segunda-feira, 15 de junho de 2009
Eu odeio começar uma obra e não saber como terminar
O ônibus da Ufac às 18h30 é lotado. Completamente lotado. Geralmente depois da metade do percurso ninguém mais consegue subir e ninguém desce. As pessoas lá só vão pra Ufac. Elas não vão descer na metade do caminho. Então o ônibus fica lotado. E ninguém mais entra.
Ainda assim o ônibus vai num silencio mórbido. Ninguém conversa, ninguém troca olhares. Eu olho todo mundo. Mas ninguém me vê, porque ninguém me olha, ninguém repara em mim, e ninguém repara em ninguém. Até o dia em que eu olhei praquela garota e surpresa, aquela garota olhava pra mim.
1.1
Eu estou deitado no colo daquela garota. Ela afaga meus cabelos e me canta musicas dos Los Hermanos. Ela adora as musicas dos Los Hermanos, ela ama, diz que o Marcelo Camelo é o poeta de toda uma geração. Eu odeio. Aliás, eu nem ligo. Eu gosto de escutar Arctic and Monkeys no meu ipod. Ela não tem ipod. Aquela garota de saias de renda canta Los Hermanos pra mim enquanto eu estou no colo dela. Eu odeio Los Hermanos. Mas eu gosto daquela garota. E a voz dela é tão gostosa.
Faz um calor danado na Ufac. É começo de maio. E debaixo de uma árvore eu estou no colo daquela garota. É sábado de manhã. Um ônibus passa por nós. Ele está vazio. Nenhum ônibus circula cheio na Ufac sábado de manhã. Só o primeiro. Aquela garota massageia meus cabelos. Ela olha pra mim e sorri. Ela canta baixinho “deixa eu brincar de ser feliz”. É uma frase bonita. Mas em seguida vem “todo carnaval tem seu fim” e eu sinto uma tristeza tão grande dentro de mim.
1.2
Aquela garota anda na minha frente. Nem de perto, nem de longe. Ela está numa distancia fixa. Vinte minutos atrás ela tinha dito “eu não sou capaz de te amar”. Quinze minutos atrás começou a chover desesperadamente. Dez minutos atrás ela começou a caminhar debaixo de chuva. Nove minutos atrás eu tentei abrir meu guarda chuva, mas ele quebrou, porque eu tentando limpar meus óculos sujos na frente de respingos d’água e atrás das minhas lágrimas acabei abrindo o guarda chuva errado. Oito minutos atrás eu estava começando a andar rápido para alcançar aquela garota, mas quando eu a alcanço, eu diminuo passo. Quatro minutos atrás eu estou completamente encharcado e minha cueca molhada incomoda porque começa entrar dentro da bunda. Dois minutos atrás aquela garota para de andar, eu paro junto, ela olha pra mim e diz:
“Eu estou indo embora e você nunca mais vai me ver”.
Um minuto atrás aquela garota foi embora. E eu nunca mais a vi. Zero minutos atrás, eu estou parado, chuva caindo, e a cueca não me incomoda mais. Meus óculos estão molhados por dentro e por fora.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Se você acha que a Terra é um planeta sem esperança, nem queira conhecer o resto da galáxia então...
“...Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu.”
Entre parar pra pensar no sentido da vida, do universo e tudo mais, ou viver feliz, eu escolhi viver feliz. E quando eu penso que essa escolha pode ter sido a errada, é só eu parar um segundo pra pensar no sentido da vida, o universo e tudo mais pra perceber claramente que eu fiz a melhor escolha possível.
Atualmente eu estou lendo a trilogia de 4 livros de Douglas Adams. E esqueçam Star Wars, pois O Guia do Mochileiro das Galáxias é a melhor obra de ficção científica desse planeta. E também a mais nonsense/bizarra/porra-louca/que-diabo-é-isso? da história. No primeiro capítulo do primeiro volume temos a destruição total da Terra. Por quê? Simples, nosso planeta é um pequeno obstáculo na construção de uma estrada espacial. Tivemos 50 anos pra fazer reclamações no escritório público mais próximo, que fica em Alfa de Centauro, o problema é que não vamos lá com muita frequência. Sendo assim, após trinta segundos de pânico, a frota dos alienígenas Vogons (a raça mais terrível do universo não por serem perigosos, mas burocráticos demais) destrói o planeta. Simples assim!
Arthur Dent é o único que escapa com vida, pois seu amigo alienígena (que ele não sabia ser alienígena até 12 minutos antes da demolição) o tira do planeta. E após uma improbabilidade bizarra que pode ser explicada cientificamente através do Gerador de Improbabilidade da nave Coração de Ouro, passam a viver algumas aventuras juntos com Zaphod, Trilian e o robô maníaco-depressivo-suicida Marvin.
Porém, o livro tem uma tirada bastante interessante. A resposta da questão fundamental da vida, o universo e tudo mais. Um computador mega fodástico (e arrogante pra caralho) após alguns milhões de anos de calculo, disse que a resposta a essa questão é... 42. Sim, os criadores do computador ficaram tão putos com essa resposta quanto você leitor. O computador informou que o problema não era a resposta, mas a pergunta, que eles não sabiam, e que não era possível de se descobrir pelo computador, então a busca da questão fundamental da vida, o universo e tudo mais se torna o foco, porque a resposta nós já temos.
