terça-feira, 19 de agosto de 2008

Morcegos Terroristas, Que Primeira Dama Você Quer Para O Seu País E A Busca Pelo Som Perdido

Mesmo trabalhando em dois empregos, a minha situação financeira anda tão preta que eu não estou mais matando cachorro a grito, e sim em linguagem de sinais. Aliás, taí um ponto interessante, eu tenho dois empregos e as pessoas pensam que eu sou rico, é a mesma coisa que colar penas nas costas e disserem que eu sei voar. Com as férias da UFAC chegando eu resolvi que vou voltar a praticar natação depois de quase dois anos parado. Se você pensou, “Menino sem imaginação, só porque acompanhou o Phelps nas olimpíadas agora quer voltar a nadar”, eu repondo, “Lógico!”

Aliás, tava conversando com a Manu sobre as olimpíadas e ela me disse que, “E aí, o que vai acontecer depois que o Phelps tiver quebrado todos os recordes? Ele vai se sentir um frustrado”. Eu não pude deixar de concordar. Claro, é o pensamento mais óbvio que depois de todo o reconhecimento mundial, todos os recordes quebrados, um monte de mulher querendo dá pra ele, mais medalhas de ouro que o Brasil em três olimpíadas e ser considerado sexy simbol mesmo com a cara do Quasímodo, ele se sentiria frustrado. Como mais ele poderia se sentir? Só a Manu mesmo.

Aliás, lembrei que com dois empregos e faculdade manter a natação seria meio difícil. Nem mesmo no meu único horário livre, a madrugada.

Ando tão cansado que ultimamente eu começo a segunda-feira sonhando com a sexta e chegando no emprego A esperando o término do emprego B, pra poder me jogar na cama. Porém, um dia desses, quando eu finalmente entro no meu quarto, jogos os sapatos pro lado e penso em me jogar no colchão, observo um estranho tipo de casulo preto perto da porta do meu banheiro. Intrigado e com meu espírito de “que porra é essa?” aguçado, me aproximei da forma anatômica não definida. E para minha total surpresa, quando eu toquei na coisa... ela se mecheu. Ok, não foi para minha surpresa, eu me desesperei feito uma menininha e sai gritando pela casa na velocidade 5, “TEM UM MORCEGO NO MEU QUARTO, ELE VAI ME MATAR E CHUPAR MEU SANGUE”.

E olha que eu ainda nem assisti o Batman, imagine se tivesse sido uma máscara de palhaço.
“Why so serious?” mode: on

Eu e minha avó montamos planos estratégicos, pensamos na hipótese de um atentado biológico ou forjar um bat-sinal pra enganá-lo e fazê-lo sair do meu quarto, mas sem muito tempo pra isso ficamos com a solução mais simples e funcional, chamar meu avô pra exorcizar o bicho. Meu avô chegou tranquilão e aceitou o caso sem pestanejar. Enquanto ele caminhava na direção do meu quarto eu gritei, “Vô, quer ajuda?”. Ele parou o passo, virou o rosto na minha direção, soltou uma risadinha e disse, “Deixa que eu dou conta”. Naquele momento eu tive a impressão que meu avô era o Chuck Norris.

Depois de estrondos que devem ter superado os tiroteios russos na Geórgia, meu avô saiu vitorioso, e o pobre morcego que entrou no seu caminho, desceu escada abaixo, morto. Pronto para desfrutar meu descanso, finalmente me jogo na cama, ligo a TV e relaxo. Até que o locutor do comercial lança a máxima, “toda a energia da Banda Calypso em uma experiência (heim?) nova... Banda Calypso Acústico”. Logo, qualquer possibilidade de eu ter relaxado os músculos e caído em sonolência foram totalmente por água abaixo, eu tive pesadelos a noite toda.



Alguém me diz quem foi o gênio que inventou isso... por favor, me diz!

Nos dias que se seguiram eu não deixei de me perguntar porque diaxos a cena musical brasileira era tão deprimente. E principalmente, por que nenhuma figura musical brasileira era capaz de me fascinar? O que leva a nossa cultura pop a reconhecer ícones tão sem sentido?

Para piorar esses questionamentos, eu finalmente conheci um pouco da fantástica obra musical da badaladérrima primeira dama francesa, Carla Bruni. Ai você depois de se espantar com o adjetivo muito gay pergunta, “Badaladérrima por que afinal de contas?”. Carla Bruni conquistou o coração do presidente Nicolas Sarkozy logo após o rompimento dele com a mulher (alguém sentiu cheiro de chifre? Levanta a mão comigo então!). Por ser modelo internacional, cantora cultuada em toda a França com dois álbuns e linda pra caralho, o romance dos dois foi super comentado no mundo inteiro. O casamento saiu depois de três meses de relação e a lua de mel só pelas fotos parece ter sido ótima. Ou seja, O Diário da Princesa perde.

Mas é a musica o que faz a diferença dessa mulher. O primeiro sucesso mundial de Bruni foi a magnífica canção "Quelqu'un M'A Dit", belíssima e tocante na letra e no som. Seu primeiro álbum foi um estrondo, já o segundo álbum (todos em inglês) não foi tão bem recebido pela crítica, já que era sua tentativa de arrancar sucesso internacional na onda de “Quelqu’um M’A Dit”. O terceiro (lançado somente após o casamento), volta um pouco mais as origens e é um tanto polêmico devido as suas referências as drogas, “Tu es ma Came”, e seus inúmeros (poderosos e ricos) amantes, em “Ta Tienne”.

Na França eles tem Carla Bruni, e no Brasil nós temos a Marisa.

Marisa: usa o cartão corporativo para comprar Contigo! e Quem Acontece

Mas eu não acho que o Lula seja capaz de conquistar alguém que estudou na Sorbonne. Enfim...

Ainda assim, acho que na concepção de artistas com musicas estilizadas e harmonia como arma principal o Brasil não deixa tanto a desejar. Temos Marisa Monte e Adriana Calcanhoto em contrapartida a Carla Bruni. Aliás, eu adorei os últimos álbuns dessas duas. Um tanto frios e melancólicos além da medida certa, mas ainda assim adoráveis. O problema nosso é na cena underground, quase inexistente, quando se fala de musica eletrônica.

Os Estados Unidos não deixam a desejar nesse quesito. Pelo contrário. Eu já havia falado um pouco da cena underground de Nova York na pele do Dangerous Muse, de longe meu duo favorito. Mas o selo californiano Iheartcomix vai muito além disso. As musicas de Acid Girls, The Glamour, Ocelot, dentre outros, são fantásticas, tem o verdadeiro espírito da musica eletrônica, aquela coisa de arrepiar a pele, levar o ritmo da musica as batidas do seu coração e elevar a circulação do seu sangue (sem precisar de drogas). Porém, o verdadeiro destaque do selo vai para as fodásticas Toxic Avenger (com direito a faixa em Need for Speed) e, meu favorito do selo, Hearts Revolution.

Da vontade de ser DJ só por causa deles.

Mas enquanto o cenário musical brasileiro anda a passos de tartaruga das para-olimíadas, o jeito é ir caçando o que o exterior também pode oferecer. Até que outro morcego entre no meu quarto, ou o Ximbinha se empolgue com a guitarra e lance Banda Calypso Heavy Metal.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Conversas Bizarras Entre Sanduíches Gordurosos - Ato IV

Round 1
Samuel mastigando filé com pão e muita maionese: ...

