domingo, 5 de abril de 2009
Conversas Bizarras Após Batidas Bizarras
Eu: OH, MEU DEUS! CARA, VOCÊ TA BEM?
Motoqueiro: Aí (saindo do para-brisa todo trincado), eu tô sim, so machuquei o joelho, mas tá tranquilo!
Eu (tremendo): Obrigado, Senhor! Deus é pai, não é tio nem padastro, é pai! Agora vem aqui.
Motoqueiro: Por quê?
Eu: Porque se o acidente não te matou eu faço esse serviço. Vem cá seu desgraçado, METADE DO MEU CARRO TA DESTRUÍDA E A SUA MOTA NÃO ESTÁ NEM ARRANHADA!
Motoqueiro: Ei, calma aí...
Eu: Calma aí nada...
Desconhecido: Gente, tá tudo bem por aqui? Querem que eu chame o Samu?
Eu: Calma, me dá 15 minutos com ele, aí tu chama o Samu!
Motoqueiro: Tu não me viu não?
Eu: Tu não viu o sinal VERMELHO não?
Desconhecido: Ei cara, tu passou no sinal vermelho.
Motoqueiro: NÃO TE METE!
Desconhecido: Ah, vá pra casa do caralho...
Motoqueiro: Vá pra casa do caralho você...
Eu: ...
Vizinho (chegando): Nossa, tu tá bem?
Eu: Até que eu tô (olho pro que sobrou do carro e uma lágrima desce solitária pelo meu olho direito), meu bolso é que não!
Brincadeiras a parte só posso agradecer a Deus por nada de grave ter acontecido no acidente que tive na última sexta-feira.
terça-feira, 17 de março de 2009
Com Que Maníaco-Assassino-Serial-Irracional Você Se Identifica Mais?
Jason: “Euuu!”
A série Pânico fez mais merda nos slasher movies do que o Jason foi capaz. Ok, eu admito que Pânico é um fruto de Sexta Feira 13, mas mesmo assim, não tem salvação. Primeiro, temos aquele assassino com aquela fantasia ridícula (em cada filme é um diferente, mas sempre com a mesma fantasia), depois, sempre os adolescentes americanos estereotipados, os piores tipos, a gostosa, o jogador, o tímido que não transa com ninguém, a metida a espertar e a virgem, que sempre sobrevive, mesmo que ela perca a virgindade. Os três filmes são muito ruins, as mortes também são muito sem graça, os desfechos são piores ainda. Afinal, quem sai fantasiado dentro da cidade, a vista de todo mundo, matando e perguntando antes: “Qual seu filme de terror favorito?”? Se nem no campo isso faz sentido, imagina na cidade.
m mineiro (não gente, ele não nasceu em Minas Gerais, ele trabalhava em minas) que na noite do dia dos namorados saia de sua mina com uma picareta suja de sangue e matava garotinhas apaixonadas, arrancava seus corações e mandava para outras pessoas em caixas de bombons em formato de... coração (adoooro a ironia). O filme é violentíssimo e razoavelmente bom, mas com os clichês de sempre, assassino mascarado revelado só no final do filme, adolescentes se fudendo e casal transpassado vivo enquanto transa. Teve dezenas de cortes no filme original, o que é uma pena, mas eles estão no DVD especial lançado recentemente. O remake foi lançado há pouco tempo em versão 3D.
O mais cult dos maníacos, Mike Myers é o grande vilão da série Halloween, também refilmada e lançada ano passado por Rob Zombie. Mike nasceu com talento pra matar. Aos 6 anos esfaqueou mortalmente a sua irmão depois dela transar com o namorado, ficou num hospital psiquiátrico até os 21 anos, quando resolveu fugir e seguir carreira. Ele mata, começa a usar uma máscara estranhamente delicada e um facão grande igual ao do Jason. Começa então a história de um serial killer acima da média normal. Existem 8 partes da série, em todas ele é indestrutível e implacável. É quase um Jason, com tanto cérebro quanto ele, mas com um pouquinho mais de classe.
que teve capacidade de se reinventar para manter sua presença. Chucky era até então um brinquedo inocente, mas de algum jeito absurdo, abrigou a alma de um assassino morto pela polícia em uma loja de brinquedos. O primeiro filme é assustador, principalmente para crianças. O brinquedo havia sido comercializado antes do filme, o que gerou uma histeria ao redor do mundo. Chucky é foda, mesmo no corpo de um boneco de plástico, ele já teve ate namorada, fez filho e matou algumas dúzias de idiotas, além de assustar criancinhas ate hoje. Ele também era sarcástico e irritante, coisa rara na época. Seu gênero de terror se desgastou, mas sua figura não, despontando para o humor em seus últimos dois filmes.
O grande vilão da série Hellraiser vem de uma dimensão paralela toda vez que um cubo amaldiçoado tem seu segredo desvendado. Me cagava de medo toda vez que o Pinhead aparecia na tela, com aquela cara cheia de pregos, aquela roupa de couro (que com certeza foi feita para sadomasoquistas), e aquelas correntes que surgiam do nada e se enfiavam na pele das vítimas. Dor e prazer ao extremo no mundo de Pinhead. Os três primeiros filmes são ótimos, mas depois a coisa fica ruim, até gordo o Pinhead ficou nesse meio tempo (Parte 8). É, a idade não perdoa ninguém.Um vilão que começou aterrorizante e que hoje poderia fazer parte do palco do CQC ao lado do Rafinha Bastos. O primeiro A Hora do Pesadelo é até razoável, mas o resto é uma grande porcaria de filmes toscos que subestimam nossa inteligência mais do que qualquer outra coisa e transformaram Freddy Krueger de assassino de crianças demoníaco que mata pelos sonhos, em comediante de segunda que mata entre piadas. Além de torcer só pro Flamengo com aquela blusa listrada que ele usa. É um ícone, dos melhores, um tipo de vilão raro, mas que foi muito mal aproveitado. Adora matar adolescentizinhos que só pensam em transar. Ponto para as mortes sempre criativas.