O primeiro volume da série é de longe um dos livros mais incríveis que eu já li, uma crítica forte a nossa sociedade e ao nosso planeta com suas guerras sem sentindo, seus preconceitos e estupidez. Nem o livro de Piadas do Costinha me fez chorar de rir, mas o do Douglas Adams sim. Porém, após uma alta expectativa depois de ler O Guia, o segundo volume, O Restaurante no Fim do Universo, me soou deveras decepcionante. Chorei de rir? Chorei! É bom? E ái daquele que falar algo contra! Mas pareceu sem o ritmo bizarro inflamado pelo primeiro. Sem falar numa questão que me encheu o saco em particular: a banalização da viagem no tempo.
Gente, como é que o James Cameron consegue dormir a noite? Se todo mundo no nosso planeta acha que viajar no tempo resolve todos os problemas da nossa vida (e da Skynet também, a maquina de inteligência artificial mais burra do mundo), a culpa é do James Cameron. O Exterminador do Futuro é a série de ficção científica mais sem sentido da história. Terminator 1 e 2 são tão bons, mais tão bons, que a gente nem consegue questionar os defeitos mega-hiper-powers dos roteiros, mas o 3 e 4 são tão bomba, junto com aquela série bizarra da Sarah Connor que aí a gente percebe como tudo é uma viagem em LSD sem volta.
Exterminador 1: O Kyle Reese veio do futuro pra salvar a Sarah Connor porque ela vai ser a mãe do John Connor, o todo fuderoso da resistência, só que aí, o Kyle pega a Sarah e quem nasce dessa pegada com força? Jhon Connor. Heim? Como assim, Bial? O pai do Jhon Connor é mais novo que ele minha gente e nasceu depois dele. Stephen Hawkey, explica o que isso significa:
Exterminador 2: O pau no cu do Kyle disse que a resistência estava vencendo a guerra, então porque mandaram mais dois Exterminadores mesmo? Ah, eu não consigo falar mal desse filme mesmo querendo. Tem algumas das melhores cenas de ação ever e a personagem feminina mais incrível do cinema, a Sarah Connor sarada, louca e gostosa me deu mais pesadelos que o T1000.
Exterminador 3: James Cameron deve ter dito, “Galera, eu não sei mais o que fazer com esse filme, não dá, não tem roteiro”, mas eles fizeram. Os produtores pensaram: “Vamos colocar uma loira gostosa com cara de suíça e vai dar certo do mesmo jeito”. O John Connor é um viadinho chatinho e não aquele adolescente doidaço envolvido com drogas e venda ilegal de armas que ele deveria ser. O filme só serviu pra ensinar de uma vez que o passado não pode ser mudado pra mudar o futuro. O problema é a que a burra da Skynet ainda não percebeu isso depois de 3 filmes e uma leva de Exterminadores top de linha esbagaçados.
Exterminador 4: É tão ruim que eu tenho que ir por tópicos. A) Por que as máquinas aprisionam humanos? Sadismo? Fetiche sexual? Cadê o conceito de auto-suficiência, minha gente? B) Por que tudo na filial do Norte da Skynet (sim, porque ela se mostrou uma multinacional na verdade, com várias sedes) parece ter sido construído pra seres humanos manusearem facilmente? C) A gente não sente nem cheiro de viagem no tempo o filme inteiro. Mas o Kyle maldito (perceba meu ódio perante esse personagem) ta lá, adolescente e mais novo que o próprio filho. E por último D) O Arnold Schwarzenegger foi feito do mesmo material que o Huck do primeiro filme.
A série O Exterminador do Futuro já tá tão sem noção, que perdeu a graça. Sem falar que uma das poucas lógicas dela é: se tivessem matado o John Connor no primeiro filme, a humanidade estaria salva.
Viajar no tempo é a solução dos seus problemas. A banalização da viagem no tempo também passou para o novo filme da série Jornada nas Estrelas, de novo com esse papo de salvar alguém que está sendo ameaçado. Me admira que o George Lucas não tenha usado essa idéia ainda, porque o cara que produz barulho no vácuo deveria ter usado viagem no tempo até pra cortar as unhas dos seus personagens. Graças a Deus, tirando a ideia de fazer Episódio I, II e III, ele não pensou nisso também.
A melhor proposta na cultura pop a falar de viagens no tempo é a quinta temporada de Lost. Quem acompanha a série e já terminou a última temporada deve ter pensando como eu: “Agora fudeu de vez!”. Mais louca, insana e bizarra que todas as outras temporadas juntas, os perdidos de Lost viajaram no tempo e passaram uns dias brincando de casinha com a Iniciativa Dharma. Para a nossa sorte, existe um físico no grupinho, e ele diz que: não é possível mudar o futuro alterando o passado. Para provar mais ainda essa teoria, o próprio físico começa a achar o contrário, tenta mudar o futuro e péi, morre, sendo que sua morte já era sabida pelo pessoal que está no futuro. Ou seja, o passado é inalterável. Segue uma lógica simples: se você viaja no passado pra matar o seu avô, por consequência você não nasce, e se você não nasce você não pode viajar no tempo pra matar o seu avô. Sacou ou pede ajuda pro Stephen Hawking?
