, as letras, enfim, não existe algo parecido, e não existindo algo parecido, nem que eles tocassem brega, eles seriam alternativo. Aliás, a minha relação pessoal com as músicas do DM são quase eróticas (abafa, mas aquelas letras e aquela melodia...). Pra mim, isso é ser alternativo, ter algo que é só seu e que não está na linha de grandes reconhecimentos da mídia (não queria usar essa palavra), mas ainda assim, possui o seu reconhecimento, e mesmo que mínimo, isso basta.

Uma frase que sempre ouvi muito das pessoas que me cercam durante toda a minha vida foi, “Ninguém me influencia, eu tomo as minhas próprias decisões”. Aos poucos a gente descobre que isso é mentira. Todo mundo é influenciável, mas não falo de modo direto e sim de um modo inconsciente. Rodas de amigos, família, trabalho, colegas de estudos, mídia, internet, tudo isso e mais te influencia, nos seus gostos, nas suas vontades e nos seus atos. E mesmo assim as pessoas ainda gostam de dizer que são únicas (eu sei, a verdade dói, mas respire e relaxe, não é só você).

Um exemplo bobo pra isso que vem de mim mesmo aconteceu nesse sábado. Eu nunca liguei para marcas, mas ao longo do tempo, me aproximando de moda, eu fiquei louco por ter algo da Calvin Klein. Esse desejo nasceu naturalmente? Claro que não! Eu fui totalmente influenciando pelo mundo. E eu to me culpando por isso? Nem um pouco! Então eu comprei uma camiseta CK. Nem chorei com o preço. Sai sorridente e tudo (diga-se de passagem, houve uma cena interessante na loja, mas, abafa²). Comprei uma camiseta da CK cujo valor eu podia ter utilizado pra comprar cinco no Formigão - O Barato da Moda.

Nunca conheci ninguém que batesse no peito pra dizer que comprava roupa no Formigão. Minha avó e minha tia um dia foram filmadas lá e saíram num comercial onde umas 20 mulheres disputavam uma pilha de calças jeans de R$30. Foi o fim, minha tia (chiquérrima), quase chorou (se tivesse sido na Daslu, teria sido muito diferente). Eu não parei de zua-las. Enfim, só porque somos todos condicionados a termos atos por influencias dos outros (e isso é fato, não adianta nem ficar falando “mas, mas...”), não significa que não temos nosso jeito próprio, nossas particularidades. O que não podemos é sermos hipócritas a ponto de dizer que somos ininfluenciáveis (palavra bonita não?).

No fim, eu tenho que voltar a ser viciado em internet. Quando eu tiver esses atos loucos de achar que to enjoando, vou pra frente do espelho, me dar dois tapas e dizer “Se oriente, garoto!”. Meu professor de Administração pelo SIGO disse que quem vive sem internet e celular é mais feliz. Pode até ser. Mas eu ainda prefiro isso tudo, a sinais de fumaça e isolamento numa selva peruana.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Como me tornei estúpido, ou, fase de bloqueio de idéias

Eu nunca gostei de 911, aquela série médica que passou na Globo. Sinceramente, aqueles dramas pra mim eram um saco. Talvez foi a partir de não gostar da dramatização médica de 911 que eu tenha começado a desenvolver meu senso crítico e analítico das coisas. Aí, eu tava assistindo a Record num dia desses e o que eu vejo que ta passando lá depois das 11 da noite? House. Nossa, eu tava querendo assistir House há meses. E agora eu tinha a oportunidade (com uma dublagem sofrível é claro, Deus, chega a doer nos meus ouvidos).