É difícil me expressar sobre Leatherface sem me expressar sobre O Massacre da Serra Elétrica, um dos filmes de terror mais cultuados de todos os tempos, absurdamente bom, “inteligente” e assustador. Leatherface é um jovem que nasceu com uma doença que corrói a pele do seu rosto, na juventude então ele aprende com sua sádica família de canibais a usar o rosto de outras pessoas no lugar do seu e de comer a carne delas para se alimentar. É bizarro. Brandindo sua serra elétrica em mãos, não tem como não ficar com as pernas bambas quando Leatherface entra em cena para matar, geralmente conseguindo seu objetivo. O filme original é muito bom, o remake é tão bom quanto, e O Massacre da Serra Elétrica – O Início, que mostra como tudo doentemente começou, é melhor ainda. Estranho esse último ter passado tão despercebido pelo Brasil. quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
O amor é cego, surdo, mudo, aleijado, tetraplégico e respira por aparelhos...
Até assistir essa:
É interessante a necessidade que nós seres humanos temos de expressar o amor de alguma forma. Alguns foram além e utilizaram-se da sua forma de expressão para colocar isso na arte, na literatura, na música, no cinema, TV. E o mundo ocidental foi condicionado a uma única forma de amor. Aquele que deve nos fazer feliz. De fato, só existe essa maneira de expressar o amor, a de transformá-lo em nossa felicidade plena.
Aí me vem Machado de Assis, com seu Bentinho e sua Capitu. Bentinho, um pamonha e viado enrustido, nutria seu mais absoluto desejo por Capitu. Mais que isso, por ela, Bentinho foi capaz de largar tudo, e deixar tudo em segundo plano. E o que o amor fez por ele? O envelheceu, o degenerou, o destruiu completamente, o enlouqueceu. O amor não fez muito bem para Bentinho. Ele o transformou num homem casmurro. Ele, justamente ele, que tanto se dedicou ao amor.
Machado de Assis veio para mostrar ao Brasil que o amor não é a melhor das coisas não, como dizia José de Alencar e qualquer outro que aqui escrevesse. Já Monique Garde, veio para mim com uma cena já clássica em Ó Pai, Ó, em que um travesti desce a rua, ao som de “Tô Carente”, do Calypso e se entrega a um desejo louco por um taxista preto, safado e casado. É, Monique querida, você veio com uma simples cena nos ensinar como o amor é complicado.
E se tudo vai mau na vida das pessoas, elas gostam de culpar a própria sorte amorosa, ou levar tudo isso para a vida sentimental. Ser solteiro para alguns é ser um imã para desavenças e azares de todo o tipo. De fato, a imaginação do que deva ser o amor para essas pessoas as tornam fracas e desiludidas para todo o resto. Pior que essa, só o tipo de pessoa que após tantos relacionamentos fracassados acha que nunca mais vai amar e que a vida será amargar por causa disso ate o fim. O ser humano é realmente paradoxal.
Lembrei que assistindo Sex and City, eu tive a impressão que nesse atual momento da humanidade, o amor seja um sentimento que se perdeu na evolução humana, não era mais para ele existir, ele parece não fazer mais sentido. Num universo onde as pessoas vivem com medo da própria sombra, fecham-se em seus mundos particulares, são egoístas e desejam ascensão, poder e, principalmente, dinheiro, o amor parece ser um argumento atrapalhador perante tudo isso. O que você quer mais, casar ou ter um Honda Civic (e eu te dou a opção de vir com câmbio automático e bancos de couro)?
Talvez o ponto mais
paradoxal entre nós seres humanos e o amor seja a questão de nossa necessidade de controlá-lo, tê-lo e usufruí-lo bem. Woody Allen soube representar isso muito bem em sua mais magnífica obra nos últimos dez anos, Vick Cristina Barcelona. O filme é leve, doce e delicioso, mas nem por isso nos traz uma reflexão poderosa e conflitante sobre a irracionalidade e maluquice dos relacionamentos amorosos. Nada nesse filme sobre o amor é banal ou igual a tudo aquilo que tanto estamos acostumas a ver na Globo, tirando Capitu, claro.
Mas meu enfoque no filme não ficou justamente sobre aqueles que mais chamaram a atenção da crítica, Scarlett Johansson, Penélope Cruz e Javier Bardem e seus brilhantes e maravilhosos personagens a somar um triangulo amoroso exuberante e amedrontador, mas minha atenção se dedicou a Vick, personagem vivida por Rebbeca Hall. Vick e Cristina vão a Barcelona, mas a viagem só começa de verdade quando elas aceitam um hilário pedido de um pintor para passar um final de semana juntos. Vick leva a vida como tantas pessoas modernas desejam levar, esta se especializando em sua área de estudo, planeja trabalhar, se mudar para Nova York e casar com um homem belo, rico e que ela considera ser um padrão de postura e classe. Para Vick, seu sentimento pode ser controlado a medida disso.
Mas Vick não é uma pessoa que conhece a capacidade de nosso coração em nos enganar. E mesmo achando que toda sua vida está resolvida e que seu sentimento é imutável e controlável, ela se apaixona pelo pintor. E como diria Maysa, mas na cabeça de Vick, “meu mundo caiu”. Vick casa e mesmo passando boa parte do filme sem ver mais o pintor (é Cristina quem se envolve com ele e sua lunática ex-mulher), ela está lá, pelas ruas de Barcelona, de braços dados com um homem e atormentada pelo amor irracional que tem por outro.
É, se relacionamentos já são complicados, relacionamentos modernos são mais difíceis ainda. Antes era tudo tão simples, só matar um dragão e pronto, a gata era tua pro resto da vida, hoje, elas nunca ficam felizes nem se você coloca status “namorando” no Orkut.
“Muitas pessoas desejam mais da vida e não sabem exatamente o que é. Elas sabem que tem que haver algo mais na vida, algo mais interessante, mais romântico, mais apaixonante, mais realizador.” – Woody Allen
Com relação a relacionamentos modernos, Mike Nichols nos traz
Closer – Perto Demais. Um filme mordaz e honesto sobre o que acontece quando liberamos nossa capacidade de amar (e nos colocamos a prova de suas conseqüências) e quando lutamos contra esse sentimento (e nos colocamos a prova de suas conseqüências²). Não vou falar de Closer, mesmo porque o filme já é velho e até passou na Globo, você só não assistiu se não quis, mas existe um momento que retrata exatamente a que esse filme veio: Dan (Jude Law) esta saindo de casa porque deu um fora em Alice (Natalie Portman, divina) para correr atrás de Anna (Julia Roberts), a quem ele
acredita que ama. Numa cena muito forte, Alice se joga aos prantos em Dan e eles tem um diálogo memorável.