Polly diz: Eu comecei a caminhar hoje à tarde.

Manu diz: Sério? Onde?

Polly diz: Lá no Horto Florestal. É legal, tem gatinhos, o que é um incentivo.

Manu diz: Ah, você deveria caminhar no Parque do Tucumã de manhã cedo.

Polly diz: Ta louca. Pra que? Pra ser estuprada? No Parque to Tucumã só tem tarado.

Manu diz: Pois eu caminhei várias vezes lá e nunca fui estuprada.

Polly diz: Ta mal, heim amiga?

Samuel se engasgando com filé com pão e muita maionese: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Round 2
Samuel tranqüilo engolindo mais pão no filé: ...

Polly diz: Vocês sabem, né? Eu não me misturo com preto, o Samuel é o único preto que faz parte da minha vida.

Victor diz: E o teu irmão?

Polly diz: Não faz parte!

Samuel dessa vez tendo cuidado pra não se engasgar: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Round 3
Manu diz: Polly, se você tem tanto preconceito com preto você deveria me idolatrar, que sou branca, loira, olhos verdes...

Polly diz: Verdade, Manu é branquela mas tem cara de saudável. Não parece aquelas branquelas anêmicas.

Manu diz: Lógico. Sou dourada!

Polly diz: Que nada, dourada sou eu!

Samuel diz: Polly... tu é opaca!

Polly: ¬¬

Manu diz: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

quarta-feira, 23 de julho de 2008

O Assassino Da Esquizofrenia, O Assassino Do Cinema E O Assassino Do Amor

Porque dificilmente você consegue confiar em pessoas felizes.
Não foi uma pergunta, foi uma afirmação.

Quando eu era mais jovem (e aos 20 anos eu to entrando na menopausa?), eu tinha devaneios freqüentes. É um problema sério quando se tem uma imaginação muito fértil. Você pode se perder nos seus devaneios e virar um esquizofrênico. Ou artista. Ou gênio. Ou um daqueles loucos que vão em shows de rock de garagem, usam roupas rasgadas, são considerados mendigos, fedem e viram lendas urbanas, histórias para aterrorizar criancinhas. Enfim, eu mergulhava em meus devaneios e me perdia da realidade. Eu adorava. Acreditar que você não é você é um dos melhores dons que Deus deu ao ser humano.

Um dos meus devaneios favoritos era o de ser cantor de rock. Ou melhor, musica eletrônica. Eu me tornava um tipo de Madonna de calça jeans, mas sendo comparado a ela apenas pelo nível astronômico de sucesso e grana. Seria um difusor da cultura de “não importa o som, o estilo ou a batida, para ser musica, você precisar sentir a necessidade de dançar”. E com CD’s explosivos e polêmicos por serem extremamente pop’s e sem nenhuma fidelidade de estilo, eu contaminaria o mundo com essa idéia.

Aquele que nunca sonhou em ser uma lenda do rock que atire a primeira pedra.

Você inspira esses delírios próprios baseando-se em seus ídolos. Não, eu não gosto de Madonna. Eu tava assistindo I’m Not There (Não Estou Lá no Brasil). E não tem como não se fascinar pelo filme, se envolver, querer fazer parte de um dos seis mundo de Bob Dylan na incrível e viajada visão de Todd Haynes. Não tem como não desejar ser um daqueles seis mundos. Eu particularmente queria ser Jude, o Bob Dylan interpretado magistralmente por Cate Blanchentt. O Bob Dylan com ar sempre chapado, com um mundo levantando seu ego, com liberdade para ser foda, com um Ray Ban Wayfarer (um sonho de consumo)lindo e original sempre na cara. Londres, um carro grande e caro, sucesso mundial, grana e Beatles como seu fã.

Bob Dylan já pode morrer feliz.
Todd Haynes ainda deve produzir mais uns 4 filmes parecidos e melhores pra me satisfazer e depois eu deixar ele morrer.

E a Dercy Golçaves também morreu.

Dercy: o Coringa de saias e sem ser psicótica serial killer

Eu não sei vocês, mas eu já estava habituado a idéia de que ela era imortal. Eu não via ela morrendo.

Eu geralmente odeio cinebiografias, mas aquelas que o Todd Haynes produziu me fazem amar cinema e musica como uma coisa só, como se um não pudesse se desprender do outro. Musica pra mim não é só som, tem que estar veiculada a imagem. Toddy Haynes foi além, com Velvet Goldmine (sua glamurosa e absurdamente fascinante obra sobre uma fase de David Bowie) e I’m Not There ele mais que conquistou um seguidor, ele aumentou meu problemas com delírios.

Diferente de Control (Controle – A História de Ian Curtis no Brasil). Um lixo, um dos filmes mais chatos que eu assisti. Não conheço a história do Joy Division, gosto de uma única musica do New Order, aliás prefiro a regravação de Bizarre Love Triangle na voz do Frente!, e o Ian Curtis então se tivesse vivo e passasse por mim na rua ia se sentir ofendido por não ter o pedido de um autógrafo pelo simples fato de que eu não o conheço. Enfim, se fosse analisar profundamente, Control não passa da história de um cara que queria o sucesso acima de tudo, mais pelo status do que por reconhecimento, doente (tadinho, sofria de epilepsia) e hétero com tendências emo, frouxo, covarde, inseguro e que não sabe tratar dos sentimentos de uma mulher, precisando de duas pra ter um pouco de ego, não dando valor ao caráter famíliar e se matando no fim das contas.

Ok, peguei pesado.

Espero que Joy Division, e principalmente o Ian, não sejam aquilo que fora mostrado na tela. Numa cinebiografia os fãs querem ver retratados os mistérios e lendas de seus ídolos, não o óbvio, o banal, tudo aquilo que você já sabe. É, parece que só o Todd Haynes sabe fazer isso.

E no (único) cinema da minha cidade ta passando o Batman dublado.
Vou alimentar a pirataria e baixar quando tiver versão em Hight Definition.

Larga o cinema e vai ler um livro.

Tava lendo Era Uma Vez o Amor, Mas Tive que Matá-lo, de Efraim Medina. Nunca pensei que ia ler um colombiano na vida. Acho os colombianos parecidos com os bolivianos (sim, eu sou xenofóbico) e lá o pessoal tem violência e seqüestro por causa de cocaína (ok, o Brasil não é diferente). Enfim, o livro é indescritível, mas é viajante, eu me encontrei na maioria das páginas, meus pensamentos, meus momentos. Uma dose de introspectividade surpreendente numa leitura de nível sem quase nenhuma narrativa. Não tem trama específica, fala sobre frustrações dos sonhos. De como a vida pode ser uma merda e você ainda consegue piorar tudo.

Porque às vezes fazemos questão de matar o amor.
Porque geralmente matamos o amor quando ele menos merece ser morto e você se torna um filho da puta a lamentar isso pro resto da sua vida.

Santiago Nazarian ganhou um concorrente na minha vida, Efraim Medina. A diferença é que o Medina não tem blog, Nazarian tem, e eu viajo nele de grátis a cada texto. E eu ainda não li Técnicas de Masturbação Entre Batman e Robin, segundo romance de Medina no Brasil. Melhor que os textos loucamente introspectivos, só esses títulos mesmo.