Bem, a 6ª e última temporada de Lost vem aí para o delírio dos fãs, e mais dois Exterminadores do Futuro estão em produção, para o desespero dos fãs. Podemos esperar mais banalização da viagem no tempo, até um dia chegarmos ao ponto de Douglas Adams em sua trilogia de 4 livros: “O maior problema da viagem no tempo não é o perigo de você se tornar o seu próprio pai, famílias modernas podem lidar facilmente com isso, mas a conjugação verbal, porque você descobre que o Pretérito Perfeito não é tão perfeito assim”.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Entre o começo e o fim existe o meio
Do começo ao fim é visivelmente um filme "diferente", primeiro por tratar de um dos últimos tabus da humanidade, o incesto, segundo, por ir além desse tabu e tranformá-lo num incesto homossexual. O longo trailer é cheio de cenas bem impactantes. O momento em que os dois irmãos estão juntos na cama e confessam que amam um ao outro soa pesado, eles são irmãos, aquilo é... errado (ou não?). Ainda assim, as imagens causam um grande fascínio e apresentam uma trama complexa, que se segura e que tem Julia Lemmertz em visível performace sublime.

Porém, dentre esses todos, o telefilme Orações para Bobby chamou bastante minha atenção. É um filme bem triste, e que vale bem mais a pena a partir de sua metade, quando o Bobby em si morre. Filho de uma mulher altamente católica, Bobby não foi só reprimido duramente, mas foi convencido pela sua mãe que a homossexualidade era um pecado forte e errado. Mesmo Bobby conseguindo se desapegar da família, não se desapegou da idéia da mãe e se matou. A partir desse momento, sua mãe (uma Sigourney Weaver assustadora), entrega-se a uma dor sem tamanho, e passa a se sentir a única responsável pela morte do filho. É doloroso demais o momento em que ela entra na igreja toda molhada e anuncia ao padre que foi ela quem matou o filho que mais amava. Orações para Bobby pode ser um simples telefilme, mas tem uma essência tão forte que indiscutivelmente o torna um ótimo filme a abordar o real questionamento de ser homossexual.sexta-feira, 1 de maio de 2009
A vida como ela é... sim, e daí?

Meu novo vício tem sido a série Brothers & Sisters. Uma ótima produção norte americana que hoje está em sua terceira temporada, mas que eu ainda estou finalizando a primeira. E eu já vou logo avisando que se você está esperando eu falar de uma série louca, toda cheia de confusões, vidas perturbadas ou mistérios, lamento, mas só tem uma palavra para eu definir Brothers & Sister: careta! A série não é só careta, ela é caretíssima, ao extremo. Talvez seja por isso que eu posso afirmar que adoro esse programa, porque o caretismo às vezes é o que nos traz mais conforto na vida.
Brothers & Sisters conta a história de uma família rica e cheia de valores próprios que tentam lidar com a perda do patriarca, a quebra financeira da empresa e a descoberta de mentiras do passado que nunca vieram a tona. São cinco irmãos, completamente diferentes um do outro, mas que se amam e tem um elo fortíssimo (cada um a sua maneira) com a mãe, uma mulher forte, porém, meio sequelada (de doida mesmo, não psiquiatricamente). A questão é que todos ali são seres humanos, cada um com suas vidas, com seus problemas pessoais, com suas famílias para criar, com seus corações para lidar, com suas felicidades, vitórias, princípios e medos.
A questão é que não importa o quanto eles tenham tudo isso, pois uma coisa eles sempre terão, a si mesmos. Esse é o grande segredo de Brothers & Sisters, o de sem nenhum artifício pitoresco (muito comum hoje nas séries americanas) mostrar de verdade como funciona o amor familiar.
Não é de hoje, que os valores familiares se tornaram indefiníveis. De fato, uma das grandes questões da nossa humanidade, é que cada geração que vem se distancia mais ainda da anterior. Pegue você mesmo como exemplo. Você vive num mundo que não é nem um pouco mais igual ao da sua mãe. Porém, a sua mãe viveu num mundo onde possivelmente ainda havia muitos dos valores do mundo da mãe dela.
E aí chegamos ao momento em que o prazer das pessoas mais mal amadas é dizer que “a família é uma instituição que está falindo”. O cu deles que está falindo. Lembro que quando eu era do colegial, a notícia do suicídio de um garoto chocou toda a escola. Porém, o relato de um dos meus professores foi o que mais me interessou. “No começo do velório havia muita gente, mas elas foram saindo, saindo, até que antes da meia noite só restava a família”, ele suspirou e voltou a falar, “não importa o que vocês jovens achem, o quanto considerem que seus amigos são os melhores do mundo e seus pais incompreensíveis, no fim, só restará a família”.
Eu conheço um numero infinito de pessoas que se distanciam de suas famílias, cujo diálogo não esta presente, cujos valores morais diferentes nunca entram em acordo. Por quê? Talvez porque hoje em dia, as pessoas tenham deixado de praticar uma coisa que é capaz de mudar vidas, a tolerância. Familiares brigam, se xingam, riem, choram, vivem... mas se não há tolerância, nada disso acontece. A família só é família, quando todos sabem se tolerar. E aí vocês podem dizer: “mas isso não existe na minha família”, ao que eu lhe pergunto: “você já tentou criar?”.