Alice: Ninguém nunca vai te amar o tanto que eu te amo, por que o amor não basta?
Dan: Eu amo ela, Alice.
Alice: Ah, como se você não tivesse escolha? Há um momento, sempre tem um momento: "eu posso fazer isso, posso entrar nisso ou posso resistir a isso", e eu não sei quando esse momento foi, mas eu aposto que teve um.
Vem também de Closer uma frase inesquecível: “Você não sabe o que é amor, porque não entende o que é compromisso”. Faz sentido pra você?
E pra finalizar esse texto que inicia a temporada 2009 desse blog, eu sou obrigado a voltar a Woody Allen. Na cena final de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, temos uma piada antiga, Um homem diz a um psiquiatra: "Doutor, meu irmão é maluco, ele pensa que é uma galinha". O médico diz: "Então, porque você não o interna?". Ao que Allen responde: "Bem, eu o internaria, mas acontece que preciso dos ovos". Após essa piada ridícula, temos uma brilhante reflexão do próprio Allen, "Assim é como me sinto sobre relacionamentos, eles são completamente irracionais, malucos, absurdos, mas continuamos, insistimos porque a maioria de nós precisa dos ovos".
Enfim, e qual seria o objetivo dessa reflexão toda sobre o sentimento mais controverso do mundo?
Nenhum!
Só confundir a sua cabeça e deixar um pouco mais arejada a minha.
sábado, 27 de dezembro de 2008
Nota do Autor - Ato II
Chupa que é de uva...
Um Feliz 2009 para todas as pessoas boas do mundo, mas em especial para os leitores desse humilde blog que me aturaram tão bem por mais um ano. Sim, eu desejo um Feliz Ano Novo também pro Bryce e pra Samara, no fim das contas eu sei que eles me amam e eu amo eles também.
O Fala Consciência volta em 2009 com novidades e uma linha editorial reformulada. Aguardem!
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Sabe O Que Fazer Quando Seus Sonhos Vão Por Água Abaixo Literalmente? Dance!
Madonna que se foda, Dangerous Muse no Brasil foi o show do ano. Já nesse final de semana eu me deparo apenas com chuva, tempo nublado, e falta de ingressos individuais para o Baile do Hawai que eu estava jurando que iria desde o ano passado... Sim, esse é um daqueles posts com tom de revoltado.A propósito, falando em chuvas, eu estou desde maio desse ano planejando minhas férias (que começarão no carnaval do ano que vem), e todos meus planos estavam focados em... Florianópolis!
E quando eu digo que Deus é um cara irônico poucas pessoas acreditam. Tragédias a parte, eu me solidarizo muito com as vítimas, mas tudo ainda parece tão irreal, o Brasil é um país tão grande, gigante, fica difícil entender que aquilo esteja acontecendo com o vizinho de baixo, parece uma coisa tão O Dia Depois de Amanhã.E engraçado que quando eu falo dos meus fatores que levaram a escolher Floripa como destino do meu carnaval as pessoas acham um pouco estranho. Não foi só praia, ferveção e gente bonita que me fez escolher a cidade como destino, há muitas outras opções assim. No carnaval do ano passado, o clube The Week deixou de ser de verão por lá e abriu suas portas definitivamente, pra abertura eles chamaram o DJ israelense Offer Nissim, um dos maiores nomes da eletro music da atualidade, responsável pelo sucesso mundial daquela musica chata da Maya, Alone, lógico que o resto do trabalho dele é algo muito superior, como Beatiful Eyes e Happy People. Um outro clube contratou David Guetta, outro DJ que eu sou muito fã. Caralho, no carnaval, dominado geralmente por axé, você ver uma capital bastante animada e cada dia mais famosa pelo seu turismo valorizar a musica eletrônica, é de dar vontade de correr pra lá.

Nazarian tava dizendo que ia passar o Reveillon dele em Floripa nem que tivesse que chegar lá a nado, e eu já botei na minha cabeça que vou curtir o carnaval em Florianópolis nem que eu tenha que passar por lama. Falando em Santiago Nazarian (sim, de novo), ele tava falando da primeira seleção do Prêmio Sesc de Literatura. “Devo confessar que foi constrangedor ler TANTA COISA RUIM, mas ao mesmo tempo foi lindo descobrir, no meio do lixo, quatro autores de verdade, ótimos, que merecem os três o primeiro lugar”, palavras dele. Como eu estou participando do prêmio, não sei se deveria me sentir nervoso por fazer parte do TANTA COISA RUIM, ou dos quatro autores ótimos (esperança é a última que morre, não?). Enfim, o resultado do prêmio sai só no começo do ano que vem, antes eu não estava aguardando anciosamente, até esqueci, agora fiquei na expectativa de vez. Quem é amigo torce, ok? Quem não é amigo torce também!
Com o fim de ano eu dei um tempo em tudo com relação a cultura. Eu sei, é quase um suicídio do lóbulo frontal esquerdo do cérebro dizer isso, mas as próprias coisas andam meio paradas. O cinema anda sem graça, a música em 2008 se mostrou decpcionante, o Obama foi eleito, a crise mundial colocou o capitalismo em cheque, quem comprou carro comprou, quem não comprou se fudeu e o Natal ta aí. Época de dar e receber... presentes.
Aliás, se um dia eu for pai (bate na madeira três vezes) meu filho nunca vai sentar no colo de Papai Noel. Pensa comigo gente, um velhinho, que vive isolado, aparece numa época estrondosa e seduz criancinhas oferecendo presentes e doces, em troca coloca-as no seu colo e pergunta se eles foram “bons meninos”. Eu sempre tive certeza que Papai Noel só havia contratado duendes para sua empresa de brinquedos porque a estatura dos duendes o mantém inerte em pensamentos libidinosos o ano inteiro, até o Natal. O pior é que com esse negócio de presentes e bom velhinho as crianças acham que Papai Noel e Deus são tudo a mesma coisa.