Queria algo com zumbis. Um filme bom de preferência. Dizem que o Bruce laBruce fez um filme com zumbis que também é existencialista e pornô. To louco pra assistir. Devaneios de zumbis eu não tenho. Só em sonhos. Aliás, houve um tempo em que meus sonhos variavam entre duas coisas, hordas de zumbis canibais e meu trabalho no hospital. Os sonhos em que eu trabalhava no hospital eram os pesadelos. Os zumbis sempre eram divertidos.

E pessoas felizes não são confiáveis porque não são introspectivas.
Não foi uma afirmação, é um fato.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Aprenda A Se Tornar Um (Pseudo) Cult

A minha vida de trabalho (escravo), aliada a estudante universitário, dono-de-quarto (sim, eu sou mesquinho) e modelo anoréxico (ok, só anoréxico), está causando uma mudança tão drástica na minha vida que só divergindo sobre o assunto pra vocês entenderem.

A questão é o seguinte. Estava eu indo para meu emprego A, no hospital, num típico dia nublado quando meu avô liga o rádio e como fundo musical toca Calypso. Depois que a música em foco passa de sua primeira repetição de refrão (porque esse tipo de música sempre repete o refrão pelo menos quatro vezes pra criar volume e chegar a 3min30s de duração), eu percebo que existe algo errado, algo que não faz parte do equilíbrio cósmico que mantém o universo funcionando, algo que vai além da compreensão da natureza, que talvez não seja explicada nem pelo divino... Meus lábios estavam se movendo, sorrateiramente um som saia da minha boca. Eu estava cantando junto com a Joelma.

Eu dei um grito. Meu avô quase perdeu o controle do carro. E enquanto eu gritava "Tirem ela de mim. Tirem ela de mim. Xoelma, NÃO!", apertando todos os botões possíveis do rádio para mudar de estação, matá-lo, ou simplesmente desligá-lo, minha mãe desesperadamente gritava no banco de trás, "O que foiiii?". Eu sabia a letra, eu sabia o ritmo, a sincronia, os gemidos que ela dava. Enfim, eu estava possuído.

Foi com esse caso que ao me olhar no espelho eu não vi mais aquele garoto que escutava The Beatles, tinha idolatria por Bob Dylan, era fã incontornável de Mika e Dangerous Muse. Muito menos o garoto que assistiu quase todas as obras de Almodóvar, nunca perdia um Cannes, descobria sozinho no mundo underground todos os mais fascinantes filmes alternativos. E onde estava aquele que entendia de moda, comportamento, tendências editorias, virtuais e jornalísticas? Na frente do espelho eu vi um garoto castigado pelo trabalho árduo, consumista, que escuta apenas a rádio popular, que cantarola Calypso no trabalho A, Victor e Léo no trabalho B (gente, eu to quase aceitando a idéia de ir pro show), que vibrou assistindo O Homem de Ferro no cinema, que está querendo ver o novo Hulk e que anda perdido em tendências e só soube que o São Paulo Fashion Week estava rolando quando ele chegou na metade (via Te Dou Um Dado?).

Se ver no espelho e ter uma crise por se achar um tribufú já não é fácil. Ter uma crise por se ver no espelho e se achar coloquial é pior ainda.

E foi assim que eu descobri que ser uma pessoa ligada a cultura e as tendências do mundo pop e underground (outra palavra que eu adoro usar) não é nada fácil.

Aliás, foi observando uma discussão entre uns grupos culturais aqui da cidade e a minha própria vida (mais pra antes do que pra depois) que eu resolvi presentear os leitores desse blog com o Manual de Como Ser Culto. Com pequenos passos que podem ser seguidos facilmente até pelos amantes da Mulher Melancia, o Fala Consciência vai ensinar para você, leitor esperto, a como carregar o título de cult, alternativo, underground, pitoresco, indie, ou seja, um (pseudo) culto.

Passo 1 – Tenha grana e tempo sobrando
Lógico que você NUNCA vai admitir isso, afinal, você não vai ter a grana na verdade, pois você vai ser sustentado pelos pais ou por aquela vó aposentada pelo TSE que ganha uma nota e só tem o querido netinho pra corujar. Enfim, a grana não é sua, mas você gasta. E gaste bem, com livros, filmes, ingressos para o teatro, bandas de garagem. Carro? So se for usado e surrado. Ou como você vai poder levantar a bandeira do preço alto para os eventos culturais em frente ao teatro municipal se você tem um Corolla esperando na saída? Com a grana, você não precisa se prender a coisas nada culturais como trabalho com carteira assinada, faça no máximo uma faculdade voltada para artes, comunicação ou sociologia (Filosofia, Música, Artes Cênicas, Letras, Jornalismo, Publicidade e Propaganda dão status, mas Ciências Sociais é a top). E com o tempo livre sempre se dedique a programas alternativos, bares undergrounds, cinema de artes, sebos (livraria é coisa de rico) e por aí vai.

Passo 2 – Seja sempre a frente do seu tempo
Arthur Rimbaud é um dos poetas franceses que mais marcaram o mundo (mais pela sua vida gay es-cân-da-lo-sa, do que pelo seu trabalho, enfim...). Sua obra é considerado sempre “a frente do seu tempo” (ou seja, ele morreu pobre pra ser reconhecido depois). Logo, se você deseja ser conhecido como alguém culto, você tem que ser moderninho e transgressor total. Defenda sempre idéias com um fevor absurdo, suba em cima da mesa, tenha o dom da oralidade, saiba chamar a atenção de todos para o seu redor. Torne-se um incompreendido (mas no campo das idéias sociais, não vem com nada emocional não ou tu vai ser considerado emo e não culto).

Passo 3 – Tenha estilo
Você acompanha o Fashion Rio? Então você não é culto. Você acompanha o São Paulo Fashion Week? Então você é culto só se for pra estudar tendências de comportamento e diversidade capitalista . A sua pose tem que ser inabalada. Você não pode ser escandaloso (ou vai ser bixa louca), mas você tem que saber chamar a atenção, principalmente quando você esta explicando porque aquele filme é uma droga e você prefere o livro (que você não leu). Fume muito Marlboro, Golden Gate, Gudang Garam, mas Free, Carlton e Master não pode. Só beba destiladas, Absolut comanda (mas compre-a em grupo, NUNCA só você, é coisa de burguês), vinho também, principalmente em sarais. Tenha sempre aquele ar de esnobe, aquela pose blasé, cuidado com a gesticulação, desmunhecar pode, falar arrastado pode, usar gírias em inglês pode, em português NUNCA. Sempre critique quase tudo, principalmente em espetáculos, mas quando demonstrar que gostou de algo, bata palmas sempre de um jeito que o difira do resto da multidão, quase psicodélico, de preferência com o cigarro na boca, gritinhos e assobios, sempre mantendo a pose de esnobe.

Passo 4 – Saiba vender a sua imagem
Saiu com os amigos para um café sem açúcar? Então ocupe uma cadeira só com sua bolsa de tiracolo (NUNCA use mochila, mochila é coisa de universitário que tem estágio), e sua bolsa tem que ser grande, mas nunca o suficiente para você, e cheia de buttons personalizados. Sempre deixe a sua edição da Bravo!, Caros Amigos e Carta Capital a mostra. NUNCA use roupas de marca. Sempre prefira blusas listradas (preto/vermelho ou preto/branco) jeans surrados ou bermudas, além do óculos de armação grossa preta ou branca e o All Star que pode ser qualquer modelo contanto que seja All Star, pulserinhas artesanais também dão um toque. Cabelo grande bagunçado (tipo Arctic and Monkeys) para meninos e cabelo preto escuro curto ou ondulado (tipo Karine Alexandrino) para meninas. Sempre domine as conversas, principalmente depois de filmes alternativos ou peças patrocinadas pela Lei de Incentivo a Cultura, mostrando seu conhecimento de caso.