E como dizia Chaplin, numa frase que particularmente me incomoda: “amigos são a família que Deus nos permite escolher”. Me incomoda sim, mas só como uma coceirinha de leve. Talvez porque eu seja o melhor amigo da minha mãe e que por vezes nos esquecemos dos nossos laços sanguíneos, que quando crianças a minha avó e meu avô tenham sidos meus maiores pilares de sustentação e hoje me esforço pra ser um pilar de sustentação pra eles e que quando lembro da tia que me criou e me ensinou o gosto pela leitura, mas hoje mora longe, paro um momento e meus olhos lacrimejam. A família também são os amigos que Deus nos dá.
E é só quando eu acho que somos plenos desse valor que somos capazes de transmitir de verdade o que sentimos para outras pessoas. Para aqueles que também representam nossas estruturas, aqueles que batizamos com a palavra: amigo. A amizade é de longe uma das coisas mais fantásticas, intrigantes e misteriosas do universo. Pois é uma palavra super bobinha que explica como podemos nos relacionar com as pessoas mais fantásticas, intrigantes e misteriosas do universo.
Amigos vêm, amigos vão, existem aqueles que nós queremos que nunca nos deixem, mas nos deixam, existem aqueles que nos deixam, mas voltam, existem aqueles que nós deixamos, aqueles que ficam para sempre, aqueles que nos conhecem melhor que nós mesmos, aqueles que não nos conhecem, mas nós adoramos mesmo assim. Minha avó costumava dizer que existe uma grande diferença entre amigo e colega. Amigo é uma palavra muito forte, e que nós temos que saber exatamente o valor dela, para usá-la somente com as pessoas certas. Por isso eu meio que encho o peito e falo num tom mais grave ou simplesmente diferente quando me refiro a alguém como meu amigo.
Eu não acho que exatamente a gente escolhe nossos amigos. É um tipo de química, algo que liga no seu cérebro e no da outra pessoa e que vai deixar vocês unidos agora e vocês nem perceberão isso. Uma ligação que não se sabe onde está e que pode ser alimentada e destruída por ‘n’ fatores.
Se existe a série Brothers & Sisters, eu acho que uma melhor ainda seria Family & Friends. Porque de certo modo, por todos, nós compartilhamos um sentimento especial. Todos nós amamos e desejamos o melhor sempre que possível, pois essa é na verdade a grande coincidência entre amigos e familiares, o bem que nós desejamos um aos outros. Se você não compartilha disso, possivelmente é porque não tem fé, não só na família ou nos amigos, mas principalmente em si mesmo.
Se você conseguiu chegar até o fim desse texto já deve ter percebido que ele é totalmente diferente dos outros que eu escrevi, mas se eu o desapontei não vou me desculpar por isso. Essa na verdade é uma carta de amor que eu escrevo aos meus amigos e a minha família, aqueles que ajudam eu a ser quem eu sou, e que eu me esforço todos os dias para ajudá-los a continuar sendo aqueles que eu amo.
domingo, 5 de abril de 2009
Conversas Bizarras Após Batidas Bizarras
Eu: OH, MEU DEUS! CARA, VOCÊ TA BEM?
Motoqueiro: Aí (saindo do para-brisa todo trincado), eu tô sim, so machuquei o joelho, mas tá tranquilo!
Eu (tremendo): Obrigado, Senhor! Deus é pai, não é tio nem padastro, é pai! Agora vem aqui.
Motoqueiro: Por quê?
Eu: Porque se o acidente não te matou eu faço esse serviço. Vem cá seu desgraçado, METADE DO MEU CARRO TA DESTRUÍDA E A SUA MOTA NÃO ESTÁ NEM ARRANHADA!
Motoqueiro: Ei, calma aí...
Eu: Calma aí nada...
Desconhecido: Gente, tá tudo bem por aqui? Querem que eu chame o Samu?
Eu: Calma, me dá 15 minutos com ele, aí tu chama o Samu!
Motoqueiro: Tu não me viu não?
Eu: Tu não viu o sinal VERMELHO não?
Desconhecido: Ei cara, tu passou no sinal vermelho.
Motoqueiro: NÃO TE METE!
Desconhecido: Ah, vá pra casa do caralho...
Motoqueiro: Vá pra casa do caralho você...
Eu: ...
Vizinho (chegando): Nossa, tu tá bem?
Eu: Até que eu tô (olho pro que sobrou do carro e uma lágrima desce solitária pelo meu olho direito), meu bolso é que não!
Brincadeiras a parte só posso agradecer a Deus por nada de grave ter acontecido no acidente que tive na última sexta-feira.
terça-feira, 17 de março de 2009
Com Que Maníaco-Assassino-Serial-Irracional Você Se Identifica Mais?
Jason: “Euuu!”