House é uma série americana que conta sobre o dia a dia do doutor House e sua equipe médica. Comum? Eu não vou nem explicar muita coisa. Apenas fiquem com esse comentário do House sobre uma criança com câncer: “Não pode aparecer uma criança com a cabeça careca por aqui que todo mundo já considera ela Madre Teresa de Calcutá”. Bizarro, não? Para o doutor House, um caso é só um caso e ele só os trata com frieza, arrogância e um humor negro que lembra eu mesmo nos meus bons tempos. A equipe de House é mais humana, menos o negão (não é porque ele é preto, mas ele é nojento). E nossa, eu me empolgo assistindo aquela série, fico até agitado. É muito bom, de uma inteligência que eu sempre procurei num programa de televisão.

Aliás, a Record ta com um momento fantástico de séries. Além de House, ta passando também CSI e estreou Heroes (com o perdão da palavra, Heroes é do caralho). Também não me arrisco em dizer que esse é o melhor momento das séries americanas no próprio EUA. Pow, esse ano estreou as novas temporadas de Roma, Família Soprano e Desperate Housewives, além disso, a competição de Heroes e Lost foi ferrenha.

Mas o assunto aqui não é esse. Ontem eu estava lendo Os Sonhos Morrem Primeiro, de Harold Robbins. É um livro bastante interessante, mesmo escrito em 1978, talvez porque eu adore estórias de bastidores de mundos pouco conhecidos, como o da indústria editorial pornográfica dos EUA (aliás, eu sempre me perco nos valores de dólares, U$2.000 naquela época era uma fortuna considerável). Quando de repente eu largo o livro e solto um: “Eu to ficando burro”. Minha avó, que estava lendo A Bruxa de Portobello (eu não suporto Paulo Coelho desde O Zahir) na hora, largou o livro e ficou me olhando.

Não que eu esteja deixando de estudar, ler ou me informar das coisas. Pelo contrário. Mas ultimamente eu estou sentindo que meu senso crítico não é mais a mesma coisa. Eu sempre tive um tipo de posição contrária ou polêmica das outras opiniões. Aliás, a maioria das coisas que as pessoas “cultas” gostam eu sempre tenho uma análise própria (tipo, sabe O Caçador de Pipas? Então, achei chatíssimo). Eu gosto de ter uma visão das coisas de um jeito só meu. Sempre uma crítica particular e um senso de captar as coisas ao meu redor com uma facilidade grande. Agora, sei lá, sinto como se tivesse perdendo isso.

Quando falei isso pra minha avó, ela disse: “Deve ser porque você ta ficando mais centrado na vida”. Fiquei doidinho. Se começar a ter a capacidade crítica mais pros cantos do senso comum é ficar centrado na vida, eu prefiro largar tudo, morar numa casa no campo, escrever contos baratos e ter um caso sórdido de amor (esse é o tema de um filme cujo título me foge a cabeça no momento).

Essa conversa que eu tive me lembrou o livro que eu quero comprar, Como me Tornei Estúpido, do francês Martin Page. A sinopse do livro diz que o personagem principal, Antoine, sofre com a inteligência e o senso crítico que tem. Tortura a mente dele e nunca o levou a lugar algum (eu sempre fui a favor da idéia de que a nossa mente é nossa maior torturadora). Então ele tenta de tudo pra ser menos crítico e analítico, ate mesmo arrancar parte do cérebro. Não dá certo, mas ele descobre um remédio poderoso e se torna amigo de um corretor de imóveis que o faz ficar rico sendo pouco inteligente, além de ingressá-lo na elite de Paris. Então se tornando estúpido, a vida de Antoine começa a melhorar. Mas de vez em quando o efeito do remédio passa, e o senso crítico volta pra torturar.

Engraçado. Eu to tentando ser diferente de Antoine. Entrei em crise por causa disso, mas ontem mesmo, depois de me tocar que talvez eu esteja me tornando estúpido, eu tive um lapso. Uma idéia, que sinceramente eu achei boa como poucas que eu criei. Já to de mãos a obra e vamos lá. Lá vou eu tentar salvar meu senso crítico e analítico e quem sabe um dia eu poderei me equiparar aos pés do próprio doutor House e não precisar me tornar estúpido, muito menos por vontade própria.