Aliás, comprei mega antecipado o presente de todas as mulheres lá de casa e como eu sei que elas não freqüentam esse blog, aí vai a dica pra você presentear uma mulher importante também (importante e moderna claro):

Aproveitei e já me dei de presente os dois livros de Calvin e Haroldo que faltavam a minha coleção. O Natal faz com que eu me sinta uma pessoa melhor. Até trabalhar no hospital ta sendo menos torturante.
Demais, ando escutando Mystery Jets. Uns ingleses com jeito descoladão, as vezes parecem só gays, outras só drogados, mas eu acho que eles são os dois. O som me parece bem oitentista, acho que é por isso que eu gostei, a moda é ser retrô, não?
Mas de fato, isso não faz meu estilo. Se prender ao passado culturalmente. As pessoas dizem que os anos 80 foram os ápices culturais da história, e por diversas vezes eu ouvi pessoas da minha idade querendo ter nascido nos anos 80. Eu não, ser dinâmico e assimilar coisas, amando-as e descartando-as em seguida é meu ponto forte com relação a ícones pops. Assim como a música eletrônica, que você pode cantar e dançar loucamente num dia, para que no seguinte, ela seja simplesmente substituída por outra batida. Acho que essa é a maior vantagem e desvantagem da musica eletrônica, a capacidade de chegar ao topo e descer ladeira abaixo tão rápido quanto uma descida de montanha russa. Mas claro, a descida de montanha russa so é rápida pra quem está olhando e curtindo de fora, nunca pra quem está dentro do carrinho.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Conversas Bizarras (Im)Prováveis - Ato V
Polly: Pára de achar, Samuel. Seja homem.
Eu: Ok, mas com o medo que eu to, avise se eu estiver conseguindo.
Polly: ¬¬
O vidro abaixa, a traveca aparece.
Traveca: Olha benhê, sou ativa, passiva, versátil, faço chuva dourada, lua marrom, gozo nos seus peitos se você quiser...
A traveca me vê no lado do co-piloto.
Traveca: Opa... já vou logo dizenduo que pra casal é o dobro.
Eu: Ei, está havendo um pequeno engano aqui...
Polly: É! Não é nada disso que você esta pensando.
Traveca: Ah, intendí! Ele vai só dá uma zoiadinha, né? Saquei! Essa cousa voieur não minha praia, mas eu aceito, belez?
Polly: Nós não estamos atrás de programa, nós só queremos fazer uma entrevista com você.
Traveca se debruça no vidro, os olhos brilham.
Traveca: Sério, maninha? É pra Prayboy?
Polly: Não!
Traveca: Fantástico? Sempre quis sair naquelas matérias sobre a virda fácil não ser tão fácil assim...
Polly: Hum... não!
Traveca (já desconfiada): Gazeta Alerta?
Polly: Também não?
Traveca: astravecasmaisgostosasedotadas.com.br?
Eu: Oh, meu Deus!
Polly: Beeeeem... nããão.
Traveca: É pra que então, heim filhinha?
Polly: Pra minha monografia!
Momento de silêncio.
Traveca: Que é isso?
Polly: É um negócio da universidade...
Os olhos da traveca brilham de novo.
Traveca: Mininaaaa... cê eu ti contá que eu quase entru na faculdadi...
Eu: Ah é... e porque não entrou?
Traveca: Purque o Tonhão, na época que eu estava fazendo pograma no bar dele, encanou que eu devia estar realizando um curso de massagi invés desse negócio de vestibular. Tonhão chegava logo espancando quando ouvia esses papos. A gente ia estar dando um jeito, mas não rolou, sabe?
Eu: Fazendo... Realizando... Espancando... Dando... Eu acho que ela daria uma ótima atendente de telemarketing.
Polly: Ok, eu desisto. Pega 20 reais que eu to vazando.
Traveca: Gradicida! Boa sorte na manugrafiti.
Esse papo nunca aconteceu de verdade, mas o pior é que poderia ter acontecido sim.
Essa também é uma pequena homenagem a minha amiga Pollyana que pegou o facílimo tema de prostituição pra dissertar na monografia dela.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Qual A Semelhança Entre Zumbis Canibais e Mulheres Muito Feias?
“- Qual o privilégio dos mortos?
- Não morrer mais.”
Alphaville – de Godard, para, Otto; or up with dead people – de Bruce laBruce
Aliás, falando em zumbis, vem aí mais um Big Brother. E Deus sabe que o Brasil é um dos poucos países em que essa maravilhosa “novela da vida real” chega a sua nona edição. Ok, eu vou me gongar agora, mas eu acompanhei a primeira edição do começo ao fim, gostei, admito e o primeiro que vier me chamar de alienado por isso vai ter que demonstrar em documentos que nunca acompanhou sequer um episódio de uma novela global, uma mexicana ou pior (Jesus tenha piedade da televisão brasileira), Os Mutantes. Porque é muito fácil você dizer que o Big Brother é uma coisa para pessoas aculturadas, mesmo sendo algo extremamente idiota e você se apoiar nisso para parecer o intelectual.

E foi na terceira edição que eu tive um lapso genial. E se o Jason entrasse no estúdio dos brothers, matasse todos os câmera-men, diretores, apoio (sim, ele seria capaz de fazer isso sozinho e andando a 2,5km/h), depois entrasse na casa, que já estaria abandonada apenas com as câmeras automáticas e matasse um por um os participantes ninfomaníacos/anoréxicas/ siliconadas/sarados, ate que ele morreria nas mãos do último casal vivo e sua máscara de hóquei afundasse nas águas de Crystal Lake, quer dizer, da piscina cheia de cloro da casa? Cara, ia ser demais.