A série Pânico fez mais merda nos slasher movies do que o Jason foi capaz. Ok, eu admito que Pânico é um fruto de Sexta Feira 13, mas mesmo assim, não tem salvação. Primeiro, temos aquele assassino com aquela fantasia ridícula (em cada filme é um diferente, mas sempre com a mesma fantasia), depois, sempre os adolescentes americanos estereotipados, os piores tipos, a gostosa, o jogador, o tímido que não transa com ninguém, a metida a espertar e a virgem, que sempre sobrevive, mesmo que ela perca a virgindade. Os três filmes são muito ruins, as mortes também são muito sem graça, os desfechos são piores ainda. Afinal, quem sai fantasiado dentro da cidade, a vista de todo mundo, matando e perguntando antes: “Qual seu filme de terror favorito?”? Se nem no campo isso faz sentido, imagina na cidade.
m mineiro (não gente, ele não nasceu em Minas Gerais, ele trabalhava em minas) que na noite do dia dos namorados saia de sua mina com uma picareta suja de sangue e matava garotinhas apaixonadas, arrancava seus corações e mandava para outras pessoas em caixas de bombons em formato de... coração (adoooro a ironia). O filme é violentíssimo e razoavelmente bom, mas com os clichês de sempre, assassino mascarado revelado só no final do filme, adolescentes se fudendo e casal transpassado vivo enquanto transa. Teve dezenas de cortes no filme original, o que é uma pena, mas eles estão no DVD especial lançado recentemente. O remake foi lançado há pouco tempo em versão 3D.
O mais cult dos maníacos, Mike Myers é o grande vilão da série Halloween, também refilmada e lançada ano passado por Rob Zombie. Mike nasceu com talento pra matar. Aos 6 anos esfaqueou mortalmente a sua irmão depois dela transar com o namorado, ficou num hospital psiquiátrico até os 21 anos, quando resolveu fugir e seguir carreira. Ele mata, começa a usar uma máscara estranhamente delicada e um facão grande igual ao do Jason. Começa então a história de um serial killer acima da média normal. Existem 8 partes da série, em todas ele é indestrutível e implacável. É quase um Jason, com tanto cérebro quanto ele, mas com um pouquinho mais de classe.
que teve capacidade de se reinventar para manter sua presença. Chucky era até então um brinquedo inocente, mas de algum jeito absurdo, abrigou a alma de um assassino morto pela polícia em uma loja de brinquedos. O primeiro filme é assustador, principalmente para crianças. O brinquedo havia sido comercializado antes do filme, o que gerou uma histeria ao redor do mundo. Chucky é foda, mesmo no corpo de um boneco de plástico, ele já teve ate namorada, fez filho e matou algumas dúzias de idiotas, além de assustar criancinhas ate hoje. Ele também era sarcástico e irritante, coisa rara na época. Seu gênero de terror se desgastou, mas sua figura não, despontando para o humor em seus últimos dois filmes.
O grande vilão da série Hellraiser vem de uma dimensão paralela toda vez que um cubo amaldiçoado tem seu segredo desvendado. Me cagava de medo toda vez que o Pinhead aparecia na tela, com aquela cara cheia de pregos, aquela roupa de couro (que com certeza foi feita para sadomasoquistas), e aquelas correntes que surgiam do nada e se enfiavam na pele das vítimas. Dor e prazer ao extremo no mundo de Pinhead. Os três primeiros filmes são ótimos, mas depois a coisa fica ruim, até gordo o Pinhead ficou nesse meio tempo (Parte 8). É, a idade não perdoa ninguém.Um vilão que começou aterrorizante e que hoje poderia fazer parte do palco do CQC ao lado do Rafinha Bastos. O primeiro A Hora do Pesadelo é até razoável, mas o resto é uma grande porcaria de filmes toscos que subestimam nossa inteligência mais do que qualquer outra coisa e transformaram Freddy Krueger de assassino de crianças demoníaco que mata pelos sonhos, em comediante de segunda que mata entre piadas. Além de torcer só pro Flamengo com aquela blusa listrada que ele usa. É um ícone, dos melhores, um tipo de vilão raro, mas que foi muito mal aproveitado. Adora matar adolescentizinhos que só pensam em transar. Ponto para as mortes sempre criativas.
É difícil me expressar sobre Leatherface sem me expressar sobre O Massacre da Serra Elétrica, um dos filmes de terror mais cultuados de todos os tempos, absurdamente bom, “inteligente” e assustador. Leatherface é um jovem que nasceu com uma doença que corrói a pele do seu rosto, na juventude então ele aprende com sua sádica família de canibais a usar o rosto de outras pessoas no lugar do seu e de comer a carne delas para se alimentar. É bizarro. Brandindo sua serra elétrica em mãos, não tem como não ficar com as pernas bambas quando Leatherface entra em cena para matar, geralmente conseguindo seu objetivo. O filme original é muito bom, o remake é tão bom quanto, e O Massacre da Serra Elétrica – O Início, que mostra como tudo doentemente começou, é melhor ainda. Estranho esse último ter passado tão despercebido pelo Brasil. quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
O amor é cego, surdo, mudo, aleijado, tetraplégico e respira por aparelhos...
Até assistir essa:
É interessante a necessidade que nós seres humanos temos de expressar o amor de alguma forma. Alguns foram além e utilizaram-se da sua forma de expressão para colocar isso na arte, na literatura, na música, no cinema, TV. E o mundo ocidental foi condicionado a uma única forma de amor. Aquele que deve nos fazer feliz. De fato, só existe essa maneira de expressar o amor, a de transformá-lo em nossa felicidade plena.