Passo 5 – Morte ao POP
Você não assiste rede Globo porque ela “manipula, distorce os fatos, aliena e lança musicas como Créu em nível nacional”. Séries de sucesso como Heroes e 24 Horas devem ser evitadas ao extremo, de Lost você deve gostar apenas da primeira temporada. Você não escuta rádio, só podcast’s especializados. Cinemark NUNCA. Porque só passa blockbusters comerciais Hollywoodianos. Nada de livros do Harry Potter, tire a fantasia da sua vida, exceto O Senhor dos Anéis e a primeira trilogia (feita) de Star Wars, mas nada de fanatismo e cosplays. Sempre tenha jazz no seu MP3, mas ele não pode ser da Apple. E sempre esteja ligado a iniciativa científica (essa bem menos), aos coletivos culturais, selos independentes, cenário underground e o mesmo do gênero. NUNCA concorde com o que todos concordam. Gente culta tem sempre opinião própria (é do contra).

Esse é um Passo a Passo de ficção, mas qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

Quanto ao meu período pouco cultural, eu vou retomar aos poucos minhas atividades, tentar concilia-las, mesmo porque eu to gratificado com os podcast’s do André Fischer (eu achei tudo quando ele falou, “vocês sabem como é difícil ser underground em Los Angeles”, super que eu sei). Tenho que passar longe de coisas como Amigo Fura Olho do Latino e minhas conversas animadas sobre o Palmeiras no corredor da UFAC.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Como Lidar Com Decepções e Frustrações (Na Verdade Eu Não Ensino Isso Não, Mas Lê!)

Aí Samuel não tinha o que fazer da vida e resolveu encarar um segundo emprego. E tipo, eu to trabalhando 10 horas por dia, mais 5 de faculdade, 1 hora pra almoço, outra pra janta... bem, vocês devem imaginar que minha vida pessoal e sexual tá bombando, né?

Quando o fim de semana chega, eu levanto as mãos pro céu e quase choro de emoção. E para aqueles que acham que chocolate é melhor que sexo, estão muito enganados, o sexo é a melhor coisa já inventada, só que em segundo lugar vem o consumismo. Então, depois de muito suor, esforço e gente querendo me agredir a ponto de eu só não apanhar de um paciente no hospital porque o guarda não deixou, eu finalmente comprei meu notebook. Ai Keth que também comprou seu carro novo manda uma mensagem pra mim: “Amor, estamos tão ‘bem nascidos na city’, motorizados, conectados e antenados”, sendo que eu respondo, “E endividados até o pescoço”.

Pra enfiar o pé na lama de vez, eu resolvo que to sem roupas e saio às compras com o Frederico numa angustiante tarde de frio. Fazer compras é sempre uma sensação maravilhosa, da uma revitalização na alma, na cara, você se sente ate mais bonito. E mesmo os pequenos detalhes não incomodam, como quando a companhia que você chamou pras compras te faz o maior climão e com um único movimento rápido e ágil melhor que o do Naruto, derruba metade do andar superior da loja no exato momento em que você decidiu que não quer ficar mais lá. Por um flash de momento eu voltei à realidade. Mas passou rapidinho quando eu entrei na loja seguinte. Sempre passa. Fiz a linha Kátia Cega total.

O maior problema de fazer compras (e é uma coisa meio exclusiva com roupas) é que depois de 24 horas parece que o efeito da morfina passou e você olha pras sacolas ainda não esvaziadas e pensa consigo mesmo “Que porra foi que eu fiz?”. Resultado, do que adianta você ter dois empregos se a sua patroa vira na realidade a empresa do seu cartão de crédito? Vou trabalhar só pra pagar ela. Oh, Discórdia!

Eu to com duas dessa... uma em cada pé!

Sentimentos de felicidade e plenitude seguidos de tristeza e depressão alternando muito rapidamente (o que pode ser caracterizado facilmente como decepção e frustração) não é uma coisa exclusiva de fazer compras. Lembro que quando chegou aos meus ouvidos a notícia de que Speed Racer viraria um Live Action pelas mãos dos mesmos diretores de Matrix, eu fui no céu e voltei. Depois de Matrix e a magnífica produção de V de Vingança, acreditei que aquele que é um dos maiores clássicos da animação mundial ganharia uma repaginada tão marcante que se tornaria o maior blockbuster do ano. Esperei por cinco meses, contei as horas na semana final, faltei aula na UFAC pra assistir a estréia na data mundial, sentei na cadeira com o coração na mão, quando as luzes se apagaram eu apertei com força o braço da poltrona e... cinco minutos de película depois eu já estou no chão chorando, gritando por dentro “Esse filme tem que melhorar, tem que melhorar, uma hora ou outra, tem que melhorar”.

Saí tão decepcionado da estréia de Speed Racer, mas tão decepcionado, que se alguém tivesse me visto na hora que eu saí do cinema alguém teria me perguntando, “Samuel, você acabou algum namoro?”. Speed Racer é infantil, subestima a inteligência do espectador, é cheio de clichês, a construção dos personagens não convence, a direção de arte não deveria ter forçado tanto e a construção e desenvolvimento do roteiro é de uma superficialidade boba, que não desafia, que não cria um carisma real por aquilo que se vê. Quase igual ao... próprio desenho!

A cena inicial é de uma grande corrida de Speed entrecruzada com flashbacks relacionados ao seu irmão, Rex, com uma sobreposição da corrida feita pelo irmão junto a do próprio Speed. Um saco! Existe apenas uma ótima compensação às cenas desnecessárias de Gorducho, o fraco relacionamento de Speed e sua namorada, os nada tensos momentos familiares, as bobas cenas de ação, e a destruição do incrível personagem do Corredor X (alguém pode me explicar o que diabos é aquele momento do encontro dele com Speed na pista vazia?), e essa compensação é a velocidade. As corridas de Speed Racer são apenas, em duas palavras, do caralho. Um show de cores e efeitos especiais que deslumbra os olhos de qualquer amante da computação gráfica aliada ao cinema. Mas afinal, Speed Racer não é isso? Velocidade e cores? Então ele ate cumpre bem seu papel. É decepcionante. Mas é mágico.

"Speed Racer, Speed Racer, Speed Racer Goooo..." Go bueiro abaixo

Ah, já que eu comecei a falar de blockbusters (a única coisa que eu ando assistindo e que me ajuda a não criar “crise cinéfila por Cannes”), vale ressaltar que O Homem de Ferro superou as expectativas de qualquer um, e mesmo não sendo um filme histórico, é divertidíssimo, cumpre seu papel de entretenimento (de fazer dinheiro) e te faz sair do cinema se imaginando naquela armadura vermelha cintilante e com um cinturão de utilidades mil vezes melhor que o do Batman. Aliás, sou só eu ou vocês também tão empolgadíssimos em ver o Coringa (que Deus o tenha) e o Duas Caras em O Cavaleiro das Trevas? Sim, eu gosto de vilões, porque vilão é personagem de personalidade.