Ninguém pensou nisso junto comigo. Mas vai sair um remake do primeiro Sexta Feira 13 no ano que vem, e eu tremo todinho nas bases quando penso nisso. O trailer parece muito bom, mesmo que as vítimas novas pareçam coelhinhas da Playboy e integrantes do Fall Out Boy. Não que eles não mereçam morrer, mas em filmes de terror fica difícil odiar o assassino quando você torce pela morte de todo mundo. Enfim, não tiveram minha idéia de misturar o Jason com o Big Brother, mas na Inglaterra, alguém foi muito além da minha concepção e ganhou minha gratidão eterna, misturou o Big Brother e uma epidemia de zumbis canibais em um único local. Confinados numa casa, se zumbis sedentos por sangue surgissem, nossos brothers seriam os últimos a saber.
Essa é a premissa de Dead Set. Série em 5 episódios que conta como o isolado estúdio do Big Brother não observa os sinais televisivos de que algo está muito errado em todo o país, e durante a eliminação de uma participante (com todo aquele povo a la Bial) a infestação chega e em cenas memoráveis, mesmo com péssimas atuações, os zumbis aos poucos vão se multiplicando e morre todo mundo. As cenas dos controladores de VT sendo assassinados, alguns até em cima de suas ilhas de edição, com o sangue respingando nas telas, enquanto os brothers dançam Grace Kelly de Mika (sim, Mika tocando durante o melhor momento da carnificina), além da apresentadora tendo o pescoço destroçado, um zumbi atacando um cadeirante de rodas, e as editoras gritando para o chefe filho da puta abrir a porta, ele não abre, e no vidro da porta o canalha observando elas sendo devoradas, são simplesmente incríveis.

Isso tudo apenas no primeiro episódio. No segundo temos participantes de um Big Brother que não sabem de nada do que aconteceu, mesmo que os espelho do lado do estúdio na casa estejam manchados de sangue. Lógico, do lado do estúdio, sobrou uma personagem, a estagiária que serve o café (sempre os estagiários) e ela vai se refugiar no único lugar que parece seguro, a casa. E então, os brothers se tornam realmente os últimos a saber. Ainda não terminei de assistir Dead Set, mas só de lembrar eu me arrepio todinho. Não de medo, mas de excitado.
Aliás, eu ando assistindo menos filmes na minha vida e mais séries. Não que eu tenha deixado minha maior paixão de lado, pelo contrário, o cinema sempre será meu maior amante, mas o momento de séries no mundo anda bastante bom há quase uma década. Meu vício atual é nas hilárias Desperate Housewives e Ugly Betty.
Desperate Housewives talvez seja o Sexy and the City as avesas, mulheres belas, gostosas, inteligentes e poderosas que apenas se dedicam a cuidar do lar, da família e viver uma vida comum. Com essa idéia, Desperate se torna fantástica por abordar que vidas comuns não existem, todos temos segredos, perversões, fantasias, mistérios e, principalmente, passado. A primeira temporada é genial, as outras são muito boas. É leve mesmo quando deveria ser pesada e me faz dar altas gargalhadas com seu humor negro. Talvez seu maior defeito seja a politização, é visível que todos lá são republicanos e votariam no McCain.
E em contrapartida temos Ugly Betty. A versão americana de Betty, a Feia, que venha
mos e convenhamos, quando lançada em 2006, ninguém acreditava que daria certo. E deu, até demais. Com essa eu gargalho. Os primeiros episódios tiveram a idéia de copiar descaradamente um clássico do novo cinema pop, O Diabo Veste Prada. Se bem que eu diria parodiar. Betty é doce, companheira e ótima empregada. Mas é mais feia que um zumbi e causa tanto terror quanto um quando passa. Os roteiristas tiveram a brilhante idéia de misturar o glamour americano com a perspectiva dos países latino, que vai desde o bairro de Betty, tipicamente porto riquenho, as novelas que seu sobrinho assiste. E incrivelmente, todos os personagens possuem fortes personalidades e se tornam destaques, coisa rara.Betty me dá saudade de filmes de zumbi, mas saem poucas coisas por ano. Eu assisti Doomsday, que parecia ser um filme de zumbis, mas que se mostrou ser uma piores coisas que saíram ultimamente. Sua fórmula é: Los Angeles - Cidade Proibida encontra Mad Max que encontra O Senhor dos Anéis. Viajou na maionese legal pra não chegar em canto nenhum.
Minhas esperanças de filme de zumbi estão no comentado anteriormente, Otto; or up with dead people. O problema é que esse é um filme de Bruce laBruce, então é o tipo de filme pra chegar com jeitinho, devagar, sem desejar saber o que você vai ver na tela. Já li críticas dizendo que assim como Todo Mundo em Pânico é uma sátira de filmes de terror, Otto é um tipo de bizarra sátira a filmes experimentais, vanguardistas e cults, por isso a citação de Godard e não alguma de George Romero. Além disso, dizem que é um filme que mistura zumbis, com pornografia, movimento punk e um filme dentro do filme. Dizem as más línguas que é difícil inovar no tema de zumbis, mas eu acho mentira. Eles são um dos maiores ícones da cultura pop de massificação e sempre serão.
Assim, aguardo ansiosamente os episódios finais de Dead Set e o lançamento de Otto, enquanto a minha idéia genial de misturar Jason com o Big Brother não brota na cabeça de um roteirista hollywoodiano.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Jacarés Grandes, Aranhas Grandes, Formigas Grandes... Todo Mundo Megalomaníaco
Hoje eu quase não deito no sofá da minha casa, aliás, eu não lembro qual foi a última vez que eu parei pra deitar no sofá e assistir TV. Eu era viciado nisso quando era criança. O meu avô dizia que todo sofá que passava lá por casa ficava com as marcas das minhas costas e da minha bunda depois de alguns meses de uso (sim, eu tenho 1,80m, cerca de 60kg, mas eu tenho bunda, ok?). E se tem uma coisa que eu sempre lembro que era caótica lá em casa era a briga pelo canal de TV, principalmente quando eu e meu irmão estávamos cada um estirado num sofá de casa. Meu irmão era tão bandido que mesmo menor que eu, as vezes ficava no sofá grande só pra não me ver nele e eu ficava no menorzinho com os pés flutuando do lado de fora.