Aí me vem Machado de Assis, com seu Bentinho e sua Capitu. Bentinho, um pamonha e viado enrustido, nutria seu mais absoluto desejo por Capitu. Mais que isso, por ela, Bentinho foi capaz de largar tudo, e deixar tudo em segundo plano. E o que o amor fez por ele? O envelheceu, o degenerou, o destruiu completamente, o enlouqueceu. O amor não fez muito bem para Bentinho. Ele o transformou num homem casmurro. Ele, justamente ele, que tanto se dedicou ao amor.
Machado de Assis veio para mostrar ao Brasil que o amor não é a melhor das coisas não, como dizia José de Alencar e qualquer outro que aqui escrevesse. Já Monique Garde, veio para mim com uma cena já clássica em Ó Pai, Ó, em que um travesti desce a rua, ao som de “Tô Carente”, do Calypso e se entrega a um desejo louco por um taxista preto, safado e casado. É, Monique querida, você veio com uma simples cena nos ensinar como o amor é complicado.
E se tudo vai mau na vida das pessoas, elas gostam de culpar a própria sorte amorosa, ou levar tudo isso para a vida sentimental. Ser solteiro para alguns é ser um imã para desavenças e azares de todo o tipo. De fato, a imaginação do que deva ser o amor para essas pessoas as tornam fracas e desiludidas para todo o resto. Pior que essa, só o tipo de pessoa que após tantos relacionamentos fracassados acha que nunca mais vai amar e que a vida será amargar por causa disso ate o fim. O ser humano é realmente paradoxal.
Lembrei que assistindo Sex and City, eu tive a impressão que nesse atual momento da humanidade, o amor seja um sentimento que se perdeu na evolução humana, não era mais para ele existir, ele parece não fazer mais sentido. Num universo onde as pessoas vivem com medo da própria sombra, fecham-se em seus mundos particulares, são egoístas e desejam ascensão, poder e, principalmente, dinheiro, o amor parece ser um argumento atrapalhador perante tudo isso. O que você quer mais, casar ou ter um Honda Civic (e eu te dou a opção de vir com câmbio automático e bancos de couro)?
Talvez o ponto mais
paradoxal entre nós seres humanos e o amor seja a questão de nossa necessidade de controlá-lo, tê-lo e usufruí-lo bem. Woody Allen soube representar isso muito bem em sua mais magnífica obra nos últimos dez anos, Vick Cristina Barcelona. O filme é leve, doce e delicioso, mas nem por isso nos traz uma reflexão poderosa e conflitante sobre a irracionalidade e maluquice dos relacionamentos amorosos. Nada nesse filme sobre o amor é banal ou igual a tudo aquilo que tanto estamos acostumas a ver na Globo, tirando Capitu, claro.
Mas meu enfoque no filme não ficou justamente sobre aqueles que mais chamaram a atenção da crítica, Scarlett Johansson, Penélope Cruz e Javier Bardem e seus brilhantes e maravilhosos personagens a somar um triangulo amoroso exuberante e amedrontador, mas minha atenção se dedicou a Vick, personagem vivida por Rebbeca Hall. Vick e Cristina vão a Barcelona, mas a viagem só começa de verdade quando elas aceitam um hilário pedido de um pintor para passar um final de semana juntos. Vick leva a vida como tantas pessoas modernas desejam levar, esta se especializando em sua área de estudo, planeja trabalhar, se mudar para Nova York e casar com um homem belo, rico e que ela considera ser um padrão de postura e classe. Para Vick, seu sentimento pode ser controlado a medida disso.
Mas Vick não é uma pessoa que conhece a capacidade de nosso coração em nos enganar. E mesmo achando que toda sua vida está resolvida e que seu sentimento é imutável e controlável, ela se apaixona pelo pintor. E como diria Maysa, mas na cabeça de Vick, “meu mundo caiu”. Vick casa e mesmo passando boa parte do filme sem ver mais o pintor (é Cristina quem se envolve com ele e sua lunática ex-mulher), ela está lá, pelas ruas de Barcelona, de braços dados com um homem e atormentada pelo amor irracional que tem por outro.
É, se relacionamentos já são complicados, relacionamentos modernos são mais difíceis ainda. Antes era tudo tão simples, só matar um dragão e pronto, a gata era tua pro resto da vida, hoje, elas nunca ficam felizes nem se você coloca status “namorando” no Orkut.
“Muitas pessoas desejam mais da vida e não sabem exatamente o que é. Elas sabem que tem que haver algo mais na vida, algo mais interessante, mais romântico, mais apaixonante, mais realizador.” – Woody Allen
Com relação a relacionamentos modernos, Mike Nichols nos traz
Closer – Perto Demais. Um filme mordaz e honesto sobre o que acontece quando liberamos nossa capacidade de amar (e nos colocamos a prova de suas conseqüências) e quando lutamos contra esse sentimento (e nos colocamos a prova de suas conseqüências²). Não vou falar de Closer, mesmo porque o filme já é velho e até passou na Globo, você só não assistiu se não quis, mas existe um momento que retrata exatamente a que esse filme veio: Dan (Jude Law) esta saindo de casa porque deu um fora em Alice (Natalie Portman, divina) para correr atrás de Anna (Julia Roberts), a quem ele
acredita que ama. Numa cena muito forte, Alice se joga aos prantos em Dan e eles tem um diálogo memorável.