Indiana Jones E O Reino da Caveira de Cristal é outro que fechou super bem a primeira leva de blockbuster’s do ano. O começo é empolgante, vibrante e principalmente, foda, como todo bom Indiana deve ser. Mesmo com um Harrison Ford ofegante, vale lembrar que ele com 65 anos é capaz de fazer mil vezes mais coisas que eu com 20 (dizem que pilates ajuda, você consegue colocar a ponta do pé na cabeça facinho, na hora do sexo deve ser uma loucura). Tá certo que depois o filme perde um pouco de fôlego, e a entrada do viadinho de Transformers (ah, eu não vou com a cara dele e pronto, agora eu faço bico) só piora a situação. Ainda assim, temos Cate Blanchet que sozinha é capaz de levar metade do filme, foda como só ela é capaz, e o deslumbramento de pequenos detalhes, como a Arca tão desejada no primeiro filme e que se tornou nada mais que apenas um segredo no magnífico, sombrio e abandonado Galpão dos Segredos. Assim como o próprio Indi, com seus inúmeros e fantásticos feitos, passará um dia a ser apenas uma lembrança, num lugar cheio delas.

Piores que decepções e frustrações com o cinema, só as decepções e frustrações com o próprio ser humano. Esse é que nem um Windows Vista, te leva do riso aos prontos em questão de segundos, a diferença é que quando um ser vivo da merda, você não pode enviar uma mensagem de volta pra Microsoft dizendo que a bagaceira não ta rodando bem.

PS: como vocês devem ter percebido, o Fala Consciência! ganhou uma aparência nova, designer arrojado (adoro usar essa expressão, tem poucas oportunidades pra encaixá-la), tudinho presente de aniversário do Frederico (não, não perguntem como foi meu aniversário). Muito obrigado Frederico. Mas e ai, o que acharam? Fofo, lindo, bacana, legal, gay demais? Fique na linha, a sua opinião é muito importante para nós.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Convesas Bizarras no Hospital - Ato III

Ela: Eu queria ser médico.
Eu: É, eu também!
Ela: Só pra ganhar dinheiro que nem eles.
Eu: É, eu também!
Ela: Mas deixa queto, dinheiro não é tudo.
Eu: É, eu... ham?
Ela: Afinal, o dinheiro vai, mas a palavra de Deus fica!
Eu: ...
Ela: E daí né? Afinal, quando eu morrer, vou ter uma mansão de ouro no paraíso.

(Silêncio por alguns segundos!)

Eu: Ah... eu acho que me contento com uma nuvem 10m por 10m e cuecas limpas.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

T.O.P.A. ou não T.O.P.A. Que A Humanidade Não Deu Certo?

Samuel Bryan durante a T.O.P.A., só que sem gostar de criancinhas

Faltam menos de duas semanas para o meu aniversário. Pessoas próximas a minha pessoa sabem que o breve período (breve pros outros, porque pra mim...) que precede essa data de magnífica relevância para a raça humana é marcado por uma instabilidade emocional da minha parte que geralmente atinge o contingente de pessoas ao meu redor de forma subliminarmente negativista, resultando também em reações fisiológicas adversas e mal estar narcisístico em proporções catastróficas. Traduzindo: eu fico puto, de mal humor, querendo que todo mundo se exploda, querendo que eu me exploda, com transtornos psicóticos assassinos freqüentes, que também refletem na minha aparência, me deixando cheio de espinhas e com uma repulsa tão grande ao espelho que toda vez que eu passo na frente de um, a vontade é de quebrá-lo, pegar um caco bem grande e mutilar minha face. Pronto, desabafei!

A esse momento único antecedente a cada primavera eu dei um nome científico bastante presença, T.O.P.A., Transtorno Obsessivo Pré Aniversário. Ai geral que lê esse blog vai pensar, “Mas isso não se chama inferno astral?” e eu respondo que nem respondi pro Cristiano, “É porque assim funciona como uma explicação psicológica boa para pessoas que como eu não acreditam em astrologia” e ele solta a máxima, “pra mim parece outra coisa, V.E.P.A., Viadagem Extrema Pré Aniversário”. Preciso nem dizer nesse estado o que eu respondi pra ele, né?

Como resultado da T.O.P.A., a melhor coisa que eu posso fazer pelo meu bem e o bem alheio, é me isolar do resto do mundo ate que como um furação, tudo passe naturalmente e eu só levante a cabeça pra ver a bagaceira que ficou. E pra esse último feriado eu tava com um plano perfeito, comprar um aparelho de DVD novo, me trancar no meu quarto-fortaleza e assistir pencas de filmes. Botei meu pé na rua com medo do que poderia acontecer, mas fui atrás de alguma loja pra comprar o DVD. Quem disse que eu encontrei alguma aberta? Eu andei, surtei, gritei, até xinguei o sol. NÃO TINHA UMA PORRA DE LOJA DE ELETRÔNICOS ABERTA. Minha avó tentava me consolar/abrir-os-olhos dizendo que era feriado e aí eu resolvi descontar minha raiva em Rio Branco, “Então eu quero que abra logo uma Casas Bahia aqui nessa cidade pra falir de vez com todo essa droga de comércio provinciano”.

Frustrado e sem DVD, fui numa farmácia comprar mais um xarope com gosto de óleo de peixe (ah, esqueci de dizer, ainda estou morrendo). Antes de pagar, vejo uma mesinha com um monte do mesmo livro e uma plaquinha feita no Word escrita: “Vamos ler?”. Primeiro pensamento que me vem à cabeça é que aquele livro é do dono da farmácia, ele ta realizando o maior sonho da sua vida tendo o livro editado com o próprio dinheiro e colocou ele lá pra ver se vende alguma coisa. Achando que não tinha nada a perder, paro, pego e leio o resumo do best seller do nosso farmacêutico. Nem lembro o título, mas o livro falava de 6 cientistas que viviam debaixo da terra e a humanidade era dizimada por uma chuva de meteoros (que original não? Super verossímil) e estes 6 homens eram incubados de recriar um mundo com justiça e Deus no coração (sim, era uma estória apocalíptica evangélica).

Pensei comigo mesmo que aquele livro era um delírio gay (6 homens debaixo da terra tendo que sozinhos reconstruir o mundo após todo a sua destruição, sei nãããão...) e não uma Regenesis (lembreeeeei o nome do livro, tinha alguma coisa de Regenesis), mas fiquei na minha ate que o vendedor da farmácia repara que eu estou com o livro na mão, abre um sorriso enorme e com uma voz de quem se aproxima de um bebe de 1 ano diz, “gosta de ler jovem?”, e eu tomado por T.O.P.A. respondo no mesmo tom de Narcisa Tamborindeguy, “gosto, mas não esse livro”. Pago meu xarope e vou embora.

Ainda devo frisar que Rio Branco além de não ter Casas Bahia tem avenidas muito bem construídas com calçadas que em alguns pontos chegam a 30cm. Nesse exato ponto, tive a felicidade de uma senhora de aparentemente 110kg simplesmente parar com a cumadi para fofocar na hora que eu tava passando. O resultado desse episódio que encerrou meu feriado na rua fica a parte pra não chocar leitores mais conservadores.

É triste, mas como dizia Rob Gordon, “a humanidade não deu certo”.