Porém, contudo, todavia, se tinha um canal que todo mundo parava lá em casa na hora do almoço, esse canal era o SBT, na sessão Cinema em Casa. Foi nele que eu aprendi que A Lagoa Azul era um filme que se repetia 1 vez por semana e que o Freddy Krueger era um filme que podia deixar as crianças sem dormir a noite passando ao meio dia. Depois inventaram a tal de portaria com censura de idade e fudeu a alegria de quem foi criança no começo dos anos 90.

Aliás, foi com o Cinema em Casa que eu virei fã/tiete/paga-pau de dois tipos de filmes, os de zumbi (meu Deus, passava A Volta dos Mortos Vivos 2 enquanto eu comia arroz com feijão) e os de monstros gigantes. Alguém aqui se lembra do Alligator? Gente, pára tudo e presta atenção: um jacaré gigante se esconde no esgoto de Chicago, piscinas e caixas d’agua de 10.000litros, vira celebridade nacional, se alimenta de cachorros radioativos, depois de seres humanos, invade a festa do prefeito durante o dia, faz maior barraco, banca a Lady Kate e mostra quem é que assina o cheque, come o prefeito na festa e ainda assim consegue ser um bom (eu diria ótimo) filme? Caralho, só podia ser coisa dos anos 80 mesmo. Não tem como não amar o tosco no cinema.
De certo modo, Alligator não é tão tosco não. As cenas do animal aparecendo e fazendo carnificina são muito boas, mesmo quando você percebe que tem um jacaré de verdade andando num cenário de miniatura. O roteiro é interessante, já que o jacaré só cresce devido a uma rede de intrigas onde se misturam homens gananciosos, políticos corruptos e... cachorros radioativos (ok, cachorros com hormônios de crescimento, mas radioativos soam melhores). Então, o verdadeiro vilão de Alligator não é o jacaré, é o homem. O Alligator só quer viver a vida dele normalmente, comer homens toscos gordos e nadar de boa nos esgotos. Mas ai ele vira celebridade, aparece o senador...
Infelizmente, nem só de bons filmes vivem os monstros gigantes. Você já assistiu uma das mil reprises de O Ataque das Formigas Gigantes? Tem uma cena em especial em mais esse clássico do Cinema em Casa na qual as formigas andam por um cais, invadem um iate (?) e matam todo mundo a bordo. Pergunta que não quer calar: por que as porras das formigas gigantes invadem um iate em alto mar só pra matar gente? Foi muito ácido na cabeça desse roteirista, muito ácido mesmo.
Porém, melhor que o Alligator, mais perigoso que o Tubarão de Steven Spilberg e viciante igual O Monstro do Armário (tosco, tosco e mais tosco), está A Invasão das Aranhas Gigantes. Confesso que fico tão emocionado em falar desse filme que nem consigo falar dele mesmo, então, coloca pra carregar o trailer ai que ele fala por si só (e fala até demais).
Pra vocês terem uma idéia da bagaceira, a aranha gigante, era um fusca camuflado com pelúcia (sim, era uma aranha gigante de pelúcia), e os faróis do fusca em questão eram os olhos do bicho. Reparem que: AS PATAS DA ARANHA NÃO TOCAM NO CHÃO. Pior que isso só o meteoro que na verdade é um foguete de S.O.S e a tentativa de vender a idéia de que as aranhas eram alienígenas que vieram de um portal aberto pelo meteoro, saindo de ovos que não se abriam nunca, mas que o isopor quebrava fácil quando a maldita aranha (opa, outro filme) resolvia sair. A morte dela é incrível, é uma melequeira nojenta, uma babação completa, tira o total prazer pelo sorvete. E pensar que eu perdia sono por causa desse filme aos 7 anos.
Já não se fazem mais filmes de monstros gigantes como antes.
E já repararam que tudo tinha gigante no final? Roteiristas megalomaníacos, não?
Filmes modernos de monstros gigantes não são tão bons. Na verdade, esses filmes da nova safra como Cloverfild e O Hospedeiro apelam para o lado emocional da coisa, as relações dramáticas entre os personagens. Os monstros só fazem figuração. Seguindo essa linha, Cloverfild que poderia ser genial, se torna estúpido na maior parte, porém O Hospedeiro se salva, e se salva bem, tirando a dramatização no final que se torna realmente excessiva.
Bom mesmo é o filme O Nevoeiro. Nesse, tem monstros gigantes pra vários gostos, mas eles realmente estão lá de figuração e o drama é o foco principal. O filme não tente levar a imagem dos monstros pra se manter sólido, e é exatamente por isso que ele funciona. Baseado numa ótima obra de Stephen King, a trama começa após uma tempestade numa cidade pequena do Maine. Um pai e seu filho vão no supermercado comprar materiais para a reconstrução da casa onde um grande numero de pessoas foi lá com o mesmo objetivo. Acontecem umas coisas estranhas e um denso nevoeiro cobre tudo e traz consigo um horror gigantesco, monstros enormes que descobrem na carne humana um sabor delicioso. Trancados no supermercado, o inferno começa. O problema é que o perigo não esta só do lado de fora com os monstros, mas no de dentro também, com os humanos.

Aos poucos, uma fanática religiosa monta uma seita pregando um Deus vingativo que precisa de sangue, e os “lúcidos” não sabem mais o que fazer. Morrer pelas mãos dos fanáticos ou correr o risco no nevoeiro repleto de monstros realmente amedrontadores? O filme tem uma trama complexa como só o King é capaz de fazer, além de atuações brilhantes e um final incrível, diferente de quase tudo produzido em Hollywood. Lógico, ele tem suas falhas, como luz demais para um filme tensão/terror e efeitos especiais que deveriam ter sido menos trabalhados, mais escurecidos.
Ainda assim, prefiro que aranhas flutuantes e jacarés mecânicos fiquem lá nos anos 70 e 80 mesmo, junto com o sofá lá de casa e as marcas da minha bunda nos anos 90.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Móveis Feitos Com Tabaco, Quanto Custa O Seu Desejo E Waldick Soriano Is Rock
Eu havia me decidido pelos móveis da loja A, mas aí eu enrolei duas semanas pra comprar, até que no dia resolvo ir com a minha avó, a gente vai na loja A, mas ela me faz ir na loja B, C, D e E. Tudo na C é bonito, mas é caro também. Tudo na E só parece bonito e ainda é caro. A gente roda, roda, e no fim eu resolvo por um móvel da B e um da A, de um total de três eu planejava levar. Simples assim. Mudou tudo. Ate a cor. Em primeira instancia tudo era marfim, logo, virou branco e preto, seguindo tendências modernas (lê-se: um amigo meu em sampa decorou todo o apê dele com móveis brancos e pretos, quis igual).