Alice: Ninguém nunca vai te amar o tanto que eu te amo, por que o amor não basta?
Dan: Eu amo ela, Alice.
Alice: Ah, como se você não tivesse escolha? Há um momento, sempre tem um momento: "eu posso fazer isso, posso entrar nisso ou posso resistir a isso", e eu não sei quando esse momento foi, mas eu aposto que teve um.
Vem também de Closer uma frase inesquecível: “Você não sabe o que é amor, porque não entende o que é compromisso”. Faz sentido pra você?
E pra finalizar esse texto que inicia a temporada 2009 desse blog, eu sou obrigado a voltar a Woody Allen. Na cena final de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, temos uma piada antiga, Um homem diz a um psiquiatra: "Doutor, meu irmão é maluco, ele pensa que é uma galinha". O médico diz: "Então, porque você não o interna?". Ao que Allen responde: "Bem, eu o internaria, mas acontece que preciso dos ovos". Após essa piada ridícula, temos uma brilhante reflexão do próprio Allen, "Assim é como me sinto sobre relacionamentos, eles são completamente irracionais, malucos, absurdos, mas continuamos, insistimos porque a maioria de nós precisa dos ovos".
Enfim, e qual seria o objetivo dessa reflexão toda sobre o sentimento mais controverso do mundo?
Nenhum!
Só confundir a sua cabeça e deixar um pouco mais arejada a minha.
sábado, 27 de dezembro de 2008
Nota do Autor - Ato II
Chupa que é de uva...
Um Feliz 2009 para todas as pessoas boas do mundo, mas em especial para os leitores desse humilde blog que me aturaram tão bem por mais um ano. Sim, eu desejo um Feliz Ano Novo também pro Bryce e pra Samara, no fim das contas eu sei que eles me amam e eu amo eles também.
O Fala Consciência volta em 2009 com novidades e uma linha editorial reformulada. Aguardem!
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Sabe O Que Fazer Quando Seus Sonhos Vão Por Água Abaixo Literalmente? Dance!
Madonna que se foda, Dangerous Muse no Brasil foi o show do ano. Já nesse final de semana eu me deparo apenas com chuva, tempo nublado, e falta de ingressos individuais para o Baile do Hawai que eu estava jurando que iria desde o ano passado... Sim, esse é um daqueles posts com tom de revoltado.A propósito, falando em chuvas, eu estou desde maio desse ano planejando minhas férias (que começarão no carnaval do ano que vem), e todos meus planos estavam focados em... Florianópolis!
E quando eu digo que Deus é um cara irônico poucas pessoas acreditam. Tragédias a parte, eu me solidarizo muito com as vítimas, mas tudo ainda parece tão irreal, o Brasil é um país tão grande, gigante, fica difícil entender que aquilo esteja acontecendo com o vizinho de baixo, parece uma coisa tão O Dia Depois de Amanhã.E engraçado que quando eu falo dos meus fatores que levaram a escolher Floripa como destino do meu carnaval as pessoas acham um pouco estranho. Não foi só praia, ferveção e gente bonita que me fez escolher a cidade como destino, há muitas outras opções assim. No carnaval do ano passado, o clube The Week deixou de ser de verão por lá e abriu suas portas definitivamente, pra abertura eles chamaram o DJ israelense Offer Nissim, um dos maiores nomes da eletro music da atualidade, responsável pelo sucesso mundial daquela musica chata da Maya, Alone, lógico que o resto do trabalho dele é algo muito superior, como Beatiful Eyes e Happy People. Um outro clube contratou David Guetta, outro DJ que eu sou muito fã. Caralho, no carnaval, dominado geralmente por axé, você ver uma capital bastante animada e cada dia mais famosa pelo seu turismo valorizar a musica eletrônica, é de dar vontade de correr pra lá.

Nazarian tava dizendo que ia passar o Reveillon dele em Floripa nem que tivesse que chegar lá a nado, e eu já botei na minha cabeça que vou curtir o carnaval em Florianópolis nem que eu tenha que passar por lama. Falando em Santiago Nazarian (sim, de novo), ele tava falando da primeira seleção do Prêmio Sesc de Literatura. “Devo confessar que foi constrangedor ler TANTA COISA RUIM, mas ao mesmo tempo foi lindo descobrir, no meio do lixo, quatro autores de verdade, ótimos, que merecem os três o primeiro lugar”, palavras dele. Como eu estou participando do prêmio, não sei se deveria me sentir nervoso por fazer parte do TANTA COISA RUIM, ou dos quatro autores ótimos (esperança é a última que morre, não?). Enfim, o resultado do prêmio sai só no começo do ano que vem, antes eu não estava aguardando anciosamente, até esqueci, agora fiquei na expectativa de vez. Quem é amigo torce, ok? Quem não é amigo torce também!