O livro da Regenesis me fez lembrar que um dos temas da cultura pop que mais me fascina é a extinção humana em sua forma mais apocalíptica (não, eu não estou repensando que aquele livro seja bom). Estou lendo atualmente A Dança da Morte, considerado por muitos críticos, a melhor obra de Stephen King (embora eu prefira A Torre Negra). O livro de 1000 páginas conta a estória de um vírus da gripe mortal que é capaz de exterminar mais de 70% da população mundial. Mais que o fascínio da destruição e do recomeço da humanidade representado pela forma brilhante que só o King é capaz, o livro nos faz refletir sobre como nossos valores e conceitos de sociedade são baixos, ínfimos, ridículos e insignificantes quando comparados ao desconhecido. Afinal, do que adianta você tentar levantar sua carreira, economizar pra comprar o carro do ano, as roupas da moda, sair para lugares chics e impressionar os outros se, do nada, com uma única catástrofe que pode levar segundos, tudo isso não fizer mais sentido nenhum? O que te sobraria? Só “medo de um punhado de pó e um monte de imagens quebradas”, como diria o próprio King.

José Saramago escreveu o livro Ensaio Sobre a Cegueira, romance aclamado no mundo inteiro e que trás uma responsabilidade gigantesca a Fernando Meirelles que esta filmando a obra (Blindness). Na trama, um vírus deixa populações inteiras cegas, sem chances de cura. A civilização como a conhecemos decai totalmente pois, cegas, as pessoas só podem lutar por seus instintos. O livro vai além do de King por mostrar muito bem como o ser humano se coloca contra o ser humano. Pois além da destruição da humanidade (que acaba ocorrendo mais por ela mesma do que pelo vírus da cegueira), mostra o nosso lado mais desumano quando os infectados são colocados em quarentena em situações monstruosas. Porém, Saramago mostra justamente o caminho dos homens para se tornarem humanos em todo esse processo de destruição própria, pois mais do que olhar, o que importa é reparar no outro.

Também temos o fim da humanidade de forma apocalítica pela natureza. O Dia Depois de Amanhã é ate legalzinho, mas meio forçado, porém, o novo filme de Shyamalan , Fim dos Tempos parece ter tudo para ser grandioso, mostrando todo o mundo sucumbindo perante a fúria da natureza. Mais ao contrário de O Dia, Fim dos Tempos, como todo bom filme de Shyamalan, tem sua ameaça de forma invisível, tensa e perturbadora. Ainda há a aguardada volta de George Romero com aquele que parece ser um ótimo filme de zumbis misturado com A Bruxa de Blair, Diário dos Mortos.

Ah, só pra constar, Eu Sou a Lenda é uma grande merda. É um filme de catástrofe de 150 milhões de dólares que dá pra comparar com a trama dos 6 homens de Regenesis.

Bem, a humanidade pode ate não ter dado certo realmente, mas que realizou obras fantásticas, algumas que de tão ruins soam ate boas, ah se realizou.

sábado, 5 de abril de 2008

Se A Vida Fosse Um Musical Você Estaria Com Os Pés Sangrando Ou Com A Garganta Inflamada?

Aí eu tava sem nada pra fazer e, entre passar o fim de semana no Rio de Janeiro e contrair uma pneumonia, eu resolvi contrair uma pneumonia. Afinal, por que diaxos eu iria passar um final de semana em Copacabana, curtindo um pouco a praia, dando um pulinho na LeBoy, tomando água de coco e vendo gente bonita, se no fim das contas eu poderia contrair dengue, sendo que de quebra eu voltaria pro Acre e não teria que me medicar naquelas tendas super fashion do exército e sim num posto de saúde, quando eu posso pegar uma bela pneumonia no próprio leito do meu lar?

Aliás, depois de bancar tanto o menino teimoso, reconsiderei e finalmente resolvi me cuidar bem ate finalmente estar pleno em saúde. Logo, preso em casa mais uma vez por motivo expectorante, voltei a opção de assistir muitos filmes. Então eu resolvo sair um pouco da rotina e vou na locadora ver se tem algo que presta por lá ao invés de ficar baixando filmes alternativos pela internet (sim, eu sei, é feio, mas releva, eu to no Acre, aqui só tem duas salas de cinema comerciais e eu não baixo filmes que eu possa encontrar em DVD, tento ser politicamente correto). Já dentro da locadora eu me pergunto por que foi mesmo que eu entrei lá. Não fazia sentido. Só tinha um monte de filme ruim a disposição, que custavam 6 pilas a diária, geralmente muito bem arranhados, sendo que na calçada em frente ao Banco do Brasil bem pertinho dali, tem um cara que vende a 5 reais o filme, 4 reais sem a capinha. Além do ótimo atendimento que só uma locadora comercial é capaz de dar, se eu perguntar “Moça, tem algum filme do Wolfgang Becker?”, o máximo que ela vai me responder vai ser “Saúde!”. As locadoras de filmes são algo que definitivamente não fazem mais sentido.

Ainda assim saio com um filme de lá nas mãos, o musical Hairspray. Pára, volta a fita e presta atenção na afirmação: Eu aluguei um musical. Eu, que acho musicais a pior perda de tempo do cinema, paguei 6 reais por um. Deus, só pode ter sido a febre, o vírus da pneumonia, esse desgraçado que além de tomar conta do meu pulmão, cai na minha corrente sanguínea e afeta meu cérebro. Só pode! Tanto que eu esqueci de assistir o filme. Só lembrei no fim da tarde do dia seguinte, quando eu correndo liguei o DVD e sentei pra assistir porque afinal de contas 6 reais são 6 reais e eu não ia dar o gostinho de ver aquela locadora sugando meu dinheiro sem eu nem mesmo assistir o filme.

Hairspray começa com a gordíssima (porém, fofa) Tracy Turnblad declarando seu amor por Baltimore (nos anos 60), numa musica em que ela esbanja alegria e sorrisos enquanto acorda, vai para a escola e volta as pressas para casa a tempo de assistir seu programa de TV favorito. Pensa comigo: qual é o filme americano em que uma adolescente gorda já começa a história muito feliz? Nenhum! Hairspray não é só um musical, é uma paródia de musicais e os estúpidos teenmovies do tipo American Pie. Mais que isso, Hairspray tem um começo delicioso, contagiante e incrivelmente divertido. Eu estava adorando, até que das trevas surgiu ele, (eu mal consigo escrever o nome dele nesse blog, os dedos tremem) Zach Efron. Surtei! “OH MEU DEUS, EU TO GOSTANDO DE UM FILME PROTAGONIZADO PELO VIADINHO DE HIGH SCHOOL MUSICAL?”

É, foi um momento duro que eu tive que reformular meus conceitos de cinema de entretenimento. No fim das contas Hairspray é realmente divertido e funciona muito bem como paródia e crítica, mas não consegue se sustentar. O começo é muito bom, mas logo começa a cansar (salvando pelos momentos em que Jhon Travolta aparece como a mãe obesa de Tracy), o ritmo se perde (irônico pra um musical, não?) e só consegue refazer aquele impacto do começo nos momentos finais, mesmo apresentando uma série de clichês cinematográficos, a coitadinha que vence, a gostosona que se da mal, a mocinha fica com o mocinho, um amor inter-racial pego emprestado de Duas Caras, essas coisas. O destaque vai para atuações impecáveis e altamente inusitadas de John Travolta (impagável), Christopher Walken, Michelle Pfeiffer e Queen Latifah.