Os problemas só começaram. Já na entrega o guarda roupa veio com um fungo de uma ponta a outra. "Mas é so uma manchinha", disse o entregador. "Teu cu!", respondi de volta. Como vingança, a loja em questão resolveu atrasar minha vida em uma semana. Como meu quarto estava um pouco mais organizado que uma ruela no Iraque, tive que dormir esse tempo todo com a minha mãe no quarto dela. O problema não era nem o fato de que eu, um garoto de 20 anos e 1,80m, estava dormindo novamente com a mãe, como uma criança que acordou no meio da noite por causa de um pesadelo (Deus, a última vez que eu fiz isso eu tinha 12 anos), o problema era que depois de 4 anos dormindo sozinho numa cama de casal (ok, nem sempre sozinho), você fica um pouco espaçoso.
Tipo, eu acordava no meio da madrugada batendo em alguma coisa com meu joelho, por reflexo, eu batia uma segunda vez, com mais força ainda. Isso em que eu batia era o corpo da minha mãe. Tadinha.
No final das contas, o quarto foi praticamente reformulado e tudo ficou lindo. Quer dizer, ate eu perceber que eu havia perdido metade da entrada do meu banheiro e que meu avô havia lembrado que eu não tenho costume de limpar nada, logo ele da dois meses pra que as partes brancas fiquem marrons. "fica em dúvida se leva o que queria ou o que não queria, decide-se pelo que não queria, pechincha, paga, volta pra casa e, geralmente, se arrepende", lembrei dessa parte e suspirei fundo.
Pior que isso só o diabo do iPhone. Eu passei meses sonhando que o preço dele no Brasil não seria abusivo. Mas aí ele chega, chega com força e chega com umas 1500 pilas só o corpo. Porra de país com telefonia do caralho (momento desabafo mode: off). Não entendo como a Apple aceitou a comercialização de seu produto carro chefe dessa maneira. A empresa de tecnologia mais admirada do mundo por nerds, teens e high society (tudo ao mesmo tempo), pretendia popularizar o aparelho no mundo. No Brasil ele vira acessório de luxo.
Mais revoltante que isso, so a Preta Gil, de penetra na festa de lançamento do celular, usando preto, que ela acha que vai emagrecê-la (mas desculpa te avisar seu canhão, não funciona), que ao indagada sobre que aparelho compraria (8GB ou 16GB) a cantora (heim?) respondeu "Comprar? A gente não é hipócrita, né?", disse, confiante no brinde após a festa. "Eu quero o G3". A vaca queria o aparelho de GRA-ÇA! E eu que se comprar o meu vou ralar um ano só pra pagar. Detalhe, G3 é o tamanho da calcinha dela, o iPhone é 3G.
Organizado pelo Coletivo Catraia, o Varadouro desse ano trouxe atrações de peso do cenário independente, como Ecos Falsos, Daniel de Moraes e o Sindicato, Hey Hey Hey, o estonteante Cordel do Fogo Encantado e um dos maiores símbolos de toda cultura acreana dessa nova geração, a queridinha Los Porongas (o qual eu não vejo um show desde que eles foram para São Paulo ano passado). Não vou me atentar a criticar o Festival, eu não tenho cacique o suficiente pra isso, além de ter visto apenas metade das apresentações. Mas é fato que eu não posso deixar de falar da banda que mais me chamou a atenção, Diego de Moraes e o Sindicato.
Lembro que depois de eu tirar algumas fotos do Cabocrioulo, andando de volta por trás do palco, vejo de relapso uma coisa correndo por mim, onde só pude identificar os cabelos pretos longos, uma mochila, calças e blusa de botão imediatamente penso, "menino ou menina?". Descubro depois, já na frente do palco, que esse era Diego de Moraes, subindo com sua banda e iniciando sua apresentação com a viciante musica Amigo. O diferencial da banda apresentado no som que eles produzem é hilário, divertido e contagiante. As mudanças de tom que Diego usa em suas musicas são engraçadas ao mesmo tempo que prende a atenção. E que porra de estilo é aquele? Samba, brega, rock, forró, tudo misturado?
Não é uma apresentação metódica, com o objetivo de ser perfeita, de se aclamar como uma banda. São garotos cuja maior paixão é visivelmente fazer musica e que se divertem imensamente com isso. Não é a toa que em dado momento, Diego cai entre duas caixas de som e lá fica, cantando, rindo, gargalhando, até o momento em que tudo perde o nexo, e ele começa a cantar "Sorria meu bem, sorriiiia", vira pro público e em tom de quem está conversando com seu melhor amigo diz, "escutem Waldick Soriano, assistam o documentário Eu Não Sou Cachorro Não". Eu não sei o resto do público, mas eu o aplaudi com louvor.
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Analisando Grandes Clássicos da Literatura
O Pequeno PríncipeVamos nos fixar em apenas uma parte do livro pra vocês entenderem. O capítulo da raposa. A raposa linda, ruiva e esbelta tava tranqüila, CUIDANDO DA SUA VIDA, quando chega o principizinho loirinho, dos olhos azuis, bunitinho mas ordinário. Hellowww, a raposa tava na solidão, lógico que ela vai puxar assunto, mesmo que o príncipe tenha deixado claro que estava ATRÁS DE HOMENS. Mesmo assim, a raposa visivelmente numa fossa mental resolve desenvolver laços afetivos com o príncipe-projeto-de-cafajeste. Aí beleza, viram miguxinhos, se divertam, fazem troca-troca e tals, essas coisas; a pobre da raposa já começa a esperar o cachorro as 4 da tarde, dizendo que fica feliz já as 3, quando de repente... o pilantra diz que vai dar o vaza do nada e ainda alega que "A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...". Aí a raposa se fudeu. E pra cravar o punhal no resto do coração da bixinha, o príncipe calhorda ainda faz inúmeros elogios aquela puta da rosa egoísta dele. A mesma rosa que ficou no mundo que ele fugiu porque já tava enjoado, mas logo começou a morrer de saudades. Sim, a mesma rosa egoísta e cretina pela qual ele morre. E a raposa? Deve ter sido morta na última caça a raposa nas pradarias européias.