Com o fim de ano eu dei um tempo em tudo com relação a cultura. Eu sei, é quase um suicídio do lóbulo frontal esquerdo do cérebro dizer isso, mas as próprias coisas andam meio paradas. O cinema anda sem graça, a música em 2008 se mostrou decpcionante, o Obama foi eleito, a crise mundial colocou o capitalismo em cheque, quem comprou carro comprou, quem não comprou se fudeu e o Natal ta aí. Época de dar e receber... presentes.
Aliás, se um dia eu for pai (bate na madeira três vezes) meu filho nunca vai sentar no colo de Papai Noel. Pensa comigo gente, um velhinho, que vive isolado, aparece numa época estrondosa e seduz criancinhas oferecendo presentes e doces, em troca coloca-as no seu colo e pergunta se eles foram “bons meninos”. Eu sempre tive certeza que Papai Noel só havia contratado duendes para sua empresa de brinquedos porque a estatura dos duendes o mantém inerte em pensamentos libidinosos o ano inteiro, até o Natal. O pior é que com esse negócio de presentes e bom velhinho as crianças acham que Papai Noel e Deus são tudo a mesma coisa.
Aliás, comprei mega antecipado o presente de todas as mulheres lá de casa e como eu sei que elas não freqüentam esse blog, aí vai a dica pra você presentear uma mulher importante também (importante e moderna claro):

Aproveitei e já me dei de presente os dois livros de Calvin e Haroldo que faltavam a minha coleção. O Natal faz com que eu me sinta uma pessoa melhor. Até trabalhar no hospital ta sendo menos torturante.
Demais, ando escutando Mystery Jets. Uns ingleses com jeito descoladão, as vezes parecem só gays, outras só drogados, mas eu acho que eles são os dois. O som me parece bem oitentista, acho que é por isso que eu gostei, a moda é ser retrô, não?
Mas de fato, isso não faz meu estilo. Se prender ao passado culturalmente. As pessoas dizem que os anos 80 foram os ápices culturais da história, e por diversas vezes eu ouvi pessoas da minha idade querendo ter nascido nos anos 80. Eu não, ser dinâmico e assimilar coisas, amando-as e descartando-as em seguida é meu ponto forte com relação a ícones pops. Assim como a música eletrônica, que você pode cantar e dançar loucamente num dia, para que no seguinte, ela seja simplesmente substituída por outra batida. Acho que essa é a maior vantagem e desvantagem da musica eletrônica, a capacidade de chegar ao topo e descer ladeira abaixo tão rápido quanto uma descida de montanha russa. Mas claro, a descida de montanha russa so é rápida pra quem está olhando e curtindo de fora, nunca pra quem está dentro do carrinho.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Conversas Bizarras (Im)Prováveis - Ato V
Polly: Pára de achar, Samuel. Seja homem.
Eu: Ok, mas com o medo que eu to, avise se eu estiver conseguindo.
Polly: ¬¬
O vidro abaixa, a traveca aparece.
Traveca: Olha benhê, sou ativa, passiva, versátil, faço chuva dourada, lua marrom, gozo nos seus peitos se você quiser...
A traveca me vê no lado do co-piloto.
Traveca: Opa... já vou logo dizenduo que pra casal é o dobro.
Eu: Ei, está havendo um pequeno engano aqui...
Polly: É! Não é nada disso que você esta pensando.
Traveca: Ah, intendí! Ele vai só dá uma zoiadinha, né? Saquei! Essa cousa voieur não minha praia, mas eu aceito, belez?
Polly: Nós não estamos atrás de programa, nós só queremos fazer uma entrevista com você.
Traveca se debruça no vidro, os olhos brilham.
Traveca: Sério, maninha? É pra Prayboy?
Polly: Não!
Traveca: Fantástico? Sempre quis sair naquelas matérias sobre a virda fácil não ser tão fácil assim...
Polly: Hum... não!
Traveca (já desconfiada): Gazeta Alerta?
Polly: Também não?
Traveca: astravecasmaisgostosasedotadas.com.br?
Eu: Oh, meu Deus!
Polly: Beeeeem... nããão.
Traveca: É pra que então, heim filhinha?
Polly: Pra minha monografia!
Momento de silêncio.
Traveca: Que é isso?
Polly: É um negócio da universidade...
Os olhos da traveca brilham de novo.
Traveca: Mininaaaa... cê eu ti contá que eu quase entru na faculdadi...
Eu: Ah é... e porque não entrou?
Traveca: Purque o Tonhão, na época que eu estava fazendo pograma no bar dele, encanou que eu devia estar realizando um curso de massagi invés desse negócio de vestibular. Tonhão chegava logo espancando quando ouvia esses papos. A gente ia estar dando um jeito, mas não rolou, sabe?
Eu: Fazendo... Realizando... Espancando... Dando... Eu acho que ela daria uma ótima atendente de telemarketing.
Polly: Ok, eu desisto. Pega 20 reais que eu to vazando.
Traveca: Gradicida! Boa sorte na manugrafiti.
Esse papo nunca aconteceu de verdade, mas o pior é que poderia ter acontecido sim.
Essa também é uma pequena homenagem a minha amiga Pollyana que pegou o facílimo tema de prostituição pra dissertar na monografia dela.