Além disso, há pouco tempo, assisti um “verdadeiro” musical, o muito comentado em festivais de cinema alternativo, Across the Universe. O filme de Julie Taymor parte da premissa de contar duas histórias que se entrelaçam, uma de amor (bocejo) e a outra da louca geração jovem dos anos 60 (de novo) que gritava nas ruas de Washington por paz e amor e “não a Guerra do Vietnã”. O romance gira em torno de Jude, um rapaz que sai de Liverpol para ir para os EUA, que se apaixona por Lucy, uma jovem revolucionária, cujo irmão vai para guerra contra a própria vontade. Em meio a isso, temos os negros colocando fogo nas ruas de Nova York, o movimento gay começando a sair do armário, além de sexo, drogas (a maconha mais parece LSD, gerando efeitos alucinógenos) e The Beatles. Pois todo o musical de Across the Universe é feito de 33 regravações dos Beatles. Perfeito, não? Errado! Com tudo isso, Across the Universe consegue ser uma grande merda.
Across the Universe: o baseado com certeza tava estragado

As letras dos Beatles não fazem sentido no filme. A cultura de massa considera os Beatles tudo, menos revolução, hoje em dia pode-se escutar I Want You bocejando. Não existe mais revolução, muito menos rebeldes com causa. Junte tudo isso a um roteiro muito furado, uma edição ridícula, a pretensão da diretora e Across the Universe afunda de vez. Porém, vale uma ressalva, as regravações das musicas dos Beatles pelos atores ficaram maravilhosas, com imenso destaque para I Want to Hold Your Hand, Strawberry Fields Forever, All You Need is Love e a própria Across the Universe.

Assim, eu sinceramente havia perdido as esperanças com musicais. Ate ter assistido Les Chansons d’Amour. E bem, depois de cinco minutos após o término do filme, chego a conclusão de que Cristophe Honoré é um filho da puta, só que no bom sentido. Eu já havia assistido Dans Paris (não musical) e não me sinto mal em admitir que este filme me fez descer lágrimas pesadíssimas pelo rosto. Nessas duas obras dele(que eu me recuso a chamar de geniais porque ainda nao assisti Ma Mère), Honoré enfatiza de uma forma que choca por ser tão introspectiva e ao mesmo tempo real, a dor e o recomeço. Mais precisamente em Dans Paris temos de uma forma excepcional todas as sensações do começo e do fim do amor, enquanto em Les Chansons d’Amour temos a complexidade do sentimento e a forma de se lidar com a dor.

Não gostaria de falar da trama de Les Chansons d’Amour, pois não importa o quanto eu a exalte, vai lhe parecer simples. Temos um triângulo amoroso de jovens (Ismael, Julie e Alice), que se desfaz com a morte de Julie, o verdadeiro amor de Ismael. Logo, o filme passa a tratar da perda amorosa. Ismael vagueia sozinho em sua dor e em sua forma própria de lidar com ela, e acredite quando eu digo, é quase impossível não mergulhar junto com Ismael (o muito talentoso Louis Garrel) em seu sofrimento, exatamente por retratar tão bem como nos sentimos a perda de um amor. Ate que o sofrimento romântico de Ismael vai de encontro a um novo personagem, que lhe mostrará um recomeço e um outro caminho, sem precisar se desprender daquilo que ele já sentiu e viveu.
Les Chansons d'Amour: qual a sua maneira de lidar com a dor e o amor?

O musical remete a um material musical pré-existente: as canções escritas por Alex Beaupain. Mas diferente de quase todos os musicais da história, Les Chansons d’Amour não possue dança ou coreografias. As interpretações musicais são sentidas ao mais pequeno diálogo. Assim, talvez ao ponto de nem mesmo poder ser chamado de um musical, Les Chansons d’Amour consegue ser único.

PS.: Um agradecimento muito especial ao Frederico Blahnik por mais um selo que fica ali ao lado e que eu repasso para o Thiago da Hora

domingo, 16 de março de 2008

Ociosidade Como Solução, Musica Que Embala E Tudo Aquilo Que Você (não) Pode Tirar da TV

Pessoas mais próximas a minha pessoa sabem que eu sofro de uma “hiperatividade-do-contra”, ou seja, eu só me torno hiperativo de verdade quando eu sou obrigado a ficar na ociosidade. É o que aconteceu nessas duas semanas de descanso por causa da cirurgia. Tipo, eu não agüentava mais ficar em casa. Eu nunca li tanto, assisti uma porrada de filmes, baixei ilegalmente dezenas de musicas e conversei horrores pelo MSN como nessas últimas duas semanas. Num ataque de não ter nada-mais-de-novo-pra-fazer (porque cultura cansa), eu resolvo partir pro trabalho braçal e num ataque de mania-de-limpeza lavo todo o banheiro do meu quarto. Mas você acha que eu me restringi somente ao chão e ao vaso? Hã-hã! Eu lavei parede, teto, espelho e o tubinho de plástico onde você pendura o papel higiênico. Aí, mães de família que lêem esse blog devem ta pensando, “Que lindo! A mãe dele deve ter ficado super orgulhosa”. Porra nenhuma! Ela lembrou primeiro que todo mundo que eu havia feito uma cirurgia nos ossos do tórax e eu... bem, eu havia me esquecido.

Então, depois de dois dias e meio em que o lado direito da minha lombar pareceu esquecer que a dor que ela produzia não faria eu me arrepender de ter lavado o banheiro (que tinha ficado um brilho pelo menos), eu resolvo (por conta própria, mais uma vez) que já poderia sair de casa. Aí resolvo ir num show de bandas aqui do Acre em homenagem ao Dia da Mulher. Foi bacana, tirando o fato que eu tava de camisa rosa bebê num universo de vestimentas afro-descentes. Tirei um momento também pra analisar as letras das bandas que se apresentaram (pelo menos as que eu peguei). É fato que nos últimos tempos tenho me entregado definitivamente a um momento musical que eu nunca me imaginara, minha playlist não para de tocar Bob Dylan e The Beatles, ficando praticamente resumida a eles (bem, para meu deleite geral, meu irmão descobriu a existência de Gimmi More agora, e eu não agüento mais escutar uma musica que começa com “It’s Britney, bitch!”). Fica difícil então fazer uma análise do que eu escutei no festival, do momento da musica acreana em questão, ou simplesmente, do que eu achei.

Talvez haja uma tendência geral no rock (e não me resumo mais ao acreano) de se fazer musica com letras voltadas para o individualismo psico-social. Traduzindo: sabe aquela porrada de pensamentos sem/com nexo que todo mundo tem, de questionamentos próprios, de o que significa a vida pessoal, da importância de relacionamentos externos formando o próprio caráter? É isso que eu vejo enfocado nas musicas. E admito, isso não me agrada, não importa a melodia em si. E ai talvez esteja a desvantagem de se gostar tanto de Dylan, Beatles e lembrar a todo momento de Legião Urbana e Raul Seixas, pois suas letras pertencem a um coletivo, mais que isso, um pequeno coletivo, que em seu movimento de coletividade, começando sempre por uma minoria, aclamou revolução se espalhando pela maioria e criando um burbúrio gigantesco que não foi pelo sucesso de suas musicas, seus shows e a fortuna que ganharam, mas sim pela idologia e pela chama interna que eram capazes de gerar. Talvez eu goste mesmo de musica que incendeia a alma. E o rock atual no geral, mesmo com melodias que estejam se tornando fantásticas (e nesse ponto dou um mérito as bandas acreanas Blush Azul e, principalmente, a Filomedusa), esta repleto de letras de existencialismo individual, o que pode ser resumido no ideal de: o meu “eu”, que é incompreensível ao “eu” dos outros.