contribuição (quase plágio descarado) do Goiano
A Moreninha

Pessoal, eu não sei vocês, mas esse livro é totalmente a favor da PEDOFILIA. Um grupo de estudantes de medicina vai pro aniversário da avó de um deles numa ilha que (pelo menos no livro que eu li) nunca dizem o nome. Eles usam como desculpa o aniversário da velha, mas o que eles querem mesmo é caçar muié. Augusto, que diz que nunca fica mais de 15 dias com a mesma mulher, ao chegar à ilha cai de amores por uma moreninha, tipo bem brasileira, de 15 anos de idade, eu disse 15. Ou seja, é a típica história do playboy gostosão e cheio da grana que come a filha da empregada. O livro tem uns momentos bem deprimentes (de ruins, não de tristes), como a história de que o Augusto deu seu coração pra menina que ele conheceu aos 13 anos e que juntos ajudaram um moribundo (que deixou de se preocupar com a morte que tava do lado e só falava de como aqueles dois deveriam casar e ser felizes, super verossímil), no fim Augusto descobre que a Moreninha é essa mesma garota. Ai eles casam e vivem felizes para sempre. Duvido, tenho certeza que aos 40 anos, o tarado do Augusto trocou a Moreninha de peitos já caídos por uma guria de 14 aninhos.
Branca de Neve e os Sete AnõesCá entre nós, que príncipe se casaria com uma mulher que dormia numa floresta isolada com 7 homens? Eu disse SETE! Bobinho esse príncipe, não? Bem que o Dunga nunca me enganou com aquelas orelhas e aquele sorriso de tarado.
Romeu e Julieta

Eu tenho certeza que foi Shakespare que criou o princípio emo. Segue o raciocínio. Dois adolescentes pirados na batatinha se apaixonam durante uma festa em que o Romeu na verdade tava afim de dar uns pegas na Rosaline, só que ele deve ter reparado que a Julieta tinha uns peitos maiores, aí caiu por ela, mas entrou em depressão quando descobriu que ela era da família inimiga a dele. Como naquela época, cortar os pulsos com gilete não tava em moda, os dois se afundavam numa depressão cada vez maior junto a um monte de declarações meia boca. Os dois se casam com a ajuda de um Frei, mas pra fuder tudo de uma vez, o Romeu mata o primo da Julieta no dia seguinte. Depressão, mais depressão e rimas, o pior são as rimas. Romeu foge e o Frei caduco tem a genial idéia de fazer a Julieta parecer morta, assim, ela poderia fugir com o Romeu. Só que Romeu não soube disso a tempo e tomou um veneno na hora que a Julieta acordou. Julieta, fudida e mal paga, já que não tinha muita opção, se matou também. Eu acho que se o Frei tivesse feito eles fugirem juntos sem precisar ninguém se matar, eles iam viver de amor, ate que a grana acabasse e eles percebessem que amor não enche o buxo, e Julieta voltaria pra casa dos pais que já teriam ido ao Jornal Nacional em busca da menina. A história com certeza sairia na íntegra no Fantástico com uma entrevista exclusiva onde Julieta diria, "Não sou lésbica", e sua mãe afirmaria que o problema era que ela tinha engravidado muito jovem. E o Romeu? Teria virado caminhoneiro, michê, ou os dois.
O Senhor dos AnéisUm grupo de homens muito machos saem pra destruir um anel numa montanha de fogo vigiada por um olho. Depois só dois amigos continuam a missão. Vejamos: eles querem queimar o anel? Queimar o anel, sacou, sacou?! É, eu sabia que aquele elfo nunca tinha me enganado.
Dom Casmurro

Eu não sei vocês, mas demorei um mês pra ler esse livro e quando eu o finalmente terminei só um pensamento me passou pela cabeça, o de que Machado de Assis nunca havia imaginado que o teste de DNA fosse inventado. Foram 50 páginas só de delírios do Bentinho querendo saber se Capitu deu ou não deu pro Escobar. Gente, pára e pensa, como seria maravilhoso o espetáculo do Bentinho e da Capitu no programa do Ratinho trocando cada um ofensa de um lado, ate que a Capitu partisse pra enfiar a mão na cara de Bentinho enquanto este gritasse, "Piranha, piranha sim! Tu trepou com meu melhor amigo, sua vaca. Esse filho não é meu!". Pior que isso só aquelas cartas do Bentinho pro Escobar, aí da pra ver que o Bentinho era uma bicha super pintosa. Vide trexo da obra: "Durante cerca de cinco minutos esteve com a minha mão entre as suas, como se não me visse desde longos meses. - Você janta comigo, Escobar? - Vim para isto mesmo." Pra mim é caso encerrado.
contribuição (quase plágio descarado) do Millor
Madame BovaryDona de casa transa com padeiro, leiteiro, carteiro... Chifre adoidado na cabeça do marido. Ela se apaixona por um tal de Leon, estudantezinho de direito, transa com ele, se endivida por causa dele até não ter mais um vintém. Sozinha, sem um tostão furado e sofrendo de depressão crônica, a mulher se mata. É o típico caso de Síndrome de Cinderela, uma quarentona, fica louca por um garotão cheio de amor pra dar, o marido médico é um saco, então vai lá e pimba. Sabe como é? Ta pegando alguém mais novo, dá aquela levantada no ego, faz se sentir mais jovem também, vai atrás de uma miguxinha e tals... Só que naquela época não existia a revista Nova, nem a Criativa, muito menos a Marie Claire, então sem um apoio moral de verdade, e pior, sem o “cantinho da leitora”, a tragédia se consolida no final. E pensar que o Gustave Flaubert foi processado pelo governo francês por causa desse romance. Para ler nesse século: O Doce Veneno do Escorpião, de Bruna Surfistinha.