Nada de CD novo com single da Madonna e do Justin Timberlake: manda uma fita cassete metade Dylan, metade Beatles


Ah, devo lembrar que no final do show, a dor do lado direito da minha lombar tinha sumido. Sim! Agora a dor dominava a lombar inteira. Na volta pra casa, (de ônibus, uma glória para dor crônicas na lombar), encontrei uma amiga que ficou super-cara-que-vovó-faz-pra-mim-quando-eu-faço-coisa-errada por me ver fora de casa em pouco mais de duas semanas cirurgiado, “Você ta louco, Samuel?”, e eu quase pedindo pro velho de 80 anos do meu lado deixar seu banco pra que eu sentasse porque eu tava quase um deficiente físico, “Que nada maninha, to de boa, a única coisa que eu não posso fazer é dançar a marcha 4 e 5 do Créu, o resto da valendo”.

Falando em musica, lembrei que se tem uma coisa que a gente faz muito quando ta em casa sem fazer nada, é assistir o horário nobre da Globo. Lá vou eu me gongar de novo, mas eu virei fã de Duas Caras. Gente, essa novela é tudo, primeiro, temos Juvenal Antena, o pai que todo garoto suburbano quer ter, aí vem a Susana Vieira achando que é Madonna com aquele cabelo, gritando “pistoleira siiiim” pra Renata Sorrah e a Alinne Moraes dando um mega show de interpretação mesmo usando botox/enchimento no lábio (sai Nazaré e sua escada de Senhora do Destino, entra Sílvia com vasos para quebrar sempre a disposição). Lógico, tem aquelas pessoas que eu queria pegar pelo pescoço e enfiar a cara na piscina ate ver as bolhinhas pararem de subir como a Maria a Louca e o filho “mamãe-mamãe-mamãe, me dá um Poney?” dela, o Caco Ciocler, naquele papel que se ele parasse de atuar ninguém ia sentir a diferença, e ela, a mulher que mesmo na merda, mesmo com um marido filho da puta em casa, mesmo com dois filhos chatos pra caralho e mesmo infeliz pacas, nunca pára de descer pelo pau, Alzira.


Alzira: "A melhor terapia para a depressão feminia é descer pelo pau. Levanta a auto estima!"

Duas Caras atingiu seu auge com dois momentos. Primeiro, quando a Bárbara (se minha mãe faria, Beth Faria?) pegou a Sílvia de jeito numa chave de braço. Pra vocês terem uma idéia de como essa cena foi impactante, tava toda a minha família no churrasco, quando todos viram a cena houveram gritos de “Eiiiita porra” e “Peeega filha da puta” pra todo lado. E só deu Samuel gritando “calem a boca que eu quero ouvir o que ela vai falar enquanto tiver com a outra presa pelo gogó”. Sentiu o impacto? Não? Corre pra Globo.com então. Segunda cena: todo mundo sabe que hoje não te mais novela das 8 sem gay como personagem, desde viado enrustinho, ate casal que parecia hétero e só vendia beleza, agora os gays da Globo são tão diversificados, mais tão diversificados, que gostam ate de mulher. Logo, a cena em que a turma dos crentes-cavaleiros-do-apocalipse liderados pela evangélica-que-deve-ser-parente-do-Coringa pegaram o viadinho, a vadia e o preibói de jeito, entrou pros anais da história da teledramaturgia brasileira. Finalizando com o Contra-Ataque-dos-Crentes-Bonzinhos e um nascimento a lá Virgem Maria dando a luz a Jesus. Palmas!



Pergunta: por que falar de musica me lembrou Duas Caras mesmo? Resposta: alguém já parou pra ver a playlist internacional daquela novela? Pai amado, “segura Berenice, nós vamos bater”, começamos com Gimme More, da Britney (virou perseguição), 2 Hearts da Kylie Minogue (não, ela não morreu) e Same Mistake do James Blunt (não lembra? Aquele que gritava You’re Beautiful). Dou um toque pros três: a decadência sempre começa assim, na novela das 8, ok? Hurgh! Se pensa que acabou? Então vem a Pergunta-2: o que diaxos a Diana Krall ta fazendo naquele CD mesmo? E pra completar, aquela cara de bunda da Marina Elali cantando o Xote das Meninas (isso mesmo que você leu) em inglês (isso mesmo que você leu²).


Continuando com o horário nobre (imagine se nós tivéssemos um “horário esgoto”) tem o Big Brother Brasil. Marcelo saiu (blá blá blá), a Globo só quer fuder a Thaty colocando uma musica da Cássia Eller e Ana Carolina em seguida e fazendo um mini-clipe dela cantando/gritando sozinha, toda loucaça, numa total imagem de “Eu sou lésbica, siiiim” e o Marcão sem poder falar nada mas com um olhar de “Deus, ela ta se queimando sozinha” (blá blá blá), lá dentro agora só tem idiota (sim, o Rafinha também conta), depois de um mês que o programa acabar, a Natalia pousar nua na Playboy e o Nelson Rubens não tiver mais de onde espremer merda pra colocar no TV Fama
sobre eles, eu vou esquecer tudinho (bla blá blá) e pra completar, Débora Secco vai passar um dia inteiro com os brothers (momento Bial) da casa mais badalada do país (péra aí, volta a fita).

BBB8: Quem são vocês mesmo?


Que porra foi essa? Débora Secco no BBB? E eles ainda pagaram praquilo! Quem é Débora Secco na noite? Ah gente, forçaram! Muito! O máximo que a Secco fez foi a pior interpretação numa novela das 8 (soy loco por ti, América), dar pro Falcão, e atualmente pro Roger (foi a Galisteu que largou ele, ou o contrário?). Aí, ela acorda e ao mesmo tempo se maqueia, nem mesmo escova os dentes antes. Como dizia mamãe, “Ela não tem vergonha de mostrar o rab* na Playboy, mas não tem coragem de mostrar o rosto sem pó.

Para aqueles que acham que o nível desse blog caiu total hoje, boas notícias: a partir dessa segunda feira minha licença médica expira e eu volto a trabalhar lá no hospital (bota 9 horas do meu dia ai), e logo em abril, minha faculdade também recomeça (bota mais 4). Logo, não vou ter mais o mínimo tempo para o horário nobre global... e muito menos vou lavar o banheiro de novo!

Nota do Autor - Ato I

Quero agradecer imensamente pelo selo de “Esse blog vicia” que o Marcelo do ótimo Bomba MH me deu. Obrigado mesmo, é meu primeiro selo. Repasso ele para a minha amada amiga Keth, do Inifinito Particular que eu gosto tanto. Também lembro que nunca agradeci por aqui a força que o Altino me deu, falando do meu blog no dele, obrigado.

Assim como eu agradeço a todos que tem paciência para ler meus textos e comentar. Sei que eles são grandes (ok, enormes), mas eu ainda não reformulei o blog como eu imaginava que já teria feito, então, mudanças só no futuro próximo (ou longo).